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Duas moedas de um mesmo mealheiro: ódio e o futebol-negócio…

18 October 2026 at 14:04

…Verdade que um pouco em sentido figurado, mas sempre adiantaremos que o combate ao discurso de ódio e o futebol-negócio, digamos que poderão resultar em moedas de um mesmo mealheiro, pois que uma poderá dar para lavar a imagem, enquanto a outra para encher o bolso.

Situemo-nos, então: apelando ao reforço do combate ao discurso de ódio no desporto, procurando uma estratégia coordenada que envolva autoridades públicas, organizações desportivas, plataformas digitais e sociedade civil, a Comissão Europeia, na sequência de um relatório elaborado por um grupo de peritos dos Estados-Membros, no âmbito do Plano de Trabalho da União Europeia para o Desporto 2024-2027, pretende-se alertar para a crescente dimensão do fenómeno que já ultrapassa os recintos desportivos e encontra nas redes sociais um quase desmesurado espaço de propagação, afetando atletas, dirigentes, árbitros e adeptos.

Convenhamos que, nesta anunciada luta, talvez que ela funcione mais em jeito de ‘verniz ético’… que a indústria precisa para se vender à UEFA/FIFA, a patrocinadores e, em algumas circunstâncias, até a tribunais. A procurar identificar-se como ‘selo de garantia’, como que a fidelizar os direitos televisivos, a aquisição de fundos europeus, inclusivé ‘credibilizando’… o fair-play financeiro.

Tomemos como exemplo, e já no futebol-negócio, um determinado jogador avaliado em 20 milhões, ele não valerá pela quantidade de assistências ou pelo saltos que dá, antes pela cláusula contratual, pois que ontem constituía-se como projeto, hoje tem empresário.

Vezes quantas a hipocrisia nos bate à porta, observando-se nas camisolas “No to Racism”, ao mesmo tempo que se compram e vendem – palavras duras, é certo – pretos imigrantes como ativos.

Não corresponderá a que quem define o ódio, define quem pode jogar, e falar e cobrar?! Posto isto, em linguagem crua, mas a ‘do terreno’, será luta contra o ódio ou antes gestão do negócio do ódio, em jeito do ódio útil vende bilhetes, enquanto o inútil leva processo…?!

O futebol português sairá esta semana dos estádios. Não para outro relvado, de relva natural ou sintética, mas para a realização da Arena Liga Portugal, onde a primeira feira da indústria do (mal) denominado deporto-rei nos irá mostrar que, para além dos remates e dos golos, existem centenas de milhões de euros em jogo, afirmando-se, em jeito de slogan: “Onde o futebol potencia o seu negócio”. Também é anunciado ser “um ecossistema que vai muito além dos jogadores”.

Como bom seria que não valesse exclusivamente como preço, protegendo a imagem do negócio, antes, e primeiro que tudo, o atleta como pessoa!

Uma vez mais, as tais ‘coisas’ da ‘coisa desportiva’ e… não só“!

*Embaixador para a Ética no Desporto, uma vez, Embaixador para sempre

Dois diferendos, em escalas diferentes: Pichardo/Ronaldo…

11 October 2026 at 16:04

…Conhecidos do grande público, o atleta de triplo salto, Pedro Pichardo, campeão olímpico em ‘Tóquio 2020’, e o futebolista, capitão da nossa seleção e astro maior do firmamento, Cristiano Ronaldo, protagonizam diferentes conflitos.

Um, o Pichardo, é feito de silêncio, prova e dignidade, o outro, Ronaldo, tem sido objeto de ruído, ego e palco.

No momento em que debitamos este modesto escrito, e em respeito para com a linha editorial do ‘Times’ do Algarve, ainda sem conhecermos a versão oral ou escrita do futebolista, não poderemos aprofundar o ‘caso’, que tem feito correr mundo, seja escrito ou falado, razão pela qual nos limitaremos a caracterizar, o diferendo do Pichardo como vivendo no escuro, com documentos numa pasta, e o do Ronaldo, na ausência de (mais) dados tem tido, ainda assim, os holofotes permanentemente acesos, com um fartote de comentários…

Como bom seria que ambos pudessem redundar, ter o seu desfecho final, em observância para com princípios e valores éticos essenciais, tais como: dignidade, equidade, responsabilidade, respeito e verdade.

Na circunstância e em liberdade de expressão, a grande almofada para se ser digno, talvez que importe trazer ao ‘palco dos acontecimentos’ três mestres – porque sábios! -. Um, Laborinho Lúcio: “A justiça deve rosto, voz e coração”, o outro, Michel Renaud: “O desporto é uma atividade essencialmente humana, que implica o jogo do corpo, a força da alma, a educação do espírito”, e o mestre dos mestres, Manuel Sérgio: “Só se sabe aquilo que se vive”, sem que antes, ao fecharmos este time out, não nos tivéssemos de socorrer do celebérrimo rodapé de Fernando Pessa: “E esta, hein?!”, quando também se deva rematar, assim, assertiva e responsávelmente: “Não há remates à baliza, há pessoas que rematam à baliza”.

Na abrangência dos três saberes: Fazer – o rigor, o treino, o jogo; Estar – o cidadão, como estamos uns com os outros?; Ser – pessoa, com voz para ouvir os seus pares e coração para pesar as provas e não o poder.

Pela simples razão de que o sucesso, o êxito não se compra apenas se merece!

Uma vez mais, as tais ‘coisas’ da ‘coisa desportiva’… e não só!

*Embaixador para a Ética no Desporto, uma vez, Embaixador para sempre

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