A Mercadona levou muito tempo para chegar ao Algarve, mas a expansão na região sul do país ganhou agora um ritmo acelerado.
O primeiro passo foi dado em Portimão, com a inauguração do muito aguardado primeiro supermercado da cadeia no distrito.
Instalado no Vila Nova Retail Park de Portimão, conta com uma área de vendas de 1900 m2 e cerca de uma centena de funcionários.
De acordo com os dados divulgados pela empresa, a construção deste supermercado implicou um investimento superior a 6,5 milhões de euros.
Contudo, já há mais dois a caminho: no próximo dia 12 de novembro abre a loja de Faro e, entretanto, o grupo espanhol anunciou oficialmente um terceiro espaço na região.
A cidade escolhida é Olhão, com a inauguração planeada para o próximo ano.
Esta forte aposta traz para o Algarve um modelo de negócio muito particular.
Há a curiosidade de, ao contrário das outras marcas concorrentes, a Mercadona não ter cartões de fidelização nem fazer promoções, focando-se na estabilidade de preços.
Outro elemento fortemente diferenciador e característico da empresa é o facto de não possuir caixas automáticas, mantendo a exclusividade do atendimento personalizado aos seus clientes.
Assista aqui ao vídeo da inauguração do supermercado de Portimão:
A história do Centro de Congressos de Lagoa tem contornos tão dramáticos que dava quase um guião de cinema.
Ao longo dos anos, este espaço já viveu várias vidas e foi batizado três vezes: nasceu como Pavilhão do Arade, transformou-se em Centro de Congressos do Arade e, hoje, assume a identidade de Centro de Congressos de Lagoa.
Inaugurado em 2008, o projeto começou como uma grande promessa para a região. Mas, o modelo de gestão falhou, os prejuízos acumularam-se e o imponente edifício converteu-se num autêntico “elefante branco”. O desfecho parecia fatal quando, em 2020, foi declarada a sua insolvência.
Seguiu-se o período mais negro da sua história. Abandonado à sua sorte, o imóvel foi alvo de constantes atos de vandalismo, pilhagens e degradação física.
Mas, num golpe de teatro, o Centro de Congressos renasceu nos últimos tempos. A Câmara Municipal de Lagoa decidiu avançar sozinha para o resgate, tendo-o comprado e recuperado.
Se a história do edifício é digna de um filme dramático, a do seu parque de estacionamento daria uma excelente comédia.
Este espaço plano e amplo que serve o centro esconde uma das maiores curiosidades geográficas do Algarve: está literalmente dividido entre duas freguesias. Uma parte do terreno pertence à freguesia de Ferragudo e a outra à União das Freguesias de Estômbar e Parchal.
Esta linha invisível no mapa dá origem a situações verdadeiramente caricatas.
O exemplo mais flagrante acontece durante as tradicionais Festas do Parchal. Devido à organização e disposição do espaço, os festejos desta vila acabam por ser montados… no lado do parque que pertence administrativamente a Ferragudo.
Esta “invasão” pacífica já se tornou uma piada recorrente entre os autarcas da zona.
O presidente da Junta de Ferragudo, sempre em tom de brincadeira, faz questão de avisar o seu colega da União das Freguesias de Estômbar e Parchal que, da próxima vez que a festa ali voltar, vai mesmo ter de lhe pedir uma autorização formal para ocupar o “seu” território.
Uma vizinhança unida pela cultura, pela burocracia do mapa e pelo bom humor algarvio.
// Se já estiver a falar, para o áudio e repõe o botão
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window.speechSynthesis.cancel();
botao.innerHTML = "🔊 Ouvir este artigo";
return;
}
// 1. Seleciona o bloco de texto do artigo (lógica original do Guia Algarve)
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// 2. Guarda o texto na memória
let textoFinal = artigo.innerText;
// 3. Remove a frase do botão para ela não ser lida
textoFinal = textoFinal.replace("🔊 Ouvir este artigo", "").replace("Ouvir este artigo", "");
textoFinal = textoFinal.trim();
if (textoFinal.length === 0) return;
// 4. Configura a voz
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mensagem.lang = 'pt-PT';
// 5. Quando o áudio terminar sozinho, o botão volta ao normal
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botao.innerHTML = "🔊 Ouvir este artigo";
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// 6. Muda o texto do botão para indicar que se pode parar
botao.innerHTML = "⏹ Parar Áudio";
// 7. Começa a ler
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// Garante que o áudio para se o utilizador fechar ou mudar de página
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window.speechSynthesis.cancel();
};
Durante muitos anos, a fina flor algarvia e a alta burguesia nacional reuniam-se, jogavam, conviviam e assistiam a espetáculos no Casino de Armação de Pêra, transformando-o no epicentro do glamour e da vida social do sul do país.
