O cinema brasileiro ganha um super-herói que está longe de corresponder à imagem tradicional de um salvador da sociedade. Baseado nos quadrinhos da cartunista Laerte Coutinho, o filme Overman chega aos cinemas de todo o Brasil em nesta quinta-feira, 22 de outubro, misturando comédia, crítica social e uma boa dose de autodepreciação para discutir temas como masculinidade tóxica, corrupção, insegurança e crise existencial. Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, o diretor Tomás Portella, a produtora Iafa Britz e os atores Caco Ciocler, Karina Ramil, Victor Lamoglia e Maria Lucas falaram sobre os desafios de levar o personagem para as telonas e construir uma história que utiliza o humor para questionar comportamentos presentes na sociedade brasileira.Horários, cinemas e mais: acesse o Cineinsite AQUI e veja onde os filmes estão passando em Salvador.
Criado por Laerte em 1998 e popularizado pelas tirinhas publicadas na Folha de S.Paulo, Overman é um herói de poderes extraordinários que enfrenta problemas bastante comuns: está desempregado, endividado, vive entre excessos e atravessa uma profunda crise existencial.Interpretado por Caco Ciocler, o personagem recebe uma proposta do Governador, vivido por Otavio Muller, para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública. A oportunidade parece ser a chance de recuperar o prestígio e encontrar um propósito para a própria vida.No entanto, o novo emprego traz um desafio inesperado. Ao lado de Pâmela, a Mulher Cachorro, interpretada por Karina Ramil, Overman precisa lidar com uma parceira que demonstra ser mais competente, preparada e admirada do que ele. A perda do protagonismo coloca em evidência suas inseguranças e sua dificuldade de aceitar que outra pessoa possa ocupar o centro das atenções.Para Portella, transformar o universo das tirinhas em um longa-metragem foi uma oportunidade de explorar as contradições do personagem sem perder a essência da obra original.
Trazer o universo da Laerte para o cinema é um privilégio. Estamos inaugurando esse caminho com Overman, mas acho que ela tem potencial para render muitos filmes e muitas outras coisas.
Tomás Portella - Diretor
Overman transforma as contradições de um herói em comédiaUm dos principais desafios da adaptação foi construir uma narrativa que funcionasse como um filme, mantendo a liberdade criativa e o humor característicos dos quadrinhos. Segundo Portella, as tirinhas permitem que a autora transite entre diferentes situações sem necessariamente precisar estabelecer uma continuidade entre elas.
É um grande desafio, porque o Overman é um personagem complexo, contraditório, errado. É um personagem feito para ser amado justamente pelas características de que ele menos gosta em si mesmo.
Tomás Portella - Diretor
“Essas contradições são muito estimulantes para fazer um filme. Acho que a parte mais difícil é conseguir trazer uma coerência para essa história, porque as tirinhas não precisam necessariamente ter coerência. A Laerte vai de uma história para outra, volta, brinca com as situações. Então, fazer com que esse personagem, mesmo sendo todo errado, seja admirado pelo público é o grande desafio”, acrescenta.A complexidade do protagonista também foi um dos pontos que mais chamaram a atenção de Caco Ciocler durante a preparação para o papel. Para o ator, o humor de Laerte exige uma relação de descoberta com o material, já que nem sempre as situações apresentadas nas tirinhas oferecem uma interpretação imediata.
Esse humor não é fácil de decifrar. O Tomás até lembrou que existe uma comunidade chamada ‘Não Entendi, Laerte’, porque não é algo simples de compreender. E isso é genial na obra dela. Eu voltava às tirinhas inúmeras vezes para tentar entender do que estava rindo, por que estava emocionado, por que estava fascinado. E a resposta não era simples.
Caco Ciocler - Ator
O ator também destaca que o equilíbrio entre a dimensão dramática do personagem e a proposta cômica do filme exigiu atenção durante todo o processo.“Da minha parte, posso dizer que encontrar esse equilíbrio entre o humor, a crítica, a autocrítica e as questões que existem dentro desse personagem foi um dos maiores desafios. São coisas muito profundas para mim, principalmente quando penso nesse cara existencialista, que vive uma crise existencial”, afirma.Ciocler afirma que interpretar o personagem de maneira excessivamente séria poderia comprometer a proposta da produção. “Se eu levasse o personagem muito a sério, às vezes o filme acabaria se tornando um drama. Ao mesmo tempo, eu sabia que existia um compromisso com o humor, com esse tipo de humor que não é fácil de decifrar. Foi um tour de force.”
Herói foi criado por Laerte em 1998
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Foto: Divulgação
O processo de construção da narrativa também envolveu questionamentos constantes sobre as escolhas feitas durante as gravações.“A lembrança que tenho é que, todos os dias, a gente levava o próprio filme para o divã. Terminávamos o set e começávamos a nos perguntar: ‘Gente, será que estamos indo pelo caminho certo? Será que isso vai dar certo? E se tentássemos tal coisa ou mudássemos outra?’. Acho que foi isso: levamos esse filme para o divã durante todo o processo”, relembra o ator.Masculinidade tóxica está no centro da históriaEmbora seja uma comédia de super-herói, Overman utiliza as fragilidades do protagonista para questionar comportamentos masculinos e expor contradições que ultrapassam a ficção. A crise de autoestima do personagem, a necessidade de demonstrar uma segurança que não possui e a dificuldade de reconhecer as próprias limitações estão entre os elementos que sustentam a sátira. Portella explica que o protagonista funciona como uma ampliação de conflitos presentes na realidade de muitos homens brasileiros.
No fundo, é isso: o Overman é um ‘over’ dos conflitos que vivem muitos homens no Brasil. Ele representa desde a insegurança e a necessidade de demonstrar uma segurança que não existe até a convicção de falar sobre coisas que não entende.
