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Imigrantes com taxa de emprego de 76% em Portugal, acima da UE

20 October 2026 at 09:35

Portugal apresenta uma das taxas de emprego de imigrantes mais elevadas da União Europeia. Em 2025, 75,6% dos residentes nascidos fora da UE, entre os 15 e os 64 anos, estavam empregados, acima dos 73,4% registados entre os nativos. Na média dos 20 Estados-Membros analisados, a taxa de emprego dos imigrantes extra-UE ficava nos 66%, enquanto entre os nativos atingia 71,6%.

Os dados constam do Brief paper “Emprego de imigrantes: Portugal no contexto europeu”, publicado pelo Observatório das Migrações, que parte do relatório Employment of Immigrants in the European Union: Progress, Persistent Gaps, and Untapped Potential, do Centre for Research and Analysis of Migration (CReAM), e é complementado com informação do Eurostat, INE, Pordata e AIMA. Veja abaixo a síntese visual.

Entre os 20 países analisados, Portugal e a Estónia apresentam a quarta taxa de emprego mais elevada entre os nascidos fora da UE, com 75,6%. O país lidera, contudo, quando se consideram os residentes nascidos noutro Estado-Membro, com uma taxa de emprego de 83,4%.

Portugal distingue-se ainda pela reduzida diferença entre homens e mulheres nascidos fora da UE. A taxa de emprego dos homens era de 80,4% em 2025, enquanto a das mulheres chegava aos 71,3%, uma diferença de 9,1 pontos percentuais. Na União Europeia, o intervalo era de 17,5 pontos. Portugal apresentava, assim, a menor diferença entre os sexos entre os 20 países analisados.

Há, aliás, um dado particularmente expressivo: a taxa de emprego das mulheres nascidas fora da UE em Portugal era exatamente igual à das mulheres nativas, ambas nos 71,3%. Na média europeia, as mulheres imigrantes apresentavam uma taxa de emprego de 57,4%, contra 67,9% entre as nativas.

Quando a análise é feita pela nacionalidade, em vez do país de nascimento, a diferença entre mulheres estrangeiras e portuguesas é maior. Em 2025, a taxa de emprego das estrangeiras dos 25 aos 64 anos foi de 75,2%, contra 80,5% entre as portuguesas. A taxa de desemprego das estrangeiras atingiu 12%, mais do dobro dos 5,1% registados entre as portuguesas.

O desempenho de Portugal surge num contexto de forte crescimento da população estrangeira. Segundo o INE, o número de residentes de nacionalidade estrangeira mais do que duplicou entre 2021 e 2025, atingindo 1.597.539 pessoas, equivalentes a 14% da população residente.

A população estrangeira residente é também particularmente jovem: 84,6% dos cidadãos estrangeiros tinham entre 18 e 64 anos em 2025. Pelo menos metade tinha nacionalidade de um país de língua portuguesa, enquanto 71,1% das 337.880 concessões de títulos de residência realizadas nesse ano estavam associadas a atividade profissional.

O peso da imigração no mercado de trabalho resulta, assim, não apenas do aumento da população estrangeira, mas também de uma população maioritariamente em idade ativa e de uma forte componente de entradas associadas ao trabalho. O próprio estudo alerta, contudo, que as características da população estrangeira ajudam a explicar os níveis elevados de emprego registados em Portugal.

Mais emprego, mas também mais precariedade

A elevada taxa de emprego não significa, contudo, que os trabalhadores estrangeiros tenham as mesmas condições que os nacionais. Em 2025, 33,7% dos trabalhadores estrangeiros por conta de outrem tinham contratos temporários, contra 13,3% dos nacionais. A proporção é cerca de 2,5 vezes superior.

Também o risco de pobreza no trabalho é significativamente maior. Entre os estrangeiros empregados, 17,8% estavam em risco de pobreza, mais do dobro dos 8% registados entre os nacionais. O risco de pobreza ou exclusão social atingia 26,7% dos estrangeiros, contra 18% dos portugueses.

Apesar destas diferenças, Portugal compara favoravelmente com a média europeia. A diferença entre estrangeiros e nacionais no risco de pobreza ou exclusão social era de 8,7 pontos percentuais em Portugal, contra 21 pontos na União Europeia.

O desemprego atingia 9,4% dos estrangeiros, quase o dobro dos 4,8% registados entre os nacionais. Ainda assim, entre os desempregados, a proporção daqueles que permaneciam nessa situação há pelo menos 12 meses era inferior entre os estrangeiros: 20,2%, contra 36,9% no conjunto da população desempregada.

