Situada numa zona nevrálgica de Lagos, encostada às antigas muralhas e com a frente voltada para a Praça do Infante, a Igreja de Santa Maria é um marco incontornável para quem percorre o centro histórico daquela cidade.
A sua história é feita de resiliência: construída originalmente em 1498 como Igreja da Misericórdia, o templo sobreviveu ao devastador sismo de 1755 – que destruiu a antiga igreja paroquial, levando Santa Maria a assumir esse papel – e a um grave incêndio em 1888.
Arquitetonicamente, o edifício que hoje admiramos é um exemplar do estilo neoclássico, fruto das importantes obras de recuperação ao longo dos séculos.
A sua fachada destaca-se pela simetria perfeita, com duas torres sineiras laterais que emolduram o portal central, uma janela de sacada e um nicho para imagem.
No interior, a nave única revela um ambiente de sobriedade e elegância, enriquecido por retábulos da segunda metade do século XVIII e três capelas colaterais.
É um testemunho vivo da evolução de Lagos, onde a arquitetura de defesa das muralhas se cruza com a imponência da fé.
Ícone incontornável do Algarve, a Praia da Rocha é muito mais do que um destino, é uma experiência completa.
Com um areal imenso que se estende por mais de um quilómetro, se não aprecia particularmente a areia sob os pés, pode, ainda assim, percorrê-la em toda a sua extensão através de um passadiço.
Se o esforço abrir o apetite pode entrar num restaurantes que vai encontrar pelo caminho.
Destaque, também, para a Área Desportiva, onde se realizam jogos e torneios das mais variadas modalidades desportivas de praia.
O extenso areal é, igualmente, um cenário ideal para a realização de grandes concertos musicais.
E é isso que acontece todos os anos, com os muitos que compõem o festival AfroNation.
A energia da marginal é contagiante: entre hotéis, o Casino e uma vida noturna de referência, as opções são quase infinitas.
Pode ainda aproveitar para dar um saltinho à marina ou, então, subir à Fortaleza de Santa Catarina, um dos miradouros mais fantásticos do Algarve.
Mas o verdadeiro segredo da Rocha continua a ser a sua beleza natural.
Por isso, não espanta que seja uma das praias mais procuradas do Algarve.
Se procura aquele Algarve que ainda se sente virgem e selvagem, a Praia de Vale dos Homens, perto do Rogil, no concelho de Aljezur, é o seu destino.
Mas prepare-se: o acesso não se faz por um caminho qualquer. É através de uma imponente escadaria de madeira com quase 300 degraus que se desce até este areal dourado.
Como diz o ditado, “para baixo todos os santos ajudam”, mas é na subida que o corpo sente o esforço.
Felizmente, a autarquia pensou nisso e instalou bancos estratégicos onde pode descansar enquanto enche os pulmões com o perfume da maresia e das estevas.
Ao chegar lá abaixo, a recompensa é absoluta.
Rodeada por enormes arribas de xisto que parecem muralhas naturais, esta praia no concelho de Aljezur é o refúgio perfeito para quem foge das multidões.
Quando a maré vaza, o cenário transforma-se e surgem pequenas piscinas entre as rochas, ideais para explorar com calma.
É um daqueles recantos onde o tempo parece parar e onde a natureza manda em tudo.
Embora o acesso exija algum preparo físico, a vista panorâmica durante o percurso e o sossego que encontra no areal fazem de Vale dos Homens uma experiência obrigatória.
É o Algarve no seu estado mais puro: exigente, deslumbrante e profundamente revigorante.
No coração da zona histórica de Olhão, onde hoje se cruzam turistas de todo o mundo, ergue-se um monumento que conta a história de um povo que transformou a humildade em grandeza: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
A sua construção, iniciada em 1698, é um verdadeiro testemunho da força da comunidade local. Na fachada, uma inscrição imortaliza a origem do templo: “À custa dos homens do mar deste povo se fez este templo novo, no tempo em que só haviam umas palhotas”.
O que começou como uma pequena capela de pescadores evoluiu para a atual Igreja Matriz, um edifício barroco de planta longitudinal que hoje domina a baixa da cidade.
