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‘Winter is coming’ e a Europa é melhor que se prepare

23 October 2026 at 15:55

Ainda mal estávamos a digerir a novidade de que Vladimir Putin tinha acedido sentar-se à mesa de negociações com Kiev, um coelho que Steve Witkoff, enviado do Presidente norte-americano, tirou da cartola após o encontro em São Petersburgo com o presidente russo, e logo a mini chama de esperança se apagou. O anúncio não parou — nem abrandou — a máquina de guerra, com Kiev a ser alvo de ataques com mísseis com a inevitável perda de vidas.

O prazo para a retoma de conversas a três estipulado por Putin é “por volta de 10 de novembro” — depois das intercalares de 3 de novembro nos EUA — mas face aos desenvolvimentos nem os mais otimistas conseguem acreditar como Trump que a paz no país sob invasão russa nunca tenha “estado tão perto”. Mais realista, Witkoff deu nota que havia ainda “muito trabalho a fazer”. E do lado russo, de Yuri Ushakov, chega o chamado ‘cair na real’: as propostas apresentadas por Kiev e pelos europeus em Oslo “não contêm grande coisa”. E o conselheiro de política externa de Moscovo aproveitou para anunciar uma possível reunião a ser preparada entre Putin, Trump e Xi Jinping na China, à margem da cimeira da APEC, em novembro, em Shenzhen.

A Casa Branca não confirmou ainda a presença de Trump, mas a concretizar-se não deixa de ser um sinal ao qual Europa deve estar atenta, não vá de lá sair novas aproximações dos EUA à Rússia e decisões como o fim das sanções americanas ao petróleo russo — deitando areia na engrenagem da arma das sanções económicas que a Europa tem empunhado para travar a capacidade da Rússia de manter o esforço de guerra — ou novas ofertas de Putin de ajudar os EUA com a situação do Irão. Mais uma brecha na Aliança.

Com Trump ou não em Shenzhen, o certo é que na Europa não faltam temas. A começar por constantes incursões de drones, atividade suspeitas no Mar Negro — o que já levou a NATO a mobilizar mais meios para a região — e suspeitas de envolvimento russo em campanhas de desinformação que estariam a alimentar os protestos nas ruas em França. E, com vários Estados-Membros prestes a entrar em eleições, não é difícil perceber que há terreno fértil para a contínua ação de desestabilização da região por ‘inimigos’ da Europa. A guerra híbrida é uma estratégia que ganha cada vez mais espaço.

Pelo meio, a Europa está envolvida em discussões sobre o futuro quadro plurianual da União Europeia — em que o consenso não está a ser fácil e há pressão para cortes assinaláveis no orçamento — numa corrida para fechar até ao final do ano um acordo, antes da avalanche de eleições previstas em 2027 em países como França ou Itália. Em Espanha é já em novembro.

A UE ainda tem de resolver outro problema imediato: arranjar 70 mil milhões de euros para suprir em 2027 as necessidades de financiamento da Ucrânia, que Zelensky estima na ordem dos 155 mil milhões. Valor muito acima dos 45 mil milhões que já estavam previstos para o ano que vem, o que poderá passar por um novo empréstimo, noticiou a Reuters.

Bruxelas estava a contar com contribuições adicionais de países fora da UE — como Noruega, Suíça, Canadá, Japão e Reino Unido — num total de 45 mil milhões de euros repartidos entre 2026 e 2027, mas como parte desse financiamento ainda não se concretizou, aumenta a pressão para encontrar alternativas.

A 26 e 27 de novembro os líderes europeus reúnem para discutir o quadro plurianual e o financiamento à Ucrânia. Aguardemos por mais novidades neste longo inverno que se avizinha.

Intuitivo levanta 1,35 milhões e quer ajudar (também) docentes do Brasil na avaliação

23 October 2026 at 07:00

Depois de ter sido uma das startups investidas pelo fundo Angels Way, a Intuitivo acaba de fechar uma ronda seed de 1,35 milhões de euros. Já com mais de 200 contratos com autarquias e escolas, a edutech, que em 2024 ganhou o melhor pitch da Web Summit, aponta agora o Brasil. Quer ajudar os docentes no processo de avaliação e já pensa em outros mercados europeus e na América Latina.

“O Brasil é o primeiro mercado internacional da Intuitivo. A língua é a mesma, o que nos permite levar a plataforma com poucas adaptações, e o problema é igual ou maior: os professores brasileiros também gastam muito tempo a criar, corrigir e dar feedback a avaliações. Além disso, já tínhamos professores brasileiros a chegar à plataforma de forma orgânica, sem qualquer investimento nosso, o que mostra que há procura real”, justifica João Guimarães, CEO da Intuitivo, ao ECO.

