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Eleições nos EUA: A semana de comícios de Trump em cinco pontos

24 October 2026 at 19:00

O presidente Donald Trump está em meio a uma intensa maratona de campanha por todo o país, antes das Eleições de Meio de Mandato, as Midterms, de 3 de novembro, realizando comícios quase diários para incentivar o comparecimento de eleitores a favor dos republicanos, que lutam para manter o controle do Congresso.

Em seus discursos de campanha, que duram 90 minutos, Trump defende suas políticas econômicas, se vangloriou do tamanho das multidões, zomba de manifestantes e chegou até a fazer comentários sobre as nádegas de um colega republicano.

Aqui estão cinco pontos principais sobre as aparições do presidente, realizadas, em sua maioria, em áreas de forte apoio republicano pelo país:

O discurso econômico de Trump

No início do mês, Trump afirmou ter feito um “mau trabalho” ao explicar seu desempenho econômico. Ele tem tentado corrigir isso em seus comícios, destacando uma taxa de pobreza em nível historicamente baixo, baixo desemprego, recordes no mercado de ações e preços mais acessíveis para alguns itens alimentícios.

No entanto, seu discurso entra em conflito com as preocupações dos eleitores quanto aos gastos com combustível, compras de supermercado e outras despesas do dia a dia.

Os preços ao consumidor aceleraram em setembro, impulsionados pela disparada no custo da gasolina. O preço médio do combustível nos EUA é de US$ 4,27 por galão (US$ 1,13 por litro) — cerca de 40% mais caro do que há um ano, segundo a AAA. Trump tem prometido, repetidamente, que os preços da gasolina cairão assim que a “guerra com o Irã” terminar.

Esse descompasso ficou evidente do lado de fora de um comício de Trump na zona rural do Kansas, onde Chester Daniel, um veterano militar de 90 anos e apoiador de Trump, afirmou que a economia ainda tem “um longo caminho a percorrer” para ajudar os trabalhadores.

“Preços? Altos demais! Nunca voltaremos aos patamares de quando tudo isso começou, mas eles precisam cair bastante”, disse Daniel. “Não sei como esses jovens conseguem sustentar suas famílias.”

Republicanos na defensiva e o mapa dos comícios

O roteiro de viagens de Trump revela o quão difícil será para os republicanos manterem o controle do Congresso, com o presidente sendo forçado a adotar uma postura defensiva, mesmo em redutos conservadores. Trump viajou duas vezes ao Texas em apoio a Ken Paxton, candidato republicano ao Senado; fez campanha para o senador republicano em exercício Roger Marshall, no Kansas; e esteve duas vezes em Ohio em apoio ao senador Jon Husted.

Trump também participou de comícios para candidatos republicanos em disputas acirradas no Alasca, Iowa, Montana e Carolina do Sul. Ele tem uma visita ao Mississippi programada para segunda-feira (26).

Trata-se de locais onde os republicanos costumam vencer com facilidade — e não de campos de batalha eleitorais onde Trump normalmente dedicaria tempo durante as semanas cruciais que antecedem uma eleição.

Nas pesquisas, Paxton aparece ligeiramente atrás do democrata James Talarico, enquanto Marshall enfrenta um desafio considerável do democrata Adam Hamilton em um estado que não elege um senador democrata há quase um século. Em Ohio, Husted está atrás do ex-senador democrata Sherrod Brown, e, em Iowa, a candidata republicana ao Senado, Ashley Hinson, trava uma disputa acirrada contra o democrata Josh Turek.

Chama a atenção a ausência, até o momento — a menos de duas semanas do dia das Midterms —, de estados como Michigan, Maine, Minnesota e New Hampshire, que também registram disputas acirradas para o Senado. É provável que ele visite alguns desses locais em breve; há uma viagem programada para Michigan no domingo, e ele também mencionou planos de ir ao Maine.

O foco de Trump sobre o tamanho do público nos comícios

Trump transformou o tamanho do público em um tema recorrente de seus comícios durante o ciclo eleitoral de Meio de Mandato, descrevendo arenas lotadas e milhares de pessoas que, segundo ele, teriam ficado do lado de fora — o que ele apresenta como prova de sua popularidade contínua.

