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Já não se fazem cidades assim. Esta levou só dois anos a ser construída

16 August 2026 at 17:52

Vila Real de Santo António (VRSA) não é uma localidade comum, pois nasceu em 1774 de um plano geométrico quase obsessivo do Marquês de Pombal.

O seu principal objetivo era marcar a fronteira portuguesa frente à Espanha. E rapidamente! Daí que VRSA tenha demorado apenas cerca de… dois anos a ser construída.

No século XVIII, a unidade de medida padrão para desenhar ruas e edifícios era o palmo de craveira, que equivalia a exatamente 22 centímetros.

Como o Iluminismo exigia uma simetria perfeita, o coração de VRSA reflete essa regra ao milímetro, sendo que cada um dos lados da atual Praça do Marquês de Pombal mede rigorosamente 330 palmos, o que dá cerca de 72,6 metros.

Isso permitiu que toda a malha urbana passasse do papel à realidade num tempo recorde, num feito de engenharia militar e planeamento sem precedentes para a época.

Farol

A nível geográfico, este concelho possui uma curiosa característica.

Conta com três freguesias, mas a de Vila Nova de Cacela está fisicamente isolada das restantes.

Isto significa que para ir de Monte Gordo ou da sede do concelho até Cacela é obrigatório atravessar a freguesia de Altura, que pertence ao concelho vizinho de Castro Marim, funcionando como uma verdadeira “ilha” territorial.

Outro elemento curioso é o facto de, embora ostentando a designação de Vila, VRSA é, na verdade, uma cidade, tendo obtido esse estatuto em 11de março de 1988.

Centro Cultural António Aleixo

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Este farol famoso destruiu um local de fé

15 August 2026 at 19:22

O Farol da Ponta da Piedade, situado no concelho de Lagos, vai muito além de uma simples torre que guia os marinheiros no mar.

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Localizado numa das paisagens mais impressionantes do Algarve, este monumento guarda uma história rica que mistura religião, debates antigos e o avanço da tecnologia no mar.

Para que o farol pudesse ser construído foi necessário derrubar um espaço religioso muito antigo, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. A compra foi feita pelo Ministério da Marinha, em 1911, por cerca de 250 mil réis.

Esta demolição causou muita tristeza e revolta na população local, já que o templo tinha séculos de história e era muito visitado por pescadores e devotos.

Apesar dos protestos, a segurança da costa falou mais alto e o projeto seguiu em frente.

O farol começou a funcionar no dia 1 de julho de 1913, com uma torre de pedra de 9 metros de altura e casas para os faroleiros ao lado.

Leia também: O santo que nasceu em Lagos e se tornou o terror das tempestades

Ao longo dos anos, a tecnologia do local mudou bastante para acompanhar os novos tempos. No início, a luz funcionava com um candeeiro a petróleo que alcançava cerca de 20 milhas de distância.

Mais tarde, em 1952, o farol recebeu eletricidade e, poucos anos depois, ganhou um sistema a gás para garantir que a luz não se apagasse em caso de falha.

Hoje em dia, tudo funciona de forma totalmente elétrica e automática, emitindo flashes de luz branca a cada 7 segundos que podem ser vistos a cerca de 37 quilómetros de distância.

Atualmente, o farol de paredes brancas cria um contraste perfeito com o amarelo das rochas gigantes e o azul-turquesa do oceano.

O local deixou de ser apenas um aviso para os barcos e tornou-se um dos pontos turísticos e miradouros mais fotografados de Portugal.

É o ponto de partida perfeito para os visitantes que querem fazer passeios de barco pelas famosas grutas da região ou caminhar pelos passadiços de madeira para assistir a um pôr do sol inesquecível.

Conheça o forte que ‘morreu’ na praia

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Portimão: segredos, polémicas e memórias à beira do rio

14 August 2026 at 20:19

A atual Praça Teixeira Gomes é muito mais do que um espaço de passagem. É o ponto de encontro onde a história de Portimão se cruza com o Rio Arade.

Saiba aqui mais sobre Portimão

Batizada em 1950, em honra de Manuel Teixeira Gomes — ilustre portimonense, escritor, diplomata e antigo Presidente da República —, esta praça de raiz oitocentista mantém-se como um dos locais mais emblemáticos e frequentados da cidade.