Inaugurado em1958, o então batizado Casino Turismo funcionou como o grande motor da modernização da região, liderando a transição desta antiga vila piscatória e rural para um destino turístico de prestígio internacional.
Nas décadas de 1950 e 1960, o edifício projetado pelo arquiteto Tavela de Sousa fervilhava com espetáculos culturais e noites requintadas.
Este dinamismo cosmopolita quebrou o isolamento da localidade e impulsionou o desenvolvimento urbanístico de Armação de Pêra, atraindo hotéis, novas avenidas e as primeiras esplanadas junto à falésia.
O casino tornou-se, assim, o principal postal de visita da frente de mar e um pilar essencial para o nascimento do turismo algarvio.
Após o encerramento nos anos 70 e décadas de progressivo abandono, a estrutura foi classificada como Património Cultural de Interesse Municipal.
De forma a devolver esta joia histórica à comunidade, a Câmara de Silves arrancou com uma profunda obra de reabilitação do Antigo Casino, que exigiu um investimento superior adois milhões de euros.
Quando reabrir, no interior do edifício funcionará um estabelecimento de restauração e bebidas, um espaço multiusos de vocação cultural e um posto de turismo.
Portimão e Lagoa são dois concelhos vizinhos separados pelas águas do Rio Arade.
Até ao século XIX, a ligação dependia exclusivamente de uma simples barca.
O isolamento terminou a 7 de julho de 1876 com a inauguração da Ponte Rodoviária de Portimão (Ponte Velha).
A sua construção deveu-se à influência do deputado Francisco de Bivar, que moveu cordéis políticos para garantir que a estrutura fosse erguida em Portimão e não em Silves. Para a financiar, propôs até um imposto sobre a lota de peixe.
A obra, que teve a primeira pedra lançada por Fontes Pereira de Melo, foi feita em treliça metálica com cerca de 300 metros de comprimento.
Nos primeiros anos, com o piso em madeira, a ponte servia de promenade para passeios públicos e concertos.
Após um longo restauro concluído em 2009, continua hoje a ser uma das principais vias de ligação entre a baixa de Portimão e o Parchal.
Se a estrada exigiu astúcia, trazer o comboio foi uma batalha monumental que implicou, até, um pedido direto ao rei D. Carlos I, em 1897.
Contudo, o custo para cruzar o Rio Arade era proibitivo. A solução encontrada foi caricata: como a ponte ferroviária era demasiado cara para a época, construiu-se a “Estação de Portimão” na margem oposta, na aldeia dos Cucos (atual Parchal).
Assim, durante quase duas décadas, quem viajava de comboio para Portimão era obrigado a desembarcar em solo de Lagoa.
O impasse terminou a 30 de julho de 1922, data em que a ponte e a nova estação foram finalmente inauguradas.
O comboio pôde enfim cruzar o Arade rumo a Lagos, impulsionando definitivamente o comércio, o turismo e a próspera indústria conserveira de Portimão.
Já imaginou poder provar 13 das melhores cervejas do mundo sem sair do mesmo sítio?
É exatamente esta a proposta da primeira edição do Portimão World Beer Groove, que vai invadir a icónica Fortaleza de Santa Catarina, na Praia da Rocha, entre os próximos dias 18 e 20 de setembro (sexta a domingo).
Com entrada gratuita, este festival combina uma viagem de sabores internacional com o melhor da street food gourmet e uma vista incomparável sobre o mar e o rio Arade.
Logo à entrada do recinto, pode adquirir o copo de vidro oficial e personalizado do evento para começar a explorar o menu de marcas premium.