Tomás Portella - Diretor
O diretor ressalta que o personagem foi construído para provocar uma reflexão sobre a masculinidade contemporânea, sem transformar seus comportamentos em exemplos a serem seguidos.“Ele tem um conjunto de características que são, ao mesmo tempo, uma brincadeira e uma crítica muito grande à masculinidade dos nossos tempos. E acho que é isso que o Caco estava falando: se você tratar tudo isso de maneira muito séria, corre o risco de convencer alguém de que o personagem está certo. E aí é um desastre, porque a mensagem principal que as pessoas precisam entender é que ele está errado. Caso contrário, estaríamos prestando um desserviço”, completa.A produtora Iafa Britz também teve participação importante na construção desse olhar crítico. Ao comentar o processo de desenvolvimento do roteiro, ela destacou a satisfação de trabalhar com uma equipe disposta a reconhecer os próprios conflitos e utilizá-los como matéria-prima para a história. “Foi muito satisfatório poder olhar para eles e dizer: ‘Vocês têm lugar de fala’. Foi muito satisfatório”, afirma.Portella recorda que a observação da produtora o ajudou a superar um momento de insegurança durante a revisão do roteiro. “Teve um momento, durante a última revisão do roteiro, em que eu travei e pensei: ‘Cara, mas para onde a gente vai? Como é que eu vou fazer isso?’. Aí, a Iafa me ligou e disse: ‘Tomás, para com isso. Você tem lugar de fala, você é um boy branco, entendeu? Tem todos esses conflitos dentro de você. Vai lá e escreve!’.”Segundo o diretor, a conversa permitiu que ele encarasse o projeto com mais liberdade e entendesse que a crítica precisava partir também do reconhecimento das próprias contradições. “Somos boys que tentam se desconstruir, mas ainda carregamos tudo de mais feio que existe nessa nossa educação. Então, como expor isso? Como colocar o nosso subconsciente em jogo? A Iafa ajudou muito a gente nesse sentido”, diz.A elaboração do roteiro ficou a cargo de Portella, Arnaldo Branco e Leandro Soares. A proposta, segundo o diretor, era transformar comportamentos e conflitos reconhecíveis em uma sátira que não perdesse a dimensão humana do protagonista.Personagem nasceu de uma relação complexa com a masculinidadeA interpretação de Overman também exigiu atenção à trajetória artística de Laerte, cuja relação com o personagem ultrapassa a criação de um super-herói convencional. Para Ciocler, compreender essa dimensão foi importante para construir o protagonista sem reduzi-lo a uma figura simplesmente ridícula.
É algo que também temos feito questão de repetir: não podemos esquecer que esse personagem foi escrito pela Laerte, que passou por um processo de transformação. Então, não é por acaso que ela quis entrar em contato com esse masculino, olhar para ele, tirar sarro dele e também sentir piedade dele.
Caio Ciocler - Ator
O ator destaca a complexidade da relação entre a cartunista e a figura masculina que desenvolveu nos quadrinhos. “Existe uma relação muito complexa da Laerte com esse cara, com esse masculino que ela colocou para fora e com o qual passou a dialogar. Isso sempre esteve muito presente no nosso processo.”Portella acrescenta que a própria trajetória do personagem nas tirinhas ajudou a equipe a compreender as possibilidades de interpretação da obra. Em determinadas histórias, Overman aparece usando roupas femininas, sem que isso represente uma transformação definitiva de sua identidade.“Nas tirinhas, existe toda uma parte em que o Overman vira cross-dresser e começa a se vestir de mulher. Mas não é que ele passe por uma transformação definitiva ou se torne trans. Ele usa roupas femininas, mas continua sendo o Overman”, explica.
Herói foi criado por Laerte em 1998
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Foto: Divulgação
O diretor relaciona esses elementos à dimensão psicológica da criação da personagem e conta que a equipe chegou a desenvolver uma análise do protagonista durante a preparação do roteiro. “Ali, você consegue perceber a gênese desse processo psicanalítico da autora, que não envolve apenas a nossa experiência, mas acho que acaba misturando o processo de todo mundo."Inclusive, a nossa produtora estava estudando psicanálise, embora ainda não tivesse se formado, e sentamos juntos para construir um perfil psicanalítico do Overman enquanto trabalhávamos no roteiro”, completa.Ele conta que a contribuição de Britz foi importante para aprofundar a abordagem do personagem. “Ela analisou o personagem e, em determinado momento, disse que a abordagem precisava ser psiquiátrica, porque a psicanálise era para compreender tudo o que ele era. Essa ajuda foi muito importante para o processo.”A produtora relembra a experiência com bom humor. “Foi muito legal isso. Olha como o Tomás é inteligente! Ele me seduziu totalmente. Ele sabia exatamente o que estava fazendo e, aí, falou: ‘Pronto, é aí’. Foi muito divertido mesmo.”Pâmela e as personagens femininas desafiam o protagonistaSe Overman precisa lidar com a própria insegurança, a presença de Pâmela, a Mulher Cachorro, torna esse conflito ainda mais evidente. Interpretada por Karina Ramil, a heroína conquista espaço por sua competência e passa a dividir o protagonismo com o personagem principal, sem se submeter às expectativas dele.Para Ramil, a força das personagens criadas por Laerte está justamente na capacidade de representar aspectos reconhecíveis da sociedade por meio do humor.“Eu adoro os personagens que a Laerte criou. Acho os vilões hilários, além dos personagens bonzinhos. Se a gente olhar para o Maníaco Flatulento, o Capitalista Imundo e a Bunny, por exemplo, percebe como eles falam muito sobre a realidade. A Laerte é muito sagaz nisso. Os quadrinhos têm muito essa característica: você precisa fazer um recorte de alguma coisa e transmitir uma ideia rapidamente”, comenta.A atriz também chama a atenção para a autonomia das mulheres que aparecem no longa.
As personagens femininas também são muito interessantes, tanto a minha quanto a da Maria. São personagens engraçadas, batalhadoras, que querem fazer e acontecer e não se curvam ao Overman. Acho que temos muitos personagens interessantes nesse filme. A Laerte criou tantos que daria para fazer vários filmes!
Karina Ramil - Atriz
Maria Lucas, que interpreta Poline, destaca que as personagens possuem características humanas e não se limitam à divisão entre figuras boas e más.“Dentro disso, também tem o fato de as personagens serem humanas. A Poline, por exemplo, é muito legal e tem umas tiradas ótimas. Quando ela pergunta ao governador: ‘Vem cá, mas é mais um daqueles trabalhos que ele vai receber sem precisar trabalhar?’, existe ali um humor muito brasileiro. Não é uma história sobre bonzinhos e mauzinhos, sabe?”, afirma.Para Ramil, a presença dessas mulheres permite discutir a forma como a sociedade organiza as relações entre os gêneros e como a voz feminina é recebida em diferentes espaços.“Estávamos falando muito sobre a importância e o interesse das personagens femininas nesse filme, além da maneira como elas representam essas figuras na sociedade. A história brinca com essas questões dentro do universo pop, mas também nos permite falar sobre a falta de escuta do mundo masculino em relação às mulheres, o pouco espaço que temos em muitos momentos e a variedade de quem somos”, explica.