Ao entrar, somos recebidos por uma nave única e imponente, onde se destacam cinco altares e uma capela-mor quadrangular coberta por uma cúpula oitavada. O interior é um tesouro de arte sacra, exibindo um retábulo e arco triunfal em talha dourada, obra do prestigiado entalhador Manuel Francisco Xavier. No teto, um fresco delicado e a imagem da padroeira, Nossa Senhora do Rosário, completam o cenário de devoção.
A fachada principal, reformulada na segunda metade do século XVIII com um impressionante coroamento triangular, é considerada uma das mais belas de todo o Algarve. Classificada como Imóvel de Interesse Público, a Igreja Matriz não sobreviveu apenas ao terramoto de 1755, mas tornou-se o símbolo máximo da identidade de Olhão, unindo o mar, a fé e a arquitetura barroca num só lugar.
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Muito antes de ser o refúgio balnear que hoje atrai milhares de turistas, Alvor foi o cenário de um dos momentos mais marcantes da História de Portugal.
Foi ali que o rei D. João II faleceu, em 1495, após falharem os tratamentos nas Caldas de Monchique.
Este trágico episódio mudou o destino da terra que, por vontade expressa do “Príncipe Perfeito”, foi elevada a vila pelo seu sucessor, D. Manuel I.
Com raízes que recuam a um entreposto fundado por Aníbal Barca (Portus Hannibalis) e a um posterior castro celtibérico, a localidade soube reinventar-se ao longo dos séculos sem perder a sua profunda ligação ao mar.
A evolução do mar para o turismo
Historicamente, Alvor consolidou-se como um lugar de forte vocação marítima e piscatória.
Durante séculos, a subsistência da população dependeu do mar, da pesca e das suas salinas.
Nas últimas décadas, a terra operou uma transição extraordinária: de uma pacífica comunidade de pescadores, transformou-se numa importante estância turística internacional. Este crescimento foi impulsionado por um contínuo desenvolvimento económico e social que devolveu à localidade a importância dos seus tempos áureos.
As pragas de Alvor são uma das imagens de marca desta terra e das gentes.
Nascidas no seio da comunidade piscatória tradicional, os chamados “Alvoreiros”, estas pragas eram expressões e dizeres utilizados habitualmente durante discussões, picardias ou desavenças entre vizinhos e familiares.
Herança histórica e artística
A era de grande prosperidade deixou marcas profundas no património.
O maior exemplo é a sua deslumbrante Igreja Matriz, erguida no século XVI.
Este templo é célebre por exibir portais de estilo manuelino incrivelmente trabalhados, repletos de pormenores decorativos que testemunham a riqueza artística da época dos Descobrimentos.
Hoje, a alma de Alvor continua ligada às suas águas, mas com foco no lazer.
A requalificada zona ribeirinha é o ponto de encontro por excelência, convidando a passeios junto aos barcos tradicionais.
Daí abre-se o cenário idílico da Ria de Alvor, uma das zonas húmidas mais importantes do Algarve.
Este ecossistema estende-se num labirinto de canais e sapais, servindo de refúgio a várias espécies de aves e bivalves.
A poucas centenas de metros do centro da vila, a paisagem transforma-se num cenário balnear de excelência. Alvor é emoldurada por praias de areias douradas, como a vasta Praia de Alvor e a icónica Praia dos Três Irmãos, famosa pelas suas falésias.
Para unir este património de forma sustentável, foi construído o famoso passadiço de madeira de Alvor, que serpenteia ao longo das dunas, ligando a zona ribeirinha à praia com vistas deslumbrantes sobre o oceano.
Situada na costa sul de Vila do Bispo, a Praia do Zavial deslumbra pelo seu enquadramento natural, onde o areal de média extensão é abraçado por imponentes arribas calcárias cobertas de vegetação mediterrânica.
Inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, esta praia combina a serenidade da paisagem com um passado de grande importância estratégica e histórica.
Desde o século XVI, o Zavial foi palco de uma relevante armação de pesca do atum, protegida pelo Forte de Santo Inácio do Zavial, erguido na década de 1630.
Mas o segredo mais dramático destas águas repousa no fundo do mar: em 1759, durante a Guerra dos Sete Anos, o navio francês Redoutable afundou-se aqui após uma intensa batalha naval contra a esquadra inglesa.
