Num país com níveis muito elevados, e persistentes durante décadas, de desigualdades socioeconómicas, será realmente surpreendente que uma parte significativa da população se sinta abandonada pela democracia? Que pense que as promessas da democracia não a incluem, perante a magnitude do que continua a fazer-lhe falta e a que até vê aceder outra parte da população? Convém olhar sob este prisma para os dados sobre a sociedade portuguesa que são regularmente publicados, tanto em termos (…)
As a heat wave settled on the Red Sea in 2022, a patch of corals in a reef 15 kilometers (9.3 miles) off the coast of Saudi Arabia reacted differently than other corals. They’d been treated with probiotics, beneficial bacteria isolated from healthy corals, and those treatments prevented the corals from bleaching, scientists now report. Corals provide habitat for about one-third of marine species but are declining at an unprecedented rate, according to the latest report from the Global Coral Reef Monitoring Network. Rising temperatures lead to coral bleaching, a breakdown of the beneficial symbiosis between corals and algae that can result in coral death. Scientists estimate that if global temperatures rise by 1.5°Celsius (2.7°Fahrenheit) above pre-industrial levels, 70-90% of corals will be at risk of severe degradation worldwide by 2100. “Corals can acclimate and adapt, but only if they are alive,” principal investigator of the new study Raquel Peixoto, a microbial ecologist at the King Abdullah University of Science and Technology (KAUST) in Saudi Arabia, told Mongabay in a video call. She and other researchers around the world are investigating how manipulating the microscopic bacteria that live on corals can help them respond to threats ranging from oil spills to infectious disease. Though Peixoto previously showed that probiotics could stave off bleaching and keep corals alive in tanks, the new results, published Sept. 3 in Cell Reports, are the first to indicate that probiotics may help protect corals in the wild from marine heat waves. “It’s one thing to…This article was originally published on Mongabay
Os japoneses criaram uma palavra pra designar a prática de acumular livros: Tsundoku. Algo como tsun-empilhar e doku-leitura. Pra ter gerado um conceito específico, a prática não deve ser incomum por lá, o que maculou um pouco meu estereótipo de estimação sobre a moderação do mundo oriental.
Prática talvez não seja a melhor palavra, parece estar mais na esfera da mania, vício, falta de noção de realidade e tempo de vida. Os tsundokuers(o anglicismo é por minha conta) vão, ao longo do tempo, erguendo suas bibliotecas. Porém, a consequência de ser este tipo de empilhador é erguer, em paralelo, uma antibiblioteca: um conjunto de tudo o que ainda não leu, quem sabe jamais lerá. Não parece uma coisa muito boa, mas fazer parte da categoria dos que só criam antibiblioteca, é pior. Estes, sequer apelido japonês têm.
Também existem os bibliófilos, esses com raiz grega biblio = livro. Têm livros raros, edições únicas, várias traduções dos mesmos textos. Humberto Eco tinha uns 30.000 livros e, pelo que se sabe, era desprovido de antibiblioteca. Tenho pra mim que um tsundokuer gera muito mais empatia do que um bibliófilo.
Uma antibiblioteca é sempre motivo de angústia. Inclusive quanto à sua disposição nas estantes. Talvez alguns os organizem colocando todos os livros nunca lidos em prateleiras específicas, ou camuflem o acervo, misturando-os aos livros lidos, impressionando visitas e apaziguando um pouco sua mente devedora.
Pra você que lê isso e, em pânico, começa a caçar na sua estante tudo o que comprou e sequer tirou do plástico, calma. Lendo Irene Vallejo, autora de O infinito em um junco (que comprei e li!), minha porção livreira nipônica foi acolhida. Ter uma porção de livros não lidos é sinal de otimismo, esperança na vida. É a crença materializada de que há um futuro você e que esse você do futuro um dia lerá tudo aquilo. O livro que você comprou hoje é uma aposta no amanhã. Bom, né?
Mas e quando você descobre, como eu, que além da biblioteca e antibiblioteca, você tem biblioteca ectoplásmica, composta por todos os livros que leu, despossuída de si mesma? Funciona assim: encontro um determinado livro na estante e penso: caramba, eu tinha esse livro, nem sabia, vou ler! Abro e vejo rabiscos, comentários, trechos sublinhados. A primeira reação é a indignação: quem se atreveu a rabiscar meu livro? A segunda, mais lúcida, percebe os indícios: garranchos no estilo único da minha letra feia; sublinhados no estilo inconfundível de um eletroencefalograma. Sim, fui eu. Li fora do corpo, não restando sequer um traço de memória sobre aquilo.
Alguns me dizem: ah, teu cérebro não gravou porque você não se interessava pelo assunto? Elas não me compreendem. As reflexões, as anotações, os diálogos que travei com o autor, tudo mostra que sim, me interessava e muito. O que me faz concluir que alguns cérebros vêm com o software que junta interesse + armazenamento. A memória então fica lá, salva e resgatável. No entanto, há os que vieram com o software, porém jamais atualizaram sua versão. Estes quase se equiparam à minha categoria, a de muitas (muitas) leituras fantasmagóricas.
Talvez deva adotar a estratégia de um amigo, também praticante de leitura incorpórea. Ele foca no momento, lê e não se frustra, apenas desfruta. Tipo mindfulness. Já outra amiga, leitora desde que circulava pelo mundo só usando Pampers, tem a capacidade de citar de memória trechos inteiros. Nossa amizade sólida me salva das retaliações pela minha inveja explícita.
Tento aprender a conviver com isso, mas ainda tenho o péssimo costume de prometer a mim mesma as releituras. Assim, todos os que foram lidos — biblioteca, mais os que estão por ler — antibiblioteca, mais os livros ectoplásmicos, somam-se às releituras que nunca farei.
Me resta arrumar minha estante, colocando todos os livros misturados, dando volume, porque, sabe, isso sempre impressiona as visitas.