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Ficções belicistas: a teatralização da guerra

By: A A
8 October 2026 at 16:00

Líderes europeus vestem uniformes militares e brincam com guerra nuclear. Uma ordem sem futuro troca esperança por medo e arrisca autodestruição.

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Em um surto de simulação, durante a recente Cúpula Europeia do Ártico, em Rovaniemi, Finlândia, líderes europeus vestiram trajes militares para transmitir uma mensagem de preparação para uma confrontação com a Rússia, enquanto a máquina política e midiática repete, quase em uníssono, o alerta contra a “ameaça russa”. A declaração oficial da Cúpula coloca a segurança no centro das discussões e insiste na necessidade de fortalecimento da presença e das capacidades europeias na região, considerada estratégica para a segurança continental.

Essa encenação tem algo de profundamente inquietante. Tais dirigentes apresentam-se na condição de representantes de sociedades mobilizadas para a guerra, enquanto governam países profundamente divididos e enfrentam uma crescente erosão da confiança pública. Por si só, essa distância entre a retórica das lideranças e a disposição real das sociedades deveria recomendar prudência. Em vez disso, assistimos à construção de uma atmosfera psicológica de confrontação. E é justamente aí que começa o perigo.

O risco real de autodestruição

Em primeiro lugar, há um elemento de fingimento, pois a Europa não dispõe das condições industriais necessárias para sustentar autonomamente uma mobilização militar prolongada na escala sugerida pela retórica belicista. O próprio esforço para reconstruir estoques, aumentar a produção de munições e recuperar capacidade industrial demonstra o quanto essa estrutura foi reduzida nas últimas décadas. Mas a questão mais grave não é industrial, mas estratégica.

A Federação Russa dispõe de um enorme arsenal nuclear e de sistemas de ataque avançados, inclusive mísseis hipersônicos. Isto não significa que a Rússia possua superioridade tecnológica em todos os campos, mas algo muito mais importante para essa reflexão: qualquer guerra direta entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a Rússia envolveria forças capazes de provocar uma destruição de escala civilizacional. A Rússia e os EUA continuam concentrando a esmagadora maioria das ogivas nucleares existentes, ao mesmo tempo em que os principais Estados nucleares modernizam seus arsenais e os mecanismos de controle de armas se enfraquecem. Portanto, tratar uma confrontação direta com a Rússia como apenas mais uma opção de política externa não é demonstração de coragem: é cortejar uma possibilidade de autodestruição.

Quando se atravessa determinado limiar, já não existe garantia de que os acontecimentos permaneçam sob o controle daqueles que os iniciaram. É este o ponto ausente da atual teatralização belicista.

E há algo ainda mais perturbador. A linguagem da destruição voltou a ser pronunciada abertamente pelas próprias lideranças ocidentais. Na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Donald Trump proclamou que os EUA poderiam “aniquilar” o Irã caso não fosse alcançado um acordo. Se uma ameaça dessa natureza – uma “solução final” – pode ser pronunciada na ONU sem provocar uma ruptura política proporcional à enormidade do que está sendo dito, algo extremamente grave está ocorrendo com a percepção ocidental dos limites da guerra. Porque a normalização da linguagem de aniquilação não permanece necessariamente confinada ao adversário contra o qual foi originalmente dirigida.

Hoje pode ser o Irã. Amanhã, numa espiral de escalada que ninguém consiga mais controlar, podem ser cidades europeias. É neste sentido que os atuais devaneios belicistas deixam de ser apenas uma encenação política e passam a representar um perigo concreto de autodestruição da própria civilização europeia. A Europa, que durante séculos foi um dos centros fundamentais da civilização ocidental, atravessou duas guerras mundiais e conheceu diretamente o que significa transformar rivalidades políticas em guerras de aniquilação. Justamente por isso, seria de esperar que suas lideranças fossem as primeiras a compreender que uma guerra entre potências nucleares não oferece uma segunda oportunidade para se corrigirem erros de cálculo.

No entanto, os vemos brincando com símbolos militares, discursos de mobilização, inimigos existenciais e horizontes de confrontação, como se ainda estivéssemos no mundo anterior a Hiroshima e Nagasaki. A ficção consiste precisamente nisso: representar a guerra como instrumento político disponível sem encarar até o fim o que ela poderia significar. E, se a confrontação escapar ao controle, não serão apenas governos, partidos ou alianças militares que pagarão o preço, mas a própria civilização que esses dirigentes afirmam estar defendendo.

