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GNR de Silves evita que homem ponha termo à própria vida em Tunes

15 August 2026 at 19:52

Pelas 19h00 do dia 14 de agosto, a rápida intervenção da GNR evitou uma tragédia junto à Estação Ferroviária de Tunes, envolvendo um homem de 57 anos.

O alerta foi dado por um comerciante local, depois de o cidadão ter manifestado desespero e intenções suicidas durante uma conversa informal.

Perante a gravidade das palavras, o comerciante contactou as autoridades.
Os militares deslocaram-se ao local e encontraram o homem numa ponte pedonal ainda em construção, situada sobre a linha ferroviária em construção ainda inacessível ao público, à qual tinha subido através dos andaimes. Segundo foi apurado, o cidadão, com indícios de depressão, aguardava a passagem de um comboio para concretizar as suas intenções.

Segundo testemunhas, perante uma situação de perigo iminente, os guardas iniciaram um diálogo com o homem. Mantendo sempre uma postura calma e próxima, conseguiram conquistar a sua confiança, demovê-lo e convencê-lo a abandonar o local em segurança.

O homem foi posteriormente transportado de ambulância para o Hospital de Portimão, onde recebeu o necessário acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

A atuação destes militares não se limitou ao cumprimento de uma missão. Exigiu serenidade, sensibilidade e capacidade para encontrar as palavras certas num momento decisivo. Foi uma intervenção discreta, mas de enorme importância, que evitou uma tragédia e salvou uma vida.

Incêndio em restaurante em Budens rapidamente dominado

15 August 2026 at 11:49

Um incêndio deflagrou na quinta-feira, dia 13, num restaurante localizado na freguesia de Budens, no concelho de Vila do Bispo. O alerta foi dado pelas 13h56, na sequência de um incêndio num equipamento de extração.

Por se tratar de uma ocorrência em estabelecimento de hotelaria e restauração, foram cumpridos os critérios de triangulação diferenciada, tendo sido despachados, para além dos meios do Corpo de Bombeiros de Vila do Bispo, um Veículo de Combate a Incêndios de Lagos e o Veículo Tanque do Corpo de Bombeiros de Aljezur.

A equipa do restaurante teve uma intervenção rápida e eficaz, procedendo de imediato ao alerta e à evacuação do estabelecimento. À chegada dos bombeiros, o incêndio encontrava-se já dominado, fruto da pronta intervenção da equipa do restaurante.

Os bombeiros procederam então às necessárias manobras de ventilação do espaço e de consolidação, garantindo a segurança do local e a inexistência de focos ativos ou risco de reacendimento.

No local estiveram quatro veículos dos bombeiros, com um total de 14 operacionais, uma viatura da GNR com dois elementos e dois elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil de Vila do Bispo.

Não foram identificados danos materiais substanciais, para além da necessidade de reparação do equipamento de extração afetado. Face aos reduzidos danos registados, prevê-se que o restaurante possa retomar a sua atividade e reabrir ao público brevemente.

A ocorrência fica marcada pela rápida e eficaz intervenção da equipa do estabelecimento, que procedeu prontamente ao alerta e à evacuação, bem como pela resposta célere dos meios de emergência mobilizados, permitindo controlar a situação sem consequências de maior.

Jovem surfista, de nacionalidade austríaca, socorrido na praia da Amoreira, no concelho de Aljezur, após ser atingido por uma prancha na cabeça

13 August 2026 at 10:05

Tem 17 anos e foi levado por operacionais dos Bombeiros Voluntários Aljezur numa ambulância para um hospital do Algarve. Antes foi-lhe prestada assistência a cargo de elementos do «Projecto SeaWatch», que se encontravam a realizar uma ação de patrulha na praia, através de uma viatura no areal.

José Manuel Oliveira

Um jovem surfista, de 17 anos e nacionalidade austríaca, foi hospitalizado, após ter sido atingido por uma prancha na cabeça, quando estava na praia da Amoreira, no concelho de Aljezur, na tarde da passada terça-feira, dia 11 de Agosto.

Alerta foi dado por nadadores-salvadores

Em comunicado, o Gabinete de Imagem e Relações Públicas da Autoridade Marítima Nacional, com sede em Lisboa, indica que, “na sequência de um alerta recebido pelas 17h03, através dos nadadores-salvadores de serviço na praia, os elementos do Projeto “SeaWatch”, que se encontravam a realizar uma ação de patrulha, auxiliaram prontamente a vítima”, tendo-a “transportado, com recurso à viatura «Amarok», do areal até à ambulância dos Bombeiros Voluntários de Aljezur.”