Nós, mulheres, somos plurais e temos percursos individuais. Podemos existir nesse mesmo mundo e nos respeitar. A gente se divertia muito fazendo o filme e falando sobre temas tão profundos.
Karina Ramil - Atriz
A atriz avalia que a comédia permite abordar assuntos delicados sem abandonar a leveza da narrativa. “A comédia é um prato cheio para nos alimentarmos de conhecimento. É rir e refletir, tocar em assuntos sem precisar ser panfletário ou seguir uma abordagem específica. É poder mexer em feridas de uma maneira leve, enquanto a gente também se diverte”, afirma.Victor Lamoglia, que interpreta Ésquilo, também vê no humor uma ferramenta para aproximar os personagens da realidade. Para ele, a identificação com as situações cotidianas é uma das características mais interessantes do universo de Laerte.“O que mais me chama a atenção é a relação deles com a nossa realidade. Acho que o Ésquilo tem esse pezinho na realidade, aquela coisa de você olhar e pensar: ‘Tá bom, conheço alguém assim’. Mas, no geral, os personagens são muito especiais, cada um com suas peculiaridades. Para mim, esse vínculo com a realidade é como se a gente colocasse uma lupa de aumento sobre ela”, afirma.O ator acrescenta que a familiaridade com o humor também influenciou a maneira como a equipe se aproximou do projeto. “A gente vem do humor, além de consumir muito humor. Falo por mim: sou extremamente viciado em fazer graça o tempo todo. Então, aquilo faz parte do nosso cotidiano, do nosso dia a dia. É usar o humor como ferramenta.”Adaptação exigiu dedicação e uma ‘brincadeira séria’Apesar do tom fantasioso e da proposta de comédia, a produção de Overman exigiu uma estrutura complexa para transportar os poderes do protagonista e as situações dos quadrinhos para as telas. Maria Lucas descreve a experiência como um trabalho que combinou liberdade criativa, preparação física e colaboração entre os profissionais envolvidos.“É muito prazeroso. Acho que temos a sorte de contar com um elenco muito parceiro, principalmente as pessoas com quem trabalhei mais de perto. A troca com o Caco, por exemplo, foi realmente muito gostosa. E a direção do Tomás é muito assertiva e generosa. Ele sabia muito bem quem era a Poline e o que queria de mim, assim como o que a Poline tinha de mim”, conta.
Filme foi baseado nos quadrinhos da cartunista Laerte Coutinho
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Foto: Divulgação
A atriz lembra que a construção visual de sua personagem também exigia esforço durante as gravações. “Mais do que isso, é importante pensar que estamos fazendo um trabalho muito engraçado e fantasioso, mas que também exige muito trabalho. Lembro que chegava ao set como Poline, de salto alto, com mil cabelos e unhas grandes. Era sempre muito cansativo.”As cenas que envolviam os poderes dos personagens também demandaram planejamento e diferentes recursos técnicos. Uma sequência de voo, por exemplo, levou dias para ser concluída.
A gente pode fazer uma coisa leve, satírica e engraçada, mas com muita seriedade e dedicação. E isso não envolve apenas os atores, as atrizes e a direção, mas toda a equipe e a estrutura necessária para realizar o filme. Às vezes, precisávamos de toda uma maquinaria para gravar uma cena de apenas dois segundos.
Maria Lucas - Atriz
“Lembro que a cena em que o Overman voa com a Poline levou três dias para ser gravada. Fizemos em estúdio, com várias câmeras, depois em outro lugar, com dublê, e também com a gente sendo içado por um equipamento. Teve até o Caco me segurando pela cintura, enquanto eu, que morro de medo de altura, estava lá. No fim, é muito gostoso. É uma grande brincadeira séria, sabe?”
Cena do filme Overman
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Foto: Divulgação
Lamoglia afirma que a associação do projeto ao nome de Laerte também despertou uma expectativa especial desde o convite para participar do filme.
Acho que não vou falar só por mim, mas, quando você é convidado para um projeto desses e vê o selo da Laerte, pensa: ‘Tá, estou envolvido com alguma coisa muito legal’. Então, você já chega muito aberto, predisposto a se envolver emocionalmente com aquilo de diversas formas.
Victor Lamoglia - Ator
Filme busca provocar reflexão depois dos créditosPara a equipe, a proposta de Overman não termina nas risadas provocadas pelas situações absurdas do protagonista. A intenção é que o público reconheça comportamentos presentes na sociedade e continue refletindo sobre eles depois da sessão.Portella espera que a história estimule uma postura mais crítica diante das próprias atitudes e das relações humanas. “Um pouco de autocrítica e humanidade seria bom. E também acreditar que toda pessoa, todo homem, todo ser humano merece ter direito aos direitos básicos”, afirma.Ciocler, por sua vez, deseja que a experiência do filme se aproxime daquela que teve ao entrar em contato com os quadrinhos de Laerte: uma descoberta que continua produzindo sentidos com o passar do tempo. “Espero que o público tenha uma relação com o filme parecida com a que eu tenho com as tirinhas: que entre em contato com aquela história e, depois de sair do cinema, pense: ‘Gente, eu queria revisitar esse lugar’”, diz.
Mesmo que seja apenas pela memória do que o filme foi, gostaria que as peças começassem a se encaixar e que as fichas fossem caindo aos poucos. Queria que o filme não terminasse nos créditos, nem mesmo nos pós-créditos, mas que as pessoas continuassem habitadas por ele e que novas fichas fossem caindo ao longo da semana. Fichas e perguntas novas.
Caco Ciocler - Ator
Karina Ramil também espera que o longa incentive o público a questionar costumes e comportamentos que muitas vezes passam despercebidos. “Espero que reflitam sobre nossos costumes e sobre as coisas das quais não queremos falar, mas que continuam ali, mesmo quando tentamos ignorá-las”, afirma.A atriz explica que a linguagem dos super-heróis pode ajudar a observar essas questões de outra maneira. “O filme nos faz pensar sobre os arquétipos presentes na sociedade, que muitas vezes consideramos normais. Às vezes, por meio de uma risada, de uma imagem pop, de um super-herói, de uma super-heroína ou até de influenciadores por quem o herói se apaixona, conseguimos olhar para essas figuras de outra maneira.”A própria Maria Lucas resume a importância de adaptar uma obra brasileira para o cinema e apresentá-la a diferentes gerações. Para a atriz, a produção recupera um material cultural que marcou uma época e o coloca em contato com um público que talvez não conheça as tirinhas originais.“Acho que a gente tem a oportunidade de mergulhar em um feito cultural nosso, que são as tirinhas da Laerte publicadas em um jornal nos anos 1990. Podemos revisitar esse material e apresentá-lo a pessoas que não tiveram contato com ele ou não acompanharam essa época”, afirma.“Nós mesmas éramos crianças. Só fui ter acesso aos jornais já na adolescência, durante a faculdade. Então, é muito interessante poder revisitar esse universo por meio de outra plataforma, que é o cinema”, completa.A atriz também espera que a produção abra espaço para novas adaptações de personagens nacionais.