Quem precisa da ameaça?

Então, perguntemos: quem está por trás de toda essa falsidade? Quem alimenta essa representação? Quem necessita dessa atmosfera permanente de ameaças? E por que uma ordem política em evidente crise de legitimidade parece encontrar na perspectiva da guerra uma das últimas narrativas capazes de justificar a sua própria continuidade?

A resposta mais simplória consistiria em explicar essa atitude como uma tentativa de manter regimes impopulares sob uma imaginária ameaça externa, ao mesmo tempo em que se condenam ou reprimem as forças políticas emergentes, apresentadas como agentes externos ou instrumentos de uma potência inimiga – no caso, vinculadas à “besta” russa.

Sem dúvida, há algo disso. A História oferece numerosos exemplos de governos que recorrem à ameaça externa para recompor coesões internas deterioradas, desacreditar adversários e justificar medidas que enfrentariam maior resistência em circunstâncias normais. Mas essa explicação é insuficiente. A crise não diz respeito apenas à legitimidade de um grupo de líderes europeus. Ela atinge o próprio sistema que os colocou nessa posição de poder – e é ele que está em crise.

A crise da ordem liberal-financeira

O chamado “mundo baseado em regras”, a globalização financeira, o livre comércio elevado à condição de dogma e a progressiva substituição da economia produtiva pela financeirização, estão sendo confrontados pelo retorno do Estado nacional soberano, das políticas industriais, da segurança energética, das cadeias produtivas estratégicas e da defesa dos interesses econômicos nacionais. Paradoxalmente, esse retorno do Estado nacional poderia representar também um caminho para que o Ocidente recuperasse parte de suas próprias raízes civilizatórias, essencialmente cristãs, nas quais o poder político não era concebido como absoluto, mas submetido a uma ordem moral superior.

Em profundidade, porém, o que se encontra por trás dessas quimeras é uma crise ainda maior: a crise do sistema liberal-financeiro organizado em torno de bancos centrais “independentes”, da autonomia crescente do poder financeiro em relação às comunidades nacionais e de uma concepção econômica que, ao longo de décadas, deslocou progressivamente o centro da riqueza da produção para as rendas financeiras. Esse sistema possui raízes históricas na formação da ordem comercial e financeira anglo-holandesa dos séculos XVII e XVIII, que posteriormente seria projetada sobre grande parte do mundo por meio das estruturas imperiais e financeiras britânicas e, depois, estadunidenses.

Com o passar do tempo, esse modelo adquiriu formas novas, mas conservou uma característica essencial: a capacidade do poder financeiro de se apresentar como uma realidade quase exterior à política, como se suas decisões fossem técnicas, neutras e independentes das escolhas soberanas das sociedades. É justamente essa arquitetura que hoje começa a ser questionada.

Uma religião secular sem promessa de redenção

O sistema profundo das oligarquias ocidentais perdeu a capacidade de gerar ideias e projetos capazes de mobilizar as sociedades em torno de um horizonte de futuro. Essa esterilidade se expressa também na mediocridade de grande parte das atuais lideranças, cada vez mais administradoras de uma ordem em crise do que criadoras de uma nova realidade política. A política liberal transformou-se, assim, em uma espécie de religião secular sem promessa de redenção. E esta talvez seja uma de suas características mais inquietantes.

Os grandes movimentos políticos dos séculos XIX e XX, mesmo quando conduziram sociedades inteiras à catástrofe, ainda prometiam alguma forma de redenção histórica: a sociedade sem classes, a grandeza nacional, o império, a revolução, o homem novo ou uma ordem futura supostamente definitiva.

A religião secular da ordem liberal em decomposição já não oferece sequer isso. Ela exige sacrifícios sem apresentar um paraíso futuro. Exige empobrecimento em nome da estabilidade, perda de soberania em nome das regras, desindustrialização em nome da eficiência e da “proteção” do meio ambiente, censura em nome da democracia e, finalmente, admite até mesmo o risco da guerra em nome da preservação de uma ordem cuja finalidade já não consegue explicar. Não existe mais uma verdadeira promessa de redenção. Existe apenas a promessa de que o sistema continuará existindo. Nas palavras do ex-chanceler da União Europeia, Josep Borrel, “nós somos o jardim do Éden, o resto é a selva”.