Em seguida, o jovem surfista foi encaminhado numa ambulância para uma unidade hospitalar pelos bombeiros daquela localidade do barlavento algarvio.

Trinta e duas viaturas atribuídas ao Instituto de Socorros a Náufragos, em 2026, reforçam o «Projecto SeaWatch» na vigilância balnear ao longo da costa portuguesa

Recorde-se que, no ano de 2026, o «Projecto SeaWatch» reforça a vigilância balnear, em Portugal, com 32 viaturas atribuídas ao Instituto de Socorros a Náufragos, incluindo modelos «Volkswagen Amarok» e «ID. Buzz,» como explica a Autoridade Marítima Nacional. A iniciativa tem por objectivo a prevenção e o salvamento ao longo da costa, com especial incidência em praias não vigiadas do país.

Festival da Sardinha de Portimão recebe mais de 145 mil entradas e bate recorde

11 August 2026 at 10:17

A 30.ª edição do Festival da Sardinha, realizada entre 4 e 9 de agosto, recebeu 145.729 entradas na zona ribeirinha de Portimão, o valor mais elevado da história do evento.

O recorde anterior tinha sido alcançado em 2024, com 133 mil entradas. Em 2022, o festival contabilizou 110 mil.

O último dia do certame, domingo, concentrou a maior afluência, com 36.331 entradas. O pico de permanência no recinto ocorreu às 23h15, quando estavam presentes 20.095 pessoas, numa noite marcada pelo concerto dos Xutos & Pontapés.

Ao longo dos seis dias foram consumidos 2.515 quilos de sardinha, confecionados pelas cinco coletividades do concelho presentes no recinto. Os números divulgados não incluem os visitantes dos restaurantes aderentes e dos espaços de animação instalados noutros pontos da zona ribeirinha, como o Petinga Park e o palco Música no Jardim.

A organização destacou também os resultados alcançados na gestão dos resíduos. Segundo a Empresa Municipal de Água e Resíduos de Portimão (EMARP), o festival produziu 19.560 quilos de resíduos, dos quais 10.740 quilos foram encaminhados para valorização e reciclagem, o equivalente a 55% do total.

Entre os materiais recuperados encontram-se 8.600 quilos de resíduos orgânicos, 1.160 quilos de vidro, 520 quilos de embalagens de plástico e metal e 460 quilos de papel e cartão. Os restantes 8.820 quilos de resíduos indiferenciados seguiram para aterro.

“Chegámos à 30.ª edição com o melhor resultado de sempre. Estes números são das coletividades, dos expositores e de todos os que trabalharam no festival”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila.

O autarca salientou ainda que esta foi a edição em que mais resíduos foram encaminhados para reciclagem. “Crescer e ser sustentável não são coisas incompatíveis. É assim que queremos continuar”, acrescentou.

O Festival da Sardinha regressa à zona ribeirinha de Portimão entre 3 e 8 de agosto de 2027.

Dois sismos abalam Algarve e Baixo Alentejo durante a madrugada desta segunda-feira, 10 de Agosto

11 August 2026 at 10:02

Um foi registado na zona de Sagres e outro no concelho de Odemira. Não há indicações de danos materiais ou pessoais.

José Manuel Oliveira

A terra voltou a tremer no Sul de Portugal, mas para já não existem informações de que tivesse provocado danos materiais ou pessoais.

Segundo informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, pelas 00h13m. do dia 10 de Agosto de 2026, “foi sentido nas estações da Rede Sísmica do Continente um sismo de magnitude 2.5” na escala de ‘Richter “e cujo epicentro se localizou a cerca de 6 quilómetros a Este-Sudeste do Cabo de S. Vicente”, na zona de Sagres, situada no concelho de Vila do Bispo, barlavento algarvio.

Ainda não foi recebida qualquer informação pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera de que tenha sido sentido o sismo registado no Cabo de São Vicente

Até à elaboração deste comunicado, “não foi recebida nenhuma informação, confirmando que este sismo tenha sido sentido”, refere o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, acrescentando que “se a situação o justificar será emitido novo comunicado.”