Espero não só que tenhamos outros Overmans, mas também muito mais conteúdo feito a partir do humor. E de um humor nosso, brasileiro, com personagens construídos aqui por uma artista nossa, uma pessoa trans. Sinto um orgulho muito grande de poder ter um herói quebrado, nacional, além de heroínas, vilões e tantas outras figuras que fazem parte dessa mistura.
Maria Lucas - Atriz
Elenco convida o público de Salvador para os cinemasEmbora a história seja baseada em tirinhas publicadas em um jornal paulista e tenha sido filmada no Rio de Janeiro, Maria Lucas acredita que a sátira tem potencial para dialogar com espectadores de diferentes regiões do país.“Estamos fazendo um filme construído a partir das tirinhas publicadas na Folha de S.Paulo e gravado no Rio de Janeiro. A cidade onde se passa Overman, na verdade, não é especificada, mas temos muitos dos nossos sotaques cariocas ali. Ainda assim, a ideia é que possamos representar o Brasil de certa forma, nesse lugar do humor e da sátira”, explica.A atriz aproveitou a entrevista para convocar o público baiano a prestigiar a produção nas primeiras semanas de exibição.“Convoco vocês aí da Bahia a irem assistir ao filme nos cinemas nas primeiras semanas, porque isso é muito importante para o cinema brasileiro”, afirma. Ela também manifestou o desejo de trabalhar em produções realizadas no estado: “Também gostaria de ser convidada para fazer filmes na Bahia! Sou filha de paraibanos e amo o Norte e o Nordeste brasileiros. Me tirem daqui, do Sudeste!”Ramil reforçou a data de estreia ao convidar o público a conferir o longa nas salas de cinema. “Dia 22 de outubro nos cinemas, gente!”, diz. Lamoglia também deixou um recado para os espectadores da capital baiana: “Um beijo, meus amigos de Salvador! A gente se vê no cinema!”Ciocler encerrou os convites destacando o lugar do personagem na cultura nacional. “Pessoal de Salvador, o que seria do Brasil sem vocês? No dia 22, Overman estreia nas salas de cinema. Vocês não podem deixar de assistir a esse filme na telona! É um filme de super-herói, é o nosso super-herói. Não deixem de conferir Overman nos cinemas!”Veja o trailer de Overman!
O sucesso de Carrie no Prime Video garantiu a continuidade da história de Carrie White. A plataforma renovou a série de Mike Flanagan, baseada no livro de Stephen King, para a 2ª temporada, após a produção alcançar o primeiro lugar no ranking do streaming em mais de 105 países na estreia, em 7 de outubro.Apresentada inicialmente como uma minissérie, a adaptação terá novos episódios e continuará a explorar o universo da protagonista, cuja trajetória deixou possibilidades para o desenvolvimento da narrativa. Enquanto a 2ª temporada não ganha previsão de estreia, a primeira é uma ótima opção para quem busca uma maratona curta: são 8 episódios, com duração média de 50 minutos cada, em uma história que pode ser acompanhada sem comprometer tantos dias.
Mike Flanagan promete história além do baile de formaturaResponsável pela direção, além de showrunner e produtor executivo, Mike Flanagan retorna para comandar o próximo ciclo da produção. O cineasta destacou que a história foi concebida desde o início para ir além dos acontecimentos mais conhecidos da obra original.“Por 50 anos, o público conhece e se atrai pela história de Carrie White. Desde o início, imaginamos uma história que vai muito além do baile de formatura, e sou incrivelmente grato pela confiança e apoio de Stephen ao explorar o que vem a seguir”, comentou Flanagan.A declaração reforça a proposta de ampliar o universo da personagem para além dos acontecimentos que marcaram sua trajetória, abrindo espaço para novas revelações, desenvolvimentos dos personagens e reviravoltas.Stephen King comenta o que esperar da 2ª temporadaStephen King, autor do livro que inspirou a produção e também produtor executivo da série, celebrou a continuidade da adaptação e demonstrou entusiasmo com os próximos capítulos.“Mal posso esperar para que o público veja o que está reservado para Carrie White. Mike Flanagan e eu estamos empolgados com o que vem a seguir. Com certeza será eletrizante”, disse King, em comunicado à imprensa.O escritor volta a integrar a equipe de produção ao lado de Flanagan, que também permanece à frente da série. Embora a renovação esteja confirmada, ainda não foram anunciadas informações sobre o elenco dos novos episódios ou os rumos específicos da história.Como é a série Carrie, do Prime Video?Esta é a quarta adaptação da história homônima escrita por Stephen King para as telas. Na versão do Prime Video, Carrie White, interpretada por Summer H. Howell, é uma adolescente da nova geração que começa a desenvolver poderes telecinéticos durante a adolescência.Ao mesmo tempo em que tenta lidar com as habilidades que ainda não consegue controlar, a jovem enfrenta situações de bullying na escola e a influência da mãe, interpretada por Samantha Sloyan.A combinação desses conflitos desencadeia um incidente horrível, que marca a trajetória da protagonista e estabelece as possibilidades para a continuação da narrativa.Com a renovação, a série poderá aprofundar as consequências dos acontecimentos e explorar novos aspectos do universo de Carrie, enquanto o público aguarda novidades sobre a próxima temporada.Quando estreia a 2ª temporada de Carrie?Até o momento, o Prime Video não divulgou a previsão de estreia da 2ª temporada de Carrie. Também não há confirmação sobre quais integrantes do elenco retornarão ou quais novos personagens poderão aparecer nos próximos episódios.Veja o trailer!