Recuando aos anos 20, a praça fervilhava de vida com os seus famosos “cafés-restaurantes” e bailes sociais. Hoje, esse espírito de convivência permanece bem vivo.

Graças às suas inúmeras esplanadas, ao lago central e à vista privilegiada para o rio, a praça é o local de eleição tanto para os locais como para os visitantes que procuram relaxar e desfrutar do ambiente marítimo de Portimão.

Conheça aqui a estação de Portimão que ficava no concelho de… Lagoa

Durante décadas, o centro da praça foi dominado por um coreto, inaugurado em 1925, que servia de palco principal para concertos e cerimónias oficiais.

Embora o coreto original tenha sido polemicamente demolido nos anos 60 para dar lugar ao atual monumento escultórico em homenagem a Teixeira Gomes, a memória não se perdeu.

Em 2010, a Junta de Freguesia de Portimão construiu uma réplica do antigo coreto, instalada a poucos metros de distância, em plena zona ribeirinha, devolvendo à cidade um dos seus símbolos mais queridos.

Compreendendo o espaço entre o Jardim Bívar e a icónica Casa Inglesa, a Praça Teixeira Gomes continua a ser o cenário onde a identidade de Portimão se renova todos os dias, entre um café à beira-rio e a contemplação da estátua do seu filho mais ilustre.

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Está quase a chegar o dia em que a fé entra pelo rio adentro

13 August 2026 at 19:01

A pitoresca vila de Ferragudo (concelho de Lagoa) prepara-se para reviver uma das suas tradições mais profundas e emotivas com a chegada da grandiosa Procissão em Honra de Nossa Senhora da Conceição.

Trata-se de um evento religioso e cultural que atrai todos os anos centenas, ou mesmo milhares de moradores e visitantes, unidos pela fé e pela beleza de uma celebração única no Algarve.

O momento mais aguardado e marcante desta festividade é o deslumbrante percurso sobre as águas do Rio Arade, onde o rio se transforma num cenário de devoção e onde a terra e o mar se unem numa homenagem tocante aos que fazem da pesca a sua vida.

A edição deste ano está agendada para o próximo sábado, dia 15 de agosto, tendo o seu início marcado para as 18h00 no Largo da Igreja, de onde a imagem da padroeira sairá para descer as principais ruas da vila em direção à zona do Salva-Vidas.

É precisamente junto ao rio, perante uma grande multidão de fiéis e curiosos, que se realiza a tradicional bênção das embarcações e dos pescadores, num momento de grande recolhimento onde se pede proteção para os homens que enfrentam o mar todos os dias.

Logo a seguir, os andores são cuidadosamente colocados a bordo de barcos engalanados para dar início à viagem náutica pelas águas do Arade, num cortejo marítimo muito bonito que é acompanhado de perto por dezenas de embarcações locais e por todos os navegantes que se queiram juntar.

Após o emocionante percurso na água, a procissão regressa a terra firme para percorrer as restantes ruas da vila, subindo calmamente de volta até terminar com o regresso solene à Igreja, fechando com chave de ouro um dia de grande emoção, cor e união comunitária que mantém bem viva a identidade desta terra piscatória.

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Esta igreja guarda uma estátua milagrosa que os pescadores salvaram

11 August 2026 at 17:41

No interior da Igreja Matriz de Alvor há uma imagem que, reza a lenda local, deu misteriosamente à costa, tendo sido recolhida e colocada com profunda reverência no altar pelos antigos pescadores. É a esta célebre e milagrosa escultura do “Senhor Jesus” que os fiéis ainda hoje prestam grande devoção.

Leia também: Este barco levou a população de Alvor a declarar ‘guerra’ à Marinha Portuguesa

O grande destaque arquitetónico da Igreja Matriz de Alvor vai por inteiro para o seu pórtico principal. Esta autêntica joia de pedra é legitimamente considerada a mais bela e trabalhado expressão do estilo manuelino em toda a região algarvia.

A estrutura ostenta uma decoração exuberante, repleta de motivos detalhados e inspirados na fauna e flora locais, combinados com cenas bélicas expressivas e uma forte simbologia religiosa.

Erguido originalmente na década de 1520, o monumento afirma-se como o grande ex-líbris histórico desta vila do concelho de Portimão.

A sua construção decorreu sob os auspícios da influente família Ataíde, alcaides-mores da localidade, tendo sido muito provavelmente impulsionada por Álvaro de Ataíde (filho).