Já um sismo de magnitude 3.4 na escala de ‘Richter’, com epicentro a 18 quilómetros a Este de Odemira, acabou por ser sentido nos concelhos de Almodôvar, Beja, Ourique e Santiago do Cacém

Mais tarde, pelas 03h.08m. foi registado “um sismo de magnitude 3.4 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 18 kms. a Este de Odemira”, no Baixo Alentejo. “De acordo com a informação disponível até ao momento, não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima IV/V na escala de Mercalli modificada, no concelho de Odemira”, revela o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Este sismo foi, ainda, “sentido com menor intensidade nos concelhos de Almodôvar, Beja, Ourique e Santiago do Cacém”, adianta aquele organismo.

(Em actualização)

Reportagem na procissão pelo mar na Salema: “Sou católico e senti imenso orgulho conduzir o barco com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes”

9 August 2026 at 10:00

Foi esta a sensação do pescador Marcolino Serpa, em declarações ao ‘Litoralgarve’, no final da procissão marítima durante a tarde do primeiro dia da festa da Salema, a 01 de Agosto, com o padre José Chula e o comandante do porto de Lagos, Hugo da Guia, a bordo de uma das doze embarcações participantes neste evento. Além das celebrações religiosas, momentos simbólicos, com sentimento de fé, a gastronomia, os concertos e bailes, junto à avenida da praia, além de jogos tradicionais no areal, animaram os dois dias de festejos a cargo do Clube Recreativo da Salema.

José Manuel Oliveira

Sábado, dia 01 de Agosto de 2026, povoação da Salema, no concelho de Vila do Bispo. Junto a uma parede da Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, na qual se pode ler «A vossa palavra, Senhor, é a luz dos meus caminhos», o padre José Chula orientou acólitos, o staff do Clube Recreativo da Praia da Salema e voluntários para o transporte do andor com a imagem da padroeira e o Menino, repleta de flores, num cortejo a percorrer várias ruas até à antiga lota, a fim de celebrar a missa, dando início à tradicional festa desta localidade turística.

Pelas 15h.26m., numa tarde de sol e vento, teve início a procissão, a que se juntaram, em duas filas, duas dezenas de populares. O comandante do porto de Lagos, Hugo da Guia, foi um dos presentes. Enquanto um veículo da Guarda Nacional Republicana (GNR) circulou na retaguarda para controlar o trânsito, numa zona de sentido único e inicialmente em descida, o padre José Chula, segurando um microfone, iniciou orações, rezando o «Pai Nosso» e a «Avé Maria». Alguns metros mais à frente, um homem ergueu um equipamento com dois altifalantes. As pessoas acompanharam as orações, num sentimento de fé patente nos rostos.

Durante a celebração da eucaristia, houve quem preferisse o sol na praia, bronzeando-se, e banhos no mar. Isto, numa altura em que um tractor começou a rebocar algumas embarcações, que estavam no areal, para junto da água, preparando a tradicional procissão marítima.

À medida que o cortejo se aproximou do centro da localidade da Salema, viam-se populares, curiosos, às portas de moradias e alguns turistas sentados na esplanada de um dos restaurantes. Um deles até acenou com um copo de cerveja aos participantes da procissão. O calor obrigou uma das fiéis a abrir um chapéu-de-chuva para se proteger do sol. Depois de passar numa pequena ponte, a procissão seguiu em direcção à antiga lota, junto à avenida da praia da Salema, onde o andor de Nossa Senhora dos Navegantes chegou pelas 15h.38m., tendo sido colocado perto de uma parede, na qual se podia ver uma ampla rede de pescadores, com flores, alusiva ao evento. Algumas horas antes da missa, várias senhoras procederam à limpeza e ao embelezamento do local.

Inicialmente, como o ‘Litoralgarve’ constatou, pouco mais de cinquenta pessoas, na sua maioria portugueses, a que se juntaram turistas, assistiram à eucaristia, que teve início pelas 15h42m., a cargo do padre José Chula. Enquanto isso, houve quem preferisse o sol na praia, bronzeando-se, e banhos no mar. Isto numa altura em que um tractor começou a levar algumas embarcações, que estavam no areal, para junto da água, preparando a tradicional procissão marítima.

No final, estavam mais de oitenta pessoas na missa na antiga lota da Salema

Junto ao muro da praia da Salema, tal como outras pessoas, o Comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia também assistiu à missa, durante a qual o sacerdote José Chula pediu aos fiéis para rezarem à Nossa Senhora dos Navegantes “por esta terra e habitantes, que lutam pelas suas vidas.” Seguiram-se cânticos de «Aleluia».