No entanto, a adesão real aos eventos de campanha nas últimas semanas tem sido irregular. Alguns comícios atingiram a capacidade máxima, mas sem qualquer sinal da multidão excedente descrita por Trump. Em outros, grandes setores de assentos permaneceram vazios, mesmo em locais de porte modesto.

“Faço isso todas as noites e, não importa aonde eu vá, é sempre a mesma coisa. São multidões enormes”, disse Trump em um comício na Carolina do Norte, na terça-feira. “Temos telões do lado de fora. Milhares e milhares de pessoas. Há algo muito especial acontecendo.”

O local estava lotado, mas não havia sinais de multidões do lado de fora esperando para entrar ou acompanhando o evento pelos telões. Em um comício realizado no dia 7 de outubro em San Antonio, no Texas, Trump afirmou que as filas do lado de fora da arena estendiam-se por duas milhas (aproximadamente 3,2 km), mesmo com grandes áreas vazias no interior do local.

O tamanho do público nem sempre é um indicador preciso de apoio político; contudo, Trump tem utilizado esse dado como um sinal de força, ainda que seu índice de aprovação tenha caído para 31% — o patamar mais baixo de todo o seu mandato presidencial —, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada.

Trump não é candidato nas eleições de 3 de novembro. Para os candidatos republicanos, a questão é saber se o entusiasmo que ele desperta entre seus apoiadores pode se converter em votos para eles.

A França como um exemplo nas Eleições de Meio de Mandato

Trump tem usado frequentemente o presidente francês, Emmanuel Macron, como um contraponto em seus discursos de campanha, alegando ter forçado Macron — por meio da ameaça de impor tarifas sobre o champanhe (um produto de exportação francês muito popular) e outros bens — a aumentar os preços de medicamentos prescritos na França.

No entanto, na última semana, aproximadamente, Trump adotou uma nova narrativa sobre a França, apresentando os violentos distúrbios ocorridos no país nas últimas semanas como um alerta do que, segundo ele, poderia acontecer nos EUA caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato. Trump atribuiu a responsabilidade pelos distúrbios a imigrantes e muçulmanos, seguindo uma estratégia já conhecida que tem marcado sua atuação política há mais de uma década.

“Que diabos aconteceu com a França?”, perguntou Trump a uma multidão em uma arena de competições agropecuárias em Clemson, na Carolina do Sul, na quarta-feira.

Vale notar que os protestos na França ganharam mais destaque nos discursos recentes de Trump do que dois outros grandes problemas de política externa que ele não conseguiu solucionar: a invasão da Ucrânia pela Rússia e sua “guerra” contra o Irã.

“Eles vão acabar, de um jeito ou de outro”, disse Trump sobre os dois conflitos durante o comício em Clemson. Ele não explicou como esses conflitos poderiam terminar, mas queixou-se de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços na resolução de conflitos ao redor do mundo.

Trump e o foco no físico

Há muito tempo, Trump demonstra uma fixação pelo físico humano que vai além da metáfora do “corpo político”.

Nesta temporada eleitoral, Trump tem dado atenção especial a Husted, um ex-jogador de futebol americano universitário da Universidade de Dayton, de 59 anos.

Em comícios realizados em Ohio, Kentucky e Carolina do Norte, Trump expressou admiração pelo físico de Husted, chegando a comentar que os glúteos dele parecem “um amontoado de músculos”.

“Depois, olhei para as pernas dele e pensei: ‘Caramba, que pés grandes!’. Em seguida, observei seus ombros e dei um tapinha — cheguei a machucar a mão! Parecia um pedaço de aço. Eu disse: ‘Esse cara é um monstro!'”, relatou Trump.

Na sexta-feira, Trump teceu elogios semelhantes a Robert F. Kennedy Jr., seu secretário de Saúde e Serviços Humanos, declarando em um comício na Flórida que o político de 72 anos “tem o corpo de alguém de 30 anos”.

