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Mais de metade dos portugueses recorreu a crédito para pagar faturas, aponta estudo

By: Lusa
20 October 2026 at 17:29

Mais de metade dos portugueses (53%) recorreu a dinheiro emprestado ou a cartões de crédito nos últimos seis meses para pagar as suas contas, numa percentagem que sobe para 79% entre os rendimentos abaixo da média, refere um estudo.

De acordo com o “European Consumer Payment Report 2025” (ECPR) da Intrum, que inquiriu mil pessoas em Portugal, este recurso ao crédito acontece apesar da confiança demonstrada pelos consumidores na gestão das finanças do dia-a-dia.

Segundo os resultados, 79% dos inquiridos têm confiança na sua capacidade para pagar todas as contas mensais e 70% dizem conseguir fazer face a uma despesa imprevista sem pedir dinheiro emprestado, dois indicadores que sobem face ao verificado em 2025 (71% e 57%, respetivamente).

Face ao inquérito anterior, o estudo da Intrum verificou um aumento do número de respondentes que pagaram pelo menos uma fatura após o prazo de vencimento (de 22% para 24%) e da população que utiliza inteligência artificial (IA) para gerir as suas finanças pessoais (de 8% para 33%).

O estudo apontou ainda que 17% dos inquiridos são considerados financeiramente frágeis, contra 26% no ano passado, e que 38% utilizaram a opção de pagamento “compre agora, pague depois” (BNPL, Buy Now Pay Later, na sigla em inglês). Este tipo de pagamento é utilizado de forma particularmente elevada por consumidores com rendimentos abaixo da média (73%). No entender dos autores do estudo, as soluções de pagamento flexíveis “ganham cada vez mais espaço nos hábitos de consumo, afirmando-se como uma ferramenta de gestão do orçamento”.

Durante o período analisado, quase um em cada quatro consumidores (24%) tiveram uma fatura paga com atraso. Três em cada quatro consumidores (75%) pagam as faturas dentro dos prazos, abaixo dos 77% um ano antes, enquanto a proporção da população que se atrasou no pagamento de entre duas a quatro faturas subiu de 10% em 2025 para 17% este ano.

Entre as principais causas para os atrasos nos pagamentos estão o esquecimento do pagamento (59%) e a falta de dinheiro para realizar estas operações (24%). Já os problemas técnicos são responsáveis por 13% dos atrasos.

O estudo aponta que 20% dos inquiridos contraíram empréstimos pelo menos uma vez nos últimos seis meses para pagar faturas — acima dos 18% um ano antes — e que metade recorreu ao cartão de crédito para pagar contas no mesmo período — acima de 46% em 2025.

O cartão de crédito foi, de resto, mais utilizado pelos boomers — nascidos entre 1946 e 1964) –, com 67%, que pelos millennials — nascidos entre 1981-1996.

No conjunto do país, o índice de gestão financeira desenvolvido pela Intrum registou uma subida de dois pontos face a 2025, para 82 pontos, “evidenciando uma melhoria global na capacidade dos consumidores para gerir as suas finanças”, tendo havido subidas em todas as gerações, com exceção dos ‘boomers’, que se mantiveram em 83 pontos.

Os inquiridos com dificuldades de pagamento apontaram o aumento do custo de vida (59%), as despesas inesperadas (46%) e a estagnação dos salários (38%) como as principais causas de pressão financeira, todos com subidas face a 2025 e acima da média europeia (43%, 31% e 28%, respetivamente).

Entre os portugueses, 72% dizem poupar mensalmente para situações de emergência (acima de 60% em 2025 e da média europeia de 66%) e que 65% privilegiam a poupança, “mesmo quando exige sacrifícios pessoais” (63% em 2025 e média europeia de 49%).

O inquérito para a Intrum foi realizado entre 09 de julho e 20 de agosto e conduzido pela FT Longitude em 20 países europeus, junto de 20.000 consumidores.

Caixa tem mais 95 milhões de garantia pública para jovens

By: ECO
20 October 2026 at 13:45

A Caixa Geral de Depósitos teve um reforço de 95 milhões de euros da garantia pública no crédito à habitação para os jovens, segundo um despacho publicado esta terça-feira em Diário da República.

O aumento da quota do banco público, o segundo desde o lançamento da linha no final de 2024, tem por base um pedido da própria instituição, depois de ter esgotado o montante que havia sido atribuído, e o facto de prever realizar mais operações neste segmento.

Lançada no final de 2024, a linha de garantia pública para jovens ascende agora a 2,4 mil milhões de euros. O esquema — criticado pelo Banco de Portugal — termina no final deste ano e o Orçamento do Estado para 2027 prevê já um prolongamento da medida, embora o ministro das Finanças tenha dito que essa extensão ainda terá de ser formalizada.

Segundo o Banco de Portugal, no final de junho de 2026, estavam utilizados 56% (1.146 milhões de euros) do montante total atribuído (àquela data) pelo Estado para garantia no âmbito deste regime.

Esta linha destina-se a jovens entre os 18 e os 35 anos que pretendam adquirir a sua primeira habitação própria permanente.