Pouco depois, já estavam a ver esta cerimónia religiosa mais de oitenta pessoas, como contou a nossa reportagem. Ou seja, menos do que em 2025. Durante a homilia, o padre recordou o relato do evangelho, segundo o qual Jesus Cristo alimentou uma multidão de cerca de cinco mil homens com cinco pães e dois peixes num lugar deserto, abençoando e partindo o alimento que foi distribuído pelos seus discípulos. Foi o famoso milagre da multiplicação dos pães. Curiosamente, o sacerdote falou em “cinco peixes e dois pães.” E até repetiu os números.

Padre José Chula durante a homilia: “Jesus convida a uma atitude de partilha para alimentar uma multidão”. E notou que “dois pães e cinco peixes”, como referiu, “o que parecia muito pouco no final ainda sobrou, tendo alimentado toda a gente.”

“É esta capacidade de partilhar que devemos seguir na nossa vida. Sejamos generosos na partilha para abrir os nossos corações aos outros. Vamos partilhar como o Evangelho nos pede.”

“Jesus convida a uma atitude de partilha para alimentar uma multidão”, sublinhou o pároco José Chula, notando que, no final, “o que parecia muito pouco, ainda sobrou, tendo alimentado toda a gente.” “É esta capacidade de partilhar que devemos seguir na nossa vida. Sejamos generosos na partilha para abrir os nossos corações aos outros. Vamos partilhar como o Evangelho nos pede”, apelou.

Embora o padre não tenha feito qualquer alusão ao tema, a homilia fez um popular lembrar-nos a atual crise migratória em Ceuta, território de Espanha, onde milhares de marroquinos e outros cidadãos provenientes de África chegaram a nado à praia (muitos morreram no mar), para fugir à fome, à miséria e guerra nos seus países, em busca de melhores condições de vida na Europa.

“Quem quiser pode levar um, dois cravos para casa”, numa alusão às flores que estavam junto ao andor da Nossa Senhora dos Navegantes. “Não tem de ser um para a vizinha, outro para a irmã, outro para a mãe, outro para a prima.”

Antes do final da missa, pelas 16h.21m., o sacerdote disse que “quem quiser pode levar um, dois cravos para casa”, referindo-se às flores que estavam junto ao andor da Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da Salema. E não mais do que isso. “Não tem de ser um para a vizinha, outro para a irmã, outro para a mãe, outro para a prima”, avisou, com alguma ironia à mistura.

Pouco depois, o andor acabou por ser levado aos ombros de quatro elementos pertencentes ao Clube Recreativo da Praia da Salema para a embarcação «Paralápis», a qual se encontrava à beira-mar, enquanto muitos populares, nomeadamente turistas estrangeiros, filmavam e fotografavam, através dos seus telemóveis, a imagem da santa. Foi nesse barco, do pescador profissional Marcolino Serpa, que seguiram o padre José Chula, o comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia, o ‘Litoralgarve’ e mais algumas pessoas, entre as quais uma criança, para a procissão marítima.

Depois da azáfama entre populares que entravam ou tentavam entrar noutras embarcações, nomeadamente o ‘Novo Nascimento’, ‘Ulisses’, ‘Nascimento’, ‘Marés do Sul’, ‘Oceano’, ‘O Barlavento’ e ‘Valdez’, com o apoio de voluntários, a procissão teve início pelas 16h.36m., após o apito, através de um búzio, do pescador Marcolino Serpa, que conduziu a embarcação com a Nossa Senhora dos Navegantes e o Menino. No total, foram 12 barcos da Salema e de Sagres. Cinco pertencem à pesca profissional, como nos explicaram. Outros dedicam-se ao turismo. No meio do mar, estava a embarcação Salva-Vidas, com a sua tripulação, da Estação de Sagres do Instituto de Socorros a Náufragos. Também se viam pequenas embarcações e motos de água.

“Essas cornetas estão fracas!?” – gritou, a certa altura, durante a procissão marítima o pescador da embarcação ‘Paralápis, Marcolino Serpa, em jeito de desafio para quem conduzia os outros barcos e após fazer ecoar mais um «puuuhuuuuu» através do seu búzio. Pouco depois, outros seguiram-lhe o exemplo, o que animou o ambiente.