Comentários desse tipo são recorrentes no repertório de Trump. Na reta final de sua campanha de 2024, ele aproveitou um discurso em um comício na Pensilvânia para contar uma história grosseira sobre as proezas — para além do golfe — da lenda do esporte Arnold Palmer. Ao longo dos anos, Trump tem focado frequentemente nos atributos físicos das pessoas, chegando, inclusive, a zombar do peso e da aparência de seus oponentes.

Trump considera que até alguns de seus amigos carecem de senso de moda — é o caso de Paxton, conhecido por seu visual desleixado.

“Pode ser que alguns não gostem do jeito que ele se veste”, disse Trump sobre ele durante uma convenção republicana em Dallas, em meados de setembro, acrescentando: “Eu não gosto”.

Isso, contudo, não impediu Trump de fazer campanha para Paxton. Ele retorna ao Texas na terça-feira (27) para participar de mais dois comícios.

Eleições nos EUA: Qual é a diferença entre os red, blue e purple states?

Kamala Harris faz campanha para democratas nas Midterms de olho em 2028

24 October 2026 at 16:00

Kamala Harris está retornando à campanha eleitoral para ajudar os democratas em algumas das disputas mais acirradas das Midterms, as Eleições de Meio de Mandato nos EUA, colocando a ex-vice-presidente novamente diante dos eleitores, em um momento em que ela avalia se deve concorrer à presidência pela terceira vez, em 2028.

A candidata do Partido Democrata em 2024 — que não obteve sucesso na eleição — fez relativamente poucas aparições públicas este ano. Mas, com seu partido tentando quebrar o domínio republicano no Congresso em 3 de novembro, Harris está participando de atos de campanha na Geórgia, no Mississippi, em Nevada, em New Hampshire e em Wisconsin.

Esse retorno provavelmente reacenderá questionamentos sobre seu futuro político, justamente quando começa a surgir um grande número de possíveis concorrentes para 2028.

Harris deu início à sua turnê em Las Vegas, na semana passada, com um novo discurso de campanha no qual atacou o que descreveu como a crueldade do presidente Donald Trump, mesclando críticas a frases inspiradoras — sua marca registrada desde que se tornou a primeira pessoa negra e asiática e a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente.

Ela falou para dezenas de membros do sindicato Culinary Workers Union ao lado de Aaron Ford, candidato a governador e primeiro procurador-geral negro de Nevada — a quem ela se referiu como alguém que poderia se tornar o “primeiro governador negro a oeste do Mississippi”.

“Temos uma batalha séria pela frente”, disse Harris. “Estamos testemunhando uma brutalidade absoluta vinda do que é, sem dúvida, a administração presidencial mais corrupta, insensível e incompetente.”

Assim como Trump, que viaja pelo país em apoio a candidatos republicanos, Harris não goza de grande popularidade entre o eleitorado. Uma pesquisa de opinião da Reuters/Ipsos, realizada em junho, mostrou que 39% dos americanos tinham uma visão favorável dela; no entanto, os números revelaram uma divisão partidária acentuada: 82% dos democratas a viam de forma positiva, contra apenas 7% dos republicanos e 33% dos eleitores independentes.

“Na reta final de uma campanha, você traz a campo seus nomes de maior peso”, afirmou Elaine Kamarck, pesquisadora sênior da Brookings Institution e membro do Comitê Nacional Democrata. “É exatamente isso que está acontecendo com ela — e, francamente, também com Trump.”

No dia seguinte à sua passagem por Las Vegas, Harris liderou gritos de “O Mississippi importa!” diante de uma multidão que apoiava Scott Colom, na cidade de Columbus. Colom busca se tornar o primeiro senador democrata eleito pelo Mississippi desde 1982, e as pesquisas mostram uma disputa excepcionalmente acirrada contra a republicana Cindy Hyde-Smith.

Harris começou dando um conselho que, segundo ela, costuma oferecer aos jovens que orienta: “Nunca deixe que a incapacidade de outra pessoa de enxergar o seu potencial se torne uma limitação para a sua ambição”, disse ela. “Deixem-me repetir isso.” E ela repetiu, com mais ênfase do que da primeira vez, arrancando aplausos da plateia.