Hoje, o Zavial é um refúgio que preserva tanto a sua herança militar quanto a sua beleza selvagem.
A Guia é a verdadeira capital do frango assado, famosa em todo o país por esta especialidade gastronómica deliciosa e estaladiça.
Situada em pleno coração do Algarve, no concelho de Albufeira, junto à estrada EN125, esta vila consegue a proeza de juntar tradição, lazer e ótimas compras num único lugar.
Visitar a Guia e não comer um frango assado é quase um pecado. É o grande ex-líbris da terra e as dezenas de restaurantes locais servem-no como ninguém.
Antes ou depois de provar este prato típico, pode dar uma volta pela localidade para apreciar, sobretudo, os seus monumentos religiosos.
Igreja Matrizda Guia
A Igreja Matriz é dedicada a Nª Sra. da Visitação. Foi edificada no século XVII e no seu interior podem ser admirados o retábulo da Capela-Mor, uma imagem de Nossa Senhora da Visitação, provavelmente do século XVIII, as imagens de Santo António e de Cristo Crucificado.
A Ermida de Nossa Senhora da Guia é mais antiga, data do século XV, mas teve de ser reconstruída depois do terramoto de 1755 Terá, inclusivamente, estado na origem da povoação e, reza a lenda que naquele local apareceu a Virgem.
A umas centenas de metros encontramos outra ermida, a de São Sebastião, feita com o objetivo de ajudar a afastar a peste negra.
A Guia é, também, um ponto de paragem obrigatório para quem gosta de fazer compras. A poucos quilómetros do centro da vila, fica um enorme espaço comercial que serve toda a região. O grande destaque vai para o famoso Algarve Shopping, um centro comercial ao ar livre onde pode encontrar lojas para todos os estilos e gostos, um grande supermercado e uma ampla zona de restauração.
Se for em direção ao mar, encontra, também, a cerca de 6 quilómetros, praias famosas, como a da Galé e a dos Salgados.
A Praia do Evaristo é um refúgio de biodiversidade em Albufeira, perfeito para quem procura uma ligação direta com a natureza pura.
Situada longe da influência urbana e integrada em sistemas naturais sensíveis, esta pequena enseada de areia dourada destaca-se pelo seu caráter rochoso e pelas arribas baixas, artisticamente recortadas pelo tempo.
O grande diferencial do Evaristo está “escondido” à vista de todos: enormes blocos rochosos espalham-se pelo areal e mergulham no mar, criando um autêntico aquário natural.
Nas rochas é possível encontrar cracas, mexilhões, lapas e anémonas que dão cor às paredes e dentro de água, os banhistas podem encontrar cardumes de safias, sargos e peixes-rei que nadam tranquilamente entre os rochedos.
O acesso é feito por estrada alcatroada (ligação Guia-Galé).
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O barco “Alvor” é o elemento mais importante e o coração de todo o Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor.
Construído entre 1932 e 1933, este barco a remos do tipo dinamarquês e casco trincado salvou muita gente ao longo dos anos, atuando numa época em que os acidentes à entrada da barra eram frequentes e fatais.
O apego da comunidade a este salva-vidas, símbolo de proteção marítima, gerou um episódio memorável de resistência em 1983.
Com o encerramento da estação salva-vidas, a Marinha Portuguesa tentou levar a embarcação para o seu museu, mas a população de Alvor revoltou-se.
Para impedir a retirada da embarcação, as portas da estação foram soldadas e os carris de acesso à água cortados.
No dia da chegada da comitiva militar, os sinos da igreja tocaram a rebate e o povo desceu em massa à ribeira, impedindo a partida do barco.
Após ser restaurado no final dos anos 1990, o salva-vidas passou a integrar a procissão de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Hoje, toda esta história está guardada no Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor. Este equipamento cultural resulta da reabilitação da antiga Estação do Instituto de Socorros a Náufragos, sendo um projeto da Câmara Municipal de Portimão (através do Museu) com a Junta de Freguesia de Alvor.
O espaço funciona como um núcleo museológico que liga o património sociocultural às vivências e saberes da comunidade piscatória local, homenageando os homens e mulheres que sempre viveram do mar e da ria.