Nesse ponto, a política deixa de defender a sociedade e passa a exigir que a sociedade se sacrifique para defender o sistema. É precisamente aí que uma religião secular pode tornar-se autodestrutiva: quando a conservação da ordem existente passa a valer mais do que a conservação daqueles que vivem sob essa ordem.

Da minoria criadora à minoria dominante

Esse é, talvez, um dos sinais mais profundos de esgotamento civilizatório. Uma elite deixa de ser criadora quando já não consegue imaginar um futuro distinto da simples continuação de si mesma. O historiador inglês Arnold Toynbee percebeu com enorme profundidade esse fenômeno ao distinguir a minoria criadora da minoria dominante. Uma minoria criadora exerce liderança, porque oferece respostas capazes de inspirar adesão. Sua autoridade nasce de sua capacidade de responder aos desafios históricos e de produzir formas novas de organização, cultura e sentido. Quando essa capacidade desaparece, a antiga minoria criadora pode converter-se numa minoria dominante, que já não lidera porque inspira, mas conserva-se porque controla. A persuasão é progressivamente substituída pela disciplina; a imaginação, pela administração; o projeto, pela propaganda; e a confiança, pelo medo.

É nesse momento que o sistema corre o risco de transformar a própria crise em justificativa para continuar existindo. Quanto mais fracassa, mais exige poder. Quanto mais perde legitimidade, mais necessita de inimigos. Quanto menos consegue imaginar um futuro, mais dramaticamente precisa apresentar o presente como uma batalha existencial.

Quando o temporal ocupa o lugar do transcendente

Aqui, a reflexão do filósofo germano-estadunidense Eric Voegelin sobre as ideologias totalitárias como “religiões políticas” se encontra com a de Toynbee sobre a desintegração das civilizações. Quando uma sociedade perde a referência a uma ordem transcendente, a necessidade humana do absoluto não desaparece necessariamente. Ela pode simplesmente ser transferida. A nação, a raça, a classe, o partido, a revolução, o mercado, as “regras”, a democracia entendida não como regime político, mas como categoria moral absoluta – qualquer realidade temporal pode ser sacralizada e elevada a uma condição que já não admite questionamento.

Nesse processo, o temporal ocupa o lugar do transcendente. Mas há uma diferença decisiva entre os antigos movimentos políticos e essa possível religião secular de uma ordem esgotada. Os primeiros prometiam uma redenção futura. Essa última parece pedir o sacrifício presente apenas para impedir que o sistema desapareça. É uma religião secular sem escatologia, paraíso, homem novo e um horizonte verdadeiramente novo. Seu único futuro é a continuação indefinida do presente.

Quando o medo substitui a imaginação

Possivelmente, essa ausência de futuro é o que explica a crescente importância do medo: do inimigo externo; da ruptura; da dissidência; da perda do controle. O medo de que aquilo que durante décadas foi apresentado como inevitável deixe subitamente de sê-lo. Quando uma ordem não consegue mais produzir esperança, precisa produzir medo. E quando o medo substitui a imaginação, o conflito pode converter-se numa forma de legitimação. A guerra, então, deixa de ser apenas um instrumento externo de política e pode tornar-se uma necessidade interna do sistema. É justamente aí que os devaneios belicistas contemporâneos adquirem uma dimensão muito mais profunda do que a discussão cotidiana sobre a Rússia, Ucrânia, OTAN ou os gastos militares.

A questão passa a ser civilizacional. Uma ordem que perdeu a capacidade de imaginar o seu próprio futuro pode começar a aceitar riscos que, em condições normais, pareceriam impensáveis. Pode terminar confundindo a sobrevivência de suas estruturas com a sobrevivência da própria civilização. E essa confusão é uma das mais perigosas que uma elite possa cometer. Porque instituições, regimes econômicos e sistemas políticos são históricos. Civilizações são muito maiores do que eles. Quando um sistema passa a exigir que a civilização se arrisque para que ele próprio sobreviva, a relação entre meios e fins foi completamente invertida.

Os sinais de uma mudança de época

É nesse ponto que se torna possível falar verdadeiramente em autodestruição.