Candidatura de Kamala Harris em 2028 ainda é dúvida

Caso decida concorrer novamente à Casa Branca em 2028, Harris provavelmente figurará entre os nomes de maior destaque em um cenário democrata que promete ser bastante concorrido.

No entanto, Harris também carrega o peso de derrotas anteriores: ela perdeu a eleição presidencial de 2024 para Trump, e sua primeira tentativa de chegar à Casa Branca terminou antes mesmo do início das primárias democratas de 2020.

Uma eventual campanha em 2028 também obrigaria Harris a revisitar a caótica disputa democrata de 2024, quando o então presidente Joe Biden encerrou abruptamente sua campanha à reeleição — em meio a questionamentos sobre sua saúde e agudeza mental — e ela o substituiu como candidata da legenda.

Em seu livro de memórias, “107 Days” — uma referência ao curto período de campanha que ela herdou —, Harris classificou a decisão de Biden de buscar a reeleição como “imprudente”. Neste mês, ela apresentou sua crítica mais contundente até agora ao apoio de Biden à guerra de Israel em Gaza, condenando a “conduta horrível” do governo israelense e afirmando que os EUA deveriam ter “agido mais cedo e com mais firmeza”.

“Tudo isso voltará a ser discutido”, observou Kamarck. “O que aconteceu com Biden? Ela sabia? Ela achava que ele estava perdendo a lucidez? E por aí vai…”

Scott Ferson, estrategista democrata e autor do livro “How the Democrats Lost America” ​​(Como os Democratas Perderam a América), afirmou que o partido costuma deixar de lado candidatos que sofreram derrotas; contudo, eleitores desiludidos com Trump talvez passem a ver Harris sob uma nova perspectiva. “Ela tem aquele tipo de apelo que transcende barreiras”, disse Ferson, “especialmente junto a pessoas que se afastaram em 2024 ou que nem saíram de casa para votar”. A mensagem implícita dela, sugeriu ele, é: “Você se arrepende de ter ficado em casa?”.

Este mês, ao encerrar sua participação no videocast “Baby, This Is Keke Palmer”, Palmer perguntou a ela se pretendia se candidatar novamente.

“Ah, querida, fala sério!”, disse Harris, rindo enquanto segurava as mãos da estrela de cinema de Hollywood. “Ainda não decidi.”

“Mas as Eleições de Meio de Mandato… as eleições de meio de mandato!”, continuou Harris. “2028 não importa se não fizermos a coisa certa em 2026.”

Eleições nos EUA: O que muda se Trump perder a maioria no Congresso?

Kim Jong-un cruza nova ponte que une Coreia do Norte à China

24 October 2026 at 15:00

O líder norte-coreano Kim Jong-un visitou a cidade chinesa de Dandong, na fronteira, neste sábado (25) — informou a agência Xinhua. Ele chegou ao território chinês atravessando uma ponte recém-inaugurada, um gesto simbólico visto como um indicativo do esforço de Pequim e Pyongyang para ampliar os laços comerciais.

Durante a visita, Kim esteve acompanhado por Wang Huning, a quarta autoridade de maior escalão da China, que transmitiu saudações do presidente Xi Jinping, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

Kim chegou a Dandong pela Nova Ponte do Rio Yalu, que conecta a Coreia do Norte à China, informou uma autoridade do governo sul-coreano sob condição de anonimato, uma vez que não estava autorizada a falar publicamente.

Espera-se que a nova ponte facilite o transporte de equipamentos pesados, matérias-primas e produtos energéticos de que a Coreia do Norte necessita para o seu desenvolvimento. Sua inauguração oficial, neste mês, é o sinal mais recente de uma reaproximação entre Pequim e Pyongyang, após dois encontros entre seus líderes nos últimos 13 meses.

A China, que lutou ao lado da Coreia do Norte na Guerra da Coreia (1950–1953), continua sendo o principal apoio econômico e diplomático de Pyongyang, respondendo pela maior parte de seu comércio oficial.

