O piloto de Matosinhos terminou os dois primeiros troços a menos de seis segundos do líder, ao volante de um Toyota Yaris Rally2 assistido pela Racing 4You.
Luís Cidade iniciou esta tarde, em Lagoa, a sua estreia no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), fechando o primeiro dia competitivo do Rallye do Algarve na terceira posição da classificação geral.
Ao volante do Toyota Yaris Rally2 assistido pela Racing 4You, o piloto de Matosinhos assinou o segundo melhor tempo nos 7,48 quilómetros da primeira especial. No segundo troço, com 10,69 quilómetros, registou o quarto tempo, garantindo um lugar entre os três primeiros, a menos de seis segundos do líder.
O programa desta noite inclui ainda a City Stage de Lagos, que não conta para a classificação.
«Foi um dia muito curto, mas positivo sob todos os aspetos. Os dois troços eram espetaculares e com bastantes zonas rápidas, e rapidamente encontrei o meu ritmo. Fechar o meu primeiro dia de CPR na terceira posição é, sem dúvida, muito especial, mas amanhã é que tudo se decide. O Jet [Jorge Carvalho] esteve sempre impecável e os tempos saíram», afirmou Luís Cidade no regresso a Lagoa.
Atual líder do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno, com um Can-Am Maverick, Luís Cidade enfrenta amanhã, ao lado do navegador Jorge «Jet» Carvalho, o derradeiro dia da prova algarvia.
Esta participação marca também o início da preparação do piloto da Milfa para 2027, ano em que prevê disputar o CPR a tempo inteiro com o Toyota Yaris Rally2 estreado nos troços do Algarve.
O português Noah Monteiro venceu as duas corridas do Campeonato Espanhol de Fórmula 4 disputadas em Jerez de la Frontera, em Espanha, ficando a quatro pontos da liderança da competição.
Ofilho do antigo piloto de Fórmula 1 Tiago Monteiro conquistou a pole position para ambas as provas, na quinta ronda do campeonato, e assinou ainda a volta mais rápida da segunda corrida.
Na primeira prova, Noah Monteiro liderou todas as voltas e alcançou a sua primeira vitória na época regular, antes de repetir o triunfo numa segunda corrida marcada pelas temperaturas elevadas, com o asfalto a ultrapassar os 50 graus.
Depois de controlar o andamento na corrida inaugural, o português voltou a gerir o desgaste dos pneus na segunda prova, conseguindo a volta mais rápida na fase final.
“Era fundamental arrancar bem e colocar alguma pressão nos principais adversários e foi exatamente isso que consegui fazer. A partir daí, ganhei algum espaço e geri o andamento para não permitir qualquer ataque”, explicou, sobre a primeira vitória do dia. “Trabalhámos muito no último mês e é um orgulho poder conquistar estes resultados, ouvir o hino de Portugal a tocar por duas vezes e agradecer o apoio de todos a partir do lugar mais alto do pódio”, salientou.
Matthew Hauser bateu Vasco Vilaça, campeão mundial de triatlo, na chegada à meta. (Salvador Sas/EFE)
O campeão do mundo de triatlo de Elites, Vasco Vilaça, lamentou a forma “muito feia” como Matthew Hauser o venceu na superfinal de Pontevedra, com um sprint que não deseja ver repetido na modalidade.
“Digo sem medo nenhum que achei muito feio o modo como o australiano acabou a prova. Deveria haver regras contra isto. Sem dúvida que há regras de fair play e isto foi o maior anti-fair play que já vi”, criticou, em declarações à Lusa.
Com o título garantido, uma vez que lhe bastava terminar até quinto, Vasco Vilaça e o australiano, campeão em 2025, disputaram mais um sprint para vencer a superfinal que encerrou a época, com Hauser a mudar de trajetória quando vê o luso a avançar, bloqueando a hipótese de ultrapassagem.
“Ele já me ganhou muitos sprints e respeitei-o quando foi melhor do que eu. Quando estava a passá-lo, a forma como ele se atira para cima de mim, bloqueia e puxa-me para o lado… cheguei ao ponto que tive que começar a lutar contra ele, senão nem conseguia entrar na meta. Foi muito feio…”, recordou.
Vasco Vilaça terminou a época com 5.006,25 pontos, superando o australiano por 260,49, num pódio que contou com o jovem português Ricardo Batista, a 934,80 pontos.
Ainda assim, Vilaça não escondeu alguma frustração: “Sinto que me roubou o primeiro lugar, mas, pior, é que foi muito feio e não foi justo. A parte bonita do desporto é sermos realmente justos e respeitarmo-nos uns aos outros, quem é mais forte do que nós e trabalhar para sermos melhores. Joguei justo toda a época. Custou-me muito no momento, estive ali um minuto depois da prova muito chateado com isso, mas não quis estragar o meu momento de celebração do título mundial por uma coisa feia que outra pessoa fez”.