No percurso marítimo, efectuado de uma ponta à outra da praia da Salema, sob vento norte e de noroeste, muitas pessoas que estavam no areal, algumas com chapéus-de-sol, e outras a banhos, acenavam e aplaudiam quem seguia na procissão. E também não faltou a captação de imagens através de telemóveis. Numa das arribas é visível o aviso de risco de derrocada.

“Essas cornetas estão fracas!?” – gritou, a certa altura, o pescador da embarcação ‘Paralápis, Marcolino Serpa, em jeito de desafio para quem conduzia os outros barcos e após fazer ecoar mais um «puuuhuuuuu» através do seu búzio. Pouco depois, outros seguiram-lhe o exemplo.

Na anterior procissão marítima, com oito embarcações, na praia da Salema, em 2024 – um regresso após cinco anos de ausência devido à pandemia da Covid-19 (em 2025 não houve por causa da falta de condições do mar, dada a ondulação registada) – o barco em que seguia a Nossa Senhora dos Navegantes teve, então, a presença de duas senhoras do Grupo Coral de Bensafrim, que cantavam canções religiosas, como «Nossa Senhora do Sim / Maravilha: Virgem Mãe! / Cuida, Maria, de mim / E que eu diga Sim Também». Desta vez, não houve orações, nem cânticos a bordo.

A certa altura, o padre José Chula e o comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia, aceitaram posar para uma foto, juntamente com o mestre e pescador Marcolino Serpa, a pedido de uma das pessoas que estavam no barco. “É para o museu”, disse alguém.

Eram 17h.15m., quando as embarcações, devidamente ornamentadas e algumas com a bandeira de Portugal, começaram a chegar à praia. Como já tinha anunciado na missa, após a procissão marítima, que decorreu durante cerca de 45 minutos, o padre José Chula teve de se ausentar, de imediato, para participar numa homilia na Igreja de Barão de São Miguel, povoação rural do concelho de Vila do Bispo. O andor de Nossa Senhora dos Navegantes foi levado para uma carrinha que o transportou de regresso à capela, situada no alto de uma zona na localidade da Salema.

Os alertas do comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia

Em declarações ao ‘Litoralgarve’, o comandante do Porto de Lagos, Hugo da Guia, que participou pela primeira vez nesta procissão marítima, elogiou o evento: “Correu tudo bem. É uma tradição louvável e para continuar.” Questionado sobre os conselhos que deixa aos banhistas e outros utentes das praias e orla marítima, apelou à tomada de medidas de segurança em desportos náuticos, “como por exemplo o paddle”, lembrando, a propósito, o recente acidente mortal de um surfista britânico, de 28 anos, a 27 de Julho, na zona da Praia da Arrifana, no concelho de Aljezur, “sem colete” e a uma distância de trezentos metros da praia. “É necessário respeitar a linha de segurança, a distância limite de trezentos metros neste tipo de actividades. Com colete, teria sido possível a sua recuperação”, sublinhou o comandante Hugo da Guia.

Por outro lado, e numa altura em que as praias do Algarve e do país se enchem de habitantes locais e turistas, aquele responsável insistiu “no cumprimento das regras de segurança, com respeito pela sinalética e pelos avisos dos nadadores-salvadores, de forma a evitar problemas”, admitindo que, durante as férias de Verão, por vezes “haverá pessoas mais descuidadas.”

Maria Costa, moradora em Lagos: “Gostava muito de ter ir ido na embarcação com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, mas disseram-me que tinha de ir para outra. Mesmo assim, não consegui entrar noutros barcos porque, segundo me responderam, não havia lugar. Fiquei desanimada.”

Quem sentiu pena por não ter participado na procissão pelo mar na Salema foi Maria Costa, que se deslocou a propósito de Lagos para esta cerimónia religiosa. “Gostava muito de ter ido na embarcação com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, mas disseram-me que tinha de ir para outra. Mesmo assim, não consegui entrar noutros barcos porque, segundo me responderam, não havia lugar. Fiquei desanimada”, lamentou, ao ‘Litoralgarve’, a senhora, junto ao mar.

Depois de tal, como outros populares, ter notado a presença de “menos gente” no início da Festa da Salema, Maria Costa considerou serem “necessárias mais iniciativas” neste evento. Nesse sentido, sugeriu, para 2027, “mais animação durante o dia, com música” no areal.

Presidente da Junta de Freguesia de Budens, Ana Custódio: “Correu bem. Foi um passeio marítimo mais longo, de uma ponta à outra em frente à praia, com mais tempo no mar. Gostei imenso.”