Quase 3 mil milhões de saldo para a Segurança Social

A integração dos estrangeiros no mercado de trabalho tem também uma expressão financeira significativa. Em 2024, os cidadãos estrangeiros pagaram 3.645 milhões de euros em contribuições para a Segurança Social e receberam 687 milhões em prestações sociais. O saldo calculado pelos autores foi, assim, positivo em 2.958 milhões de euros.

As contribuições dos estrangeiros representavam 12,4% do total em 2024, contra 6,5% em 2021. Nesse ano, o valor das contribuições foi 5,3 vezes superior ao das prestações sociais pagas a cidadãos estrangeiros.

O estudo deixa, contudo, uma nota de cautela: este saldo deve ser interpretado tendo em conta a estrutura etária da população estrangeira residente, fortemente concentrada nas idades ativas.

Portugal tem, desta forma, uma posição pouco habitual no contexto europeu: os imigrantes nascidos fora da UE apresentam uma taxa de emprego superior à dos nativos, ao mesmo tempo que o país regista uma diferença entre homens e mulheres imigrantes muito inferior à média europeia.

Mas a vantagem no acesso ao emprego convive com uma maior exposição a contratos temporários, desemprego e pobreza no trabalho. O desafio, segundo o Observatório das Migrações, passa por consolidar esta integração e melhorar as condições em que os imigrantes permanecem no mercado de trabalho.

Organizações promovem ação de empregabilidade para refugiados

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O casal Victor Arce, 65 anos de idade, e Morelba Margarida Aquilar, 64 anos, vivem no Brasil há um ano com sua filha. Vindos da Venezuela, eles hoje buscam uma maneira de encontrar um emprego.

Na Venezuela, ele era marceneiro profissional, mas teve que vir para o Brasil por causa de um problema de saúde de sua esposa. E enquanto a oportunidade de emprego não aparece, eles vão vendendo artesanato. 

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“Esse país é muito bom e encantador, tanto de pessoas quanto de material científico e educativo. Minha esposa tem um problema de saúde e o tratamento venezuelano era muito custoso. E aqui, em dois meses, ela conseguiu atendimento e resolveram o problema”, disse.

Para buscar uma oportunidade melhor de vida no Brasil, na manhã deste sábado (17) eles participaram de uma ação que oferece cursos, apoio e vagas de emprego para refugiados e migrantes. 

São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Refugiados e migrantes de 23 nacionalidades participam, no centro de São Paulo, da ação Conexões que Transformam - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Chamada de Conexões que Transformam, o evento foi promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation, e ocorreu durante todo o dia na Aliança Brasil Cidadã, no centro da capital paulista.

Assim como Victor e Morelba, outros 136 migrantes e refugiados, de 23 países, se inscreveram para participar da atividade, com workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisões de currículos com tradução para o português, apoio a documentações e vagas de emprego.

“Estou buscando maneiras de empreender, de abrir uma microempresa”, disse Victor, que foi até o local para buscar ajuda com ideias e dicas sobre como ele poderia montar um negócio no Brasil. 

“Aqui se encontra muito apoio ao imigrante, a imigrantes de todos os países do mundo. Essa é uma ideia muito boa e que poucos países têm”, acrescentou.

Em entrevista à Agência Brasil, a líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, Maria Helena Santuche, informou que 70% dos refugiados e migrantes que participaram da ação promovida neste sábado estavam desempregados. E mais da metade deles têm o desejo de empreender no Brasil. 

“A maior parte dessas pessoas quer empreender, mas elas não têm muita ideia ainda [em como fazer isso], porque justamente esse é um empreendedorismo por necessidade, não por oportunidade”, explicou.

“Um dos objetivos principais [da ação] é possibilitar que esses refugiados que estão no nosso país trabalhem ou façam as adequações necessárias da sua documentação e para que estejam com seus currículos preparados e atualizados”, ressaltou Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil. 

“Estamos realizando palestras também sobre mercado de trabalho para orientar essas pessoas sobre como nosso mercado de trabalho funciona e como elas vão ter sucesso na busca de emprego e, lógico, trazendo também oportunidades de emprego. Além disso, conseguimos doações e vamos doar cestas básicas e brinquedos para as crianças”, disse.

