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Semana Cultural Beirã e Festival Internacional de Fado

1 October 2026 at 19:54
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Foto: Francisco Pegado

A Casa das Beiras de Toronto encerrou, no passado sábado, a Semana Cultural Beirã 2026, que regressou este ano após uma interrupção de sete anos. A iniciativa celebrou a cultura e as tradições das Beiras, através da música, do folclore e da gastronomia. 

O fado voltou a fazer parte da programação, desta vez integrado no Festival Internacional de Fado, que trouxe a Toronto fadistas convidados de Portugal e um artista ligado à comunidade portuguesa no Canadá.

A Casa das Beiras recebeu João Brito, Francisco Moreira, Cláudia Leal e José Geadas, numa sessão marcada pela música e pela celebração da cultura portuguesa. Para Bernardino Nascimento, presidente da Casa das Beiras, a adesão do público foi motivo de orgulho e demonstra a importância de continuar a promover estas iniciativas.

“É um orgulho ver esta casa cheia e fazer parte do Festival Internacional de Fado. É uma forma de manter vivas as nossas tradições e a ligação às nossas raízes.”

A importância da colaboração entre as organizações portuguesas foi igualmente destacada por José Eustáquio, presidente da ACAPO, uma das entidades envolvidas na organização do Festival Internacional de Fado. “O fado representa muito para os portugueses e merece o apoio das nossas organizações. É importante trabalharmos em conjunto para manter esta cultura viva.”

Entre os convidados estiveram também José Manuel Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Lardosa, e Miguel Pipa, vereador da Câmara Municipal de Viseu, que viajaram de Portugal para participar nas celebrações.

Para José Manuel Pereira, a visita permitiu conhecer de perto a força da presença portuguesa em Toronto “é a primeira vez em Toronto e foi uma grande surpresa encontrar tantos portugueses reunidos. É um orgulho levar este sentimento de volta para Portugal. A Casa das Beiras faz uma importante ligação entre Viseu e Toronto e ajuda a manter vivas as nossas memórias e tradições.”

Miguel Pipa destacou igualmente o significado de encontrar, tão longe de Portugal, uma comunidade que continua próxima da sua terra “é muito especial ver este pedaço de Portugal tão longe da nossa terra. Mesmo fora de Portugal, os portugueses continuam ligados às suas raízes.”

Com a sala cheia, as luzes apagaram-se e as vozes dos fadistas, acompanhadas pela guitarra portuguesa, tomaram conta do espaço. Para os artistas vindos de Portugal, atuar em Toronto foi vivido com felicidade e orgulho, numa oportunidade de representar o país e partilhar a sua cultura.

João Brito, coorganizador do Festival Internacional de Fado, mostrou-se satisfeito com a adesão “estou felicíssimo com a casa cheia. Agora é cantar e presentear este público maravilhoso com um grande espetáculo.” Sobre a participação dos fadistas vindos de Portugal acrescentou “quisemos dar prioridade aos fadistas que vieram de Portugal e mostrar o seu trabalho à nossa comunidade.”

Os fadistas deram voz a diferentes interpretações, perante um público atento e próximo, num ambiente que voltou a demonstrar a força do fado junto dos portugueses no estrangeiro.

O Festival Internacional de Fado prossegue no sábado, 3 de outubro, no Clube Português de Mississauga, com Lenita Gentil, Natalino de Jesus e Suzy Silva.

No dia 10 de outubro, será a vez da Casa do Alentejo receber Maura Airez, José Geadas, Francisco Moreira e Guida Figueira.

A programação continua, assim, a levar o fado a diferentes espaços da comunidade portuguesa na região de Toronto e arredores, juntando artistas de Portugal e do Canadá e celebrando uma das expressões mais marcantes da cultura portuguesa.