A DC Studios encontra no terror uma oportunidade de explorar caminhos pouco convencionais para suas histórias de super-heróis. Com estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22, Cara-de-Barro representa uma das apostas mais corajosas do universo cinematográfico desenvolvido por James Gunn e Peter Safran. Longe das aventuras tradicionais de heróis, o longa dirigido por James Watkins transforma um dos antagonistas menos conhecidos do Batman em protagonista de uma história perturbadora, trágica e, surpreendentemente, divertida.Estrelado por Tom Rhys Harries, o filme acompanha Matt Hagen, um ator em ascensão cuja carreira promissora é destruída após um encontro violento com um chefe do crime de Gotham City. Quando perde o rosto, justamente seu principal instrumento de trabalho, ele também vê desaparecer a fama, o reconhecimento e as oportunidades que conquistou. Sem perspectivas, o artista recorre a um procedimento experimental de regeneração celular que promete devolver sua aparência, mas desencadeia consequências devastadoras.A partir dessa premissa, Cara-de-Barro constrói uma narrativa que mistura terror corporal (body horror), ficção científica, suspense psicológico e elementos de tragédia, sem abandonar completamente o humor. O resultado é um filme que entende as possibilidades de seu personagem e encontra na transformação física uma maneira de discutir algo muito mais complexo: o que resta de alguém quando tudo aquilo que sustentava sua identidade deixa de existir?Mais do que uma história de origem de um vilão do Batman, o longa é uma produção que demonstra como adaptações de quadrinhos podem se desprender das fórmulas mais recorrentes do gênero. Mesmo com algumas limitações no roteiro, a obra se destaca pelo conjunto de atuações, pela criatividade visual e pela disposição de experimentar.Horários, cinemas e mais: acesse o Cineinsite AQUI e veja onde os filmes estão passando.Um vilão que encontra sua própria históriaCriado durante a Era de Ouro dos quadrinhos, Cara-de-Barro integra a extensa galeria de antagonistas do Batman desde a década de 1940. Ao longo das diferentes versões do personagem, a identidade do vilão passou por transformações, mas a relação com a atuação, a aparência e a capacidade de assumir outros rostos permanece entre os elementos mais interessantes de sua mitologia.No cinema, a escolha por Matt Hagen permite que a produção explore justamente essa conexão entre identidade e espetáculo. Interpretado por Tom Rhys Harries, o protagonista é apresentado como um ator talentoso, carismático e consciente de seu magnetismo, mas que não parece completamente consumido pelo próprio sucesso.Recém-indicado ao Oscar, Matt vive um momento de ascensão profissional. A conquista é recebida com entusiasmo, mas também revela uma dimensão mais íntima do personagem, que encontra na memória da mãe uma maneira de compartilhar uma felicidade que o reconhecimento público, por si só, não consegue preencher.A construção inicial é importante para que o espectador compreenda o tamanho da perda que vem a seguir. Matt não perde apenas uma carreira promissora: ele tem sua relação com o mundo radicalmente modificada por uma violência que atinge diretamente a maneira como se reconhece e é reconhecido pelos outros.A tragédia começa quando o ator se envolve com Mia Torres (Joana Ribeiro), uma atriz em ascensão que mantém uma relação com o mafioso Markos Szabo (David Dencik). A situação desencadeia uma reação brutal, e o rosto de Matt é desfigurado.
A sequência, apresentada sem prolongar desnecessariamente a preparação, estabelece o tom da obra. Em pouco tempo, a narrativa retira do protagonista aquilo que parecia garantir seu futuro e expõe a fragilidade de uma indústria que frequentemente transforma aparência em mercadoria.Abandonado por empresários, afastado de oportunidades profissionais e sem conseguir encontrar justiça diante dos responsáveis por sua condição, Matt passa a experimentar uma forma de exclusão que vai muito além das consequências físicas da agressão.É nesse contexto que a trama encontra sua força. Embora a história acompanhe a origem de um vilão, o filme não trata sua transformação como um simples caminho até a próxima ameaça a ser derrotada. Existe um esforço real para compreender o processo psicológico que conduz o personagem a escolhas cada vez mais extremas.A aparência como identidade e instrumento de poderUm dos aspectos mais interessantes de Cara-de-Barro é a maneira como a profissão de Matt se relaciona diretamente com os poderes que ele desenvolve. Para um ator, interpretar significa experimentar outras identidades, construir gestos, vozes e comportamentos capazes de convencer o público de que existe alguém diferente diante da câmera. Matt, entretanto, descobre que essa capacidade de transformação pode ultrapassar os limites da atuação.Depois de procurar a cientista Caitlyn Corr (Naomi Ackie), responsável por pesquisas com tecnologia celular experimental, ele aceita participar de um procedimento que promete regenerar tecidos danificados. A experiência recupera sua aparência, mas os efeitos colaterais passam a comprometer tanto seu corpo quanto sua sanidade.A partir daí, a relação entre performance e identidade ganha uma dimensão ainda mais perturbadora. Se antes Matt precisava interpretar personagens para trabalhar, agora sua própria existência passa a depender de uma capacidade de assumir outras formas.A transformação, nesse sentido, não funciona apenas como um recurso visual para justificar os poderes do antagonista. Ela também dialoga com a instabilidade de uma vida construída sobre a imagem pública e com a dificuldade de distinguir aquilo que alguém é daquilo que aprendeu a representar.O filme encontra boas oportunidades para explorar essa ideia, especialmente quando aproxima a habilidade de metamorfose do protagonista das exigências de uma indústria que valoriza a aparência acima de tantas outras características.Há, inclusive, uma crítica à lógica da fama e à maneira como o sucesso pode depender de fatores que escapam completamente ao controle de quem trabalha para conquistá-lo. Matt se esforçou para transformar sua origem humilde em uma trajetória de reconhecimento, mas descobre que sua posição social não é suficiente para protegê-lo da violência e da corrupção.Gotham, nesse cenário, é menos um simples pano de fundo reconhecível para os fãs e mais um ambiente que alimenta a tragédia. A cidade é apresentada como um lugar onde dinheiro, influência e intimidação podem determinar quem tem acesso à justiça e quem será abandonado.
