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Entenda como onda de protestos tomou conta da Europa

22 October 2026 at 18:07

Uma onda de protestos se espalha por diversos países da Europa, impulsionada por uma combinação de fatores que inclui insatisfação com o custo de vida, crise habitacional e dificuldades na manutenção dos serviços públicos.

A editora de Internacional da CNN Mariana Catacci explica, ao Live CNN, como essas questões têm provocado insatisfação popular e ampliado os desafios políticos no continente. O movimento, que ganhou força inicialmente na França, já se expandiu para outros países do continente, colocando governos sob crescente pressão popular.

Segundo Mariana Catacci, os protestos não seguem uma pauta única. “Eles são causados por vários fatores que, somados, levaram a população de vários países às ruas”, afirmou. Ao todo, ao menos sete países registraram manifestações nos últimos dias.

França lidera em número de detenções

Na França, a insatisfação começou com estudantes do ensino médio e rapidamente atraiu professores, universitários e cidadãos descontentes com o aumento do custo de vida.

O país concentra o maior número de detenções relacionadas aos protestos: mais de duas mil pessoas foram presas até o último fim de semana, tornando-se o epicentro mais expressivo da agitação social no continente.

Crise de habitação mobiliza Espanha e Portugal

Na Espanha, um grande protesto foi deflagrado após o despejo de uma mulher de 87 anos, episódio que se tornou símbolo da crise habitacional que afeta o país.

Em Portugal, a situação é semelhante: o custo da moradia cresceu de forma desproporcional em relação ao restante da Europa nos últimos anos, gerando forte insatisfação popular. Ambos os países enfrentam manifestações de grande porte motivadas pela dificuldade de acesso à habitação.

Confrontos na Itália e protestos na Grécia e Albânia

Na Itália, a principal praça de Milão precisou ser esvaziada devido a confrontos entre manifestantes e a polícia.

A Grécia também registrou protestos, enquanto a Albânia apresenta uma situação considerada peculiar: além das manifestações por educação e custo de vida, há descontentamento da população com um empreendimento que deve ser feito na Albânia ligado a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A venda de áreas preservadas do litoral albanês para a construção de um resort de luxo tem gerado acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Edi Rama.

Desafio comum: sustentar serviços públicos

De acordo com Mariana Catacci, o denominador comum entre os países é a dificuldade dos governos em manter os serviços públicos funcionando sem onerar excessivamente os cofres públicos.

“O que a gente vê é uma certa incapacidade dos governos de conseguir sustentar os serviços públicos”, disse. Países como França e Grécia, por exemplo, registram níveis recordes de dívida pública na Europa. O movimento, segundo a editora de Internacional, tende a se ampliar e a atrair cada vez mais setores da população.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Macron proíbe realização de protestos não sindicais na França

22 October 2026 at 12:25

Os protestos não organizados por sindicatos “serão proibidos” no sábado (24) e nos próximos dias, anunciou o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (22), enquanto as autoridades tentam restabelecer a calma após manifestações no fim de semana evoluírem para os piores distúrbios no país em décadas.

“Qualquer pedido para realizar manifestações ou reuniões — especialmente aqueles feitos por indivíduos ou grupos sem legitimidade para isso — será proibido”, afirmou Macron após presidir uma reunião do conselho de segurança com a participação de ministros e serviços de inteligência. “Este não é o momento; nossa prioridade é o retorno à calma.”

Caso os sindicatos apresentem pedidos para realizar protestos, as autoridades irão analisá-los, mas oferecerão trajetos alternativos “para proteger os centros de nossas cidades — especificamente nossos estabelecimentos comerciais e edifícios públicos”, acrescentou Macron.

O principal sindicato estudantil da França, a UNEF, convocou novas manifestações para sábado, enquanto a CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, afirmou que participará dos protestos.

As autoridades francesas prometeram uma presença policial “maciça” nas ruas e impuseram toques de recolher localizados em algumas cidades ao longo desta semana, após enfrentarem críticas por não terem previsto a dimensão da violência no fim de semana passado.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

Políticos franceses culpam líder da esquerda por onda de violência

22 October 2026 at 11:00

Adversários políticos da centro-esquerda à direita se voltaram contra Jean-Luc Mélenchon e seu partido, LFI (França Insubmissa), acusando-os de alimentar a pior onda de distúrbios civis na França em anos.

Mélenchon, que lançou sua quarta candidatura à Presidência em maio e continua sendo a principal esperança da esquerda de chegar ao segundo turno da eleição do próximo ano, enfrenta críticas crescentes desde que os distúrbios atingiram várias cidades francesas. Seus opositores afirmam que anos de discurso confrontador contribuíram para aumentar as tensões que agora chegam às ruas.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu intensificou os ataques na terça-feira (20), dizendo a um parlamentar da LFI que a “agenda política de instilar violência e caos no país” do partido estava agora “totalmente exposta”.

