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Menezes alinha-se com PS em reivindicações sobre TGV em Gaia

20 October 2026 at 21:57

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL), assinalou hoje na reunião do executivo o alinhamento com a oposição PS na reivindicação de compensações relativas à construção da estação de alta velocidade em Santo Ovídio.

 

"Desta vez, quer nós, quer o maior partido da oposição, estamos numa situação de procurar minorar os estragos, ou seja, de que o Estado procure compensar Gaia com um conjunto de decisões que minorize o prejuízo que vamos necessariamente ter", disse hoje o autarca na reunião pública do executivo.

Em causa está a construção da estação de alta velocidade de Gaia em Santo Ovídio, e entre várias questões, Menezes salientou "o interface rodoviário de proximidade, ainda para mais ao lado de uma grande estação de metro", uma questão que "não está salvaguardada" no caderno de encargos da obra.

Essa é uma reivindicação do executivo e também do PS/Gaia que, segundo Menezes, será levada a uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que virá a Gaia "na próxima semana".

"Iremos publicamente confrontá-lo com algumas destas questões, outras foram suscitadas pelo Partido Socialista, outras foram suscitadas por nós, vamos confrontá-lo e procurar que dê explicações aos gaienses", garantiu Menezes.

O executivo exige "apoio financeiro para a manutenção/reestruturação das vias circundantes durante cinco anos", o "projeto e construção na proximidade de um terminal rodoviário para veículos ligeiros e autocarros", o "financiamento para construção da VL1 - Canidelo - Rotunda Edgar Cardoso; VL3 - Litoral da Madalena / Valadares - Santo Ovídio; e VL10 - Ponte do Freixo - Nó da A1 / Vila D' Este" e o "apoio ao estudo e financiamento da instalação de metrobus ou teleférico urbano entre Avintes e a Estação de Metro D. João II".

Na semana passada, o PS/Gaia, vincando que "Gaia tem de ter uma estação de alta velocidade, sob pena de tornar a ser um subúrbio do Porto", exigiu o "financiamento do Governo dos acessos ao tabuleiro rodoviário" da nova ponte rodoferroviária sobre o rio Douro, bem como a assinatura entre o município, o Governo, a Infraestruturas de Portugal (IP) e a concessionária responsável pela construção da linha (AVAN) um "contrato de minimização de impactos" e um "plano de acessos de emergência ao Hospital de Gaia, acordado com a ULS Gaia/Espinho e com o INEM".

Os socialistas pretendem também a "garantia do terminal intermodal" na zona da estação e "ligação direta entre a estação D. João II do Metro e a estação de alta velocidade", bem como a construção de um "túnel rodoviário entre a EN 222 e a Avenida da República, aproveitando a escavação da estação" e o "reforço do financiamento da oferta de transporte público durante os anos de obra".

Hoje, a associação Frente Cívica avisou que "já se brincou demasiado" com a obra da linha alta velocidade em Vila Nova de Gaia, intando o Governo a fazer cumprir o contrato de concessão, que prevê estação em Santo Ovídio.

"A Frente Cívica estará vigilante e eu espero que todos os portugueses estejam vigilantes, porque já se brincou demasiado com esta obra e já se perdeu tempo demasiado, exatamente por causa das hesitações do Governo e proximidades pouco saudáveis com os interesses do concessionário", disse à Lusa João Paulo Batalha, vice-presidente da associação de defesa de causas de interesse público, sobre a primeira parceria público-privada (PPP) da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, que prevê estação de Gaia em Santo Ovídio, mas que o consórcio já tentou alterar e contra a qual Menezes já se pronunciou.

Para o vice-presidente da Frente Cívica, "percebendo que é perfeitamente legítima a preocupação com os impactos da construção no centro de Gaia", a Câmara deve dirigi-la "ao consórcio que está a fazer a obra", e não "pressionar o Governo para fazer o favor que a Mota-Engil queria que tivesse feito, que é alterar a natureza do contrato e da obra depois de ter sido adjudicado".

Leia Também: "Já se brincou demasiado" com o TGV em Gaia e contrato é para cumprir

Câmara de Lisboa construiu 36% das quase 3.500 casas entregues em 5 anos

20 October 2026 at 21:44

O presidente da Câmara de Lisboa revelou hoje que foram construídas de raiz 1.243 habitações municipais desde o início da sua governação, em 2021, que correspondem a 36% das 3.444 chaves entregues nos últimos cinco anos.

 

Carlos Moedas (PSD) respondia a uma questão da deputada municipal do PS Carla Rothes, no encerramento do debate do estado da cidade, que decorreu hoje na Assembleia Municipal de Lisboa (AML).