Tom Rhys Harries entrega um personagem cheio de nuances em Cara-de-Barro
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A produção também evita transformar o passado do personagem em uma explicação definitiva para todas as suas atitudes. Embora existam referências à sua trajetória anterior, o filme se concentra principalmente nas decisões tomadas durante a história, permitindo que a deterioração de Matt seja acompanhada sem reduzir sua transformação a uma justificativa simplista. Essa escolha favorece a construção do antagonista e impede que a narrativa dependa exclusivamente de um passado traumático para explicar sua violência.Tom Rhys Harries sustenta a transformação de Matt HagenSe a premissa de Cara-de-Barro já oferece possibilidades interessantes, é a atuação de Tom Rhys Harries que transforma a trajetória do protagonista em uma experiência envolvente.O ator consegue estabelecer diferentes dimensões para Matt sem perder a continuidade emocional do personagem. No início, seu carisma aparece de maneira discreta, como o de alguém acostumado a chamar atenção, mas que ainda demonstra gratidão pelas pessoas que participaram de sua caminhada.Depois da agressão, Harries trabalha com uma vulnerabilidade que não depende apenas da caracterização física. O desespero do personagem está presente nos silêncios, nas reações e na dificuldade de lidar com uma realidade em que sua própria imagem parece ter se tornado inimiga.Essa dimensão humana é fundamental para que a história não se transforme apenas em uma sucessão de cenas grotescas. O espectador acompanha o sofrimento de alguém que deseja recuperar a vida que tinha, mas que, gradualmente, passa a encontrar na raiva uma forma de responder ao mundo.Conforme Matt se torna mais imprevisível, a interpretação também ganha novas camadas. Harries transita entre a fragilidade de uma vítima, o magnetismo de uma estrela e a ameaça de alguém que começa a perder o controle sobre si mesmo.O mérito está em não apagar completamente a humanidade do protagonista quando ele passa a agir de maneira monstruosa. Ao mesmo tempo, o longa não exige que o público concorde com suas escolhas ou que a narrativa transforme seus atos em gestos heroicos.Essa distinção é essencial. Matt pode despertar empatia, mas a empatia não elimina as consequências de suas ações. O filme compreende que um personagem pode ser fascinante justamente por reunir contradições que não se resolvem de maneira confortável.Harries entrega uma atuação de destaque e encontra no papel uma oportunidade de demonstrar um alcance dramático que vai além da composição de um vilão de quadrinhos. É uma performance que sustenta a história mesmo quando o roteiro acelera determinados conflitos.
Tom Rhys Harries é um dos destaques da produção
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Naomi Ackie e os personagens que cercam o monstroNaomi Ackie também contribui para a força da produção ao interpretar Caitlyn Corr, cientista responsável pelo tratamento que transforma a vida de Matt. A personagem apresenta uma combinação de inteligência, ambição e vulnerabilidade. Seus experimentos são atravessados por dificuldades profissionais e pela necessidade de encontrar reconhecimento para suas pesquisas, circunstâncias que ajudam a contextualizar as decisões tomadas ao longo da trama.Caitlyn não é apenas a figura responsável por introduzir a tecnologia que permite a transformação do protagonista. Ela também representa os dilemas éticos de uma ciência que, diante da possibilidade de resultados extraordinários, pode ultrapassar limites que deveriam ser considerados fundamentais.A relação entre os dois acrescenta uma camada emocional ao filme, criando momentos em que a proximidade entre os personagens contrasta com o perigo crescente da condição de Matt.
Naomi Ackie oferece uma performance convincente
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Ackie oferece uma presença convincente e funciona como contraponto à instabilidade do protagonista. Ainda assim, a cientista poderia receber um desenvolvimento mais aprofundado. Embora a escolha de concentrar a narrativa em Matt faça sentido para uma história de origem, a trajetória de Caitlyn deixa a impressão de que existiam outras possibilidades dramáticas a serem exploradas.A personagem tem potencial para sustentar conflitos próprios, especialmente a partir das questões éticas de seu trabalho e das motivações pessoais que a conduzem. Em alguns momentos, porém, acaba ocupando uma posição mais funcional dentro da trama do que sua presença e a atuação de Ackie sugerem.Max Minghella, como o detetive John Borrelli, noivo de Caitlyn, acrescenta outra dimensão aos acontecimentos ao aproximar a investigação policial dos conflitos pessoais que atravessam a história. David Dencik também contribui para a atmosfera de ameaça como Markos Szabo, enquanto o elenco de apoio ajuda a compor uma Gotham marcada por relações de poder e exploração.A apresentação relativamente enxuta dos personagens, por outro lado, é um dos acertos da produção. Ao não desperdiçar tanto tempo com explicações sobre o funcionamento de um universo compartilhado, Cara-de-Barro consegue dedicar espaço ao desenvolvimento psicológico de seu protagonista.É uma decisão que contrasta com muitas adaptações de quadrinhos contemporâneas, frequentemente ocupadas em preparar o terreno para continuações, participações especiais ou grandes encontros entre personagens. Aqui, a prioridade é outra: fazer com que a história funcione por conta própria.O terror corporal é o grande espetáculo de Cara-de-BarroSe as discussões sobre identidade e fama sustentam a dimensão dramática do longa, é no terror corporal que James Watkins encontra uma das ferramentas mais poderosas para transformar a história em uma experiência cinematográfica.Conhecido por trabalhos como Sem Saída, A Mulher de Preto e Não Fale o Mal, o diretor demonstra familiaridade com situações de desconforto e tensão. Em Cara-de-Barro, essa habilidade aparece principalmente nas sequências que acompanham a deterioração física de Matt e nas tentativas de seu corpo de se adaptar às mudanças provocadas pelo tratamento.A produção aposta em imagens que transitam entre o repulsivo e o fascinante. Pele que se transforma, ferimentos, procedimentos médicos e mutações são explorados com uma criatividade que faz o espectador sentir o desconforto das situações, mesmo quando a curiosidade fala mais alto do que a vontade de desviar o olhar.