No entanto, o aprofundamento dos laços militares da Coreia do Norte com a Rússia, desde a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022, levou analistas a questionar se Pyongyang estaria se tornando menos dependente de Pequim.

Ainda assim, a viagem de Kim aponta para um novo esforço, por parte da China e da Coreia do Norte, para fortalecer sua relação econômica.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap havia noticiado anteriormente que a expectativa era de que Kim retornasse à Coreia do Norte após a visita de sábado (24).

Imagens da emissora estatal chinesa CCTV mostraram Kim caminhando sobre a ponte, ladeado por pessoas que agitavam bandeiras, em direção à Coreia do Norte.

A Xinhua informou que Wang acompanhou Kim a um memorial da Guerra da Coreia em Dandong, onde o líder norte-coreano prestou homenagem aos soldados do Exército de Voluntários do Povo Chinês que lutaram ao lado da Coreia do Norte durante o conflito de três anos. Kim também visitou uma fábrica de automóveis em Dandong, acrescentou a agência.

 

Nova ponte impulsiona laços bilaterais

A China e a Coreia do Norte inauguraram, neste mês, a Nova Ponte sobre o Rio Yalu — com 3 km de extensão e a mais importante passagem de fronteira terrestre entre os dois países — após um longo atraso. A iniciativa visa revitalizar o comércio e as trocas econômicas, superando anos de relações tensas e interrupções causadas pela pandemia.

“Kim deu seu aval ao comércio bilateral ao cruzar a Nova Ponte sobre o Rio Yalu para entrar na China”, afirmou Christopher Green, especialista em Coreia na Universidade de Leiden, nos Países Baixos. Segundo ele, o atraso na inauguração evidenciou o quão disfuncional a relação havia se tornado.

Durante um encontro no sábado (30), Wang disse a Kim que a China está pronta para aproveitar a abertura da ponte para ampliar o intercâmbio de pessoas, bem como a cooperação econômica e comercial, informou a agência Xinhua.

A visita de Kim ocorre em um momento marcado por laços econômicos mais estreitos e intercâmbios de alto nível mais frequentes entre a China e a Coreia do Norte, observou Lu Chao, especialista em relações sino-norte-coreanas na Academia de Ciências Sociais de Liaoning — um centro de estudos vinculado ao governo chinês, sediado em Shenyang.

“A abertura da ponte eliminou um grande gargalo na logística comercial entre a China e a Coreia do Norte”, disse Lu. “Com a superação desse entrave logístico, é provável que o comércio bilateral cresça ainda mais.”

Donald Trump e Kim Jong Un se cumprimentam na zona desmilitarizada entre as Coreias do Norte e do Sul em 2019
Donald Trump e Kim Jong Un se cumprimentam na zona desmilitarizada entre as Coreias do Norte e do Sul em 2019 • 30/06/2019 KCNA via REUTERS

Trump aguarda uma aproximação de Kim Jong-un

A última visita conhecida de Kim à China ocorreu em setembro de 2025, por ocasião das celebrações do 80º aniversário do Dia da Vitória, em Pequim, quando ele se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping. Xi, por sua vez, realizou uma visita de Estado à Coreia do Norte em junho.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem demonstrado interesse em retomar as negociações com a Coreia do Norte; contudo, autoridades americanas e sul-coreanas consideram cada vez menos provável um encontro entre ele e Kim ainda este ano, informou a Reuters na sexta-feira.

No próximo mês, a China sediará, em Shenzhen, uma cúpula do fórum da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), evento no qual se espera a presença de Trump.

Por que existem duas Coreias e qual a diferença entre elas? Entenda

 

Lojas de luxo na França tapam vitrines para evitar quebradeira de protestos

24 October 2026 at 13:45

Boutiques de luxo na França protegeram suas vitrines com tapumes e contrataram segurança privada para evitar danos durante os protestos deste sábado (24). Alguns estabelecimentos planejam permanecer fechados, após vândalos terem saqueado lojas por todo o país no último fim de semana.