O presidente da Câmara apontou que, segundo a Carta Municipal da Habitação, entre 2011 e 2021 (governações PS), foram construídas de raiz 155 casas, o que, dividindo por 10 anos, não chega a 17 construções novas por ano, número que tem sido referido pela liderança de Moedas para criticar a alegada pouca obra do PS em Lisboa.

Na sua intervenção, a deputada socialista tinha afirmado que, ao contrário do que a direita tem dito sobre as alegadas poucas casas entregues nas governações PS, a diferença é, na realidade, de apenas menos 60 casas do que desde 2021, sendo que o PS não usufruiu de 500 milhões de euros de fundos comunitários.

Carlos Moedas respondeu que, entre 2008 e 2021, a Câmara Municipal de Lisboa "vendeu 599 milhões em imobiliário e mais 286 milhões que recebeu dos terrenos do aeroporto, ou seja, teve 885 milhões de euros" à disposição.

"A minha pergunta é: o que é que [o PS] fez com este dinheiro? Porque não foi em construção de casas", rematou o autarca.

Moedas lembrou ainda o compromisso de desbloquear mais de 250 hectares de terreno em Lisboa, elencando o projeto para o Vale de Santo António, com 48 hectares para mais de 2.400 fogos, o do Vale de Chelas, com 190 hectares para mais de 2.000 fogos, e 27 hectares em Marvila para 1.300 fogos.

Estes projetos fizeram parte dos compromissos eleitorais da campanha da coligação PSD/CDS-PP/IL, mas até ao momento sem execução.

Ao longo destes últimos cinco anos, Carlos Moedas tem enfatizado a evolução do número de chaves de casas municipais entregues, sem detalhar quantas são construção nova, reabilitação ou simplesmente troca de inquilinos em casas pré-existentes.

Leia Também: PCP acusa Carlos Moedas de apoiar interesses do imobiliário em Lisboa

Quatrocentas pessoas em Coimbra exigem direito a "um teto"

20 October 2026 at 21:40
Os manifestantes sublinham que a a falta de habitação ou os preços altos dos arrendamentos e de compra são transversais a toda a sociedade. Pede-se Câmara que dê especial atenção aos estudantes.

© PAULO NOVAIS/LUSA

"Eu quero um teto, eu quero um chão, quero o direito à habitação", gritavam os manifestantes

Portugal manifesta solidariedade ao Canadá após incêndio em base militar

20 October 2026 at 21:38

"Neste momento difícil, endereçamos as nossas mais sentidas condolências às famílias das vítimas e ao povo canadiano, expressando igualmente os nossos votos de rápida recuperação aos feridos e a nossa solidariedade para com as Forças Armadas Canadianas", pode ler-se, numa nota divulgada na rede social X pelo ministério liderado por Paulo Rangel.

 

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, considerou na segunda-feira o incêndio como uma das piores tragédias em tempo de paz para as Forças Armadas do Canadá.

Segundo as Forças Armadas canadianas, não há indícios de que o incidente na base das forças canadianas em Wainwright tenha sido um ato de terrorismo, embora a causa continue a ser investigada.

Mark Carney anunciou também que as bandeiras do Canadá iriam ser colocadas a meia haste em edifícios federais por todo o país, em homenagem às vítimas da tragédia.

Quatro militares mortos e dezenas feridos em incêndio numa base no Canadá

Quatro militares mortos e dezenas feridos em incêndio numa base no Canadá

Quatro militares morreram e dezenas ficaram gravemente feridos em um incêndio na base militar de Wainwright, Alberta, segundo o primeiro-ministro canadiano, que classificou o incidente como uma das piores tragédias em tempo de paz para as Forças Armadas canadenses.

Lusa | 18:13 - 18/10/2026

Dois detidos em flagrante por furto de metais não preciosos no Fundão

20 October 2026 at 21:35

Dois homens, de 25 e 29 anos, foram detidos no sábado pela GNR no concelho do Fundão, em flagrante delito, pelo crime de furto de metais não preciosos, disse hoje esta força de segurança.

 

O Comando Territorial da GNR de Castelo Branco explicou que "no decorrer desta ação policial os militares apreenderam uma viatura, utilizada na prática do crime, e 574 quilos de cabos metálicos furtados".

Os dois indivíduos foram detidos por elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR do Fundão, quando se encontravam a furtar "cabos de cobre, numa linha de comunicações, com cerca de 800 metros de extensão".

Os dois foram constituídos arguidos e os factos remetidos ao Tribunal Judicial do Fundão.