“Sábado e domingo, ou seja, dois dias de festa chegam, para já” na Salema

Já Ana Custódio, presidente da Junta de Freguesia de Budens, que abrange a localidade da Salema, viajou na embarcação ‘Marés de Portugal’, tendo-se mostrado encantada com a procissão. “Correu bem. Foi um passeio marítimo mais longo, de uma ponta à outra em frente à praia, com mais tempo no mar. Gostei imenso”, destacou, ao ‘Litoralgarve’, a autarca, que ficou surpreendida com a ausência da presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Paula Freitas, neste evento, apesar de a própria o ter anunciado através de um vídeo.

Sobre a possibilidade de a Festa da Salema, em 2027, passar a decorrer durante mais dias, por exemplo de sexta-feira a domingo, Ana Custódio, após enaltecer o “bom trabalho do clube” organizador, respondeu-nos: “Sábado e domingo, ou seja, dois dias de festa chegam, para já.” Gostava era de ver mais jogos tradicionais na praia. Mas reconhece que “não há animadores” de modo a criar mais iniciativas nesse sentido.

Lurdes Sebastião: “Há mais de 50 anos, havia mais pessoas, barcos e pescadores na Salema. Agora é diferente. Só se vêem aqui estrangeiros”

Sentada na antiga lota da Salema, onde assistiu à missa, Lurdes Sebastião, de 79 anos, desta vez não participou na procissão marítima. O problema, segundo admitiu, ficou a dever-se a problemas de locomoção. “Nunca enjoei”, garantiu a senhora, lembrando que “há mais de 50 anos, havia 13/14 barcos, ou até mais, de pesca na procissão.” “Nesse tempo, também havia mais pessoas, mais barcos e pescadores na Salema. Agora é diferente. Só se vêem aqui estrangeiros”, observou Lurdes Sebastião.

O que também não esquece é o facto de o seu marido, hoje com 82 anos, ter feito “parte da Comissão que ajudou a construir a igreja da Salema”. E sente natural orgulho por isso. A Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, como se designa o templo, foi inaugurada no dia 21 de Novembro de 2015 pelo então presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, e pelo Bispo do Algarve, na altura, Dom Manuel Quintas.

ENTREVISTA AO PESCADOR MARCOLINO SERPA

Em entrevista ao ‘Litoralgarve’, junto ao mar, na praia da Salema, Marcolino Serpa, de 61 anos, pescador profissional, disse que “foi um sorteio” a lhe permitir levar o andor com a Nossa Senhora dos Navegantes na sua embarcação, durante a procissão ao longo de uma milha marítima, o equivalente a 1.852 metros.

“Foi a primeira vez que tal aconteceu e não tem explicação. Sou católico e senti um imenso orgulho conduzir o barco com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes. Correu tudo bem”, contou, com alguma emoção à mistura. E só espera “que não seja a última vez.”

Litoralgarve – Qual foi a sensação que lhe deu conduzir a embarcação com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes, na procissão marítima junto à praia da Salema?

Marcolino Serpa – Qual a sensação? Foi a primeira vez que tal aconteceu e não tem explicação. Sou católico e senti um imenso orgulho conduzir o barco com o andor de Nossa Senhora dos Navegantes. Correu tudo bem.

“Nasci aqui, na Salema, fui criado e vivo aqui. Mas sou pescador em Sagres, onde existem outras condições para os profissionais desta actividade, com o porto de pesca e a lota da Docapesca. Pesco robalos, sargos e douradas. Só peixe fino…”

Litoralgarve – E como surgiu esta possibilidade?

Marcolino Serpa – Foi um sorteio. Para o ano não quer dizer que seja eu novamente. Mas espero que não seja a última vez. Nasci aqui, na Salema, fui criado e vivo aqui. Mas sou pescador em Sagres, onde existem outras condições para os profissionais desta actividade, com o porto de pesca e a lota da Docapesca. Pesco robalos, sargos, robalos e douradas. Só peixe fino…

“Aqui, a pesca artesanal não tem futuro e também está acabar em todos os sítios.”

Litoralgarve – A pesca acabou na Salema?

Marcolino Serpa – Não acabou, mas está em vias de extinção, infelizmente.

Litoralgarve – Quantos barcos existem aqui?

Marcolino Serpa – Cinco. Já não há muitos.