A rota cervejeira divide-se em três grandes destaques:
Lagers internacionais: Desde a ultra refrescante Coors (EUA) e a leveza da Peroni (Itália) até ao amargor equilibrado da Estrella Galicia (Espanha) e a tradição da Budvar (República Checa).
Alta fermentação e sidra: O trigo frutado da Paulaner (Alemanha), as notas cítricas da Blue Moon (EUA), a complexidade da Brugse Zot (Bélgica) e a frescura da sidra Kopparberg (Suécia).
Cultura Craft e Stout: A inovação da BrewDog (Escócia), o toque artesanal da Coalition (Inglaterra), a nossa bem conhecida Nortada (Portugal) e, a fechar, a icónica e cremosa escura Guinness (Irlanda).
Para acompanhar a degustação, o ambiente do pôr do sol será embalado ao som de DJ sets de Chillout e Deep House.
À medida que a noite avança, o recinto ganha nova energia com os grandes clássicos da Pop e do Rock das décadas de 70 a 2000.
Está a pensar ir comer fora? Veja aqui algumas sugestões de menus a preços económicos.
Se tem um restaurante e pretende colocar aqui – de forma gratuita – o seu menu, envio-o no dia anterior ou, no máximo, até às 10h00 do dia a que se refere para: guiaalgarve@gmail.com.
Aberto de terça a sábado, das 12h00 às 15h00 (almoço); das 15h00 às 17h00 (petiscos/snacks) e das 19h00 às 22h00 (jantar) e ao domingo, das 12h00 às 15h00
Tasca Ibérica (Portimão)
R. Poe. António Aleixo, Portimão
Aberto de 2ª a 6ª feira das 07h30 às 19h00
Friendly Bar Restaurante (Portimão)
Urbanização Vila Rosa Lote 12, Portimão. Contacto telefónico: 917 332 182
Aberto de 2ª a 6ª feira das 08h30 às 20h30
Menu desde 13€
Quarta-feira:
Pernil
Entrecosto
Asinhas de frango
Cavalas cozidas
Restaurante Ti Emília (Portimão)
EN 124, nº6. Contacto: 963 795 627
Snack-Bar Raminha (Portimão)
Rua da Raminha, Lote 19, Loja A, Portimão
Contacto: 282 482 522
Quarta-feira:
Sopa do Dia
Cabidela
Peixe Grelhado
Petisqueira Os Moinhos (Portimão)
Rua Projectada À Rua Caldeira Do Moinho Edif. Abicada, Lj. 6, Portimão
O empreendimento da Torralta, em Alvor, provocou uma verdadeira revolução no turismo nacional, alterando de forma irreversível a escala e a paisagem do sul do país no final da década de 1960.
Liderado pelos irmãos Agostinho da Silva e José da Silva, o projeto transformou o Algarve de um refúgio pacato e exclusivo numa potência do turismo de massas.
As icónicas torres de betão da Torralta foram construídas a partir de 1969 mesmo em cima da frente dunar, praticamente em cima de uma das mais belas praias do concelho de Portimão.
Estes edifícios rasgaram a linha do horizonte da antiga vila piscatória de Alvor e ditaram o nascimento de uma nova era.
Através da empresa Torralta – Club Internacional de Férias, os irmãos Silva criaram um modelo pioneiro de “capitalismo popular”.
O grupo atraiu cerca de 27 mil pequenos acionistas e introduziu em Portugal o conceito de time-sharing.
Após o sucesso no Algarve, a ambição levou-os a tentar replicar este mega-complexo na Península de Troia. O projeto era colossal e foi planeado para acolher cerca de 70 mil camas, incluindo hotéis e uma marina.
Contudo, as convulsões políticas e económicas do pós-25 de Abril de 1974 ditaram a falência do grupo. Enquanto em Alvor as estruturas ficaram abandonadas durante anos, em Troia o complexo acabou por ser intervencionado pelo Estado.
Mais tarde, o espaço de Troia foi vendido ao Grupo Sonae. O processo culminou na demolição implosiva das suas famosas torres gémeas, em 2005, para dar lugar ao atual Troia Resort.
Atualmente, o legado algarvio da Torralta vive uma realidade totalmente renovada. Após uma profunda reabilitação urbana, as antigas estruturas degradadas de Alvor deram lugar a modernos resorts de luxo e apartamentos turísticos.
