Tá difícil de acompanhar as notícias? Quando você se dá conta, a segunda-feira já está quase no fim? Calma, ainda dá tempo de parar e ficar sabendo de tudo que você precisa para enfrentar a semana.
No fim da segunda-feira, os diretores da Agência Pública, Natalia Viana e Thiago Domenici, se encontram na live Quase Terça, no YouTube, para comentar e resumir quais vão ser os principais acontecimentos da semana. Quais temas dos últimos dias seguem rendendo? O que vai pegar fogo nos próximos dias?
Os apresentadores vão usar toda sua experiência jornalística para te ajudar a navegar o caos informacional do dia a dia. Juntos, Natalia e Thiago somam mais de 25 prêmios por seu trabalho na Agência Pública e já lideraram diversas coberturas investigativas de impacto: Natalia investigou por anos a parceria do FBI com a operação Lava Jato e Thiago esteve à frente das reportagens e do podcast que revelaram os abusos sexuais em série cometidos por Samuel Klein, fundador das Casas Bahia.
Na live, cada um dos apresentadores apostam em uma “Treta da Semana”. No quadro, eles debatem de forma bem-humorada qual assunto vai dominar as notícias e as conversas nos dias seguintes. O público também vai ser convidado a participar da treta, com seus palpites sobre os principais assuntos da semana.
Natalia e Thiago também recebem na conversa repórteres da Agência Pública e especialistas convidados para ajudar a contar aos espectadores o que vem por aí.
Confira toda segunda ao vivo no YouTube às 17h30, e toda terça bem cedo no Spotify!
Quando o economista escocês Adam Smith, conhecido como pai do liberalismo, falou no século 18 sobre “a mão invisível do mercado”, ele previa que ao buscar seu próprio benefício os indivíduos poderiam favorecer o conjunto da sociedade. Mas Smith também advertiu que os comerciantes costumam mancomunar-se e manipular as regras a seu favor e que o Estado deve evitar monopólios e garantir bens públicos. Hoje está claro que, se não fiscalizadas, Big Techs e demais empresas atuam como Smith temia: moldam as leis, cooptam governos e manipulam a opinião pública em benefício próprio.
Diante de avanços legislativos, existe um setor que tem se destacado nas ações de lobby anti-regulação em todo o mundo: as Big Techs, um grupo seleto de companhias bilionárias como Meta (dona do Facebook, WhatsApp e Instagram), Alphabet (dona do Google), Amazon, Microsoft e Apple – conhecida como as “Big Five” – e outras, como a chinesa ByteDance (dona do TikTok), a gigante argentina Mercado Livre, e novos players da corrida pela inteligência artificial, como a OpenAI.
Juntas, as gigantes da tecnologia têm um impacto maior em todos os aspectos da vida das pessoas do que muitos governos. No entanto, diferentemente dos governos, cujo objetivo é servir ao público e que têm de responder a ele, as Big Techs têm como objetivo maximizar lucros e prestar contas a seus acionistas.
Há poucos dados sobre como elas agem para influenciar legislações. Hoje, as Big Techs são o setor que mais gasta em lobby na União Europeia, onde são obrigadas a declarar seus investimentos. Em 2024, o setor gastou 67 milhões de euros, um aumento de 57% desde 2020. Nos Estados Unidos – onde também são forçadas a publicizar seu gasto em lobby, elas gastaram 61 milhões de dólares no mesmo ano, um aumento de 13% em comparação com 2023. Para abrir portas com a administração Trump, empresas como Amazon, Meta, Google e Microsoft doaram 1 milhão de dólares cada para o comitê da cerimônia de posse, e os CEOs se enfileiraram durante o evento.
Pela primeira vez, uma investigação colaborativa e transfronteiriça conseguiu identificar quase 3 mil ações de lobby das Big Techs realizadas em parlamentos e governos de todo o mundo, que podem ser acessadas nesta base de dados interativa. Também registramos processos judiciais e projetos de lei envolvendo as regras do jogo na indústria de tecnologia.
Conheça aqui as táticas de lobby identificadas neste projeto e a nota metodológica.
Tornar visíveis a “mão invisível” das Big Techs é uma tarefa que as organizações participantes deste projeto consideram urgente. Por isso, todas realizam um disclaimer coletivo sobre financiamentos recebidos de empresas tecnológicas atualmente ou no passado. Veja aqui a lista completa.
Depois do lançamento, a RSF publicou um comunicado sobre as revelações:
“Essa investigação inédita, conduzida com ajuda da RSF, mostra a enorme influência que as grandes corporações de tecnologia exercem sobre decisões estratégicas que afetam diretamente o futuro do jornalismo, seja por meio de lobbies contra legislações democráticas ou de esforços para evitar uma remuneração justa pelo conteúdo jornalístico. O projeto confirma a necessidade de enfrentar o desequilíbrio de poder que favorece as grandes plataformas online em detrimento da saúde das sociedades democráticas. Se legisladores cederem ao lobby das big techs, o futuro do jornalismo estará ameaçado — assim como o direito dos cidadãos a acessar informação confiável.
Artur Romeu, Diretor da RSF América Latina
Mas como as Big Techs operam no resto do mundo?
As grandes empresas de tecnologia têm mais dinheiro do que muitos países. Segundo seu relatório financeiro, a Alphabet, dona do Google, teve uma receita de 350 bilhões de dólares em 2024, quase o equivalente ao PIB do Chile, três vezes o do Equador e dez vezes o de El Salvador. A Meta teve uma receita de 164 bilhões de dólares em 2024, mais de três vezes a produção econômica do Paraguai. A receita da Amazon no ano passado foi de quase 638 bilhões de dólares, um valor equivalente ao PIB da Argentina e um terço do PIB brasileiro.
