Benfica perdeu por apenas um golo na Dinamarca, diante do Holstebro (32-31), enquanto o Águas Santas não resistiu ao poderio dos alemães do Flensburg (22-36). Marítimo salvou a noite portuguesa com triunfo convincente sobre os espanhóis Bidasoa (40-32).
OBenfica voltou a ficar muito perto de pontuar na Liga Europeia de andebol, mas saiu da Dinamarca com a segunda derrota em dois jogos no Grupo F. As águias perderam por 32-31 diante do TTH Holstebro, num encontro marcado pelo equilíbrio e que chegou ao intervalo empatado (15-15). A formação encarnada manteve-se na discussão até aos últimos segundos, mas não conseguiu completar a recuperação. William Bogojevic e Álex Barbeito, ambos com sete golos, foram os melhores marcadores do Benfica.
Do outro lado esteve uma figura bem conhecida dos encarnados. Gustavo Capdeville, antigo guarda-redes do Benfica, defendeu agora as cores do Holstebro e reencontrou o antigo clube numa noite que terminou com festa dinamarquesa.
Na Maia, o Águas Santas ainda assustou o poderoso Flensburg-Handewitt. Os maiatos chegaram a liderar por 8-6, mas os alemães responderam com autoridade, alcançaram o intervalo a vencer por 18-10 e acabaram por se impor por 36-22. Tiago Sousa, com cinco golos, foi o melhor marcador da equipa de Marco Sousa, que permanece com um ponto no Grupo E.
Quem teve motivos para sorrir foi o Marítimo. Depois da derrota pela margem mínima frente ao Limoges na estreia, os insulares bateram o Bidasoa Irún por 40-32, num encontro que já dominavam ao intervalo (20-13). Délcio Pina foi a grande figura da formação madeirense, terminando com dez golos, enquanto Luciano Silva, Diogo Silva e Rúben Santos acrescentaram cinco cada num triunfo convincente que permitiu ao Marítimo celebrar a primeira vitória nesta edição da Liga Europeia.
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, comentou o caso Cristiano Ronaldo, dizendo também que estão perante um “mal-entendido”.
“Somos a primeira seleção europeia a ser classificada para os quartos de final. O que sentimos é que os portugueses voltaram a acreditar na seleção. É o resultado dos jogadores, da equipa técnica e do apoio desta estrutura. Temos gerações extraordinárias. Isto aconteceu em 14 dias de trabalho, foi o que nós prometemos”, começou por elogiar.
Quanto ao caso de Cristiano Ronaldo, repetiu Jorge Jesus ao falar de um “mal entendido”. “Conversas entre treinador e jogadores, o presidente da FPF não se mete. Estamos a falar do maior jogador de todos os tempos. Temos de fazer uma vénia ao Cristiano Ronaldo. Ele está na seleção nacional por mérito próprio. Ele faz parte da nossa seleção, é a nossa bandeira. O mister disse que ele pode ser convocado. Podia ter acabado a carreira na seleção após o Mundial, mas não o fez por amor”, comentou.
“Sou testemunha desta relação que Cristiano tem com o povo português, com a nossa seleção. Portanto, agora que terminaram estes 4 jogos, e era importante ter terminado com tranquilidade porque o tema desportivo era o que nos guiava, vamos ter todos tempo e tranquilidade para nos sentarmos e resolver um mal-entendido. E os mal-entendidos resolvem-se quando este triângulo que é a FPF, treinador e jogadores fazem parte deste processo. Ronaldo faz parte do nosso património e estará cá sempre que o mister assim o quiser”, garantiu.
Pedro Proença foi questionado se esta situação poderá abrir precedentes na seleção. “Com certeza que não está a ser uma casa sem regras. Estas dinâmicas acontecem dentro do grupo de trabalho. A FPF resolve as situações na sua própria casa. Volto a reiterar. Existe uma relação muitíssimo forte entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo. Se assim não fosse, se calhar Ronaldo já tinha abandonado a nossa Seleção. Não o faz por esta relação umbilical e respeito. Tudo o que vai acontecer nos próximos dias são momentos de tranquilidade, de conversa, de discussão e o que queremos é que em novembro possamos estar novamente todos com a nossa seleção”, concluiu.
Jorge Jesus reagiu, na quarta-feira (7), ao comunicado de Cristiano Ronaldo, no qual acusa o selecionador português de ter mentido e ter estado na origem da polémica que levou CR7 a deixar o último estágio da seleção.
À saída de casa e em declarações à CNN, Jorge Jesus não respondeu às acusações de que foi alvo. “Li o comunicado, e agora, como faço todos os dias, vou para a Federação trabalhar, pensar na equipa e na seleção. Não tenho mais nada a dizer”, comentou o treinador.
Recorde-se que Cristiano Ronaldo teceu duras críticas às decisões e à postura de Jorge Jesus durante e depois do jogo com a Noruega, que Portugal venceu. Em comunicado, o avançado do Al Nassr, de 41 anos, fala mesmo em “absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador”.
Cristiano Ronaldo pede desculpa aos adeptos e colegas de equipa por ter deixado o estágio, atitude que justifica com a “quebra de confiança” no selecionador. Antecipa ainda possível castigo e deixa porta aberta ao regresso.
Seis dias depois de ter abandonado o estágio da equipa das quinas na véspera do jogo com a Dinamarca, Cristiano Ronaldo cumpriu a promessa de dar a sua versão sobre o que se passou, acusando Jorge Jesus de ter faltado duas vezes à “palavra dada”, primeiro quando não o colocou em campo frente à Noruega e depois quando assumiu uma postura de “quero, posso e mando” na conferência de Imprensa antes da partida de Copenhaga, postura essa que “não manifestou, em privado, na véspera”.
Num extenso comunicado, Ronaldo confirmou a existência de uma reunião com Jesus a 48 horas do jogo com os dinamarqueses, na qual o selecionador terá concordado abordar, no início da referida conferência de Imprensa, um texto com oito pontos. Nessa espécie de guião, que foi escrito após outra reunião em que também estiveram presentes Simão Coutinho (diretor-desportivo do Al Nassr) e, por videoconferência, Tiago Craveiro (ex-diretor geral da FPF e atual funcionário de uma das empresas do craque madeirense), não estava incluído, segundo CR7, um “pedido de desculpa” do técnico por não o ter lançado em Oslo depois de o colocar a aquecer e de lhe ter pedido para jogar 30 minutos, quando o plano inicial, acordado entre ambos, era de Ronaldo jogar o primeiro e o último jogo dos quatro realizados por Portugal na Liga das Nações.
“Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade”, refere o avançado, que pede “desculpa aos adeptos” por não ter ido agradecer ao relvado após o jogo na Noruega e também aos “companheiros de seleção” por ter abandonado o estágio: “Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é minha. Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí”.
Em relação ao futuro, Ronaldo deixa em aberto um possível regresso, apesar de antecipar uma suspensão por ter violado os regulamentos. “A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela FPF, sem atenuantes. Sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante”, escreveu o madeirense. “Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa seleção”, concluiu, prometendo ainda aos adeptos “um ou mais jogos de despedida”, neste caso sem ser forçosamente com a camisola das quinas.
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