Para aceder a este mecanismo, os candidatos têm de cumprir cumulativamente vários requisitos, incluindo auferir rendimentos que não ultrapassem o 8.º escalão do IRS e não ser já proprietário de uma outra casa.

A garantia pública tem o intuito de ajudar a viabilizar o financiamento de um prédio urbano ou de fração autónoma de prédio urbano em transações até 450 mil euros. Este limite aplica-se ao valor mínimo entre o preço de aquisição e o valor da avaliação do imóvel.

O Estado garante até 15% do valor da transação do imóvel. Por exemplo, numa casa de 200 mil euros, a garantia do Estado pode ir até 30 mil euros. No entanto, esta percentagem é ajustada proporcionalmente se o banco financiar menos de 100% do valor da transação.

Os 10% mais ricos concentram 59% da riqueza das famílias

20 October 2026 at 11:16

Ordenando as famílias portuguesas das mais pobres para as mais ricas, os 10% do topo ficaram, em média, com 59% da riqueza líquida do país entre 2010 e 2025, enquanto as famílias com riqueza abaixo da mediana (que são metade do total) ficaram apenas com 6% desse bolo. Os números constam das contas de distribuição da riqueza, estatísticas experimentais do Banco de Portugal que passam a estar disponíveis esta terça-feira numa nova plataforma de dados do supervisor.

Conhecidas internacionalmente como Distributional Wealth Accounts (DWA), estas contas são produzidas trimestralmente no âmbito do Sistema Europeu de Bancos Centrais e juntam os dados macroeconómicos das contas nacionais à informação sobre as famílias recolhida no Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), mostrando assim o valor total da riqueza e a forma como se divide por três grupos: os 10% mais ricos, as famílias entre a mediana e esse topo, e as que estão abaixo da mediana.

De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal, no final de 2025, a riqueza líquida das famílias portuguesas totalizava 1.196 mil milhões de euros, cerca de 388% do PIB, e tem crescido desde 2010. A única exceção foi o período entre 2011 e 2013, em que diminuiu.

No primeiro trimestre de 2026, o valor subiu para 1.214 mil milhões de euros, mais 7,6% do que um ano antes. Desse total, 714 mil milhões (59%) estavam nas mãos do top 10% e 72 mil milhões nas das famílias abaixo da mediana.

O índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição da riqueza numa escala de 0 a 100 (em que 0 corresponde a igualdade perfeita e 100 a toda a riqueza numa só família), era de 72,5 em Portugal no primeiro trimestre de 2026. Na área do euro, o valor era de 73,1.

Entre os países analisados, o índice varia entre os 77 da Finlândia e da Áustria e os 53 de Malta. O Banco de Portugal conclui que a desigualdade evoluiu de forma semelhante em Portugal e na área do euro entre 2010 e 2025, tendo aumentado ao longo da década de 2010, diminuído no final desse período e voltado a subir nos anos seguintes.

Composição do património de ricos e “remediados”

A diferença da riqueza entre grupos não está só no valor da riqueza acumulada, mas também na composição do património. Em média, entre 2010 e 2025, os imóveis representaram 52% dos ativos das famílias, à frente dos depósitos (19%) e das participações em capital (16%).

A habitação é assim o principal ativo das famílias portuguesas. Na estatística apresentada pelo Banco de Portugal, os imóveis incluem a residência principal e outros imóveis residenciais que não sejam usados na atividade empresarial.

O peso da habitação varia, porém, muito consoante o nível de riqueza. No final de 2025, os imóveis representavam mais de 70% dos ativos das famílias abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos das que pertencem ao top 10%.

As famílias mais ricas têm um conjunto de ativos mais diversificado, com maior peso das participações em capital, detidas em empresas cotadas ou não cotadas em bolsa, e de outros ativos, como títulos de dívida e fundos de investimento.

No lado das dívidas, os passivos das famílias somavam 167 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, dos quais 77,4% eram empréstimos à habitação. Os ativos totalizavam 1.382 mil milhões.

O supervisor sublinha que são estatísticas experimentais, com metodologia ainda em desenvolvimento, e que os resultados podem diferir dos do ISFF. Na habitação, por exemplo, o ISFF assenta na avaliação feita pelas famílias, e estas contas ancoram-se na evolução do stock de habitação das contas nacionais. Ficam também de fora os direitos associados a pensões e o numerário em carteira.

Ter uma casa em Lisboa e no Porto já não cabe num só salário. Quanto é preciso ganhar para ter um teto?

20 October 2026 at 07:05

Portugal registou no segundo trimestre a maior subida do preço das casas na União Europeia, que se traduziu num aumento de 16,5% num ano, segundo dados do Eurostat. Nas duas maiores cidades do país, este movimento de preços é só mais um sinal da pressão sobre o mercado da habitação nos últimos anos.

Um trabalhador que receba o salário médio de Lisboa e viva sozinho, tem de entregar 54% do ordenado líquido para arrendar um T1 na capital. Com o salário mínimo, a renda desse…

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