Leia aqui mais textos sobre o concelho de Portimão
A Praia da Batata, em Lagos, é muito mais do que um simples areal. É um local onde a história da cidade e as lendas populares se cruzam com o azul do mar.
Situada a escassos metros do centro histórico, entre o molhe poente da Ribeira de Bensafrim e a Praia dos Estudantes, encontra-se estrategicamente próxima do Cais da Solaria e da imponente Fortaleza da Ponta da Bandeira.
O seu nome curioso, segundo reza a tradição oral, poderá ter ficado a dever-se a um acontecimento insólito: um naufrágio terá feito com que a carga de batatas que a embarcação transportava desse à costa, cobrindo o areal. O povo, com o seu pragmatismo típico, batizou-a de imediato como Praia da Batata.
Devido à sua localização privilegiada junto ao centro urbano, é uma das praias mais frequentadas de Lagos.
Os seus recantos abrigados pelas arribas oferecem sombras naturais e uma excelente proteção contra os ventos dominantes, tornando-a um refúgio acolhedor.
Além disso, é o palco de uma das tradições mais castiças da região: o “Banho 29”, uma festa popular que atrai multidões na noite de 29 de agosto para um mergulho ritual à meia-noite.
Vigiada e com bons apoios de praia, a Praia da Batata continua a ser, séculos depois, o ponto onde Lagos melhor celebra a sua ligação umbilical ao oceano e às histórias que as ondas trazem a terra.
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A Igreja de São Bartolomeu de Messines nasceu de uma forma bem pouco comum.
Diz a lenda que os habitantes da Amorosa e de Messines não chegavam a acordo sobre a localização do templo.
Para resolver o conflito, decidiu-se que dois cavaleiros partiriam de cada aldeia e que a igreja seria erguida no ponto de encontro.
O cavaleiro de Messines, contudo, avançou propositadamente mais devagar, garantindo que o edifício ficasse nas terras da sua povoação.
Para além do mito, o templo é um valioso exemplar arquitetónico.
Construído originalmente no primeiro quartel do século XVI, exibe hoje uma fusão entre o Manuelino e o Barroco, fruto de grandes obras no início do século XVIII.
No exterior, destaca-se o imponente pórtico barroco, ladeado por colunas salomónicas e capitéis coríntios.
O seu interior, de planta longitudinal com três naves, guarda um rico espólio de imagens dos séculos XVII e XVIII.
A importância religiosa da vila estende-se ainda às ermidas de Nossa Senhora da Saúde, Sant’Ana, São Pedro e São Paulo, que completam o património local.
Porta de entrada no Algarve para quem vem do Alentejo, a vila de Odeceixe ergue-se encostada a uma colina, com ruas estreitas e casas de um branco imaculado.
Integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a freguesia combina a pacatez rural com a força do Atlântico, sendo famosa pela sua biodiversidade, arribas imponentes e dunas litorais.
O território é moldado pela Ribeira de Seixe, que nasce na Serra de Monchique e corre todo o ano, servindo de fronteira natural entre as duas regiões.
As suas águas preservadas alimentam uma vegetação rica em plantas endémicas e servem de refúgio a espécies raras como a garça-boieira e a lontra.
O rio desagua na icónica Praia de Odeceixe, eleita uma das “7 Maravilhas de Portugal” em 2012, onde o mar e a ribeira se encontram criando lagoas calmas na maré baixa. Logo ao lado, a sul, fica a Praia das Adegas, uma das praias oficiais de naturismo do país.
Na vila, o património histórico e cultural convida a visitas demoradas. Destacamos a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, um templo dos séculos XIV/XV que guarda um arco triunfal manuelino e valioso espólio em prata lavrada.
A Adega-Museu, que recria as adegas das décadas de 1920 e 1940, antigo ponto de encontro social e de partilha da tradicional “adiafa” entre trabalhadores também merece uma visita, tal como o Moinho de vento, de onde se tem uma das vistas mais belas da zona.
A ligação à terra e ao mar reflete-se na gastronomia, com pratos típicos como a “Feijoada à minha maneira”, e nas celebrações locais.
A vila ganha vida com os desfiles de Carnaval, com a Feira do Folar na Páscoa, com as ruas coloridas nos Santos Populares, em junho, e com o mercado de rua que, de 15 em 15 dias aos domingos, mostra o orgulho local em legumes doces e licores artesanais.