Leia Também: Homem de 55 anos detido pela GNR por tráfico de canábis na Covilhã

Shopping na Tapada das Mercês encerrado por insalubridade

20 October 2026 at 21:32
Homem de 71 anos foi transportado ao hospital por suspeita de desidratação. Autoridades detetaram entulho, bilhas de gás e risco de incêndio no espaço da Tapada das Mercês.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A "operação interinstitucional", com várias autoridades, foi realizada na passada quinta-feira através da Divisão Policial de Sintra

PSP e GNR protestam no Funchal por melhores salários

20 October 2026 at 21:31
Cerca de 50 polícias manifestaram-se na Praça do Município. Acordo com o Governo assinado há dois anos e meio está parcialmente por cumprir.

© INÊS LACERDA/OBSERVADOR

A manifestação, que decorreu na Praça do Município, no centro da capital madeirense, foi convocada pela Associação dos Profissionais da Guarda

Mais de 100 pessoas protestam por habitação digna em Évora

20 October 2026 at 21:30
Manifestação contou com uma assembleia popular. Em Évora, há pessoas de 50 e 60 anos a dividir casa com estudantes. O presidente da Câmara marcou presença para mostrar compreensão.

© NUNO VEIGA/LUSA

"A especulação quer da construção, quer do aluguer e a falta de reconstrução no centro histórico faz com que pessoas tenham saído da cidade", afirmou Juliana Fonseca, uma das participantes

"Ficar sozinho é impossível". Seis dezenas protestam em Faro

20 October 2026 at 21:29
O movimento "Algarve em Resistência" mobilizou a manifestação em solidariedade com os protestos que ocorrem noutras cidades do país.

© LUIS FORRA/LUSA

"Está tudo muito alto e muito elevado. Ficar sozinho é algo que neste momento é impossível, ter uma casa só para mim está fora do meu alcance", afirmou o investigador Pedro Brandão

Habitação? Equipa médica responde a ansiedade, medo e cansaço extremo

20 October 2026 at 21:25

A equipa médica e apoio psicológico da acampada do Porto, que desde 10 de outubro tem ocupado a Praça D. João I, mesmo que com interrupções da polícia, tem ajudado com situações de ansiedade, medo e cansaço extremo.

 

"Depois da agressão violenta que se sofreu aqui na madrugada de quinta-feira [carga policial que provocou 39 feridos], houve uma maior necessidade de prestar cuidados. Vimos muitas pessoas com exaustão extrema, situações constantes de ameaças de violência por grupos de extrema-direita, das forças policiais", disse à Lusa Jo Rodrigues, pessoa médica que integra a equipa de resposta da acampada.

A acampada, que esta manhã foi desmontada após ordem policial, tem-se mantido no local desde dia 10 de outubro, apesar de duas ações de desmontagem por ação das autoridades, além da carga policial.

Ali, há mais de uma dezena de profissionais de saúde credenciados ligados à saúde mental que têm dado "algum suporte", mesmo que sem consultas, e encaminhado alguns casos para outros serviços de saúde.

"Nós vemos algumas pessoas com episódios de ansiedade, de angústia, as emoções às vezes ficam um bocadinho à flor da pele quando se relembra ou quando há uma ameaça de voltarmos a ter um encontro ou quando sai uma notícia de que a polícia vai outra vez aparecer aqui… nota-se que as tensões aumentam um bocadinho", revela Jo Rodrigues, com formação em psiquiatria além de trabalhar em urgências.

"Uma cabeça que não descansa é uma cabeça que está alerta e já bastam os estímulos fora, constantes, seja dos ruídos, seja das sirenes, seja das notícias. (...) O cuidado de nós é o cuidado da acampada", lembra.

Além do apoio psicológico, o apoio médico é omnipresente no local, com vários profissionais credenciados, de socorristas a médicos de medicina geral e enfermeiros, assinalados com colete refletor.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Nesse dia, a plataforma cívica "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Novas assembleias populares estão também marcadas para hoje em Lisboa e cidades como Coimbra, Braga ou Faro.

Leia Também: Leiria unem-se em solidariedade com acampadas de Lisboa e Porto

Luís Neves avisa: "Acampadas e acampamentos terminaram"

20 October 2026 at 21:24
Ministro da Administração interna elogiou "calma e profissionalismo" na atuação da polícia. E avisou manifestantes para não permitirem que "extremistas" se infiltrem.

© TIAGO PETINGA/LUSA

Ministro vai discutir com Tony Blair sobre uso da IA para medir reformas

20 October 2026 at 21:21

O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, afirmou hoje que o Governo está interessado em alargar e melhorar a medição dos resultados das reformas legislativas e que vai discutir o uso de Inteligência Artificial com o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair.

 

Matias tem planeada uma visita na quarta-feira em Londres ao Instituto Tony Blair para a Mudança Global, que trabalha com a inteligência artificial em matérias de governação.

O ministro recordou que durante os Executivos de Blair foram criadas 'delivery units', estruturas de apoio ao primeiro-ministro destinadas a acompanhar a execução das prioridades governativas em áreas como a saúde, educação ou criminalidade, e medir se foram cumpridas.