A França, país mais visitado do mundo, atrai um grande número de consumidores estrangeiros em busca de bolsas da Chanel e lenços da Hermès — uma importante fonte de receita para marcas de luxo que enfrentam uma desaceleração na demanda.

No entanto, algumas lojas decidiram que manter as portas abertas seria arriscado demais após os distúrbios da semana passada, quando vândalos quebraram vitrines e saquearam centenas de estabelecimentos em Paris, Marselha e Bordeaux.

Uma revendedora da Rolex e uma loja da De Beers, próximas à Place Vendôme, em Paris, permanecerão fechadas neste sábado (24), segundo funcionários. Gerentes de outras lojas — incluindo a IWC, que pertence ao grupo Richemont — informaram que decidirão se fecharão mais cedo, dependendo da dimensão dos protestos.

Avisos nas vitrines — totalmente protegidas por tapumes — das lojas da Adidas e da Boss, na Champs-Élysées, informavam aos clientes que os estabelecimentos estariam fechados; funcionários das lojas do Swatch Group também relataram que encerrariam as atividades mais cedo.

Uma loja da Lacoste foi completamente cercada por grades metálicas após sofrer, segundo um funcionário, danos “enormes” na semana passada. Um café pertencente à mesma marca teve sua fachada totalmente coberta por tapumes.

Grupos como a UNEF (principal sindicato estudantil da França) e o movimento dos “Coletes Amarelos” — que surgiu em 2018 como uma poderosa força de contestação ao sistema — planejam marchar pelo centro de Paris neste sábado, protestando contra o alto custo de vida e os cortes nos serviços públicos.

Perto do Arco do Triunfo, turistas fotografavam as lojas e restaurantes protegidos por tapumes, enquanto tentavam tirar selfies diante do monumento antes do início dos protestos.

Funcionários de hotéis relataram que estavam orientando hóspedes preocupados sobre a rota dos protestos e as áreas a serem evitadas. Como resultado, as principais vias turísticas permaneciam praticamente desertas, apesar da forte presença policial e de equipes de segurança privada.

Segurança reforçada na França

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou na sexta-feira que 70 mil policiais, apoiados por unidades especializadas, seriam mobilizados para evitar que a violência da semana passada se repetisse. No entanto, funcionários das marcas do grupo LVMH — Louis Vuitton, Dior e Bulgari — afirmaram que não pretendem correr riscos e que a segurança em suas lojas próximas à Place Vendôme foi reforçada. Segundo vários colaboradores, o grupo também mobilizou equipes extras de segurança privada para patrulhar áreas de comércio de luxo.

A loja de departamentos Printemps, situada nas redondezas, também ampliou sua equipe de segurança, realizou reparos e reforçou vitrines e entradas, informou um porta-voz.

O diretor financeiro da Hermès, Eric du Halgouet, declarou esta semana que a empresa reforçou a segurança em suas lojas na França, acrescentando que ainda é cedo para avaliar o impacto dos eventos recentes nos negócios.

O setor de luxo, que zela muito por sua imagem, não pode se dar ao luxo de enfrentar mais publicidade negativa. O ânimo dos consumidores ao redor do mundo está pessimista, e o turismo apresenta desaceleração em decorrência do conflito envolvendo o Irã — fatores que contribuíram para resultados trimestrais decepcionantes, divulgados este mês por empresas como LVMH, Hermès e Kering.

Lidiya Shevchenko, vendedora em uma loja da marca Graziella Braccialini, disse duvidar que muitas pessoas queiram visitar as lojas durante o período de protestos.

“Acredito que o clima geral é um fator tão importante quanto qualquer outro quando se trata de fazer compras”, comentou Shevchenko.

Um turista que já está repensando seus planos é o cambojano Jerry Lay, que comprou diversos itens na Louis Vuitton, na Champs-Élysées, no início desta semana.

“Nós gostamos muito de fazer compras na França, mas, depois de presenciar o protesto (no último sábado), diria que as chances de eu voltar em uma próxima oportunidade são de 50% para cada lado”, afirmou Lay.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

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