A história da edificação está profundamente interligada com as grandes dinâmicas da Coroa Portuguesa, tendo-se seguido à trágica morte do rei D. João II em Alvor, em 1495.

Leia também: A vila de pescadores que conquistou o turismo mundial e viu morrer o “Príncipe Perfeito”

Décadas mais tarde, em 1573, o jovem rei D. Sebastião visitou a localidade para inspecionar as casas outrora habitadas pelo “Príncipe Perfeito”.

Ao longo dos séculos, a gestão do templo cruzou-se com os grandes senhores da terra, desde os condes de Odemira até à poderosa família Távora — cujo condado em Alvor se extinguiu devido ao trágico processo político de Belém, no século XVIII.

Ao longo do tempo, a Igreja de Alvor resistiu a abalos sísmicos, incluindo os de 1755 e 1969, e passou por reconstruções setecentistas, com destaque para a torre sineira e o retábulo de Joaquim José Rasquinho.

Intervenções polémicas nos anos 1970 destruíram elementos originais, como o coro-alto, mas alertas do Museu Nacional de Arte Antiga, em 1977, travaram a destruição da talha dourada e imagens sacras.

Atualmente, a estrutura sobrevive como um testemunho de arte e resiliência, apesar da pressão urbanística.

Para além da famosa escultura e do portal, o interior da igreja guarda tesouros artísticos de enorme valor histórico, como altares em talha dourada, azulejos setecentistas e capelas particulares.

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Grandes concertos no Algarve: Calema, Mariza, Daniela Mercury e muitos mais

10 August 2026 at 18:31

O Festival do Marisco de Olhão, um dos maiores e mais emblemáticos eventos do verão algarvio, abriu portas esta segunda-feira, dia 10 de agosto. 

Quem se deslocar ao Jardim Pescador Olhanense até sábado, dia 15 de agosto, poderá apreciar alguns dos mais afamados e populares pratos da gastronomia ligada ao mar, sobretudo os que incluem mariscos e bivalves da Ria Formosa.

A música também marca forte presença no evento.

O primeiro nome de peso a subir ao palco é Matias Damásio, que tem concerto marcado para esta noite.

Amanhã, terça-feira, há a atuação de Deejay Telio e, na quarta-feira, o principal espetáculo musical fica por conta da dupla Némanus.

Para os últimos três dias foram programados os concertos de Calema (5ª feira, 13), Mariza (6ª feira) e da cantora brasileira Daniela Mercury, no sábado.

Novidades desta edição

Segundo informa a Câmara de Olhão, nesta edição, para responder à elevada afluência, a organização estruturou uma nova área de venda de marisco que promete reduzir de forma significativa os tempos de espera e dar uma maior fluidez a todo o serviço de atendimento.

Na zona dedicada à street food, a oferta diversifica-se com a estreia absoluta do Poke Market, trazendo opções frescas e saudáveis que se juntam aos tradicionais hambúrgueres e pizzas.

O paladar regional fica ainda mais doce, com a presença da conhecida pastelaria Kubidoce, que leva ao recinto as suas especialidades inspiradas na tradição e identidade do concelho, com especial destaque para os doces Floripes e Moncarapachense.

A inovação tecnológica também marca esta edição através da distribuição de pulseiras com códigos QR em praias e locais estratégicos da região. Ao ler o código, o público ganha acesso direto a uma comunidade oficial no WhatsApp, que funciona como um guia digital interativo que disponibiliza informações em tempo real sobre estacionamentos disponíveis, acessos rodoviários, portas de entrada e a localização exata dos espaços de restauração.

Esta mesma plataforma servirá, no final do evento, para os visitantes responderem a um inquérito de satisfação focado na melhoria contínua do festival.

Em paralelo, e aproveitando o facto de os icónicos Mercados de Olhão serem semifinalistas nacionais no concurso Novas 7 Maravilhas de Portugal, o recinto acolhe um espaço exclusivo dedicado a esta candidatura, onde os interessados podem aprofundar o conhecimento sobre este património histórico e receber brindes oficiais da campanha.

O preço dos bilhetes

Os ingressos podem ser adquiridos através da Ticketline (aqui) e da respetiva rede de distribuição autorizada, permitindo aos visitantes garantir desde já o acesso a vários dias de música, gastronomia e animação.