Uma civilização pode começar a autodestruir-se, não porque tenha deixado de acreditar, mas porque transformou a sua própria ordem histórica em objeto de crença absoluta. E quando os dirigentes deixam de imaginar um futuro diferente daquele que administram; quando a guerra começa a substituir a política; quando o medo substitui o projeto; quando a conservação das instituições passa a ser considerada mais importante do que as pessoas para as quais essas instituições deveriam existir; não estamos diante apenas de uma crise política ou econômica, mas de uma profunda crise civilizacional.

E quando uma elite perde a capacidade de imaginar, criar e persuadir, isto pode ser o sinal premonitório de que uma época está terminando. Mas não necessariamente de que a civilização esteja condenada. Pode significar exatamente o contrário: que as estruturas que já não conseguem responder aos desafios do presente estão abrindo espaço para outras formas de organização, outras ideias e uma recuperação de princípios que pareciam esquecidos. Porque a perda da imaginação de uma ordem não significa o fim da imaginação humana. E quando aqueles que governam já não conseguem conceber nada além da perpetuação de si mesmos, talvez, este seja precisamente o primeiro sinal de que algo novo começa a aproximar-se.

By Netanyahu’s own math, Gaza Is 3,900 September 11ths

By: A A
8 October 2026 at 14:00

By Larry C. JOHNSON

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Benjamin Netanyahu likes to translate Israel’s grief into American. At the United Nations last month, he took the dead of October 7 and multiplied them by the ratio of America’s population to Israel’s. The 1,200 Israelis killed that day, he said, were “equal to 40,000 innocent Americans slaughtered in less than 24 hours. That’s 16 times 9/11.”

Per-capita comparisons are a perfectly legitimate tool. A small country feels a massacre more than a large one, and Americans should understand what October 7 meant to Israelis. But a method is only honest if you’re willing to apply it to everyone. So let’s apply Netanyahu’s method to the people his army has been killing for three years.

Gaza had about 2.2 million people before the war. The United States has about 341 million, roughly 155 times as many. Take a conservative figure of 75,000 Palestinians killed in Gaza, slightly above the Gaza Health Ministry’s latest count of more than 73,000. Multiply it by Netanyahu’s own logic, and you get about 11.6 million Americans.

Eleven point six million. That is roughly the population of Ohio. It is more than ten times the number of Americans killed in every war the United States has ever fought, from the Revolution to Afghanistan. It is about 15 times America’s deaths in the Civil War, the bloodiest conflict in the nation’s history.

Measured in the unit Netanyahu chose, it is about 3,900 September 11ths.

Run the numbers in Israel’s own terms and the result is the same. Seventy-five thousand dead in a population of 2.2 million is the equivalent of about 340,000 Israelis. Netanyahu built a speech, a war and a foreign policy on 1,200. Imagine what he would say about 340,000.

The convenient multiplier

The prime minister’s defenders will object that the comparison is unfair because many of Gaza’s dead were Hamas fighters. Fine. Subtract every combatant the Israeli military claims to have killed, and apply the multiplier to what remains. Even 50,000 dead becomes nearly 8 million Americans, about 2,600 9/11s. You can argue over every death in the ledger, and the result is still measured in millions.

Netanyahu’s arithmetic has problems even on its own terms. Forty thousand Americans divided by the 2,977 who died on September 11 comes to about 13.4 9/11s, not 16. When the rhetoric needs a bigger number, it seems, the calculator rounds up.

But the real problem isn’t the rounding. It’s the selectivity. Netanyahu’s multiplier is designed to work in one direction only. It enlarges Israeli dead into an American catastrophe so that American audiences will feel what Israelis felt. Applied to Palestinians, it produces numbers so large they would make any American audience ask what, exactly, it has been paying for. That is why he never applies it to them.

What the comparison actually shows

The point of a per-capita comparison is to help outsiders grasp the scale of a loss. Netanyahu wants Americans to imagine 40,000 of their countrymen murdered in a day, and to understand everything Israel has done since as the natural response. Very well. Ask Americans to imagine 11.6 million of their countrymen dead, in a territory sealed off from escape, and to call it self-defense.

No American president would describe 11.6 million American dead as a proportionate response to anything. No American would accept that the dead deserved it because some of them were armed. And no one who has run the numbers can accept the premise of Netanyahu’s arithmetic, which is that Israeli lives scale up and Palestinian lives do not.

The method is Netanyahu’s. So is the answer it produces: by his own measure, the catastrophe in Gaza is about 290 times larger than the one he asks the world to remember.