"Para a reforma de estado é fundamental medir o ponto de partida e o ponto de chegada e saber exatamente o que é que uma reforma produziu", sublinhou o ministro à Agência Lusa, explicando que o sucesso de uma reforma se avalia comparando a situação antes e depois da sua implementação.

Segundo Matias, "mais importante do que apresentar os códigos [legislativos] é garantir que são implementados, que produzem efeitos e que esses efeitos chegam realmente às pessoas".

Gonçalo Matias referiu que já existem unidades de medição e avaliação no centro do Governo português, como é o caso da Planapp na Secretaria-Geral e do comité da OCDE que está a monitorizar a reforma do Ministério da Educação.

Também na quarta-feira, o ministro vai encontrar-se com o secretário Parlamentar do Gabinete do Governo britânico, Mark Ferguson, com o qual pretende trocar experiências sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.

Do programa da visita de três dias à capital britânica fizeram parte contactos no serviço digital do Governo britânico e no Open Data Institute, uma organização sem fins lucrativos fundada pelo "inventor da Internet, Tim-Berners-Lee.

Sobre esta última, considerou a reunião "muito interessante" para antecipar dificuldades práticas na execução da futura Lei da Interoperabilidade, em apreciação no Parlamento português e com parecer favorável da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

A lei visa permitir a partilha de documentos de cidadãos e empresas entre diferentes serviços do Estado, medida implicará passar de 124 entidades atualmente ligadas à plataforma de interoperabilidade para cerca de cinco mil.

«Reconheceram que o nosso projeto era ambicioso e que tínhamos os mecanismos certos, mas alertaram para dificuldades práticas, muitas vezes relacionadas com a resistência dos serviços que detêm a informação», referiu o ministro, sublinhando que a partilha de experiência permite preparar melhor a implementação.

Leia Também: Problemas nos exames "não resultaram da reforma orgânica", diz ministro

Leiria une-se em solidariedade com acampadas de Lisboa e Porto

20 October 2026 at 21:20

"A habitação é um direito. Sem ela nada feito", "Não se resolve o problema da habitação à bastonada", "A paz, o pão e o direito à habitação" e "Casas para morar e não para especular" foram algumas das frases proferidas pelos manifestantes.

 

Concentradas no Largo da República, as pessoas exibiam também cartazes, realçando que o "Direito à habitação está consagrado na Constituição", entre outras mensagens.

O porta-voz do movimento Porta a Porta, António Gonçalves, afirmou que a "luta pela habitação tem de ser descentralizada", porque o problema "é transversal a Portugal inteiro".

"É um problema nacional e tínhamos de mostrar que em Leiria também existe esse problema", sublinhou.

António Gonçalves lamentou "os pontapés e bastonadas" que aconteceram em Lisboa e Porto, quando os manifestantes foram obrigados a desmobilizar e a retirar as tendas.

Afirmando que este "tem sido um problema recorrente e que voltou a acontecer esta demonstração feia do Governo", o ativista frisou que "tinham de mostrar que em Leiria estão solidários com as pessoas que lá estavam".

Segundo António Gonçalves "não é a violência nem o ódio que vão resolver o problema da habitação".

"O que temos estado aqui a exigir é exatamente o que os nossos amigos estavam a exigir: o direito à habitação, a queda desta lei dos arrendamentos, ou dos despejos na realidade, e o aumento das rendas e temos de continuar a lutar pelo direito à habitação", insistiu.

A queda da lei do arrendamento é a primeira medida que António Gonçalves defende no imediato, apontando também "a criação de habitação pública".

"Portugal tem cerca de 2% [habitação social], o que é baixíssimo para o nível da União Europeia. Além disso, temos também defendido, por exemplo, que a banca seja obrigada a controlar as taxas de juros, porque mesmo os proprietários não estão em grandes situações", observou.

Para António Gonçalves, estas são "medidas viáveis e legítimas".

As cerca de 50 pessoas presentes na concentração, convocada "em cima da hora", "desmistifica o mito de que as pessoas que não trabalham é que estão aqui".

"Todos trabalhamos e viemos a seguir a um dia de trabalho. A adesão que tivemos acaba por ser bastante forte para uma terça-feira, depois de trabalho", apontou.

António Gonçalves revelou que não está prevista uma acampada em Leiria e a desmobilização hoje verificar-se-á antes do final da noite porque "o objetivo é estar aqui em solidariedade com as pessoas que foram vítimas da violência policial injusta".

O porta-voz do movimento lembrou ainda que Leiria também tem "graves problemas no nível da habitação" e, "como em quase todos os outros sítios, a habitação pública quase inexistente".

