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Análise: Israel pode mudar governo, mas não estratégia contra Irã

21 October 2026 at 13:58

A eleição em Israel na próxima semana pode mudar o primeiro-ministro, mas não a estratégia do país: o Irã continuará sendo seu principal adversário, a força militar seguirá como instrumento preferencial e a criação de um Estado palestino permanecerá distante, afirmam autoridades regionais e analistas.

Isso ocorre porque as premissas estratégicas que sustentam a política israelense foram consolidadas após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra comunidades no sul de Israel, realizados pelo grupo militante palestino Hamas, e pelas guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.

A política de segurança de Israel pode se tornar ainda mais rígida, segundo os analistas. Uma vitória do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com o apoio de aliados de extrema direita, poderia incentivá-lo a intensificar a guerra contra o Irã, ampliar o controle israelense sobre a Cisjordânia ocupada e deixar a diplomacia ainda mais em segundo plano.

A doutrina de segurança israelense agora se apoia em três pilares: enfraquecer o Irã, manter zonas de amortecimento além das fronteiras do país e usar a força para dissuadir inimigos.

A verdadeira divergência entre os candidatos está no grau, e não na direção, afirmam os analistas: quão agressivamente Israel conduzirá suas guerras, até onde ampliará os assentamentos judaicos na Cisjordânia e se algum líder optará pela diplomacia.

De Teerã a Riad, a eleição de terça-feira não é vista como um possível ponto de virada, mas como um teste para saber se o Oriente Médio está entrando em um período de confronto prolongado, no qual as guerras diminuem e se intensificam sem que os conflitos subjacentes sejam resolvidos.

“Se Netanyahu for eleito, fará o que achar que quer fazer”, afirmou Aviv Bushinsky, ex-assessor do primeiro-ministro. “A expansão dos assentamentos continuará. As guerras contra o Irã, o Hamas e o Hezbollah continuarão.”

“O que vemos agora é o que veremos depois da eleição, talvez de forma ainda mais agressiva”, disse. “Enquanto o Irã estiver nessa situação, é perda de tempo falar sobre a Palestina.”

No domingo, Netanyahu afirmou que Israel precisa priorizar a “prevenção e a ofensiva em vez da contenção e da defesa”, incluindo ataques preventivos para impedir ameaças emergentes, além de estabelecer o país como potência regional e maximizar sua independência na produção de armamentos.

Por que a política dificilmente mudará

A eleição coloca o Likud, partido de direita de Netanyahu, e seus aliados ultranacionalistas contra uma oposição liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, do partido Yashar.

O analista palestino Ghassan al-Khatib não vê perspectiva de uma mudança fundamental na política em relação aos palestinos. Segundo ele, os partidos israelenses disputam espaço com posições cada vez mais rígidas, enquanto a opinião pública se desloca ainda mais para a direita.

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“O conteúdo da política permanece o mesmo: não a um Estado palestino e sim à expansão dos assentamentos. Nesse ponto, todos concordam”, afirmou.

Um governo liderado pelos adversários de Netanyahu poderia tentar recuperar a posição internacional de Israel, restringindo parte da violência dos colonos ou promovendo a expansão dos assentamentos com menos alarde. Mas essas mudanças representariam uma alteração de estilo, e não de conteúdo, segundo al-Khatib.

Michael Young, do Carnegie Middle East Center, afirmou que o aparato de segurança israelense e boa parte da classe política compartilham uma visão estratégica centrada no enfrentamento ao Irã, na manutenção de uma “defesa avançada” e na preservação da dissuasão militar, o que reduz o espaço para grandes mudanças políticas.

Joost Hiltermann, do International Crisis Group, que realizou pesquisas na Cisjordânia, afirmou que o aumento da violência dos colonos, a crescente frustração palestina e a ausência de uma “perspectiva política” criaram condições explosivas, nas quais até mesmo um pequeno incidente poderia desencadear uma revolta mais ampla.

“Polvo venenoso”

Algumas autoridades regionais questionam se o confronto de Israel com o Irã se tornou o princípio organizador da segurança no Oriente Médio, independentemente de quem vencer a eleição.

Os elogios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Netanyahu, a quem chamou de “um grande primeiro-ministro guerreiro”, reforçaram a expectativa de que o líder israelense tentará concluir a campanha contra Teerã caso permaneça no poder.

Netanyahu deixou claro que suas ambições vão além de conter o Irã: ele pretende derrubar os governantes religiosos do país.

“Concluir a tarefa significa derrubar o regime terrorista no Irã, a cabeça do polvo venenoso”, afirmou em um discurso nesta semana.

Analistas militares e políticos, porém, questionam se algo menos que uma invasão terrestre conjunta dos Estados Unidos e de Israel seria capaz de levar Teerã a abandonar o que considera seus interesses fundamentais de segurança em uma luta que vê como existencial.

Após sobreviver a meses de guerra, o Irã pode apostar que conseguirá resistir por mais tempo que seus adversários, mantendo a pressão por meio de aliados regionais.

“Isso é um atoleiro”, afirmou Young. “Os iranianos conseguem resistir mais tempo que Trump.”

O Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza, foram enfraquecidos, mas a rede mais ampla de grupos alinhados ao Irã sobreviveu. Segundo os analistas, o conflito também pode reforçar a determinação de Teerã de buscar uma capacidade de dissuasão nuclear.

Apesar da preocupação que Netanyahu provoca no mundo árabe, alguns líderes do Golfo ainda o consideram o político israelense com maior probabilidade de manter o Irã sob pressão.