Original article: sonar21.com

L’Occidente ha mentito su Bucha

By: A A
8 October 2026 at 10:30

Mosca è pronta a confrontarsi con il mondo intero sulle menzogne propagandate dagli occidentali. L’Occidente, invece?

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Il report Heirs of Goebbels

Dopo il 31 marzo 2026 ha cominciato a circolare in inglese un report di venti pagine intitolato Heirs of Goebbels: falsification of the events in Bucha and bloody staged performances of the Kiev regime. Lo firma il «Tribunale pubblico internazionale sui crimini dei neonazisti ucraini», organismo presieduto da Maksim Grigor’ev, che per il testo integrale rinvia al sito del Fondo russo per lo studio dei problemi della democrazia. La tesi sta già nel titolo: gli eventi di Bucha del marzo 2022 sarebbero stati falsificati dall’Ucraina con l’appoggio dei governi occidentali, secondo una tecnica che il testo accosta alla provocazione nazista di Gleiwitz del 1939.

Il documento merita una lettura attenta proprio perché non si limita alla negazione. A differenza delle smentite russe dell’aprile 2022, costruisce il proprio argomento su materiale ucraino verificabile: le targhe del memoriale, i necrologi militari, i siti commemorativi locali, le dichiarazioni della Presidenza. È su questo terreno che va discusso. La domanda che pongo qui è più stretta di quella del report e, credo, più utile: chi compare davvero sul Muro della memoria di Bucha, con quale qualifica, e che cosa succede quando una categoria commemorativa viene usata come categoria giuridica e statistica. La risposta chiama in causa tanto chi ha costruito la narrazione ufficiale quanto chi pretende di smontarla.

L’impianto è semplice. Dopo il richiamo a Gleiwitz, il testo elenca quattro metodi di falsificazione che il governo ucraino avrebbe impiegato: la presentazione come civili di militari caduti in combattimento; l’attribuzione alla Russia di morti causate dal fuoco ucraino; il conteggio tra le vittime di anziani morti di malattia; l’uccisione deliberata di propri cittadini davanti alle telecamere. Il bersaglio dichiarato è la formula ufficiale secondo cui il memoriale conterrebbe «509 nomi di civili identificati», formula che il report attribuisce al sito della Presidenza ucraina, al sindaco Anatolij Fedoruk, a Euronews e ai ministri europei presenti alla commemorazione del 31 marzo 2026.

Il nucleo del documento (pp. 3–12) è un elenco di circa trenta nomi, ciascuno accompagnato dalla foto della targa e, spesso, da un ritaglio di stampa ucraina. Li si può raggruppare in cinque classi. La prima comprende persone indicate come membri di Azov o di unità collegate: Jevhen Petraš, Jevhen Vas’kovyč, Illja Chrenov, Bohdan Knyščuk, Volodymyr Bisaha. La seconda riunisce militari regolari: il pilota Ruslan Bilous (Belous) della 7ª brigata di aviazione tattica e il suo compagno d’equipaggio Roman Dovhaljuk, il cecchino Oleh Cymbal della 80ª brigata d’assalto aereo, Vadym Smetans’kyj della stessa brigata, un colonnello dell’SBU, un maggiore del Dipartimento di protezione statale, il comandante della guardia al commissariato militare di Bucha. La terza raccoglie membri della difesa territoriale o di formazioni volontarie: Anatolij Korytko, Serhij Smyrnov, Oleksandr Blahodatnyj, Andrij Verbovyj, Mychajlo Bojčenko. La quarta riguarda civili che avrebbero preso parte ad azioni ostili: Oleksandr Šarava, uscito di casa con bottiglie incendiarie il 27 febbraio 2022; Vitalij Fesjuk, osservatore che trasmetteva i movimenti dei mezzi russi; Oleksandr Bondar, che secondo la stampa ucraina compiva ricognizioni per le forze armate. La quinta riguarda persone morte fuori dalla città (a Vorzel’, Moščun, Kopylov, Zdvizhevka, Guta-Mežigorskaja, Irpen’) e una donna di 68 anni, Halyna Semenjuk, morta di tumore.

