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Eleições – Da Informação à Desinformação

18 September 2026 at 14:36
Créditos: MDC Media Group

As eleições municipais de 26 de outubro estão a aproximar-se e campanhas rápidas e furiosas cruzam a GTA com fervor de propósito a brilhar nos candidatos. E os eleitores, cansados de promessas recicladas, escutam pacientemente o exagero de palavras adulteradas que são discutidas como verdades desproporcionais inventadas para satisfazer uma população que precisa de declarações artificiais de bem-estar. 

Ao analisar a próxima eleição na maior metrópole canadiana, há reflexões que definem um processo de pensamento baseado numa inquietação e desconforto perante os políticos e as suas declarações santarronas. Milhares de pessoas terão colocado o seu nome nos boletins de voto para Presidentes de Câmara, Vereadores e Conselheiros Escolares (sim, os Conselheiros Escolares ainda andam por aí), com a esperança de que farão parte dos poucos escolhidos. Mas aqui está uma pergunta que deveria preocupar-nos a todos: As eleições municipais representam realmente os sentimentos e as necessidades da maioria da população ou tornaram-se cada vez mais um exercício de afiliação política, interesses pessoais ou voto organizado? Embora estes não devessem ser partidos políticos, e a sua responsabilidade seja para com os seus eleitores e não para com um líder partidário ou a sua organização, é claro que a governação é feita de acordo com a ideologia política dos candidatos.

Todos sabemos que os candidatos têm apoiantes, as organizações têm interesses e os momentos políticos têm resultados preferidos. Os políticos em geral passaram a compreender que a política é uma das profissões em que menos se confia. Um sistema político é necessário para garantir que existe uma estrutura de governação, mas a preocupação é o tipo de pessoas que estamos a atrair para concorrer a governar a governação. Então, o que é que os eleitores estão realmente a escolher? Na minha mente, tem de ser uma pessoa que compreenda os nossos bairros, as nossas estradas, os nossos sistemas de transporte, os nossos impostos sobre a propriedade, as nossas escolas e a nossa segurança. Na maior parte dos casos, é duvidoso que compreendam.

Devido à etnicidade do Canadá, a representação política é essencial para as diferentes etnias. Olhando para as listas atuais de potenciais candidatos,com exceção dos recandidatos, muito poucos luso-canadianos estão a concorrer a cargos públicos. Isto empobrece a nossa comunidade e esgota a nossa capacidade de fazer parte da governação durante vários anos. Precisamos de mais representação, mesmo sabendo que se está a entrar num trabalho onde a política tem a capacidade de transformar até a questão municipal mais simples numa batalha ideológica.

Última Palavra:

No dia 12 de setembro, a comunidade portuguesa em Brampton celebrou a inauguração das “Portas da Cidade” com toda a pompa e circunstâncias merecidas. O governo dos Açores sentiu a necessidade de mostrar a sua exuberância em relação a este projeto transportando mais de 100 pessoas dos Açores para Brampton, garantindo uma boa afluência ao evento. Diz-se que há desafios económicos em todo o lado, mas obviamente não nos Açores. Pergunto-me também se os organizadores, dignitários, etc. se esqueceram de um nome importante que é Portugal e todo o seu povo de todas as regiões. Separar uma comunidade nunca é algo bom, particularmente quando há oportunismo político envolvido.

Manuel DaCosta/MS


Créditos: MDC Media Group

Elections – Information to Misinformation

The October 26th municipal elections are approaching and fast and furious campaigns are crisscrossing the GTA with fervour of purpose gleaming from the candidates. And voters tired of the recycled promises listen patiently to the exaggeration of tainted words which are discussed as disproportionate truths made up to satisfy a population that needs artificial feel-good pronunciations. In analyzing the coming election in the largest Canadian metropolis, there are reflections which define a thought process based on the restlessness and uneasiness of politicians and their sanctimonious pronunciations.

Thousands of people who will have placed their name on ballots for Mayors, Councilors and School Trustees (yes, Trustees are still around), with hope that they will be part of the chosen few. But here is a question that should concern all of us: Do municipal elections actually represent the feelings and needs of the majority of the population or have they increasingly become an exercise in political affiliation, personal interests or organized voting? Although there should not be party affiliations because their responsibility is to their constituents rather than to a party leader or their organization, clearly governance is done according to the candidates’ political ideology. We all know that candidates have supporters, organizations have interests and political moments have preferred outcomes. Politicians in general have come to understand that politics is one of the least trusted profession you can get into. A political system is required to ensure that a structure of governance exists, the concern is the type of people we are attracting to run to govern the governance. So what are voters really choosing? In my mind it has to be a person who understands our neighbourhoods, our roads, our transit systems, our property taxes, our schools and our safety. For the most part, it is doubtful that they do.

Because of Canada’s ethnicity, political representation is essential for the different ethnicities. Looking at current lists of potential candidates and other than incumbents, very few Luso-Canadians are running for office. This impoverishes our community and sucks our abilities to be part of governance for several years. We need more representation, even if you know you are getting into a job where politics has the ability to transform even the simplest municipal question into an ideological battle.

Last Word:

On September 12th, the Portuguese community in Brampton celebrated the inauguration of “Portas da Cidade” with all deserved pomp and circumstance. The government of Azores felt the need to show its exuberance about this project by transporting over 100 people from the Azores to Brampton, ensuring a good turnout at the event. People say that there are economic challenges everywhere but obviously not in the Azores. I also wonder if the organizers, dignitaries, etc. forgot an important name which is Portugal and all its people from every region. Separating a community is never a good thing, particularly when there’s political opportunism involved.

Manuel DaCosta/MS

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