Dois diferendos, em escalas diferentes: Pichardo/Ronaldo…
…Conhecidos do grande público, o atleta de triplo salto, Pedro Pichardo, campeão olímpico em ‘Tóquio 2020’, e o futebolista, capitão da nossa seleção e astro maior do firmamento, Cristiano Ronaldo, protagonizam diferentes conflitos.
Um, o Pichardo, é feito de silêncio, prova e dignidade, o outro, Ronaldo, tem sido objeto de ruído, ego e palco.
No momento em que debitamos este modesto escrito, e em respeito para com a linha editorial do ‘Times’ do Algarve, ainda sem conhecermos a versão oral ou escrita do futebolista, não poderemos aprofundar o ‘caso’, que tem feito correr mundo, seja escrito ou falado, razão pela qual nos limitaremos a caracterizar, o diferendo do Pichardo como vivendo no escuro, com documentos numa pasta, e o do Ronaldo, na ausência de (mais) dados tem tido, ainda assim, os holofotes permanentemente acesos, com um fartote de comentários…
Como bom seria que ambos pudessem redundar, ter o seu desfecho final, em observância para com princípios e valores éticos essenciais, tais como: dignidade, equidade, responsabilidade, respeito e verdade.
Na circunstância e em liberdade de expressão, a grande almofada para se ser digno, talvez que importe trazer ao ‘palco dos acontecimentos’ três mestres – porque sábios! -. Um, Laborinho Lúcio: “A justiça deve rosto, voz e coração”, o outro, Michel Renaud: “O desporto é uma atividade essencialmente humana, que implica o jogo do corpo, a força da alma, a educação do espírito”, e o mestre dos mestres, Manuel Sérgio: “Só se sabe aquilo que se vive”, sem que antes, ao fecharmos este time out, não nos tivéssemos de socorrer do celebérrimo rodapé de Fernando Pessa: “E esta, hein?!”, quando também se deva rematar, assim, assertiva e responsávelmente: “Não há remates à baliza, há pessoas que rematam à baliza”.
Na abrangência dos três saberes: Fazer – o rigor, o treino, o jogo; Estar – o cidadão, como estamos uns com os outros?; Ser – pessoa, com voz para ouvir os seus pares e coração para pesar as provas e não o poder.
Pela simples razão de que o sucesso, o êxito não se compra apenas se merece!
Uma vez mais, as tais ‘coisas’ da ‘coisa desportiva’… e não só!
*Embaixador para a Ética no Desporto, uma vez, Embaixador para sempre