"Leiria é um dos distritos onde houve um dos maiores aumentos em termos de preço das rendas. Pagar 850 euros, 900 euros por um T2 e, muitas vezes, 1.300 por um T3, não dá. Uma pessoa que esteja numa situação de violência doméstica e queira sair dessa situação não consegue ir para outra casa. Pessoas cuja relação termina, muitas vezes, têm de continuar a viver juntas", criticou.

O ativista abordou ainda "pessoas que trabalham há cinco ou seis anos, com 30 anos, e que ainda vivem com os pais", como assumiu ser o seu caso.

Outras "vivem em quartos, como se ainda estivessem numa situação estudantil".

"Isso não é maneira de viver. É sobreviver", afirmou.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Nesse dia, a plataforma cívica "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Leia Também: Mais de 400 pessoas juntam-se em Coimbra e exigem direito a "teto e chão"

Sismo nos Açores "sem vítimas ou danos materiais"

20 October 2026 at 21:14

O sismo de magnitude 5.2 na escala de Richter sentido hoje nas ilhas de São Miguel, Santa Maria e Terceira, nos Açores, não causou vítimas ou danos materiais, segundo o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA).

 

O SRPCBA informou em comunicado, emitido pelas 19h37 locais (mais uma hora em Lisboa), que "não há, até ao momento, registo de vítimas ou de danos materiais associados a este evento".

O sismo foi sentido pelas 18h07 locais (19h07 em Lisboa) e teve epicentro a cerca de 40 quilómetros a oeste de Ginetes, no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O SRPCBA adianta que está acompanhar a situação, "em articulação com os agentes de proteção civil e demais entidades competentes" e apela à "serenidade da população".

Para além de recomendar o acompanhamento da informação divulgada pelas entidades oficiais, recorda a importância da adoção das medidas de autoproteção em caso de sismo, disponíveis para consulta no portal do SRPCBA, em https://www.prociv.azores.gov.pt/sensibilizacao/medidas-de-autoprotecao-informacao/.

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) referiu em comunicado que o abalo (a que atribuiu uma magnitude de 5.1) "foi sentido com intensidade máxima V/VI (escala de Mercalli Modificada) no concelho de Ponta Delgada", na ilha de São Miguel.

"O evento foi ainda sentido com intensidade V nos concelhos de Ribeira Grande, Lagoa, Vila Franca do Campo e Povoação, com intensidade IV/V no concelho de Nordeste, com intensidade IV nos concelhos de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória (ilha Terceira) e com intensidade III em Vila do Porto (ilha de Santa Maria)", acrescentou.

Um segundo sismo de magnitude 3,4 na escala de Richter foi sentido no concelho de Ponta Delgada, São Miguel, às 18:30 locais (19:30 em Lisboa).

O evento teve epicentro a cerca de 37 quilómetros a oeste de Ginetes, no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no grupo Oriental dos Açores.

"De acordo com a informação disponível até ao momento o sismo foi sentido com intensidade máxima IV (escala de Mercalli Modificada) no concelho de Ponta Delgada", indicou o CIVISA.

De acordo com a escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), fortes (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).

A escala de Mercalli Modificada mede os "graus de intensidade e respetiva descrição".

Com intensidade VI, considerado bastante forte, o sismo é sentido por todos e muitas pessoas assustam-se e correm para a rua, de acordo com a descrição do IPMA na sua página da Internet.

Já com intensidade V, considerada forte, os sismos são sentidos fora de casa, as pessoas são acordadas, os líquidos oscilam e alguns extravasam, pequenos objetos em equilíbrio instável deslocam-se ou são derrubados, as portas oscilam, fecham-se ou abrem-se, ao passo que os estores e quadros se movem e os pêndulos de relógios param ou alteram o estado de oscilação.

Em casos de sismos com uma intensidade IV, considerada moderada, "os objetos suspensos baloiçam, a vibração é semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados ou à sensação de pancada de uma bola pesada nas paredes, os carros estacionados balançam, as janelas, portas e loiças tremem, os vidros e loiças chocam ou tilintam e na parte superior deste grau as paredes e as estruturas de madeira rangem", indica o IPMA.

Dois sismos sentidos em São Miguel com menos de meia hora de diferença

Dois sismos sentidos em São Miguel com menos de meia hora de diferença

Um sismo de magnitude 3,4 na escala de Richter foi sentido na ilha de São Miguel, em Ponta Delgada, segundo o CIVISA. O evento foi registado às 18:30 locais e teve epicentro a 37 quilómetros a oeste de Ginetes.

Lusa | 20:55 - 20/10/2026

Habitação: Grupo em Évora convoca nova concentração para sexta-feira

20 October 2026 at 21:12

As cerca de 100 pessoas que se concentraram hoje pelo direito à habitação em frente ao edifício da Câmara Municipal de Évora decidiram marcar uma nova concentração para sexta-feira e começaram a desmobilizar.