O português de 26 anos não quer alterar o resultado da prova, mas entende que “provavelmente deveria ser feito algum tipo de protesto”, para evitar que situações análogas manchem novamente a verdade desportiva.
Vasco Vilaça garantiu a Portugal o primeiro título mundial de Elites masculino, juntando-se a Vanessa Fernandes, que o tinha conseguido no feminino, em 2007: Ricardo Batista completou o pódio mundial, que coloca o país como uma das nações mais competitivas do triatlo internacional.
Portugal somou, na quinta-feira (1), a terceira vitória em outros tantos jogos do Grupo A4 da Liga nas Nações, ao vencer na Dinamarca por 2-4, um dia depois de Cristiano Ronaldo abandonar o estágio.
Em Copenhaga, Portugal entrou forte e colocou-se em vantagem logo aos 13 minutos, através de João Cancelo.
Num jogo virado para o ataque, as oportunidades foram surgindo perto das duas balizas e foi Damsgaard a fazer o marcador mexer pela segunda vez, restabelecendo a igualdade, aos 23 minutos.
O 1-1 não durou quase nada e Gonçalo Ramos voltou a colocar Portugal na frente segundos depois, fixando o resultado ao intervalo.
Portugal voltou mais apático do balneário e pagou por isso quase de imediato, com Hojlund a fazer o 2-2, aos 53 minutos.
A toada do encontro prometia mais golos e eles apareceram, lançando as quinas em definitivo para a vitória.
Aos 67 minutos, Vitinha estreou-se a marcar pela seleção A e fez o 2-3, cabendo a João Félix fixar o resultado e confirmar o triunfo luso aos 87 minutos.
O selecionador de Portugal, Jorge Jesus, elogiou a exibição da equipa das quinas “As vitórias são dos jogadores por tudo, pelo que jogam e porque acreditam no que o treinador tem de plano. A equipa está melhor jogo após jogo, está a crescer, e isso é meio caminho andado para que as vitórias apareçam. Esta seleção tem muita qualidade”, destacou Jorge Jesus.
Questionado sobre os últimos dias e sobre a resposta do grupo após o abandono de Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus foi taxativo. “Não há nada para o grupo não estar comigo. Percebo a pergunta, mas o importante é o que temos a fazer. As coisas que aconteceram não separaram o grupo, não nos separou e não nos vai separar”, vincou.
Portugal national team player, Cristiano Ronaldo, on the bench during their UEFA Nations League soccer match with Norway at Ullevaal Stadium, Oslo, Norway, 27 September 2026. PAULO NOVAIS/LUSA
O abandono do estágio da seleção nacional por Cristiano Ronaldo é um “terramoto” económico, que ameaça provocar o cancelamento de patrocínios e “minguar” a marca da Federação Portuguesa de Futebol, alertou o especialista em marcas Carlos Coelho.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da consultora de branding Ivity Brand Corp considerou que a crise aberta com a saída do capitão de equipa representa uma “perda de valor imensa”, que nenhum resultado desportivo conseguirá estancar, criticando a “cegueira de autoridade” com que o principal ativo do futebol nacional foi gerido.
“A marca da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mingua muito, portanto, tem-se um retrocesso muito significativo com este acontecimento inesperado e muito mal gerido do ponto de vista do valor ou da perda de valor que isso significa”, afirmou Carlos Coelho, sublinhando que a desvalorização do produto FPF é inevitável quando se perde um dos ativos de maior notoriedade mundial.
O especialista explicou que o impacto não coloca em causa a continuidade nem o futuro desportivo da equipa das ‘quinas’, mas afeta diretamente a vertente económica e comercial do futebol.
“Não é um terramoto no sentido em que desmorona a seleção, não vai deixar de existir, vai continuar, vai jogar e, se Deus quiser, vai ganhar. Não é isso que está em causa, o que está em causa é uma desvalorização de uma marca. De um momento para o outro perde um dos seus ativos”, salientou, acrescentando que “há centenas de milhões de pessoas no mundo que veem Portugal jogar apenas por causa de Cristiano Ronaldo, não querem saber se ganha ou perde”.
Para o consultor, o afastamento do futebolista do grupo de trabalho atinge o coração financeiro da FPF numa altura em que “o futebol deixou de ser desporto para ser uma indústria bilionária”, cuja sustentabilidade depende da capacidade de ampliar audiências.
“Ponham-se no lugar de um patrocinador que assinou contrato na perspetiva de associar a sua marca a estes ativos. Têm mais do que motivo para dizer que os pressupostos mudaram e exigir reuniões, até ao limite de cancelarem contratos. O interesse dos portugueses pela seleção pode subir, mas o desinteresse do mundo vai aumentar”, advertiu.