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A Igreja do Carmo, em Faro, ficou eternizada na história por ter sido o palco onde eclodiu a revolta da cidade contra o domínio francês, a 19 de junho de 1808, e onde se elegeu o Supremo Conselho de Regência do Reino do Algarve.
Outro dos seus maiores – e macabros – pontos de interesse situa-se no antigo cemitério anexo: a célebre Capela dos Ossos, erguida em 1816.
Sendo uma das apenas seis estruturas deste género recenseadas em Portugal, esta capela oitocentista de inspiração barroca impressiona pelo seu revestimento feito com os crânios e ossos de mais de mil monges carmelitas.
Para além deste forte legado histórico e místico, o templo destaca-se na paisagem urbana pelas suas imponentes torres gémeas.
Construída originalmente entre 1713 e 1719 pela Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a igreja teve de ser reconstruída após o sismo de 1755, afirmando-se como um belo exemplar da arquitetura barroca em estilo D. João V.
No seu interior de nave única, o retábulo-mor, esculpido pelo mestre Manuel Martins, é considerado uma das grandes obras-primas da talha algarvia, enquanto o altar de São José assinala a transição pioneira para o estilo Rococó na região.
Esta riqueza estende-se aos tetos pintados – com brutescos de Clemente Velho na sacristia e uma pintura em perspetiva de José Ferreira da Rocha na capela-mor – e aos trabalhos de massa de Diogo Tavares e Ataíde no coro-alto e nártex, desenhados para criar um efeito de ilusão e surpresa típico do Barroco.
Por fim, painéis de azulejos no nártex deixam gravada a fundação do monumento pelo Bispo D. António Pereira da Silva e intervenções posteriores na balaustrada, datadas de 1875.
Este é um dos mais icónicos e relevantes edifícios de Portimão. Trata-se do Colégio dos Jesuítas.
Projetado para se destacar entre o casario baixo, este gigante barroco domina a Praça da República e permanece, até hoje, como um dos capítulos mais fascinantes da história portimonense.
A sua origem remonta a 1660, fruto da visão de D. Diogo Gonçalves, um nobre de Vila Nova de Portimão com fortes ligações ao Oriente.
Por vontade testamentária, o fidalgo fundou este colégio da Companhia de Jesus, onde hoje repousa: o seu túmulo de mármore encontra-se na capela-mor da igreja.
Curiosamente, o edifício parece ter “abraçado” estruturas ainda mais antigas, como prova um arco manuelino que ainda se pode observar num dos corpos laterais.
Inaugurado e sagrado apenas em 1707, a arquitetura do Colégio reflete a estética sóbria e austera típica da Ordem dos Jesuítas.
A fachada apresenta uma composição unitária imponente, onde sobressai o elevado pé-direito da igreja central, ladeada pelos corpos do antigo colégio que exibem remates oblíquos singulares.
É um exemplar magnífico do Barroco português, que soube evoluir das conceções maneiristas iniciais para uma presença monumental e austera.
A história do Colégio, que está classificado como Imóvel de Interesse Municipal, é marcada por grandes reviravoltas políticas e sociais.
Após a saída dos Jesuítas em 1757, por ordem do Marquês de Pombal, o espaço foi administrado pelos frades Camilos (1780-1834).
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o imóvel passou a acolher diversos serviços públicos.
A sua vertente mais relevantes continua a ser a religiosa, albergando, no seu interior, a Igreja do Colégio, onde se realizam as cerimónias fúnebres.
Também acolhe o Museu de Pintura Diogo Gonçalves e serve a comunidade sénior através do Lar de Dia do Centro de Apoio a Idosos.
Foi, também, até há poucos anos, sede da Junta de Freguesia de Portimão.
Em Portimão, a sardinha vai voltar a ser descarregada à moda antiga durante a manhã do próximo dia 4 de agosto.
O movimento começará assim que o barco atracar.
Os pescadores vão deitar mãos à obra para colocar a pescaria em terra, usando apenas a força braçal e muitas canastras.
De imediato, as sardinhas serão colocadas em caixas e vendidas à oferta mais alta.
O passo seguinte caberá às mulheres, que as vão dividir por outras caixas para que sigam viagem.