Os bilhetes diários custam 13 euros (exceto nos dias em que atuam os Calema e Daniela Mercury, em que sobem para 16 euros) e os passes de 5 dias podem ser adquiridos por 77 euros.

Esta terra é conhecida como a Santorini do Algarve (com vídeo)

9 August 2026 at 02:01

Localizada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a aldeia de Burgau, em Vila do Bispo, deve o seu nome aos pequenos búzios que abundam nas suas rochas.

Conhecida como a “Santorini portuguesa”, esta vila algarvia encanta pelas suas ruelas estreitas e pedonais, ladeadas por casas brancas de contornos azuis e repletas de flores.

O passeio por entre o casario termina invariavelmente no mar, onde barcos de pesca recordam a forte tradição marítima da zona — que, no século XVI, era um ponto estratégico para a faina do atum. 

Atualmente, embora o turismo e o alojamento local sejam o motor económico, Burgau preserva a sua essência.

A praia, situada numa baía protegida por falésias, oferece águas tranquilas e um areal extenso.

Para quem procura a melhor vista, o topo da arriba a nascente revela um cenário deslumbrante que explica por que razão este destino é cada vez mais procurado, sem nunca perder a sua alma típica.

VÍDEO:

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A igreja que vigia o centro histórico de Lagos há mais de cinco séculos

8 August 2026 at 02:01

Situada numa zona nevrálgica de Lagos, encostada às antigas muralhas e com a frente voltada para a Praça do Infante, a Igreja de Santa Maria é um marco incontornável para quem percorre o centro histórico daquela cidade.

A sua história é feita de resiliência: construída originalmente em 1498 como Igreja da Misericórdia, o templo sobreviveu ao devastador sismo de 1755 – que destruiu a antiga igreja paroquial, levando Santa Maria a assumir esse papel – e a um grave incêndio em 1888.

Arquitetonicamente, o edifício que hoje admiramos é um exemplar do estilo neoclássico, fruto das importantes obras de recuperação ao longo dos séculos.

A sua fachada destaca-se pela simetria perfeita, com duas torres sineiras laterais que emolduram o portal central, uma janela de sacada e um nicho para imagem.

No interior, a nave única revela um ambiente de sobriedade e elegância, enriquecido por retábulos da segunda metade do século XVIII e três capelas colaterais.

É um testemunho vivo da evolução de Lagos, onde a arquitetura de defesa das muralhas se cruza com a imponência da fé.

Esta praia de Portimão dispensa apresentações

7 August 2026 at 02:01

Ícone incontornável do Algarve, a Praia da Rocha é muito mais do que um destino, é uma experiência completa.

Com um areal imenso que se estende por mais de um quilómetro, se não aprecia particularmente a areia sob os pés, pode, ainda assim, percorrê-la em toda a sua extensão através de um passadiço.

Se o esforço abrir o apetite pode entrar num restaurantes que vai encontrar pelo caminho.

Destaque, também, para a Área Desportiva, onde se realizam jogos e torneios das mais variadas modalidades desportivas de praia.

O extenso areal é, igualmente, um cenário ideal para a realização de grandes concertos musicais.

E é isso que acontece todos os anos, com os muitos que compõem o festival AfroNation.

A energia da marginal é contagiante: entre hotéis, o Casino e uma vida noturna de referência, as opções são quase infinitas.

Pode ainda aproveitar para dar um saltinho à marina ou, então, subir à Fortaleza de Santa Catarina, um dos miradouros mais fantásticos do Algarve.

Mas o verdadeiro segredo da Rocha continua a ser a sua beleza natural.

Por isso, não espanta que seja uma das praias mais procuradas do Algarve.

A praia secreta que vai testar o seu fôlego (e recompensar a alma)

6 August 2026 at 02:01

Se procura aquele Algarve que ainda se sente virgem e selvagem, a Praia de Vale dos Homens, perto do Rogil, no concelho de Aljezur, é o seu destino.

Mas prepare-se: o acesso não se faz por um caminho qualquer. É através de uma imponente escadaria de madeira com quase 300 degraus que se desce até este areal dourado.

Como diz o ditado, “para baixo todos os santos ajudam”, mas é na subida que o corpo sente o esforço.

Felizmente, a autarquia pensou nisso e instalou bancos estratégicos onde pode descansar enquanto enche os pulmões com o perfume da maresia e das estevas.