Seu poder de barganha é maior em países menos desenvolvidos, e as Big Techs sabem usá-lo. Em alguns países – como é o caso da maioria dos países da América Latina e do Sul Global, inclusive o Brasil – o lobby não é regulamentado, e, portanto, é ainda mais difícil registrar ações de lobby e mensurar em que medida elas afetam as regulações aprovadas no Congresso.
Mas essas mãos que moldam as sociedades não devem continuar agindo nas sombras. Esse trabalho é feito por profissionais bem pagos que fazem parte de operações complexas, chamados internamente de “relações governamentais”, ou “assuntos públicos”. Estes departamentos, por sua vez, contratam terceiros para atuar em seu nome, como escritórios de advocacia ou associações empresariais. Essas operações investem em maneiras de construir e manter relacionamentos com autoridades, distribuindo benesses; promovem reuniões privadas, happy hours e jantares após o expediente; e forjam alianças com base no acesso às suas tecnologias.
Para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lobby e atividades de influência são “ações realizadas diretamente ou por meio de qualquer outra pessoa física ou jurídica, dirigidas a funcionários públicos no exercício do processo de tomada de decisão, às suas partes interessadas, à mídia ou a um público mais amplo, e que visam promover os interesses dos agentes de lobby e influência com referência aos processos de decisão pública e processos eleitorais”.
Estratégias de lobby frequentemente extrapolam o relacionamento com agentes públicos e podem incluir campanhas de manipulação da opinião pública, da imprensa, financiamento para institutos e até para a produção de conhecimento científico.
Sarah Wynn-Williams, ex-executiva do Facebook, descreve em seu livro, “Careless People”, como seus chefes na empresa de tecnologia, surpresos com seu próprio poder e ingênuos, começaram a negociar com os governos do mundo e, movidos apenas pelo lucro, acabaram “crescendo rápido e infringindo leis”. A autora estava parafraseando com ironia o slogan de Mark Zuckerberg, fundador e controlador da Meta: “Movam-se rápido e quebrem as coisas”.
Para documentar como funcionam essas operações de lobby, o projeto A Mão Invisível das Big Techs vai publicar três séries de reportagens que descortinam como estas corporações têm buscado moldar leis e regulações, atuado judicialmente contra governos e realizado operações de influência para evitar regulações que buscam mitigar seus impactos negativos sobre a sociedades e sobre a política; como têm influenciado o debate sobre a informação pública; e qual é o impacto ambiental dos datacenters.
A Agência Pública de Jornalismo Investigativo, agência de notícias mais premiada do Brasil, está sob novo ataque por parte do influenciador Paulo Figueiredo. Nos últimos 10 dias, ele fez pelo menos quatro postagens na rede social X atacando a reputação da organização e da sua diretora executiva, Natalia Viana, além de ter lhe enviado mensagens irônicas e agressivas.
Em ambos os casos, Figueiredo chamou a Agência Pública de “agência puta” e fez diversos ataques misóginos à equipe e à diretora executiva. Segundo Paulo, é assim “como jornalista que se prostitui tem que ser tratado(a)”. Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e ex-deputado, retuitou uma das postagens no X, ampliando seu alcance.
Estes não são os primeiros ataques misóginos da dupla às jornalistas da Agência Pública, uma organização sem fins lucrativos que é referência internacional em jornalismo investigativo contando no seu portfólio com mais de 90 prêmios, como o prêmio Gabo da Fundação Gabriel García Márquez, o Prêmio de Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e o Prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia, nos EUA.
Dias antes, a Agência Pública fora o primeiro veículo brasileiro a noticiar a campanha liderada por Eduardo Bolsonaro para pedir retaliações ao Brasil por conta do processo judicial contra Jair Bolsonaro e outros cúmplices por tentativa de Golpe de Estado – muito antes da articulação render sanções reais contra empresas brasileiras e membros do Judiciário, no ano passado.
Após a publicação, Eduardo Bolsonaro e Figueiredo passaram a acusar a Pública de ser “a mídia de George Soros”. Passaram ainda a expor nossa repórter, citando seu nome, e incitando seu público online. Paulo Figueiredo ofendeu nossa repórter.
Há mais de quatro anos investigamos e documentamos as articulações e relações internacionais de Eduardo Bolsonaro, por se tratar de tema de absoluto interesse público que afeta a maioria da população. O tipo de jornalismo realizado pela Agência Pública, técnico e aprofundado, colabora com a qualidade do debate público acerca de alguns dos mais relevantes episódios recentes da história brasileira.
Estes ataques, entretanto, não são isolados a um veículo. Eles se inserem em um contexto maior de violência e misoginia do grupo bolsonarista voltado às mulheres jornalistas.
De acordo com relatório da Abraji, no ano de 2024, 31% dos registros de ataques contra jornalistas foram motivados por gênero, um salto em relação ao ano anterior. Durante o governo Bolsonaro, Jair e seus filhos realizavam em média um ataque a jornalista por dia, segundo a mesma organização. A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras chegou a declarar que os ataques à imprensa eram um método do governo de Jair Bolsonaro.
Os ataques recentes são ainda mais graves porque suscitam violência contra profissionais mulheres em um momento de aumento de casos de feminicídio que tem sido, inclusive, pauta durante esta campanha eleitoral.
Com as postagens de Paulo e o retuite de Eduardo, nossa diretora e a própria Agência têm recebido diversas mensagens agressivas e ameaçadoras, que estão sendo devidamente documentadas para ação posterior.
Repudiamos essas tentativas de intimidação e ataque à nossa reputação e nossa equipe, formada majoritariamente por mulheres. Eles são ainda mais chocantes quando vindos de figuras centrais a uma campanha para a presidência da República que promete agir contra a violência de gênero.