O líder de 75 anos rejeitou as sugestões de que a LFI tenha responsabilidade pelos distúrbios. Em vez disso, acusou o governo de não enfrentar problemas sociais e econômicos profundamente enraizados nos subúrbios mais pobres da França.

Os ataques ressaltam tanto a posição central de Mélenchon na política francesa quanto o desconforto que ele provoca enquanto o país se aproxima de uma eleição presidencial que deve colocar forças antissistema cada vez mais fortes contra um centro político enfraquecido.

Os distúrbios reforçaram esse contraste, deslocando o foco para a esquerda e permitindo que Marine Le Pen, do partido de direita RN (Reagrupamento Nacional), adotasse um tom mais presidencial ao abordar a segurança pública, tema que tradicionalmente favorece seu espectro.

Ainda assim, com o cenário político francês fragmentado em três blocos rivais e os partidos tradicionais de centro-esquerda e centro-direita em dificuldades, analistas afirmam que Mélenchon continua sendo uma força política considerável.

Apoio dos jovens e a “Nova França”

A LFI construiu sua base de apoio mobilizando eleitores mais jovens, muitos dos quais se desiludiram com a política tradicional. Uma pesquisa do IFOP para a emissora LCI, publicada neste mês, colocou Mélenchon com 16,5% das intenções de voto, atrás dos 36% de Le Pen, mas à frente de todos os outros candidatos tradicionais.

Uma pesquisa do instituto Cluster17 constatou que quase metade dos jovens de 18 a 24 anos e mais de um terço dos eleitores de 25 a 34 anos apoiariam Mélenchon.

Isso fez dele uma voz importante para muitos estudantes envolvidos no movimento de protestos e nos distúrbios mais amplos que abalam a França nas últimas semanas.

No entanto, Frédéric Dabi, diretor do instituto de pesquisas IFOP, afirmou que os distúrbios podem reforçar uma das maiores fragilidades eleitorais de Mélenchon: sua dificuldade para conquistar eleitores mais velhos.

“A percepção de que Jean-Luc Mélenchon foi indulgente demais com os responsáveis pela violência é uma linha vermelha absoluta para uma grande parcela do eleitorado”, disse Dabi.

Ainda assim, o partido também construiu forte apoio em áreas urbanas mais pobres e entre muitos eleitores de origem imigrante, que se identificam com a visão de Mélenchon de uma “Nova França”: uma república multicultural que acolhe a diversidade étnica e religiosa e concede maior representação política a comunidades que frequentemente se sentem ignoradas.

Apoiadores afirmam que isso reflete realidades sociais, e não uma política baseada em identidade.

“É a síntese única entre um programa de ruptura revolucionária e o desejo de governar o país”, disse à Reuters o parlamentar da LFI Hadrien Clouet.

Segundo Clouet, isso significa combater a desigualdade e reverter décadas de transferência de riqueza para o setor financeiro e uma pequena elite oligárquica.

Críticos, porém, afirmam que a LFI frequentemente confunde os limites entre o protesto democrático e formas mais radicais de mobilização política.

Discurso de insurreição sob escrutínio

Mélenchon recorre com frequência à linguagem de insurreição popular. Durante a crise das aposentadorias de 2023, pediu aos apoiadores que “derrubassem a cidadela” do governo do presidente Emmanuel Macron e, em algumas ocasiões, falou favoravelmente da “insurreição cidadã” como uma força democrática.

Apoiadores afirmam que essa linguagem se refere à mobilização política em massa, não à violência. O partido defende oficialmente ações não violentas.

A LFI e seus aliados argumentam que algumas acusações têm motivação política. Nesta semana, o veículo investigativo Mediapart informou, citando um agente de inteligência não identificado, que autoridades haviam recebido instruções para retratar a LFI como responsável pelo movimento de protestos, apesar do que a fonte descreveu como falta de provas. O governo negou a acusação.

Ainda assim, adversários afirmam que as mensagens de Mélenchon são frequentemente ambíguas de propósito.

“Eles dizem ser contra os vândalos, mas, ao mesmo tempo, justificam o uso de máscaras em manifestações”, disse Sylvain Maillard, do partido Renascimento, de Macron. “Nunca acalmam a situação. Sempre dizem que a culpa é da polícia. Eles querem o caos.”

O ex-presidente socialista François Hollande, no entanto, alertou contra a possibilidade de transformar Mélenchon no único foco do debate.

“Não foi um partido político ou uma pessoa que jogou combustível no fogo”, disse Hollande à rádio France Inter. Embora tenha criticado a LFI por, às vezes, estabelecer uma equivalência entre a violência dos manifestantes e a violência policial, ele afirmou: “Fixar-se na LFI é deixar de enxergar o que está acontecendo no país.”

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

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