Ao chegar lá abaixo, a recompensa é absoluta.

Rodeada por enormes arribas de xisto que parecem muralhas naturais, esta praia no concelho de Aljezur é o refúgio perfeito para quem foge das multidões.

Quando a maré vaza, o cenário transforma-se e surgem pequenas piscinas entre as rochas, ideais para explorar com calma.

É um daqueles recantos onde o tempo parece parar e onde a natureza manda em tudo.

Embora o acesso exija algum preparo físico, a vista panorâmica durante o percurso e o sossego que encontra no areal fazem de Vale dos Homens uma experiência obrigatória.

É o Algarve no seu estado mais puro: exigente, deslumbrante e profundamente revigorante.

Esta igreja é dos pescadores

5 August 2026 at 02:01

No coração da zona histórica de Olhão, onde hoje se cruzam turistas de todo o mundo, ergue-se um monumento que conta a história de um povo que transformou a humildade em grandeza: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

A sua construção, iniciada em 1698, é um verdadeiro testemunho da força da comunidade local. Na fachada, uma inscrição imortaliza a origem do templo: “À custa dos homens do mar deste povo se fez este templo novo, no tempo em que só haviam umas palhotas”.

O que começou como uma pequena capela de pescadores evoluiu para a atual Igreja Matriz, um edifício barroco de planta longitudinal que hoje domina a baixa da cidade.

Ao entrar, somos recebidos por uma nave única e imponente, onde se destacam cinco altares e uma capela-mor quadrangular coberta por uma cúpula oitavada. O interior é um tesouro de arte sacra, exibindo um retábulo e arco triunfal em talha dourada, obra do prestigiado entalhador Manuel Francisco Xavier. No teto, um fresco delicado e a imagem da padroeira, Nossa Senhora do Rosário, completam o cenário de devoção.

A fachada principal, reformulada na segunda metade do século XVIII com um impressionante coroamento triangular, é considerada uma das mais belas de todo o Algarve. Classificada como Imóvel de Interesse Público, a Igreja Matriz não sobreviveu apenas ao terramoto de 1755, mas tornou-se o símbolo máximo da identidade de Olhão, unindo o mar, a fé e a arquitetura barroca num só lugar.

A vila de pescadores que conquistou o turismo mundial e viu morrer o “Príncipe Perfeito”

4 August 2026 at 02:01

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Muito antes de ser o refúgio balnear que hoje atrai milhares de turistas, Alvor foi o cenário de um dos momentos mais marcantes da História de Portugal.

Foi ali que o rei D. João II faleceu, em 1495, após falharem os tratamentos nas Caldas de Monchique.

Este trágico episódio mudou o destino da terra que, por vontade expressa do “Príncipe Perfeito”, foi elevada a vila pelo seu sucessor, D. Manuel I.

Com raízes que recuam a um entreposto fundado por Aníbal Barca (Portus Hannibalis) e a um posterior castro celtibérico, a localidade soube reinventar-se ao longo dos séculos sem perder a sua profunda ligação ao mar.

A evolução do mar para o turismo

Historicamente, Alvor consolidou-se como um lugar de forte vocação marítima e piscatória.

Durante séculos, a subsistência da população dependeu do mar, da pesca e das suas salinas.

Nas últimas décadas, a terra operou uma transição extraordinária: de uma pacífica comunidade de pescadores, transformou-se numa importante estância turística internacional. Este crescimento foi impulsionado por um contínuo desenvolvimento económico e social que devolveu à localidade a importância dos seus tempos áureos.

As pragas de Alvor são uma das imagens de marca desta terra e das gentes.

Nascidas no seio da comunidade piscatória tradicional, os chamados “Alvoreiros”, estas pragas eram expressões e dizeres utilizados habitualmente durante discussões, picardias ou desavenças entre vizinhos e familiares.

Herança histórica e artística

A era de grande prosperidade deixou marcas profundas no património.

O maior exemplo é a sua deslumbrante Igreja Matriz, erguida no século XVI.

Este templo é célebre por exibir portais de estilo manuelino incrivelmente trabalhados, repletos de pormenores decorativos que testemunham a riqueza artística da época dos Descobrimentos.