São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. O evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículo com tradução automática para o português, apoio à documentação e estações com vagas de emprego, espaço kids e de bem-estar.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Evento promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, Konecta Brasil e Konecta Foundation reúne workshops de empregabilidade e empreendedorismo para imigrantes e refugiados - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Segundo Eliane Franco Figueiredo, co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil e líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes, os refugiados e migrantes que se inscreveram para a ação são principalmente da Venezuela, Congo e Haiti. 

“A gente tem médicos aqui, por exemplo, que não podem exercer sua profissão aqui [no Brasil] porque a validação de diploma demora muito. Então, [nesse local] estamos fazendo todo esse tipo de ação para a empregabilidade e de capacitação para o trabalho”.

Refugiados

Segundo Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de um milhão de pessoas refugiadas ou em situação de necessidade de proteção internacional vivem no Brasil atualmente.

“Elas vêm de mais de 160 nacionalidades, mas as principais são Venezuela, Cuba e Haiti. E tem um número relevante, principalmente aqui em São Paulo, de pessoas que têm vindo, por exemplo, do Afeganistão, Irã, Síria e Palestina, devido aos conflitos dos últimos anos”, disse. 

“Essas pessoas muitas vezes trazem muitas experiências. Muitos têm formação e muita experiência no seu país de origem, mas chegam aqui e precisam se reinventar”, disse à Agência Brasil.

Quando chegam ao Brasil, essas pessoas têm acesso garantido a políticas públicas como educação e saúde. Mas, segundo Vivian, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados por elas. 

“O idioma é a primeira barreira para todas essas pessoas porque pouquíssimos países falam português. E, depois, existe uma urgência para trabalhar. Eles não têm uma rede de apoio, não têm moradia, então existem vários desafios. Muitas vezes as pessoas têm diploma de nível superior, mas acabam trabalhando no emprego que aparece, naquilo que elas conseguem [encontrar aqui no Brasil]”.

Uma outra dificuldade encontrada por esses refugiados é com relação à documentação. 

“A pessoa que sai do seu país com urgência, fugindo de uma perseguição ou de uma guerra, nem sempre tem tempo de se organizar, de organizar todos os seus documentos ou de traduzir esses documentos. Esse também é um grande desafio”, destacou.

Por isso, reforçou Vivian, ações como essa que estão sendo realizadas em São Paulo são importantes para ajudar na empregabilidade desses refugiados. 

“Aqui elas podem melhorar o seu currículo ou adequá-lo ao formato que é exigido aqui no Brasil. Elas também podem fazer entrevistas e ter acesso a empregos. E também podem fazer algumas capacitações ou aprender algumas ferramentas que possam ser importantes para elas acessarem o mercado de trabalho ou serem empreendedoras”.

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São Paulo 17/10/2026 - Cerca de 100 refugiados e migrantes, de 23 nacionalidades, participam, no Centro de São Paulo, da ação “Conexões que Transformam”. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ajuda

Os migrantes ou refugiados que vivem no Brasil e que não conseguiram participar da ação de empregabilidade neste sábado em São Paulo podem buscar outras formas de se colocar no mercado de trabalho. 

A Acnur, por exemplo, disponibiliza a plataforma Help para ajudar a essas pessoas a atualizarem sua documentação ou buscarem informações sobre trabalho e renda. 

“Nessa plataforma elas podem fazer uma seleção por estado e município e ver quais são as organizações que podem atendê-la”, explicou Vivian.

Outra possibilidade é procurar a Aliança Brasil Cidadã, onde são oferecidos cursos de capacitação. 

“Nós temos um Instagram bem robusto e os próprios migrantes refugiados trocam informações por lá”, sugeriu Sidnea Evangelista, vice-presidente da Aliança Brasil Cidadã. 

“E aqui nós temos cursos abertos o ano todo como de informática, inteligência artificial e manicure. Eles podem se inscrever gratuitamente para fazer esses cursos”.

Também é possível buscar informações por meio das redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil ou pelo e-mail refugiados@grupomulheresdobrasil.org.br ou por meio das redes sociais da Konecta Brasil.

Embarcação com 53 migrantes intercetada em Lanzarote

10 October 2026 at 13:51
Após a intercetação, a embarcação foi levada para o cais de Los Mármoles, onde a equipa de saúde local em Arrecife prestou assistência aos migrantes. Nenhuma das pessoas teve de ser hospitalizada.

© ADRIEL PERDOMO/EPA

Tripulação recebeu cuidados médicos após o desembarque
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