 

Numa assembleia popular realizada durante o protesto, o grupo decidiu marcar uma nova concentração para as 18:00 de sexta-feira, na Praça do Sertório, no centro histórico de Évora, apelando a uma maior participação.

Pouco depois de ter sido tomada esta decisão, alguns dos manifestantes abandonaram o local.

Durante esta assembleia popular em Évora, os manifestantes que intervieram relataram dificuldades para pagar as rendas e exigiram soluções.

Já em Beja, cerca de 50 pessoas estiveram hoje concentradas na Praça da República pelo direito à habitação e em solidariedade com os organizadores dos protestos realizados em Lisboa e no Porto.

Ana Navas, uma das participantes, relatou à Lusa que, aos 34 anos e com curso superior, o ordenado "nunca foi suficiente" para comprar uma casa e tem sempre de "partilhar quarto ou casa com outras pessoas" e, muitas vezes, com a ajuda dos pais.

"É impossível viver assim. Como é que é possível uma pessoa que tem um curso superior com mestrado não conseguir ter a possibilidade de comprar ou até alugar uma casa? Se eu não consigo, como é que outros trabalhadores que não têm cursos superiores conseguem?", questionou, enquanto segurava um cartaz em que pedia "menos bastão [e] mais habitação".

Para esta arquiteta, a trabalhar na área há cerca de seis anos, foi por estas questões que marcou presença na assembleia popular para "lutar pelos direitos de todos".

A iniciativa, convocada através das redes sociais, arrancou pouco depois das 19:00, com as pessoas, de diferentes faixas etárias, a reunirem-se na Praça da República, no centro histórico de Beja.

"Vivo em Beja desde 2007 e sempre foi difícil arranjar casa, [porque] a oferta também não é muita e são bastante caras, mas nos últimos anos a coisa escalou", referiu Ana Ademar, outra das participantes na concentração.

Admitindo que a situação "tem-se descontrolado por completo", a programadora cultural de 46 anos afirmou estar solidária com todos os acontecimentos ocorridos nos últimos dias em Lisboa e no Porto, pedindo "o mínimo de dignidade pela situação".

"Tenho a mania de não gostar de ver pessoas a levar 'porrada' e menos quando têm razão. Têm que se levar a sério [os jovens que se têm manifestado] porque é a vida deles que está em jogo. Aliás, a vida deles, dos filhos deles e a nossa também", afiançou.

A assembleia popular, que contou com diversas intervenções, terminou por volta das 20:15 e desafiou a população a aderir à manifestação nacional agendada para o dia 14 de novembro.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Nesse dia, a plataforma cívica "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Leia Também: Habitação: Manifestantes decidem voltar a montar tendas no Rossio

É ele mesmo: Unidade Especial de Polícia acompanhou Obama por cá

20 October 2026 at 21:10

O antigo presidente norte-americano Barack Obama esteve em Lisboa, há cerca de uma semana, para participar no final da sexta edição do Game Changers Forum, no Meo Arena, perante uma plateia com dez mil pessoas.

 

Na sua passagem por Portugal, o antigo presidente dos EUA foi acompanhado pelos operacionais do Corpo de Segurança Pessoal da Unidade Especial de Polícia (UEP), que assinalou, no Facebook, o cumprimento desta missão, conduzida com "profissionalismo e discrição". A partilha mereceu muitos elogios dos internautas nos comentários.

"Preparação rigorosa, planeamento minucioso e coordenação permanente: é assim que cumprimos, todos os dias, a missão de proteger quem nos é confiado. A todos os profissionais envolvidos, o nosso reconhecimento pelo empenho e rigor demonstrados", lê-se na partilha.

Recorde-se que o antigo presidente norte-americano foi ao final da tarde do dia 10 de outubro o orador principal na sexta edição do Game Changers Forum, em Lisboa, com uma intervenção sobre liderança, resiliência e impacto.

No mesmo dia, foi ainda recebido no Palácio de Belém, em Lisboa, "para uma conversa informal" e troca de impressões com o Presidente da República, António José Seguro, sobre a atualidade internacional.

A deslocação de Barack Obama a Portugal ocorreu a menos de um mês das eleições para a totalidade da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) e um terço dos lugares do Senado (câmara alta) nos Estados Unidos, marcadas para 03 de novembro.

As sondagens têm apontado para uma vantagem dos democratas, num momento em que o Presidente republicano, Donald Trump, enfrenta uma forte desaprovação.

Enquanto chefe de Estado, Obama esteve em Portugal em novembro de 2010 para participar nas cimeiras União Europeia-EUA e da NATO (aliança do Atlântico Norte).