Hoje, a maioria destes edifícios são geridos por grandes marcas, como o Grupo Pestana.
Os Mercados Municipais de Olhão são, oficialmente, uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal.
A distinção foi atribuída por votação para o concurso televisivo com o mesmo nome.
Mas o que poucos saberão é que estes equipamentos foram erguidos sobre uma impressionante fundação de 88 estacas, escondendo-se, portanto, sob o solo o segredo da sua longevidade e imponente estrutura.
Esta inovadora técnica de bate-estacas, que ligou cada pilar através de arcos de alvenaria de tijolo, permitiu a consolidação ideal das edificações, tornando este complexo um dos principais postais ilustrados da cidade e um dos ex-libris mais fotografados da região olhanense.
Inaugurados em 1916, após quatro anos de obras iniciadas em 1912, estes edifícios icónicos afirmam-se há mais de um século como um local de paragem obrigatória para residentes e turistas. Todos os dias, centenas de pessoas cruzam as suas portas em busca do melhor peixe fresco, frutas e verduras, fundindo a azáfama do comércio tradicional com a admiração por um património histórico e cultural único no Algarve.
Do ponto de vista arquitetónico, o complexo constitui um exemplo modelar da arquitetura do ferro e do vidro do início do século XX, marcando de forma indelével a introdução de soluções construtivas modernas em Portugal. O projeto, dotado de um enorme impacto urbanístico, destaca-se pela sua clareza visual, funcionalidade e por uma abordagem vanguardista perfeitamente alinhada com as necessidades comerciais da época.
A nível estrutural, os Mercados apresentam uma planta longitudinal dividida em dois corpos retangulares de vértices arredondados: o Mercado das Verduras e o Mercado do Peixe. Ambas as alas exibem fachadas marcantes em tijolo aparente e estrutura metálica, sendo delimitadas exteriormente por quatro elegantes torreões circulares envidraçados.
Embora tenham sido submetidos a profundas obras de reabilitação no final do século XX — reabrindo ao público em 1998 com o seu aspeto exterior e integridade originais totalmente preservados —, os Mercados continuam a saber renovar-se. A prova disso é o seu interior, que recentemente foi forrado e enriquecido com painéis de azulejos pintados pelo artista Costa Pinheiro.
Unindo a robustez da engenharia centenária à delicadeza da arte contemporânea, os Mercados Municipais de Olhão consolidam-se como uma referência incontornável da arquitetura portuguesa.
Os Mercados Municipais de Olhão estão a mobilizar uma grande onda de apoio na reta final da sua candidatura às Novas 7 Maravilhas de Portugal 2026.
Várias figuras públicas de quadrantes tão diversos como a música, o desporto, a gastronomia e a televisão decidiram dar a cara pelo monumento, que assume o estatuto de único património algarvio entre os 21 finalistas nacionais na categoria Século XX.
Entre os apoiantes que uniram as suas vozes a este apelo contam-se o futebolista Gonçalo Ramos; o presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes; a artista plástica Joana Vasconcelos; o DJ olhanense Pete Tha Zouk; o criador de conteúdos João Cajuda; o ator Diogo Infante; a apresentadora Maya e a chef Noélia Jerónimo, que assume o papel de madrinha da candidatura.
O presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, refere que esta mobilização transversal demonstra que a candidatura já quebrou as barreiras locais e se tornou numa causa de toda a região, unindo pessoas com diferentes percursos em torno de um símbolo identitário profundamente ligado à Ria Formosa, à pesca e à gastronomia algarvia.
O desfecho do concurso acontece já no próximo sábado, 12 de setembro, a partir das 21h30, durante a Grande Final Nacional que será transmitida em direto na TVI, momento em que serão revelados os vencedores.
Até lá, as votações do público continuam abertas e são o fator decisivo para garantir a eleição, podendo os interessados votar através da aplicação TVI Pass ou ligando para o número 761 207 097, que tem o custo de um euro mais IVA por chamada.
A identidade histórica de São Bartolomeu de Messines, vila do concelho de Silves, está profundamente ligada à sua vasta geografia e ao legado de duas figuras marcantes do século XIX.