Leia também: Este barco levou a população de Alvor a declarar ‘guerra’ à Marinha Portuguesa

A zona ribeirinha e o esplendor da ria

Hoje, a alma de Alvor continua ligada às suas águas, mas com foco no lazer.

A requalificada zona ribeirinha é o ponto de encontro por excelência, convidando a passeios junto aos barcos tradicionais.

Daí abre-se o cenário idílico da Ria de Alvor, uma das zonas húmidas mais importantes do Algarve.

Este ecossistema estende-se num labirinto de canais e sapais, servindo de refúgio a várias espécies de aves e bivalves.

A poucas centenas de metros do centro da vila, a paisagem transforma-se num cenário balnear de excelência. Alvor é emoldurada por praias de areias douradas, como a vasta Praia de Alvor e a icónica Praia dos Três Irmãos, famosa pelas suas falésias.

Para unir este património de forma sustentável, foi construído o famoso passadiço de madeira de Alvor, que serpenteia ao longo das dunas, ligando a zona ribeirinha à praia com vistas deslumbrantes sobre o oceano.

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A Guerra dos Sete Anos chegou a esta praia

3 August 2026 at 09:24

Situada na costa sul de Vila do Bispo, a Praia do Zavial deslumbra pelo seu enquadramento natural, onde o areal de média extensão é abraçado por imponentes arribas calcárias cobertas de vegetação mediterrânica.

Inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, esta praia combina a serenidade da paisagem com um passado de grande importância estratégica e histórica.

Desde o século XVI, o Zavial foi palco de uma relevante armação de pesca do atum, protegida pelo Forte de Santo Inácio do Zavial, erguido na década de 1630.

Mas o segredo mais dramático destas águas repousa no fundo do mar: em 1759, durante a Guerra dos Sete Anos, o navio francês Redoutable afundou-se aqui após uma intensa batalha naval contra a esquadra inglesa.

Hoje, o Zavial é um refúgio que preserva tanto a sua herança militar quanto a sua beleza selvagem.

Vir a esta vila e não comer frango assado é quase um crime

2 August 2026 at 13:01

A Guia é a verdadeira capital do frango assado, famosa em todo o país por esta especialidade gastronómica deliciosa e estaladiça.

Situada em pleno coração do Algarve, no concelho de Albufeira, junto à estrada EN125, esta vila consegue a proeza de juntar tradição, lazer e ótimas compras num único lugar.

Visitar a Guia e não comer um frango assado é quase um pecado. É o grande ex-líbris da terra e as dezenas de restaurantes locais servem-no como ninguém.

Antes ou depois de provar este prato típico, pode dar uma volta pela localidade para apreciar, sobretudo, os seus monumentos religiosos.

Igreja Matriz da Guia

A Igreja Matriz é dedicada a Nª Sra. da Visitação. Foi edificada no século XVII e no seu interior podem ser admirados o retábulo da Capela-Mor, uma imagem de Nossa Senhora da Visitação, provavelmente do século XVIII, as imagens de Santo António e de Cristo Crucificado.

A Ermida de Nossa Senhora da Guia é mais antiga, data do século XV, mas teve de ser reconstruída depois do terramoto de 1755 Terá, inclusivamente, estado na origem da povoação e, reza a lenda que naquele local apareceu a Virgem.

A umas centenas de metros encontramos outra ermida, a de São Sebastião, feita com o objetivo de ajudar a afastar a peste negra.

A Guia é, também, um ponto de paragem obrigatório para quem gosta de fazer compras. A poucos quilómetros do centro da vila, fica um enorme espaço comercial que serve toda a região. O grande destaque vai para o famoso Algarve Shopping, um centro comercial ao ar livre onde pode encontrar lojas para todos os estilos e gostos, um grande supermercado e uma ampla zona de restauração.

Se for em direção ao mar, encontra, também, a cerca de 6 quilómetros, praias famosas, como a da Galé e a dos Salgados.

Ermida de Nª Sra. da Guia
Ermida de São Sebastião

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O “aquário natural” de Albufeira que tem de explorar este verão

1 August 2026 at 06:01

A Praia do Evaristo é um refúgio de biodiversidade em Albufeira, perfeito para quem procura uma ligação direta com a natureza pura.

Situada longe da influência urbana e integrada em sistemas naturais sensíveis, esta pequena enseada de areia dourada destaca-se pelo seu caráter rochoso e pelas arribas baixas, artisticamente recortadas pelo tempo.