A questo elenco il report aggancia due riferimenti giuridici corretti nella sostanza: l’art. 51, par. 3, del Primo Protocollo addizionale, per cui i civili perdono la protezione quando e per il tempo in cui partecipano direttamente alle ostilità, e un passo divulgativo del Comitato internazionale della Croce Rossa sullo stesso principio. Le pagine 12–20, infine, riportano sedici testimonianze su bombardamenti ucraini «a favore di telecamera». Nessuna riguarda Bucha: i testimoni parlano di Avdeevka, Ugledar, Toreck / Dzeržinsk, Lisichansk, Kurakhovo, in episodi che vanno dal 2021 al 2024. Il passaggio da quel materiale a Bucha è affidato a una frase esplicita: la pratica delle uccisioni deliberate «consente di concludere ragionevolmente» che lo stesso sia avvenuto anche lì.

Il quadro normativo

Il diritto internazionale umanitario definisce il civile per esclusione. Secondo l’art. 50 del Primo Protocollo è civile chiunque non appartenga alle forze armate come definite dall’art. 43, cioè a tutte le forze, i gruppi e le unità organizzati posti sotto un comando responsabile. In caso di dubbio la persona va considerata civile, e la presenza tra la popolazione di individui non civili non priva la popolazione del suo carattere civile. Il civile che partecipa direttamente alle ostilità resta civile, ma perde la protezione dagli attacchi per la durata della partecipazione. La Interpretive Guidance del CICR fissa per tale partecipazione tre requisiti cumulativi (una soglia minima di danno, un nesso causale diretto, un nesso bellico) e distingue il civile che agisce in modo episodico dal membro di un gruppo armato organizzato con funzione di combattimento continuativa, che perde la protezione per tutta la durata di tale funzione.

Due ulteriori norme contano per il caso di Bucha. La prima è la levée en masse: gli abitanti di un territorio non ancora occupato che, all’avvicinarsi del nemico, prendono spontaneamente le armi senza aver avuto il tempo di organizzarsi sono combattenti legittimi, se portano apertamente le armi e rispettano le leggi di guerra. La seconda è interna. La legge ucraina «Sui fondamenti della resistenza nazionale», in vigore dal 1° gennaio 2022, ha fatto delle Forze di difesa territoriale una componente delle Forze armate e ha istituito le formazioni volontarie delle comunità territoriali (DFTH) come unità paramilitari destinate a compiti di difesa territoriale. Chi apparteneva a queste strutture, per il diritto internazionale umanitario, non era un civile.

C’è però un punto che il report non tocca mai. Stabilire che una persona era un combattente non dice nulla su come sia morta. Un combattente catturato, ferito o arreso è hors de combat, e ucciderlo è un crimine di guerra.

Alla prova della guerra informativa

Secondo i commentatori occidentali, il report non è credibile, perché contiene alcune imprecisioni giuridiche. Degli errori tecnici ci possono stare, ma guardare il dito ignorando la luna è un errore madornale. A Bucha, il crimine è stato compiuto dagli ucraini, non dai russi. E c’è un crimine atroce che è divenuto uno strumento di propaganda, parte di una guerra informativa che era indispensabile per l’Occidente collettivo.

Bucha ha rappresentato uno dei momenti decisivi della guerra dell’informazione sviluppatasi intorno al conflitto russo-ucraino. Dopo il ritiro delle forze russe dalla città, le immagini dei cadaveri presenti nelle strade e le testimonianze raccolte sul posto furono rapidamente diffuse dai media internazionali, trasformandosi in un potentissimo dispositivo comunicativo. Tutto avvenne con estrema velocità, con i media occidentali che,  a reti unificate, diffondevano il materiale dappertutto, costruendo l’immagine della guerra come aggressione caratterizzata da atrocità sistematiche, nella quale la Russia veniva progressivamente rappresentata non soltanto come avversario militare, ma come responsabile di crimini contro la popolazione civile. Le immagini possedevano, in questo senso, una forza persuasiva superiore a quella di molte argomentazioni diplomatiche: il corpo del civile ucciso diventava una prova visiva capace di condensare in pochi fotogrammi un’intera interpretazione del conflitto.

Bucha assunse così una funzione strategica nella comunicazione occidentale e contribuì a consolidare il consenso pubblico alle sanzioni, all’isolamento diplomatico di Mosca e all’incremento dell’assistenza politica e militare a Kiev. Osservate come un evento tragico, come tragica è ogni guerra, sia stato trasformato in un’arma di guerra. Del valore dei morti, della verità delle loro biografie, a nessun media occidentale importava. L’unica cosa necessaria era incolpare la Russia e motivare l’escalation di un conflitto folle.