Isso cria um dilema para esses países. Eles se opõem ao que consideram políticas expansionistas de Netanyahu, mas querem limitar a influência iraniana.

“As políticas de Netanyahu em Gaza, na Cisjordânia, na Síria e no Líbano são prejudiciais”, afirmou Abdulaziz Sager, presidente do Gulf Research Center. “Quanto ao Irã, é necessário um acordo antes que o conflito se intensifique ainda mais. Se o papel do Irã não for contido, a região poderá estar caminhando para 50 anos de hegemonia iraniana.”

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Arab voters could hold key to Israel’s election

19 October 2026 at 08:13

Israel’s Palestinian leaders are urging people in the minority Arab community to vote in big numbers in next week’s election as they seek to unseat Prime Minister Benjamin Netanyahu and topple the most right-wing government in the country’s history.

High turnout by the 21% Arab minority, who are Palestinian by heritage but Israeli by citizenship, could nudge Israel’s complex coalition arithmetic in favour of an anti-Netanyahu bloc led by a former military chief, Gadi Eisenkot.

“We can ensure the formation of a new government of change,” Mansour Abbas, an Islamist dentist-turned-politician who heads the United Arab List party, told Reuters in his office in Nazareth, Israel’s most populous Arab city.

POLLS SHOW EISENKOT SHORT OF MAJORITY WITHOUT ARAB SUPPORT

Abbas and other Arab leaders face one big obstacle to their goal of playing a role in any future administration without Netanyahu. Eisenkot has so far ruled out forming a government with the Arab parties that most Palestinian Israelis will vote for, citing a lack of shared values.

But Abbas thinks there will be room for manoeuvre, perhaps after the vote, largely thanks to the cold, hard realities of electoral maths.

Opinion polls suggest Eisenkot’s patchwork bloc of centrist, right- and left-wing parties will get the most votes, but fall short of a majority, and will need Arab support, either as coalition partners or from outside, to prop up a minority government.

“We want to replace the right-wing government… to end the wars and these policies, to stop the expansion of settlements and to address the failure to stop settler attacks,” Abbas said.

“We also want a government that brings shared security and peace for Palestinians and Israelis.”

For now, Eisenkot is sticking to his position. “I will not align myself with any Arab party,” Eisenkot said in a podcast this month, citing among other issues their refusal to label Hamas a terrorist organisation.

If any bloc fails to form a workable government, that could lead to a period of political deadlock, then fresh elections in 2027, with Netanyahu left in charge in the meantime.

But Netanyahu, for one, appears to be taking the threat of some sort of Eisenkot-Arab alliance seriously, or at least sees it as an opportunity to rile up his base. His campaign has used doctored images and AI-generated videos to depict his rivals embracing Arab leaders.

One faked video, released over the summer, shows Eisenkot running through a meadow into the outstretched arms of Abbas.

Abbas’ own career shows such alliances can be made. In 2021 he became the first Arab Muslim to join an Israeli coalition as a minister, in a government led by Naftali Bennett, now a right-wing member of Eisenkot’s bloc.

That government collapsed after 18 months, partly over disagreements between the two men on the occupied West Bank.

This time round, Abbas said he could paper over those differences. To win over Jewish parties, he has taken the unprecedented step of giving the number two spot on his slate to a Jewish former police official, Yoav Segalovitz.

“It sends a message of partnership with the Jewish community and with Jewish citizens,” Abbas said.

ARABS FRUSTRATED WITH DEMONIZATION BY ISRAELI RIGHT, CRIME

Israel’s election will be the first since the October 7, 2023 Hamas attack, and is being viewed as a referendum on the leadership of Netanyahu, Israel’s longest-serving leader.

Polls show Eisenkot’s bloc would win 52 of the Knesset’s 120 seats if elections were held today. Netanyahu’s religious-nationalist bloc would win 50 seats.

Abbas’ party is projected to win five seats, with a further eight going to the Joint List, a coalition of three Arab parties.

Ahead of the vote, Bezalel Smotrich, Netanyahu’s far-right finance minister, proposed a plan to “Judaize” areas around Nazareth in the north and in southern Israel where most Arabs live, describing it as similar to settler expansionism in the West Bank.

Party organizers in Nazareth are hoping to capitalize on Arab anger with Netanyahu, Smotrich and far-right police minister Itamar Ben-Gvir, as well as frustration with rising crime in their communities.

Last week, canvassers with Abbas’ party handed out flyers near Nazareth’s massive Church of the Annunciation.

“There is a greater need this time than ever before to go out and vote in large numbers,” said one of the people they approached, 74-year-old Gassan Bsoul. “The danger is greater than in the past,” he added.

ARAB TURNOUT EXPECTED TO BE HIGH

Israeli pollsters expect Arab voter turnout to be higher than in previous rounds of elections in 2022 and 2020. The Stat-Net Research Institute, based in an Arab Druze town near Haifa, projects turnout of 63%, compared with 56% in 2022.

While Abbas has tried to position his party to potentially join government, leaders of the Joint List have said they could wield just as much influence by staying in opposition.

Ahmad Tibi, a Joint List leader, said his group was ready to form “a preventive block to support (a government) from the outside.”

He said the Joint List would join an Eisenkot-led government in voting “to establish an official commission of inquiry into October 7,” a stated priority of the former military chief and his partners.

“We are placing as our top priority getting rid of the extreme right-wing government of Netanyahu, Smotrich and Ben-Gvir,” Tibi said.

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