O grande diferencial do Evaristo está “escondido” à vista de todos: enormes blocos rochosos espalham-se pelo areal e mergulham no mar, criando um autêntico aquário natural.

Nas rochas é possível encontrar cracas, mexilhões, lapas e anémonas que dão cor às paredes e dentro de água, os banhistas podem encontrar cardumes de safias, sargos e peixes-rei que nadam tranquilamente entre os rochedos.

O acesso é feito por estrada alcatroada (ligação Guia-Galé).

Este barco levou a população de Alvor a declarar ‘guerra’ à Marinha Portuguesa

30 July 2026 at 15:35

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O barco “Alvor” é o elemento mais importante e o coração de todo o Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor.

Construído entre 1932 e 1933, este barco a remos do tipo dinamarquês e casco trincado salvou muita gente ao longo dos anos, atuando numa época em que os acidentes à entrada da barra eram frequentes e fatais.

O apego da comunidade a este salva-vidas, símbolo de proteção marítima, gerou um episódio memorável de resistência em 1983.

Com o encerramento da estação salva-vidas, a Marinha Portuguesa tentou levar a embarcação para o seu museu, mas a população de Alvor revoltou-se.

Para impedir a retirada da embarcação, as portas da estação foram soldadas e os carris de acesso à água cortados.

No dia da chegada da comitiva militar, os sinos da igreja tocaram a rebate e o povo desceu em massa à ribeira, impedindo a partida do barco.

Texto relacionado: Nesta casa algarvia morreu um famoso rei português

Após ser restaurado no final dos anos 1990, o salva-vidas passou a integrar a procissão de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Hoje, toda esta história está guardada no Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor. Este equipamento cultural resulta da reabilitação da antiga Estação do Instituto de Socorros a Náufragos, sendo um projeto da Câmara Municipal de Portimão (através do Museu) com a Junta de Freguesia de Alvor.

O espaço funciona como um núcleo museológico que liga o património sociocultural às vivências e saberes da comunidade piscatória local, homenageando os homens e mulheres que sempre viveram do mar e da ria.

Leia aqui mais textos sobre o concelho de Portimão

Esta praia esconde o segredo da batata

29 July 2026 at 14:32

A Praia da Batata, em Lagos, é muito mais do que um simples areal. É um local onde a história da cidade e as lendas populares se cruzam com o azul do mar.

Leia também: O forte que ‘morreu’ na praia

Situada a escassos metros do centro histórico, entre o molhe poente da Ribeira de Bensafrim e a Praia dos Estudantes, encontra-se estrategicamente próxima do Cais da Solaria e da imponente Fortaleza da Ponta da Bandeira.

O seu nome curioso, segundo reza a tradição oral, poderá ter ficado a dever-se a um acontecimento insólito: um naufrágio terá feito com que a carga de batatas que a embarcação transportava desse à costa, cobrindo o areal. O povo, com o seu pragmatismo típico, batizou-a de imediato como Praia da Batata.

Devido à sua localização privilegiada junto ao centro urbano, é uma das praias mais frequentadas de Lagos.

Os seus recantos abrigados pelas arribas oferecem sombras naturais e uma excelente proteção contra os ventos dominantes, tornando-a um refúgio acolhedor.

Além disso, é o palco de uma das tradições mais castiças da região: o “Banho 29”, uma festa popular que atrai multidões na noite de 29 de agosto para um mergulho ritual à meia-noite.

Vigiada e com bons apoios de praia, a Praia da Batata continua a ser, séculos depois, o ponto onde Lagos melhor celebra a sua ligação umbilical ao oceano e às histórias que as ondas trazem a terra.

A lenda secreta de uma igreja algarvia

27 July 2026 at 14:09

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A Igreja de São Bartolomeu de Messines nasceu de uma forma bem pouco comum.

Diz a lenda que os habitantes da Amorosa e de Messines não chegavam a acordo sobre a localização do templo.

Para resolver o conflito, decidiu-se que dois cavaleiros partiriam de cada aldeia e que a igreja seria erguida no ponto de encontro.

O cavaleiro de Messines, contudo, avançou propositadamente mais devagar, garantindo que o edifício ficasse nas terras da sua povoação.

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Para além do mito, o templo é um valioso exemplar arquitetónico.