Litoralgarve – Lembra-se da sua actividade na Salema, quando funcionava a lota?

Marcolino Serpa  – Lembro-me de carregar os polvos, que apanhava, para a lota da Salema. Eram outros tempos.

Litoralgarve – O que é necessário na Salema para haver mais pescadores?

Marcolino Serpa (com ironia) – É fazer mais crianças… Aqui, a pesca artesanal não tem futuro e também está acabar em todos os sítios.

“A procissão contou com cerca de 60 pessoas nos vários barcos. Estiveram turistas, que vêm todos os anos, e portugueses daqui.”

Litoralgarve – Quantas pessoas participaram nesta procissão marítima?

Marcolino Serpa – A procissão contou com cerca de 60 pessoas nos vários barcos. Estiveram turistas, que vêm todos os anos, e portugueses daqui.

Litoralgarve – No ano passado, não houve procissão pelo mar por falta de condições de segurança, devido à ondulação. Desta vez, foi diferente…

Marcolino Serpa – Agora houve todas as condições de segurança e só assim podia haver procissão ao longo de uma milha marítima, equivalente a 1.852 metros, com vento norte e noroeste. Correu tudo bem. Foi impecável.

Litoralgarve – O que lhe disse o padre José Chula, que esteve ao seu lado na embarcação?

Marcolino Serpa – Conheço o senhor padre há anos. Ele estava à pressa porque tinha de celebrar uma missa em Barão de São Miguel e por isso, após a procissão pelo mar, teve de se ir embora. Mas penso que gostou.

Para entrar na procissão pelo mar, “as pessoas têm de perguntar qual é a lotação do barco e saber se já está cheio. Ou, então, procurar outros barcos.”

“Há pessoas que não são daqui e procuram directamente embarcar. Não é bem assim que as coisas funcionam.”

Litoralgarve – Há quem se queixe de ter tentado entrar em qualquer das embarcações e não lhe ter sido permitido. Porquê é que isso aconteceu? Admite alguma falha ao nível de organização?

Marcolino Serpa – Não. As pessoas têm de perguntar qual é a lotação do barco e saber se já está cheio. Ou, então, procurar outros barcos. Há pessoas que não são daqui e procuram directamente embarcar. Não é bem assim que as coisas funcionam. Têm de perguntar.

A Festa da Salema “precisa de mais apoio, de ter condições, por exemplo, para iniciativas destinadas às crianças.”

“Convém manter as tradições dos nossos antepassados. Nesse tempo, tínhamos outras condições.”

Litoralgarve – O que é necessário melhorar na Festa da Salema?

Marcolino Serpa – Precisa de mais apoio, de ter condições, por exemplo, para iniciativas destinadas às crianças. Falta a parte lúdica para crianças. Convém manter as tradições dos nossos antepassados. Nesse tempo, tínhamos outras condições. Esta festa chama toda a gente que está de férias e isso é bom. Damos todo o apoio para não acabar.

“Há menos turistas, principalmente portugueses”, porque “há falta de euros…”

“Agora, só vêm uma semana, ou duas semanas. Noutros anos, vinham três a quatro semanas” em Agosto.

Litoralgarve – Em Agosto de 2026, há quem aponte para menos turistas na Salema. A que se deve essa situação?

Marcolino Serpa (de novo, irónico) – Porque há falta de euros… Sim, há menos turistas, principalmente portugueses. Agora, só vêm uma semana, ou duas semanas. Noutros anos, vinham três a quatro semanas.

Popular diz ao ‘Litoralgarve»: “Notei muito menos gente, neste ano, na Festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, na Salema, até nos concertos, inclusive de Xico Barata, um artista que aprecio imenso. E achei as refeições caras, como frango assado a 12,00 euros.”

“Ao mesmo tempo, muitos outros espectáculos musicais tiveram lugar, também à noite, em localidades como Almádena, Figueira, Raposeira e Espiche, aqui perto.”

Na procissão pelo mar, “antigamente, sim! Havia trinta barcos de pesca, muitos pescadores na Salema e era tudo diferente.”

“Os jovens jogavam futebol e outras modalidades desportivas. Hoje, querem é Internet, ‘Facebook’ e redes sociais.”

“Os turistas que vêm para a Salema, nomeadamente muitos holandeses, nesta altura do ano, têm imenso poder de compra. Querem é silêncio e ouvir o mar, pois outro tipo de barulho e problemas já têm onde vivem.”