Uma delas foi o prestigiado poeta e pedagogo João de Deus. Autor da célebre Cartilha Maternal, um método revolucionário que alfabetizou gerações de portugueses, o escritor deixou uma marca cultural indelével no país, sendo a sua memória hoje celebrada e preservada na Casa-Museu João de Deus, situada na própria vila.
Foi nesta vila algarvia que também emergiu José Joaquim de Sousa Reis, o célebre “Remexido”, um capitão e guerrilheiro absolutista que transformou a região no palco principal das suas incursões e combates durante as violentas lutas entre Liberais e Miguelistas. A sua audácia militar gravou o nome de Messines nas crónicas da história política e militar de Portugal.
Com mais de 254 km², São Bartolomeu de Messines é a maior freguesia do Algarve, caracterizada pelo solo vermelho do “grés de Silves” e pelas bacias hidrográficas do Arade e do Funcho.
A ocupação humana da região remonta ao Paleolítico, com posterior presença romana e islâmica, tendo a freguesia sido integrada em Silves no reinado de D. Afonso III.
Diz-se que a sua localização foi decidida por uma corrida de cavaleiros entre a Amorosa e Messines, ganha por este último através de uma estratégia deliberada de avançar mais devagar.
A riqueza espiritual da vila completa-se ainda com as ermidas de Nossa Senhora da Saúde, Sant’Ana, São Pedro e São Paulo.
Não se iluda com a beleza da cidade de Lagos. Ela é também um osso duro de roer. Que o diga quem, em determinada fase da história, a tentou conquistar e falhou redondamente.
Um dos que comprovaram a têmpera dos lacobrigenses e a eficácia das suas estruturas de defesa, em especial, as muralhas, foi o temível corsário britânico Francis Drake.
Em1587, numa altura em que Portugal estava sob o domínio espanhol, vindo de Cádis, onde destruíra mais de duas dezenas de navios inimigos, tentou desembarcar e saquear Lagos.
No entanto, a resistência local foi muito mais feroz do que previra.
Forçado a desistir, o corsário seguiu para Sagres, descarregando a sua frustração ao arrasar quase tudo o que encontrou entre o Porto da Baleeira e o Cabo de São Vicente.
Séculos mais tarde, durante as Guerras Liberais do século XIX, a cidade voltou a ser posta à prova pelo famoso Remexido, um temido guerrilheiro apoiante de D. Miguel.
Decidido a fazer Lagos render-se pela fome e pela sede, o Remexido montou um cerco implacável de um mês.
Posicionou canhões no Monte Moleão e no Cerro das Mós para bombardear a população, queimou os moinhos e destruiu o aqueduto.
Apesar do sofrimento imposto, os seus intentos falharam e, com a iminente derrota miguelista no Alentejo, viu-se obrigado a levantar o cerco, deixando finalmente a cidade em paz.
Uma das mais conhecidas das gentes locais é a do Menino dos Olhos Grandes, que até já ganhou um monumento em sua honra.
A escultura faz, inclusivamente, parte do Caminho das Lendas, um percurso pedonal que liga cinco dos principais largos da zona histórica de Olhão.
Conta essa lenda que, nas noites escuras de Olhão, os pescadores do Bairro da Barreta costumavam encontrar um menino misterioso sentado no Largo do Carolas.
A criança vestia uma camisa simples, usava um gorro vermelho, trazia um cesto de vime no braço e chorava sem parar.
O que mais impressionava eram os seus olhos pretos, gigantes e muito brilhantes. Com pena do miúdo, os pescadores tentavam pegá-lo ao colo para o ajudar, mas levavam um grande susto.
Assim que o levantavam, o menino começava a ficar cada vez mais pesado, como se fosse feito de chumbo. Sem forças para aguentar tanto peso, os homens eram obrigados a largá-lo e, mal tocava no chão, o rapaz desaparecia por encanto.
Com o tempo, o povo ganhou tanto medo que deixou de sair à noite, até que um dia a criatura desapareceu para sempre.
Hoje, quem passeia por Olhão pode ver uma estátua de metal que recorda esta famosa lenda algarvia.
Este percurso pedestre é um convite para caminhar entre monumentos históricos, praças animadas e a brisa do Rio Arade.