Francisco Pegado/MS

Casa dos Açores recebe autarcas de Lagoa numa noite de encontro entre Portugal e a diáspora

30 September 2026 at 22:13
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Fotos: Cindy Da Ponte

A Casa dos Açores do Ontário acolheu uma iniciativa marcada pelo encontro entre a comunidade e representantes do município de Lagoa, numa jornada dedicada à cultura, à identidade portuguesa e aos laços que unem os Açores à sua diáspora.
O encontro contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, e da Vereadora Albertina Oliveira, recebidos pela direção da Casa dos Açores e pelos membros da comunidade com uma mensagem centrada na importância de manter vivas as raízes açorianas e portuguesas, mesmo longe do arquipélago.
A sessão começou com uma mensagem de boas-vindas, na qual foi sublinhado o papel da Casa dos Açores enquanto espaço de encontro e de preservação da identidade. “A Casa dos Açores é açoriana, sim — e com muito orgulho. Mas, acima de tudo, é portuguesa. É de Portugal”, foi uma das ideias centrais deixadas na abertura da noite pelo MC e representante dos sócios, Rómulo Ávila. A mensagem destacou ainda que a instituição pretende ser uma casa aberta a todos, independentemente da ilha de origem ou da ligação específica aos Açores, promovendo aquilo que une a comunidade: as raízes, a cultura, a memória e o sentimento de pertença. Ao longo da intervenção de abertura, foi recordado que viver longe de Portugal não significa perder a ligação à terra de origem. A língua, a música, a gastronomia, as tradições, as memórias familiares e a saudade foram apontadas como elementos que continuam a aproximar portugueses e açorianos espalhados pelo mundo. A presença da comitiva de Lagoa foi, nesse contexto, apresentada como uma oportunidade para reforçar os laços entre a comunidade residente no estrangeiro e a terra de origem.
“Receber dois representantes de uma autarquia é receber um pedaço dos nossos Açores, mas, sobretudo, de Portugal”, foi referido durante a sessão. A imagem dos dois lados do Atlântico esteve igualmente presente na mensagem do MC: “uma comunidade que vive longe, mas que continua ligada às suas origens através da memória, da cultura e das relações construídas ao longo das gerações”.
Por seu turno, a presidente da Casa dos Açores, Suzanne da Cunha, realizou a intervenção de receção, dando as boas-vindas aos convidados e à comunidade presente, destacando o papel da instituição como pilar da açorianidade, mas nunca esquecendo que é Portugal o expoente máximo.
Depois da intervenção de Matthew Correia, Conselheiro da Diáspora Açoriana, foi servido o jantar bem preparado por Patricia Borges (Caloura Bar and Grill), coadjuvada pelas voluntárias da organização.
A intervenção de Vitor Silva, coordenador político, abriu a segunda ronda discursiva, debruçando-se sobre o verdadeiro papel da diáspora, muitas vezes esquecida pelos governos.
Manuel Da Costa, empresário, filantropo e líder da Magellan, dirigiu palavras de incentivo à comunidade e realçou os avanços do “Lar Magalhães”, informando os presentes do verdadeiro ponto da situação da obra e dos passos a dar no futuro. “A união e ajuda de todos” são as palavras de ordem.
Um dos momentos aguardados da noite foi a participação da representação municipal de Lagoa, com a intervenção do presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, reforçando a “ligação entre a comunidade açoriana na diáspora e o município de origem, num encontro que procurou aproximar instituições, comunidade e território”. Lagoa foi apresentada pelo autarca “como parte de uma memória coletiva que ultrapassa fronteiras geográficas e que continua presente na vida daqueles que deixaram os Açores para construir novas vidas noutras partes do mundo”. O programa incluiu também a intervenção de Patricia Borges, empresária e uma das responsáveis pela organização do encontro. A sua participação integrou a dimensão empresarial e comunitária da iniciativa, evidenciando também o papel dos membros da diáspora na criação de redes, projetos e relações entre diferentes comunidades.
“Temos um pé em terra e outro no mar.” Uma frase que traduz a ligação de quem mantém as raízes nos Açores enquanto constrói a sua vida longe de casa. Entre o Atlântico e a terra de acolhimento, a Casa dos Açores continua a ser uma ponte de cultura, língua, tradições e pertença. Açores no coração. Portugal na alma. E a Casa como ponte entre nós.

Romulo Ávila/MS

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