Ma la verità prima o dopo viene a galla.

È così che il Ministero degli Affari Esteri russo ha ha riportato il caso di Bucha al centro dell’attenzione internazionale. La portavoce Maria Zakharova ha dichiarato che Mosca intende sollecitare le Nazioni Unite a riesaminare gli eventi, sostenendo che l’ONU non avrebbe partecipato direttamente alle indagini svolte all’epoca, finendo invece per assumere come prevalente la versione fornita da Kiev. Pochi giorni dopo, anche il ministro degli Esteri Sergej Lavrov è tornato sull’episodio, denunciando quella che considera una pratica tipica della guerra dell’informazione: costruire rapidamente una narrazione, trasformarla in verità dominante e impedire che versioni alternative possano raggiungere il pubblico.

È precisamente questo, secondo Lavrov, il meccanismo attraverso cui l’Occidente avrebbe consolidato la propria interpretazione di Bucha. La prima narrazione occupa lo spazio informativo disponibile come una trincea vuota: una volta conquistata e difesa dai grandi media, sostituirla richiede uno sforzo enormemente maggiore. Nel caso di Bucha questo processo avrebbe impedito fin dall’inizio un esame realmente imparziale degli avvenimenti.

Resta dunque una questione centrale: perché riaprire oggi il dossier Bucha? Perché Mosca è pronta a confrontarsi con il mondo intero sulle menzogne propagandate dagli occidentali. L’Occidente, invece?

Was der Fall Hanning über die Korruption in Deutschland aussagt

8 October 2026 at 09:13
Ex-BND-Chef August Hanning wurde verhaftet, weil er seinen ehemaligen Büroleiter nach seinem Ausscheiden aus dem Amt dafür bezahlt haben soll, ihm gegen Bezahlung streng geheime Informationen weiterzugeben, die Hanning dann in seinem neuen Job als Berater gewinnbringend verwerten konnte. Der Spiegel hat unter der Überschrift „Verhaftung von Ex-BND-Chef – Der tiefe Fall des August Hanning“ […]

It was built to shield Russian crops from hail. Now it’s being pitched as a drone interceptor

8 October 2026 at 08:31

Alazan-6 anti-hail rockets

Russia has shown a drone interceptor built on the Alazan, a civilian anti-hail rocket, Militarnyi reported. The sample went on display at a weapons exhibition that Russian dictator Vladimir Putin toured at the Chebarkul training range in the Urals on 2 October.

Ukraine now sends drones at Russia by the hundreds, by Moscow's own count. Russia's Defense Ministry claimed its air defenses intercepted nearly 900 overnight into 6 October. Russia's missile-based air defense was built to repel aircraft raids and a few cruise missiles, not swarms of low-flying drones.

In May, Ukrainian intelligence said Russia was adding four regiments, 24 battalions, and 162 batteries to counter Ukrainian strike drones. The converted Alazan, which Militarnyi calls an anti-drone system, is one more piece of that search. Meanwhile, the commander of Ukraine's Unmanned Systems Forces, Robert Brovdi, said his forces struck 300 Russian air-defense assets between January and 19 September.

From hail reagent to shrapnel

Based on the size of the sample on display, the interceptor builds on the Alazan-2M or Alazan-6 series, Militarnyi assessed. The outlet put the stated cost at up to $12,000 per unit but did not say who named the figure. In civilian service, the rocket flies about 10 km, climbs up to 8 km, and carries about 0.5 kg of reagent. For air defense, the developers plan to replace that reagent with a fragmentation warhead.

Militarnyi's analysis of the published photos describes the front end as a steering assembly: four cruciform deflector fins, probably paired with a seeker or a fuze. At the rear sit folding stabilizers and the open nozzle of a solid-fuel motor, held in a metal cradle.

Anti-drone missile based on the Alazan, 2 October 2026
Anti-drone missile based on the Alazan, 2 October 2026. Photo: kremlin.ru

One sample among 300 exhibits

The Kremlin's account of the visit lists more than 300 weapons on display, including interceptor drones, but does not mention the rocket. Propaganda channel Russia 1 aired the interceptor in its report from the visit, and the Kremlin pool of state news agency RIA posted photos.

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