❌

Normal view

Este farol famoso destruiu um local de fé

15 August 2026 at 19:22

O Farol da Ponta da Piedade, situado no concelho de Lagos, vai muito além de uma simples torre que guia os marinheiros no mar.

Leia também: Esta praia esconde o segredo da batata

Localizado numa das paisagens mais impressionantes do Algarve, este monumento guarda uma história rica que mistura religião, debates antigos e o avanço da tecnologia no mar.

Para que o farol pudesse ser construído foi necessário derrubar um espaço religioso muito antigo, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. A compra foi feita pelo Ministério da Marinha, em 1911, por cerca de 250 mil réis.

Esta demolição causou muita tristeza e revolta na população local, já que o templo tinha séculos de história e era muito visitado por pescadores e devotos.

Apesar dos protestos, a segurança da costa falou mais alto e o projeto seguiu em frente.

O farol começou a funcionar no dia 1 de julho de 1913, com uma torre de pedra de 9 metros de altura e casas para os faroleiros ao lado.

Leia também: O santo que nasceu em Lagos e se tornou o terror das tempestades

Ao longo dos anos, a tecnologia do local mudou bastante para acompanhar os novos tempos. No início, a luz funcionava com um candeeiro a petróleo que alcançava cerca de 20 milhas de distância.

Mais tarde, em 1952, o farol recebeu eletricidade e, poucos anos depois, ganhou um sistema a gás para garantir que a luz não se apagasse em caso de falha.

Hoje em dia, tudo funciona de forma totalmente elétrica e automática, emitindo flashes de luz branca a cada 7 segundos que podem ser vistos a cerca de 37 quilómetros de distância.

Atualmente, o farol de paredes brancas cria um contraste perfeito com o amarelo das rochas gigantes e o azul-turquesa do oceano.

O local deixou de ser apenas um aviso para os barcos e tornou-se um dos pontos turísticos e miradouros mais fotografados de Portugal.

É o ponto de partida perfeito para os visitantes que querem fazer passeios de barco pelas famosas grutas da região ou caminhar pelos passadiços de madeira para assistir a um pôr do sol inesquecível.

Conheça o forte que ‘morreu’ na praia

Leia todas as notícias da região em: www.algarvemarafado.com

A igreja que vigia o centro histórico de Lagos há mais de cinco séculos

8 August 2026 at 02:01

Situada numa zona nevrálgica de Lagos, encostada às antigas muralhas e com a frente voltada para a Praça do Infante, a Igreja de Santa Maria é um marco incontornável para quem percorre o centro histórico daquela cidade.

A sua história é feita de resiliência: construída originalmente em 1498 como Igreja da Misericórdia, o templo sobreviveu ao devastador sismo de 1755 – que destruiu a antiga igreja paroquial, levando Santa Maria a assumir esse papel – e a um grave incêndio em 1888.

Arquitetonicamente, o edifício que hoje admiramos é um exemplar do estilo neoclássico, fruto das importantes obras de recuperação ao longo dos séculos.

A sua fachada destaca-se pela simetria perfeita, com duas torres sineiras laterais que emolduram o portal central, uma janela de sacada e um nicho para imagem.

No interior, a nave única revela um ambiente de sobriedade e elegância, enriquecido por retábulos da segunda metade do século XVIII e três capelas colaterais.

É um testemunho vivo da evolução de Lagos, onde a arquitetura de defesa das muralhas se cruza com a imponência da fé.

Esta praia esconde o segredo da batata

29 July 2026 at 14:32

A Praia da Batata, em Lagos, é muito mais do que um simples areal. É um local onde a história da cidade e as lendas populares se cruzam com o azul do mar.

Leia também: O forte que ‘morreu’ na praia

Situada a escassos metros do centro histórico, entre o molhe poente da Ribeira de Bensafrim e a Praia dos Estudantes, encontra-se estrategicamente próxima do Cais da Solaria e da imponente Fortaleza da Ponta da Bandeira.

O seu nome curioso, segundo reza a tradição oral, poderá ter ficado a dever-se a um acontecimento insólito: um naufrágio terá feito com que a carga de batatas que a embarcação transportava desse à costa, cobrindo o areal. O povo, com o seu pragmatismo típico, batizou-a de imediato como Praia da Batata.

Devido à sua localização privilegiada junto ao centro urbano, é uma das praias mais frequentadas de Lagos.

Os seus recantos abrigados pelas arribas oferecem sombras naturais e uma excelente proteção contra os ventos dominantes, tornando-a um refúgio acolhedor.

Além disso, é o palco de uma das tradições mais castiças da região: o “Banho 29”, uma festa popular que atrai multidões na noite de 29 de agosto para um mergulho ritual à meia-noite.

Vigiada e com bons apoios de praia, a Praia da Batata continua a ser, séculos depois, o ponto onde Lagos melhor celebra a sua ligação umbilical ao oceano e às histórias que as ondas trazem a terra.

O segredo das freiras de Lagos que vai reinar na Arte Doce

21 July 2026 at 18:55

Esta quarta-feira, dia 22 de julho, arranca em Lagos mais uma edição da Feira Concurso Arte Doce.

Um dos doces que vão estar em especial destaque é o Dom Rodrigo, um dos mais famosos da doçaria conventual do Algarve, com uma história profundamente ligada à cidade lacobrigense.

A sua origem é curiosa. Diz a tradição popular que a sua criação é uma homenagem direta a D. Rodrigo de Menezes, que foi Governador e Capitão-General do Algarve entre 1765 e 1773.

O fidalgo era um grande benfeitor do Convento de Nossa Senhora do Carmo, situado em Lagos, e apreciava muito os mimos gastronómicos das freiras. Para o lisonjear, as freiras terão inventado uma receita especial, combinando fios de ovos, ovos moles e amêndoa e deram o seu nome ao doce.

Com a extinção das ordens religiosas em Portugal no século XIX, as receitas secretas dos conventos passaram para o domínio público.

No caso do Dom Rodrigo, a receita foi preservada por famílias nobres de Lagos que tinham ligações ao convento. Mais tarde, o doce começou a ser confecionado em pastelarias locais, tornando-se um símbolo cultural da região.

Originalmente, o doce era servido em taças de porcelana e comido à colher. Para facilitar o transporte e a venda individual, passou a ser envolvido em folhas de papel de prata (alumínio) coloridas, cortadas em forma de pirâmide e com pontas franjadas, uma apresentação icónica que se mantém até hoje.

Leia também: Arte Doce de Lagos com muita música e doces típicos

Leia todas as notícias da região em: www.algarvemarafado.com

❌