Obama voltou a parar em Portugal, em novembro de 2016, numa escala técnica na Base das Lajes, na ilha Terceira, Açores, numa viagem entre a Alemanha e o Peru.

Em 2018, já depois de ter abandonado a Casa Branca, Obama abordou, numa conferência, no Porto, a importância de agir perante o problema que representam as alterações climáticas para o mundo, uma das prioridades dos dois mandatos presidenciais do democrata.

Seguro recebeu Obama em Belém:

Seguro recebeu Obama em Belém: "Troca de impressões sobre atualidade"

O Presidente da República, António José Seguro, recebeu Barack Obama no Palácio de Belém para uma "conversa informal" sobre a "atualidade internacional". O antigo chefe de Estado norte-americano está em Lisboa para participar como orador principal na sexta edição do Game Changers Forum.

Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 21:11 - 10/10/2026

Mais de 400 pessoas juntam-se em Coimbra e exigem direito a "teto e chão"

20 October 2026 at 21:09

Mais de 400 pessoas juntaram-se hoje na Praça 8 de Maio, em Coimbra, junto à Câmara e ao Mosteiro de Santa Cruz, para reivindicarem soluções para a crise habitacional, numa ação solidária com as acampadas de Porto e Lisboa.

 

"Eu quero um teto, eu quero um chão, quero o direito à habitação", gritavam os manifestantes pelas 19:45, que também apelavam a medidas concretas e urgentes para a resolução de um problema que disseram persistir em todas as idades e classes sociais.

Na Baixa de Coimbra, promotores ou não da iniciativa empunhavam vários cartazes, onde se podiam ler frases como "Violência policial é o primeiro sinal", "Deixem o Luís especular" ou "Existo logo habito".

As acampadas de Lisboa e do Porto, que foram interrompidas por ações policiais, também mereceram referência na iniciativa solidária e pacífica, com vários dos presentes a questionarem a desproporcionalidade daquelas intervenções.

"Que força é essa? Que força é essa? Que trazes nos braços? Que só te serve para obedecer?", cantou um grupo de organizadores, música de Sérgio Godinho que levantou aplausos de outros apoiantes.

Rebeca Moore, da organização, explicou à agência Lusa que a falta de habitação ou os preços altos dos arrendamentos e de compra são transversais a toda a sociedade e disse ser urgente resolver o problema, sobretudo numa cidade de estudantes, a maioria deslocados.

"Este é um movimento de solidariedade. Muitos estudantes enfrentam grandes dificuldades e a questão da habitação coloca em causa também o direito à educação. Há estudantes que são obrigados a pagar 600 ou 700 euros por um quarto", disse.

Moore, que frequenta um curso de mestrado em Coimbra, recordou ainda a "ação musculada" no Porto, com a intervenção policial a eliminar a acampada e sublinhou que, naquela cidade, havia cartazes que referiam que estas atitudes "cheiram a outro tipo de regime".

À Câmara de Coimbra, Rebeca Moore pediu uma atenção especial às repúblicas de estudantes e mais habitação pública.

Maria José Carrilho, de 66 anos, marcou igualmente presença na manifestação e garantiu ali estar porque a "habitação é um direito natural, como a saúde ou a educação".

"Se o sistema capitalista acha que as pessoas não têm direito à habitação, então eu aqui estou. Este é um direito que deve ser defendido".

Palavras de ordem a propósito do 25 de Abril ou "Fascismo nunca mais!" foram também entoadas, assim como o "Grândola, Vila Morena", música de Zeca Afonso habitualmente usada neste tipo de ações solidárias e reivindicativas.

A organização da iniciativa disse ainda à Lusa desconhecer que novas medidas serão consideradas para os próximos dias, mas garantiu que o movimento será sempre pacífico e solidário.

"Abaixo a especulação e abaixo a lei das rendas, que vai cair, que vai cair" foram outras mensagens deixadas na Praça 8 de Maio.

O manifesto lido pela organização já após as 20:00 apontava para o aumento das rendas e exigia a reversão da lei do arrendamento. Pedia ainda o fim do despejo de pessoas, recordava o turismo desenfreado e intimava ao aumento da habitação pública. Os manifestantes pediram ainda a recuperação de imóveis devolutos para arrendamento.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Nesse dia, a plataforma cívica "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa, reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Leia Também: Cerca de 60 pessoas manifestam-se em Faro contra custo das casas

Habitação: Manifestantes decidem voltar a montar tendas no Rossio

20 October 2026 at 21:07

Os manifestantes da acampada de Lisboa, reunidos em assembleia popular na Praça do Rossio, decidiram hoje, pelas 20h38, voltar a ocupar aquele espaço com tendas a partir de quarta-feira.