1. O Coração Comercial: Da Rua do Comércio à Praça da República
Alameda da Praça da República
Comece a manhã na Rua do Comércio e Rua Vasco da Gama. Este eixo é o pulmão comercial de Portimão, onde o movimento das lojas tradicionais reflete o quotidiano da cidade. No centro, a Praça da República (Alameda) serve de ponto de união, oferecendo um espaço amplo onde se destaca o monumental Colégio dos Jesuítas (1660), um gigante barroco que guarda o túmulo do seu fundador, D. Diogo Gonçalves.
2. Espiritualidade e Nobreza: Da Matriz ao Largo 1º de Dezembro
Suba até à Igreja Matriz, onde o portal tardo-gótico do século XV resiste como a memória mais antiga da fundação da vila. Desça depois para o Largo 1º de Dezembro, um “livro de história a céu aberto”.
A não perder: Os 10 bancos de azulejo de 1930 que narram a história de Portugal e a imponente fachada do Palacete Sárrea Prado (Teatro TEMPO).
3. Memória Política e Literária: Casa Manuel Teixeira Gomes
Siga em direção ao rio para visitar a casa natal do “Presidente-Escritor”. Esta casa oitocentista de traça simples algarvia é um refúgio de cultura. Espreite o pátio central e imagine a vida da família Gomes, que aliava aqui o negócio da exportação de figos à fruição do jardim nas traseiras.
A poucos metros, entre na Praça Teixeira Gomes. Batizada em 1950, esta praça de raiz oitocentista é a sala de visitas da cidade.
O Coreto: Repare na réplica do coreto original (destruído nos anos 60 e reconstruído em 2010), que devolveu à cidade um símbolo dos antigos bailes sociais. É o local ideal para um café com vista para o Arade.
5. Passeio pela Zona Ribeirinha: Arte e Tradição
Inicie a caminhada pela frente ribeirinha, que funciona como uma galeria de arte ao ar livre graças às esculturas feitas em vários simpósios.
Tradição: Passe pela zona onde o Festival da Sardinha acontece e observe as embarcações de recreio junto ao Clube Naval.
Antiga Lota: Quase a chegar à Ponte Velha, descubra este edifício de 1916. Originalmente uma central elétrica, tornou-se o local icónico onde o peixe era descarregado em cabazes. Hoje, após uma reabilitação profunda, acolhe o posto de turismo e espaços culturais, mantendo viva a alma do cais.
Termine o roteiro na antiga Fábrica de Conservas “São Francisco” (Féu Hermanos), atualmente transformada em museu. No exterior, um enorme guindaste recorda o tempo em que o cais fervilhava com a indústria conserveira. No interior, deixe-se envolver pela premiada exposição “Portimão, Território e Identidade”, o remate perfeito para compreender a simbiose entre a cidade e o rio.
Erguendo-se sobre imponentes falésias, este farol, situado no concelho de Lagoa, guarda histórias fascinantes que vão muito além da sua imponente torre e da luz que guia os navegantes.
Tudo começou a 1 de dezembro de 1920, data em que o Farol de Alfanzina foi oficialmente estabelecido e começou a funcionar.
Naquela época, o seu funcionamento dependia do esforço humano, com a rotação da luz a ser gerada manualmente por uma pesada máquina de relojoaria alimentada a vapor de petróleo.
O progresso tecnológico trouxe grandes mudanças nas décadas seguintes, começando com a eletrificação através de geradores próprios em 1950, seguida pela ligação à rede pública e total automatização no início dos anos 80, até culminar numa remodelação completa com motores e sistemas modernos em 2004.
Hoje em dia, além de continuar a cumprir a sua missão de segurança marítima com alta tecnologia, o monumento tornou-se uma paragem obrigatória e um ponto de referência inesquecível para os amantes da natureza que percorrem o famoso Trilho dos Sete Vales Suspensos, considerado um dos percursos pedestres mais bonitos de toda a Europa.
A Rua da Barroca é uma das artérias mais emblemáticas de Lagos, um autêntico arquivo vivo de pedra e mar.
Famosa pelos seus arcos pitorescos, esta rua foi, durante séculos, a marginal da cidade, onde as águas da Ribeira de Bensafrim batiam diretamente no seu paredão até à década de 60.