Construído originalmente no primeiro quartel do século XVI, exibe hoje uma fusão entre o Manuelino e o Barroco, fruto de grandes obras no início do século XVIII.

No exterior, destaca-se o imponente pórtico barroco, ladeado por colunas salomónicas e capitéis coríntios.

O seu interior, de planta longitudinal com três naves, guarda um rico espólio de imagens dos séculos XVII e XVIII.

A importância religiosa da vila estende-se ainda às ermidas de Nossa Senhora da Saúde, Sant’Ana, São Pedro e São Paulo, que completam o património local.

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A vila de casas brancas que esconde uma das praias mais bonitas de Portugal

26 July 2026 at 01:01

Porta de entrada no Algarve para quem vem do Alentejo, a vila de Odeceixe ergue-se encostada a uma colina, com ruas estreitas e casas de um branco imaculado.

Integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a freguesia combina a pacatez rural com a força do Atlântico, sendo famosa pela sua biodiversidade, arribas imponentes e dunas litorais.

O território é moldado pela Ribeira de Seixe, que nasce na Serra de Monchique e corre todo o ano, servindo de fronteira natural entre as duas regiões.

As suas águas preservadas alimentam uma vegetação rica em plantas endémicas e servem de refúgio a espécies raras como a garça-boieira e a lontra.

O rio desagua na icónica Praia de Odeceixe, eleita uma das “7 Maravilhas de Portugal” em 2012, onde o mar e a ribeira se encontram criando lagoas calmas na maré baixa. Logo ao lado, a sul, fica a Praia das Adegas, uma das praias oficiais de naturismo do país.

Na vila, o património histórico e cultural convida a visitas demoradas. Destacamos a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, um templo dos séculos XIV/XV que guarda um arco triunfal manuelino e valioso espólio em prata lavrada.

A Adega-Museu, que recria as adegas das décadas de 1920 e 1940, antigo ponto de encontro social e de partilha da tradicional “adiafa” entre trabalhadores também merece uma visita, tal como o Moinho de vento, de onde se tem uma das vistas mais belas da zona.

A ligação à terra e ao mar reflete-se na gastronomia, com pratos típicos como a “Feijoada à minha maneira”, e nas celebrações locais.

A vila ganha vida com os desfiles de Carnaval, com a Feira do Folar na Páscoa, com as ruas coloridas nos Santos Populares, em junho, e com o mercado de rua que, de 15 em 15 dias aos domingos, mostra o orgulho local em legumes doces e licores artesanais.

Leia também: No alto desta terra há um moinho que continua a desafiar o tempo e o vento

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Esta igreja guarda um segredo macabro

25 July 2026 at 13:01

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A Igreja do Carmo, em Faro, ficou eternizada na história por ter sido o palco onde eclodiu a revolta da cidade contra o domínio francês, a 19 de junho de 1808, e onde se elegeu o Supremo Conselho de Regência do Reino do Algarve.

Outro dos seus maiores – e macabros – pontos de interesse situa-se no antigo cemitério anexo: a célebre Capela dos Ossos, erguida em 1816.

Sendo uma das apenas seis estruturas deste género recenseadas em Portugal, esta capela oitocentista de inspiração barroca impressiona pelo seu revestimento feito com os crânios e ossos de mais de mil monges carmelitas.

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Para além deste forte legado histórico e místico, o templo destaca-se na paisagem urbana pelas suas imponentes torres gémeas.

Construída originalmente entre 1713 e 1719 pela Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a igreja teve de ser reconstruída após o sismo de 1755, afirmando-se como um belo exemplar da arquitetura barroca em estilo D. João V.

No seu interior de nave única, o retábulo-mor, esculpido pelo mestre Manuel Martins, é considerado uma das grandes obras-primas da talha algarvia, enquanto o altar de São José assinala a transição pioneira para o estilo Rococó na região.

Esta riqueza estende-se aos tetos pintados – com brutescos de Clemente Velho na sacristia e uma pintura em perspetiva de José Ferreira da Rocha na capela-mor – e aos trabalhos de massa de Diogo Tavares e Ataíde no coro-alto e nártex, desenhados para criar um efeito de ilusão e surpresa típico do Barroco.

Por fim, painéis de azulejos no nártex deixam gravada a fundação do monumento pelo Bispo D. António Pereira da Silva e intervenções posteriores na balaustrada, datadas de 1875.

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