Filme surpreendente mescla terror com super-heróis e foca um vilão do Batman
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O resultado é um terror que entende a força da repulsa como ferramenta narrativa. Nesse sentido, o filme encontra referências naturais na obra de David Cronenberg, especialmente em A Mosca, pela maneira como aproxima transformação corporal, perda de controle e deterioração da identidade.Também existem pontos de contato com A Substância, de Coralie Fargeat, sobretudo na discussão sobre aparência e na exploração de um corpo submetido a mudanças violentas.As comparações, entretanto, não significam que Cara-de-Barro alcance a mesma intensidade ou profundidade temática dessas produções. Em alguns momentos, a direção parece mais interessada em sugerir o grotesco do que em levar suas possibilidades até as últimas consequências.Para quem já está familiarizado com o body horror, certas sequências poderiam ser ainda mais ousadas. A transformação de Matt oferece um campo visual muito particular, e existe espaço para que o longa explore com maior intensidade a estranheza de um corpo que deixa de obedecer às regras convencionais da anatomia.Isso não diminui o impacto de seus melhores momentos. Pelo contrário, as sequências mais memoráveis demonstram que o filme tem criatividade suficiente para produzir imagens que permanecem na memória depois da sessão.Os efeitos práticos e a caracterização merecem destaque pela maneira como dão materialidade à transformação. Em vez de depender exclusivamente de um espetáculo de CGI, a produção trabalha com texturas, superfícies e imagens que reforçam a sensação de que há algo fisicamente errado diante da câmera.A direção de fotografia de Rob Hardy também contribui para a construção desse universo. Gotham aparece envolta em uma atmosfera opressiva, com ambientes que reforçam a sensação de decadência e insegurança. A iluminação e a composição visual aproximam o glamour da indústria do entretenimento de espaços degradados, criando contrastes que dialogam com a própria trajetória de Matt.O trabalho da direção de arte e a trilha sonora de Volker Bertelmann complementam essa identidade. Os cenários reforçam a coexistência entre ambição, corrupção e desespero, enquanto a música sustenta uma tensão que não depende necessariamente de sustos repentinos.Embora tenha momentos de violência gráfica capazes de incomodar até espectadores habituados ao gênero, o longa não precisa recorrer continuamente ao choque para manter o interesse. Gotham sem Batman e sem a obrigação de expandir o universoUm dos aspectos mais refrescantes de Cara-de-Barro é sua independência em relação à presença do Batman. Apesar de acompanhar um personagem historicamente ligado ao herói, o filme não precisa apresentar o Cavaleiro das Trevas para justificar sua existência. Gotham já oferece um ambiente suficientemente complexo para sustentar a história, com suas estruturas de poder, criminalidade e desigualdade.Essa ausência também permite que a produção evite uma das armadilhas mais comuns das franquias contemporâneas: transformar cada novo lançamento em uma peça obrigatória para compreender o próximo capítulo de um universo compartilhado.Não é necessário conhecer a trajetória de Matt Hagen nos quadrinhos, acompanhar produções anteriores da DC ou identificar referências escondidas para compreender os conflitos apresentados. A obra funciona como uma história autônoma, com começo, desenvolvimento e uma direção narrativa própria. O fato de estar inserida no DCU amplia suas possibilidades futuras, mas não se torna uma dependência para o funcionamento do filme.Essa liberdade é especialmente importante porque o personagem escolhido está longe de possuir o reconhecimento imediato de figuras como Coringa ou Pinguim. A decisão de dedicar uma produção cinematográfica a um antagonista menos popular poderia ter resultado em uma história excessivamente dependente de referências ou em uma tentativa artificial de transformá-lo em um grande evento.
Tom Rhys Harries é um dos destaques de Cara-de-Barro
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O filme encontra uma solução mais interessante: apresenta o personagem a partir de suas contradições e permite que o público descubra sua relevância por meio do drama. É também uma demonstração prática de uma das possibilidades mais interessantes para o universo desenvolvido por James Gunn: permitir que diferentes personagens encontrem linguagens cinematográficas próprias, em vez de submeter todas as histórias à mesma estrutura.Depois de produções de super-heróis mais diretamente associadas à aventura e ao espetáculo, Cara-de-Barro representa uma mudança de direção que faz bem ao conjunto. A DC pode continuar contando histórias sobre grandes heróis e ameaças extraordinárias, mas também tem espaço para filmes menores em escala narrativa, mais íntimos em seus conflitos e dispostos a explorar gêneros que raramente ocupam o centro das grandes franquias de quadrinhos. É nessa diversidade que o novo universo encontra uma de suas maiores oportunidades.O que poderia ser ainda melhorApesar dos acertos, Cara-de-Barro não é um filme sem limitações. Entre as escolhas do roteiro, uma decisão particularmente desconfortável merece ser discutida: a utilização de uma falsa denúncia de estupro contra Matt como parte da campanha que contribui para destruir sua reputação e sua carreira. O recurso é problemático não apenas pela maneira como é empregado, mas também pelo contexto social em que essa representação aparece. Em uma sociedade na qual mulheres que denunciam violência sexual frequentemente enfrentam descrédito, perseguição e julgamentos públicos, utilizar uma acusação falsa como mecanismo narrativo para intensificar a queda de um protagonista masculino é uma escolha controversa e desnecessária. A trama constrói um cenário em que uma acusação dessa natureza contribui para arruinar a vida profissional de um homem famoso, enquanto figuras públicas acusadas de abuso podem preservar dinheiro, influência e acesso a oportunidades, mesmo diante de denúncias e investigações. Ao mesmo tempo, mulheres que denunciam violência podem enfrentar ataques, descredibilização e exposição midiática.A trajetória de Matt já possui elementos suficientes para estabelecer sua vulnerabilidade: a violência praticada pelo crime organizado, a corrupção, a perda de seu rosto e o abandono pela indústria do entretenimento. A história funcionaria sem essa camada, e sua inclusão introduz uma questão delicada sem oferecer uma reflexão proporcional à gravidade do assunto. É um ponto que merece ressalvas justamente porque o restante da construção dramática demonstra maior sensibilidade ao desenvolver as contradições do protagonista.Além dessa escolha, a narrativa apresenta algumas passagens em que o ritmo e a construção dos conflitos parecem acelerados. O início ágil funciona a favor da história, mas determinadas mudanças emocionais poderiam receber mais tempo para amadurecer. Matt passa por transformações profundas em um intervalo relativamente curto e, embora Tom Rhys Harries consiga sustentar boa parte dessas transições, algumas situações se beneficiariam de maior elaboração.Para uma história que abraça o body horror e acompanha um personagem capaz de alterar radicalmente sua própria estrutura física, o filme poderia aproveitar melhor algumas possibilidades da premissa, especialmente nas sequências finais. Em certos trechos, a criatividade das transformações parece ceder espaço a soluções mais familiares de ação.Essas limitações impedem Cara-de-Barro de alcançar todo o potencial de suas ideias, mas não comprometem completamente a experiência. A controvérsia da falsa denúncia deixa uma impressão incômoda que poderia ter sido evitada, enquanto as escolhas de ritmo e desenvolvimento revelam oportunidades desperdiçadas. Ainda assim, o longa permanece envolvente e encontra uma identidade própria, mesmo quando não consegue explorar todas as suas possibilidades com a mesma profundidade.Afinal, vale o ingresso? Cara-de-Barro é uma ótima pedida para quem procura uma experiência de cinema diferente do que os lançamentos recentes de super-heróis costumam oferecer. Bem atuado, visualmente criativo e sustentado por uma história que encontra força nas contradições de seu protagonista, o longa é uma das produções mais interessantes da DC e um dos melhores filmes do estúdio.A aposta em um vilão relativamente pouco conhecido, antes mesmo da introdução do Batman deste universo cinematográfico, poderia ter dado muito errado. Entretanto, a produção encontra na combinação entre terror, body horror, ficção científica, suspense psicológico e alívios cômicos uma identidade que vai além da curiosidade em torno de seu personagem.O humor, aliás, merece reconhecimento por aparecer sem destruir a atmosfera sombria. Em vez de interromper a tensão com piadas deslocadas, a narrativa encontra momentos de absurdo que surgem naturalmente das situações e ajudam a tornar a experiência mais dinâmica. É um equilíbrio que favorece o entretenimento sem diminuir o impacto das cenas mais perturbadoras.A síntese na apresentação dos personagens também se revela uma escolha acertada. Ao evitar explicações excessivas e não transformar a história em uma vitrine de referências ao universo compartilhado, o filme abre espaço para desenvolver melhor a trajetória psicológica de Matt e os conflitos que cercam sua transformação.