Estrategicamente integrada no sistema defensivo das muralhas, a rua estendia-se entre o Baluarte de D. Manuel (mais tarde conhecido como “da Porta Nova”) e as estruturas do antigo Hospital Militar (atual Messe).
Mas a história da Barroca recua muito antes das muralhas medievais.
Escavações geoarqueológicas revelaram vestígios de um estabelecimento fenício do século VIII a.C., provando que este pedaço de terra junto ao mar é habitado há quase três milénios.
Vila Real de Santo António (VRSA) não é uma localidade comum, pois nasceu em 1774 de um plano geométrico quase obsessivo do Marquês de Pombal.
O seu principal objetivo era marcar a fronteira portuguesa frente à Espanha. E rapidamente! Daí que VRSA tenha demorado apenas cerca de… dois anos a ser construída.
No século XVIII, a unidade de medida padrão para desenhar ruas e edifícios era o palmo de craveira, que equivalia a exatamente 22 centímetros.
Como o Iluminismo exigia uma simetria perfeita, o coração de VRSA reflete essa regra ao milímetro, sendo que cada um dos lados da atual Praça do Marquês de Pombal mede rigorosamente 330 palmos, o que dá cerca de 72,6 metros.
Isso permitiu que toda a malha urbana passasse do papel à realidade num tempo recorde, num feito de engenharia militar e planeamento sem precedentes para a época.
Farol
A nível geográfico, este concelho possui uma curiosa característica.
Conta com três freguesias, mas a de Vila Nova de Cacela está fisicamente isolada das restantes.
Isto significa que para ir de Monte Gordo ou da sede do concelho até Cacela é obrigatório atravessar a freguesia de Altura, que pertence ao concelho vizinho de Castro Marim, funcionando como uma verdadeira “ilha” territorial.
Outro elemento curioso é o facto de, embora ostentando a designação de Vila, VRSA é, na verdade, uma cidade, tendo obtido esse estatuto em 11de março de 1988.
Localizado numa das paisagens mais impressionantes do Algarve, este monumento guarda uma história rica que mistura religião, debates antigos e o avanço da tecnologia no mar.
Para que o farol pudesse ser construído foi necessário derrubar um espaço religioso muito antigo, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. A compra foi feita pelo Ministério da Marinha, em 1911, por cerca de 250 mil réis.
Esta demolição causou muita tristeza e revolta na população local, já que o templo tinha séculos de história e era muito visitado por pescadores e devotos.
Apesar dos protestos, a segurança da costa falou mais alto e o projeto seguiu em frente.
O farol começou a funcionar no dia 1 de julho de 1913, com uma torre de pedra de 9 metros de altura e casas para os faroleiros ao lado.
Ao longo dos anos, a tecnologia do local mudou bastante para acompanhar os novos tempos. No início, a luz funcionava com um candeeiro a petróleo que alcançava cerca de 20 milhas de distância.
Mais tarde, em 1952, o farol recebeu eletricidade e, poucos anos depois, ganhou um sistema a gás para garantir que a luz não se apagasse em caso de falha.
Hoje em dia, tudo funciona de forma totalmente elétrica e automática, emitindo flashes de luz branca a cada 7 segundos que podem ser vistos a cerca de 37 quilómetros de distância.
Atualmente, o farol de paredes brancas cria um contraste perfeito com o amarelo das rochas gigantes e o azul-turquesa do oceano.
O local deixou de ser apenas um aviso para os barcos e tornou-se um dos pontos turísticos e miradouros mais fotografados de Portugal.
É o ponto de partida perfeito para os visitantes que querem fazer passeios de barco pelas famosas grutas da região ou caminhar pelos passadiços de madeira para assistir a um pôr do sol inesquecível.
Batizada em 1950, em honra de Manuel Teixeira Gomes — ilustre portimonense, escritor, diplomata e antigo Presidente da República —, esta praça de raiz oitocentista mantém-se como um dos locais mais emblemáticos e frequentados da cidade.
Recuando aos anos 20, a praça fervilhava de vida com os seus famosos “cafés-restaurantes” e bailes sociais. Hoje, esse espírito de convivência permanece bem vivo.