Pelo meio, haverá ainda o desafio de gerir a azáfama: impedir que as crianças deambulem por ali para roubar peixe e explicar aos curiosos turistas o que está a acontecer.
Esta recriação histórica das descargas de sardinhas à moda antiga decorre a partir das 09h30 no Cais Gil Eanes.
O momento servirá de lançamento perfeito para o Festival da Sardinha, que é inaugurado ao fim da tarde desse mesmo dia.
Com este evento, a sardinha voltará a ser a grande imagem de marca da cidade de Portimão, prometendo arrancar com muita comida, bebida e animação musical.
O evento vai contar com concertos de Matias Damásio (dia 4), Némanus (5 de agosto); Átoa (dia 6), Cuca Roseta (dia 7), Fernando Daniel (dia 8) e Xutos & Pontapés (dia 9).
Um dos doces que vão estar em especial destaque é o Dom Rodrigo, um dos mais famosos da doçaria conventual do Algarve, com uma história profundamente ligada à cidade lacobrigense.
A sua origem é curiosa. Diz a tradição popular que a sua criação é uma homenagem direta a D. Rodrigo de Menezes, que foi Governador e Capitão-General do Algarve entre 1765 e 1773.
O fidalgo era um grande benfeitor do Convento de Nossa Senhora do Carmo, situado em Lagos, e apreciava muito os mimos gastronómicos das freiras. Para o lisonjear, as freiras terão inventado uma receita especial, combinando fios de ovos, ovos moles e amêndoa e deram o seu nome ao doce.
Com a extinção das ordens religiosas em Portugal no século XIX, as receitas secretas dos conventos passaram para o domínio público.
No caso do Dom Rodrigo, a receita foi preservada por famílias nobres de Lagos que tinham ligações ao convento. Mais tarde, o doce começou a ser confecionado em pastelarias locais, tornando-se um símbolo cultural da região.
Originalmente, o doce era servido em taças de porcelana e comido à colher. Para facilitar o transporte e a venda individual, passou a ser envolvido em folhas de papel de prata (alumínio) coloridas, cortadas em forma de pirâmide e com pontas franjadas, uma apresentação icónica que se mantém até hoje.
Muito dificilmente quem passeia distraidamente por esta rua, situada bem no centro da vila de Alvor, se apercebe estar junto a uma casa onde ocorreu um episódio histórico dramático.
Foi no seu interior que, a 25 de outubro de 1495, D. João II deu o seu último suspiro.
O monarca, imortalizado como “O Príncipe Perfeito”, faleceu com apenas 40 anos de idade, transformando esta pacata localidade do concelho de Portimão no cenário do fim de uma era.
Antes de chegar a Alvor, o rei tinha feito uma última e desesperada tentativa para enganar a morte.
O monarca sofria de uma doença prolongada e debilitante, o que o levou a procurar as afamadas águas termais das Caldas de Monchique, conhecidas desde os romanos pelas suas propriedades medicinais.
Embora tenha, inicialmente, sentido uma falsa esperança de melhoria, o seu estado de saúde agravou-se irreversivelmente, ditando a sua viagem final em direção à costa, rumo a Alvor.
As verdadeiras causas da sua morte na vila continuam envolvas em mistério.
Se, por um lado, muitos historiadores apontam para as consequências de uma doença renal crónica, por outro, persistem teorias antigas que sugerem um envenenamento misterioso, levantando suspeitas que chegaram a visar a própria rainha.
O certo é que o falecimento de D. João II em Alvor encerrou um reinado crucial, marcado pela centralização do poder real e pela consolidação da expansão marítima portuguesa.
A tragédia em solo algarvio foi ampliada pela falta de herdeiros legítimos diretos, já que o seu único filho, o príncipe D. Afonso, tinha morrido anos antes num acidente de cavalo.
Foi a partir dos acontecimentos de Alvor que, conforme o testamento do falecido monarca, o trono encontrou o seu sucessor no seu primo e cunhado, D. Manuel I.
O corpo de D. João II partiu do Algarve para o seu descanso final no Mosteiro da Batalha, mas a vila de Alvor ficou para sempre gravada nas páginas dinásticas como o lugar onde o destino de Portugal mudou de rumo.