 

Os organizadores da acampada de Lisboa tinham pedido a votação em assembleia popular sobre o regresso das tendas à praça na quarta-feira, depois de um período de microfone aberto para intervenções livres.

Depois das votações, vários cantores que se deslocaram ao Rossio em solidariedade tomaram o microfone para cantar, como foi o caso de Nenny, Ana Moura ou Tim, dos Xutos e Pontapés.

Também Vitorino está presente na manifestação.

Na assembleia popular realizada às 19:00, além dessa proposta dos organizadores para se voltar a montar as tendas, as intervenções mais aplaudidas foram as que defenderam limites aos tetos das rendas e a realização de uma greve ibérica.

Numa Praça do Rossio cheia, milhares de manifestantes gritavam palavras de ordem e abanavam molhos de chaves ao mesmo tempo, enquanto muitos exibiam também cartazes.

"Luís, não sejas egoísta, partilha as tuas casas que a crise está à vista", "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais" e "Abaixo o capital que vai cair, vai cair e viva o povo unido a resistir, a resistir" foram algumas das entoadas.

Nos cartazes podiam ler-se frases como "não somos nómadas digitais, somos lisboetas reais", "Luís, ladrão, eu quero habitação" e "Polícia de insegurança privada".

"Lisboa não está à venda", "Não confie em ninguém com mais de 30 casas", "Menos bastão, mais habitação" e "Casas para viver, não enriquecer", são outros exemplos.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Novas assembleias populares estão marcadas para hoje nas duas cidades e em outras, como Coimbra ou Faro.

[Notícia atualizada às 21h39]

Leia Também: Cerca de 60 pessoas manifestam-se em Faro contra custo das casas

Cerca de 60 pessoas manifestam-se em Faro contra custo das casas

20 October 2026 at 21:05

Cerca de seis dezenas de pessoas manifestaram-se hoje em Faro em solidariedade com as acampadas de Lisboa e Porto e em protesto contra o preço elevado das casas, que estão cada vez mais fora do seu alcance.

 

"Estamos aqui contra a desigualdade, que está a aumentar de uma forma brutal. A luta pela habitação é a luta pela democracia", afirmou Afonso Coelho, do movimento Algarve em Resistência.

O coletivo organizou a manifestação "em solidariedade" com os protestos noutros pontos do país e em protesto contra "a lógica do rentismo" que está a "pôr as pessoas sob uma violência muito grande no dia-a-dia", acrescentou.

"A maior parte do seu salário, do seu tempo de trabalho, é para pagar aos senhorios", sublinhou o representante da organização, que pretende promover no futuro um movimento "mais amplo" no Algarve, capaz de "mobilizar mais pessoas para as ruas".

O protesto marcado para as 19:00, em frente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, arrancou morno, mas o número de pessoas foi crescendo e, meia hora depois, já eram cerca de seis dezenas.

Entoavam palavras de ordem como "Abaixo o Governo que vai cair e viva o Algarve a resistir", "Teto e chão, direito à habitação", ou "Queremos casas para morar, não para especular".

Nos cartazes que empunhavam, liam-se mensagens como "Menos bastão, mais habitação", "Sim, sou egoísta, quero uma casa para viver", "Casa para viver, tenda para resistir", ou "Um país sem habitação é um país sem justiça".

Pedro Brandão, investigador na Universidade do Algarve, disse à Lusa que se juntou à manifestação de hoje para manifestar o "desagrado" pela atual crise da habitação.

A viver num quarto, num apartamento partilhado com mais três pessoas, garantiu que, mesmo tendo um ordenado "que não é mau", o elevado custo da habitação o afasta da possibilidade de conseguir pagar renda sozinho ou ter acesso a crédito bancário.

"Está tudo muito alto e muito elevado. Ficar sozinho é algo que neste momento é impossível, ter uma casa só para mim está fora do meu alcance", destacou.

Com uma das suas três crianças ao colo, Júlia Vânia, a contas com um crédito à habitação, contou à Lusa que o atual custo de vida "é incomportável para as famílias".

"Todas as semanas notamos no supermercado, nos preços dos bens alimentares essenciais, no gasóleo, tudo está a subir. A prestação da casa também aumenta com os juros, temos de fazer uma vida humilde para comportar o aumento do custo de vida", referiu.

A PSP deteve hoje 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).

Todos os 55 manifestantes foram constituídos arguidos, libertados e notificados para apresentação no Tribunal de Pequena Instância, na quarta-feira, disse à Lusa fonte da PSP.

Os protestos pelo direito à habitação e o custo de vida tiveram início em Portugal, na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I, junto ao Rivoli, e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Leia Também: Habitação: Milhares de pessoas encheram Rossio para exigir mais casas

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