Por outro lado, um popular, residente no concelho de Vila do Bispo, disse ao nosso Jornal: “Notei muito menos gente, neste ano, na Festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, na Salema, nossa padroeira, até nos concertos, inclusive de Xico Barata, um artista que aprecio imenso. E achei as refeições caras, como frango assado a 12,00 euros. Ao mesmo tempo, muitos outros espectáculos musicais tiveram lugar, também à noite, em localidades como Almádena, Figueira, Raposeira e Espiche, aqui perto, o que poderá ter retirado populares à Salema.”

Por outro lado, observou, “os turistas que vêm para a Salema, nomeadamente muitos holandeses, nesta altura do ano, têm imenso poder de compra. Querem é silêncio e ouvir o mar, pois outro tipo de barulho e problemas já têm onde vivem.”

Em relação à procissão pelo mar, recordou com saudade: “Antigamente, sim! Havia trinta barcos de pesca, muitos pescadores na Salema e era tudo diferente. Os jovens jogavam futebol e outras modalidades desportivas.”

“Hoje, querem é Internet, ‘Facebook’ e redes sociais”, lamentou o mesmo popular, pedindo para o identificarmos nesta reportagem. Mas destacou a importância da Festa da Salema para a imagem turística e social do Algarve.

PCP saúda trabalhadores que participaram no Dia de Luta Regional em Faro

8 August 2026 at 10:23

O PCP saudou os trabalhadores que participaram, a 7 de agosto, no Dia de Luta Regional promovido pela União dos Sindicatos do Algarve, iniciativa que incluiu greves e uma manifestação nas ruas de Faro.

Em comunicado, a Direção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do PCP afirma que a ação teve como objetivo denunciar as condições laborais e reivindicar melhores condições de trabalho e de vida, numa altura em que a época alta aumenta significativamente a atividade económica da região.

Segundo o partido, os trabalhadores contestam que o verão algarvio continue a ser marcado pelo agravamento da carga e dos ritmos de trabalho, pela desregulação dos horários e pela precariedade laboral. O PCP considera que as receitas recorde do turismo não se refletem nos salários dos trabalhadores do setor, que permanecem entre os mais baixos da economia portuguesa.

O aumento do custo de vida, sem uma evolução equivalente dos salários e das pensões, esteve também entre as preocupações destacadas durante a iniciativa. A estrutura regional comunista contrapôs as dificuldades sentidas pelos trabalhadores aos lucros obtidos por grandes grupos económicos, nomeadamente nos setores bancário e petrolífero.

A DORAL apontou ainda problemas como o elevado custo da habitação no Algarve, as limitações dos serviços públicos, as insuficiências da rede de transportes e a falta de investimento e diversificação económica. Na perspetiva do PCP, estas dificuldades resultam de políticas seguidas durante décadas e agravadas pelo atual Governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal e, em algumas matérias, do PS.

Na manifestação participaram trabalhadores da hotelaria, comércio e serviços, autarquias, Administração Pública, saúde, ensino, indústria conserveira e serviços postais, bem como jovens trabalhadores, estudantes e reformados, provenientes de vários pontos do Algarve.

O PCP considera que a mobilização demonstra uma crescente disponibilidade dos trabalhadores para intensificarem a luta pelas suas reivindicações, após aquilo que classifica como a derrota do Pacote Laboral promovido pelo Governo e pelo patronato.

Vila do Bispo: cheiro a haxixe denuncia jovem apanhado com 2 000 doses em Budens

7 August 2026 at 11:41

Um jovem de 20 anos ficou em prisão preventiva depois de ter sido detido em flagrante pela GNR, na posse de 2 000 doses de haxixe, no concelho de Vila do Bispo.

A detenção ocorreu no dia 4 de agosto, durante uma ação de patrulhamento e fiscalização rodoviária realizada pelo Posto Territorial de Vila do Bispo, na localidade de Budens.

Segundo o Comando Territorial de Faro da GNR, os militares abordaram uma viatura e, durante a fiscalização, detetaram um forte odor a haxixe proveniente do seu interior. No decorrer das diligências, foi localizado um saco com dez placas de haxixe, correspondentes a cerca de 2 000 doses.

Além do produto estupefaciente, a operação resultou na apreensão de um telemóvel e da viatura utilizada pelo suspeito.

O detido foi presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal Judicial de Lagos, no dia 5 de agosto, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva.

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