Sublinhando o paralelo com uma deslocação do Al Nassr à China – em que a ausência do internacional português fez descer a assistência no estádio de 55 mil para cinco mil espetadores -, Carlos Coelho sustentou que o alcance internacional da equipa das ‘quinas’ sofre um “retrocesso muito significativo”.
“Prova de falta de autoridade”
O especialista criticou a forma como o processo foi conduzido, alinhando com posições como as do ex-treinador Alex Ferguson, para quem a desvalorização do jogador constitui “uma destruição de valor” evitável.
“O maior ativo de sempre do futebol português devia ser tratado com respeito e cuidado. Se tem 41 anos, não pode ser gerido, nem desportivamente, nem comunicacionalmente, como um jovem de 17. O que aconteceu foi uma prova de falta de autoridade”, sustentou, em referência ao selecionador Jorge Jesus.
Carlos Coelho defendeu ainda que eventuais bons resultados desportivos não serão suficientes para travar o impacto no mercado internacional, sendo urgente desenhar uma nova abordagem institucional para o atleta.
“Isto não se resolve com bons resultados, porque o resultado só interessa aos portugueses. A única forma de mitigar o efeito é encontrar um lugar para Cristiano Ronaldo na estrutura da seleção – que não precisa de ser no relvado, mas onde o banco não é de certeza” -, através de uma solução diplomática que dignifique o papel que desempenhou ao longo de 20 anos ao serviço do país, sustentou.
Marca Ronaldo “não perde”
Em sentido inverso, o especialista antevê que a marca pessoal do jogador vai sair blindada, beneficiando do próprio impacto mediático do caso.
“A marca Ronaldo não perde. Teve até um ‘boost’ [impulso], abriu os telejornais do mundo e fez manchetes globais. A grande polémica é de consumo interno. Ronaldo continua a ser um embaixador informal com mais alcance diplomático e económico do que qualquer campanha do país”, rematou.
A tomada de posição junta-se aos avisos do diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), Daniel Sá, que, em declarações à Lusa, descreveu o capitão como “a maior marca que Portugal já teve”, exortando a FPF a encontrar uma estratégia de transição para mitigar a perda de visibilidade global.
Cristiano Ronaldo abandonou na quarta-feira (30) o estágio da seleção nacional na véspera do embate contra a Dinamarca, para a Liga das Nações, encerrando de forma conturbada uma ligação de 23 anos à equipa das ‘quinas’ e arriscando sanções disciplinares.
Portugal’s forward #07 Cristiano Ronaldo waves to fans as he arrives for a training session at Parken stadium in Copenhagen, Denmark, on September 30, 2026, on the eve of their Nations League Group A4 match against Denmark. Portugal captain Cristiano Ronaldo announced that he had left the team’s training camp in Denmark following a press conference by coach Jorge Jesus. (Photo by Liselotte Sabroe / Ritzau Scanpix / AFP) / Denmark OUT
Edu Aguirre, jornalista espanhol e amigo próximo de Cristiano Ronaldo, conta que o selecionador nacional pediu desculpa ao avançado em privado e prometeu repetir o gesto publicamente. Horas depois, Jorge Jesus assumiu perante os jornalistas que é ele quem decide a utilização dos jogadores, e o futebolista sentiu-se traído.
Cristiano Ronaldo terá ficado revoltado com Jorge Jesus depois de uma promessa que, segundo Edu Aguirre, o selecionador lhe fez numa conversa privada.
De acordo com Aguirre, a conversa aconteceu na noite de terça-feira (29), numa reunião que juntou ainda Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O treinador terá admitido que não tinha gerido bem a situação e assegurado que faria um pedido de desculpa também diante dos jornalistas.
A versão apresentada por Aguirre é que, no dia seguinte, o discurso público do selecionador acabou por ser diferente do que tinha transmitido ao avançado. Essa mudança terá sido entendida por Ronaldo como uma quebra da palavra dada.
A saída do estágio
As declarações de Aguirre surgem depois de Ronaldo ter abandonado o estágio da seleção, em Copenhaga. O avançado não participou no treino e deixou a concentração após uma conversa com Pedro Proença, seguindo depois para Madrid.
A decisão foi anunciada pelo próprio nas redes sociais. “Após a conferência de imprensa do selecionador nacional, e no seguimento de uma conversa com o presidente da FPF, tomei a decisão de deixar o estágio da seleção nacional”, escreveu.
O capitão português não revelou, por enquanto, todos os motivos que estiveram na origem da saída, mas deixou uma promessa: “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional, à qual sempre me dediquei.”
A FPF confirmou entretanto a saída do jogador da concentração, numa altura em que Portugal se prepara para os próximos compromissos internacionais.