Graças às suas inúmeras esplanadas, ao lago central e à vista privilegiada para o rio, a praça é o local de eleição tanto para os locais como para os visitantes que procuram relaxar e desfrutar do ambiente marítimo de Portimão.
Durante décadas, o centro da praça foi dominado por um coreto, inaugurado em 1925, que servia de palco principal para concertos e cerimónias oficiais.
Embora o coreto original tenha sido polemicamente demolido nos anos 60 para dar lugar ao atual monumento escultórico em homenagem a Teixeira Gomes, a memória não se perdeu.
Em 2010, a Junta de Freguesia de Portimão construiu uma réplica do antigo coreto, instalada a poucos metros de distância, em plena zona ribeirinha, devolvendo à cidade um dos seus símbolos mais queridos.
Compreendendo o espaço entre o Jardim Bívar e a icónica Casa Inglesa, a Praça Teixeira Gomes continua a ser o cenário onde a identidade de Portimão se renova todos os dias, entre um café à beira-rio e a contemplação da estátua do seu filho mais ilustre.
No interior da Igreja Matriz de Alvor há uma imagem que, reza a lenda local, deu misteriosamente à costa, tendo sido recolhida e colocada com profunda reverência no altar pelos antigos pescadores. É a esta célebre e milagrosa escultura do “Senhor Jesus” que os fiéis ainda hoje prestam grande devoção.
O grande destaque arquitetónico da Igreja Matriz de Alvor vai por inteiro para o seu pórtico principal. Esta autêntica joia de pedra é legitimamente considerada a mais bela e trabalhado expressão do estilo manuelino em toda a região algarvia.
A estrutura ostenta uma decoração exuberante, repleta de motivos detalhados e inspirados na fauna e flora locais, combinados com cenas bélicas expressivas e uma forte simbologia religiosa.
Erguido originalmente na década de 1520, o monumento afirma-se como o grande ex-líbris histórico desta vila do concelho de Portimão.
A sua construção decorreu sob os auspícios da influente família Ataíde, alcaides-mores da localidade, tendo sido muito provavelmente impulsionada por Álvaro de Ataíde (filho).
Décadas mais tarde, em 1573, o jovem rei D. Sebastião visitou a localidade para inspecionar as casas outrora habitadas pelo “Príncipe Perfeito”.
Ao longo dos séculos, a gestão do templo cruzou-se com os grandes senhores da terra, desde os condes de Odemira até à poderosa família Távora — cujo condado em Alvor se extinguiu devido ao trágico processo político de Belém, no século XVIII.
Ao longo do tempo, a Igreja de Alvor resistiu a abalos sísmicos, incluindo os de 1755 e 1969, e passou por reconstruções setecentistas, com destaque para a torre sineira e o retábulo de Joaquim José Rasquinho.
Intervenções polémicas nos anos 1970 destruíram elementos originais, como o coro-alto, mas alertas do Museu Nacional de Arte Antiga, em 1977, travaram a destruição da talha dourada e imagens sacras.
Atualmente, a estrutura sobrevive como um testemunho de arte e resiliência, apesar da pressão urbanística.
Para além da famosa escultura e do portal, o interior da igreja guarda tesouros artísticos de enorme valor histórico, como altares em talha dourada, azulejos setecentistas e capelas particulares.
Localizada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a aldeia de Burgau, em Vila do Bispo, deve o seu nome aos pequenos búzios que abundam nas suas rochas.
Conhecida como a “Santorini portuguesa”, esta vila algarvia encanta pelas suas ruelas estreitas e pedonais, ladeadas por casas brancas de contornos azuis e repletas de flores.
O passeio por entre o casario termina invariavelmente no mar, onde barcos de pesca recordam a forte tradição marítima da zona — que, no século XVI, era um ponto estratégico para a faina do atum.
Atualmente, embora o turismo e o alojamento local sejam o motor económico, Burgau preserva a sua essência.
A praia, situada numa baía protegida por falésias, oferece águas tranquilas e um areal extenso.
Para quem procura a melhor vista, o topo da arriba a nascente revela um cenário deslumbrante que explica por que razão este destino é cada vez mais procurado, sem nunca perder a sua alma típica.