“A entrada vai ser gradual. Já temos uma pessoa da equipa no Brasil e estamos a trabalhar com parceiros locais de conteúdos e de distribuição para chegar mais depressa a professores e escolas”, acrescenta quando questionado sobre os planos para este mercado.

“Tal como em Portugal, o crescimento vai assentar na versão gratuita para professores e na recomendação entre colegas, complementado com a venda a escolas. Portugal continua a ser a nossa base e prioridade. O Brasil é o primeiro passo de uma expansão que poderá depois chegar a outros mercados da América Latina e da Europa”, aponta.

O Brasil é o primeiro mercado internacional da Intuitivo. A língua é a mesma, o que nos permite levar a plataforma com poucas adaptações, e o problema é igual ou maior: os professores brasileiros também gastam muito tempo a criar, corrigir e dar feedback a avaliações. Além disso, já tínhamos professores brasileiros a chegar à plataforma de forma orgânica, sem qualquer investimento nosso, o que mostra que há procura real.

João Guimarães

CEO da Intuitivo

Desenvolvida para apoiar os professores no processo de avaliação — segundo dados da OCDE, citados pela startup, apenas 43% do tempo dos professores é ocupado com o ensino, com o restante a ser despendido na preparação de avaliação, correção e tarefas administrativas. O processo de avaliação (criar avaliações, aplicá-las, corrigir e dar feedback aos alunos) é dos que mais tempo consome e, nesse item em particular, Portugal é líder entre os 44 países analisados —, esta plataforma digital já fechou mais de 200 contratos com autarquias, agrupamentos e colégios, abrangendo um total de mais de 500 escolas, e conta agora 75 mil registos de professores.

Apoiada em Inteligência Artificial, a Intuitivo gera rascunhos de testes a partir de um pedido (tema, ano e nível de dificuldade) e transforma testes antigos em PDF em versões digitais e interativas, prontas a corrigir automaticamente. Tem um banco de “milhares de exercícios” partilhados por outros docentes, pesquisáveis por ano, disciplina e tema, que podem ser copiados e editados, permitindo ainda criar grupos de professores para cocriar, partilhar e rever testes em equipa, descreve a startup.

Hoje somos 18 pessoas, uma das quais já no Brasil. Antes da ronda éramos cerca de 11. O objetivo é passar das 20 pessoas nos próximos meses, reforçando produto e engenharia e as equipas que trabalham diretamente com professores e escolas.

João Guimarães

CEO da Intuitivo

Os alunos acedem às provas através de um link e o professor acompanha a realização do teste em tempo real, havendo mecanismos para prevenir fraudes. Plataforma tem capacidade para mais de 80 mil alunos em simultâneo. “A correção dos exercícios de resposta fechada é instantânea, a das respostas abertas contará com apoio de IA já no ano letivo 2026/27”, refere ainda. No final, os resultados e comentários personalizados chegam aos alunos por e-mail, PDF ou Excel.

“Só no ano letivo 2025/26, os alunos portugueses realizaram cerca de um milhão de avaliações na plataforma. E isso representou uma poupança estimada de 165 mil horas de trabalho docente”, pode ler-se em comunicado.

14 November 2024; Pitch Winner João Guimarães, CEO, Intuitivo; centre, and partners on Centre Stage during day three of Web Summit 2024 at the MEO Arena in Lisbon, Portugal. Photo by Harry Murphy/Web Summit via Sportsfile

Agora querem levar esta plataforma para o Brasil, onde estimam um mercado potencial de 2,2 milhões de professores, cerca de 12 vezes o universo português.

A ronda — liderada pela Caixa Capital e pelo Impact Innovation Fund, gerido pela 3xP Global, no âmbito do Programa de Venture Capital do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), gerido pelo Banco Português de Fomento, como participação da Techstars, da COREangels Lisboa e da COREangels Porto — eleva para cerca de 1,5 milhões de euros o capital até aqui levantado pela empresa que quer ainda reforçar a sua equipa.

“Hoje somos 18 pessoas, uma das quais já no Brasil. Antes da ronda éramos cerca de 11. O objetivo é passar das 20 pessoas nos próximos meses, reforçando produto e engenharia e as equipas que trabalham diretamente com professores e escolas”, adianta João Guimarães ao ECO. “No Brasil, a ideia é iniciar com uma equipa local de duas pessoas e crescer a equipa à medida que o mercado vai sendo validado.”

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