Tom Rhys Harries é um dos destaques da nova produção da DC
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Essa concentração permite construir uma psiquê mais elaborada para o vilão, algo especialmente bem-vindo em um momento em que tantas adaptações de quadrinhos parecem mais preocupadas com a expansão de franquias do que com a complexidade de seus personagens.Matt Hagen não é interessante apenas porque se transforma em um monstro, mas porque a narrativa dedica tempo para explorar as contradições entre a pessoa que ele era, aquela que desejava ser e o indivíduo que começa a surgir depois de sua tragédia. Tom Rhys Harries é fundamental para esse resultado, enquanto Naomi Ackie oferece um contraponto que, mesmo prejudicado pela falta de desenvolvimento, acrescenta sensibilidade à história.A direção de James Watkins, os efeitos visuais, a caracterização e a atmosfera de Gotham completam uma experiência que encontra no desconforto e na criatividade algumas de suas maiores qualidades.Em uma ida ao cinema, Cara-de-Barro oferece uma experiência divertida e eletrizante, sem abrir mão de momentos de tensão, repulsa e reflexão. É o tipo de produção que consegue provocar reações diferentes na mesma sessão e que encontra na tela grande o espaço ideal para suas imagens mais impactantes.Mais importante, o longa traz algo novo e refrescante para o gênero. Não necessariamente porque inventa uma nova linguagem para o terror ou apresenta discussões inéditas sobre aparência e identidade, mas porque escolhe combinar essas ideias com um personagem de quadrinhos e permite que a história siga uma direção própria.Essa é a DC que dá vontade de ir ao cinema: um estúdio disposto a correr riscos, experimentar gêneros e reconhecer que seus personagens podem sustentar histórias muito diferentes entre si.Cara-de-Barro não é perfeito, mas demonstra que existe muito potencial em apostar em narrativas que não dependem de grandes batalhas, heróis conhecidos ou promessas para continuações. É um filme corajoso para este primeiro momento do DCU e um acerto que amplia as possibilidades do universo desenvolvido por James Gunn.A expectativa é que o estúdio continue arriscando nessa direção. Se a proposta é construir um universo capaz de abrigar diferentes identidades cinematográficas, Cara-de-Barro é um argumento convincente a favor dessa ambição.Nota: 4/5Veja o trailer!
A Sessão da Tarde, tradicional faixa de filmes da TV Globo, é uma das opções de entretenimento para quem acompanha a programação da emissora, reunindo filmes de diferentes gêneros ao longo da semana. Nesta quinta-feira, 22, a programação exibe uma produção que explora as relações familiares e mostra como uma conexão inesperada pode transformar a vida de alguém.Qual é o filme da Sessão da Tarde de hoje?O filme exibido nesta quinta-feira, 22, é 'Um Pai para Lily', estrelado por Barbie Ferreira, conhecida pela série 'Euphoria', e John Leguizamo, que dá voz ao personagem Sid na franquia 'A Era do Gelo'.Na trama, Lily Trevino, uma jovem solitária na faixa dos 20 anos, faz amizade acidentalmente com um desconhecido pela internet que tem o mesmo nome de seu pai, Bob Trevino. Aos poucos, o apoio e o incentivo desse novo amigo começam a transformar a vida da jovem.À medida que a conexão entre os dois se aprofunda, o “outro” Bob passa a preencher o vazio deixado pelo pai biológico de Lily. O que começa como um pedido de amizade enviado por engano se transforma em uma jornada emocionante de afeto, amadurecimento e descoberta sobre o verdadeiro significado de família.Que horas começa a Sessão da Tarde hoje?A exibição está prevista para as 15h50.
Filme é inspirado em uma história realAlém da história emocionante, o longa tem uma conexão com a vida real, pois foi inspirado em uma experiência vivida pela diretora e roteirista Tracie Laymon, que desenvolveu uma amizade inesperada com um desconhecido após procurar pelo seu pai na internet. A produção também conquistou os prêmios do Júri e do Público na categoria de longa-metragem narrativo no festival South by Southwest (SXSW), em 2024.Veja o trailer de Um Pai para Lily
Nem toda maratona precisa ocupar uma noite inteira para prender a atenção. Nesta quinta-feira, 22, quem procura uma produção curta, intensa e repleta de conflitos pode encontrar na Netflix uma opção que mistura suspense, erotismo e drama familiar. Lançada em 2023, a minissérie Desejo Obsessivo acompanha um cirurgião bem-sucedido que se envolve com a noiva do próprio filho, dando início a uma relação secreta capaz de colocar tudo a perder.
Com apenas quatro episódios de aproximadamente 40 minutos, a produção é uma alternativa para quem quer mergulhar em uma história provocadora e terminá-la em menos de três horas.Romance proibido coloca uma família em riscoCriada por Morgan Lloyd Malcolm e Benji Walters, Desejo Obsessivo é inspirada no romance Damage, da escritora Josephine Hart, publicado no Brasil com o título Perdas e Danos. A trama acompanha William Farrow (Richard Armitage), um neurocirurgião respeitado que construiu uma carreira de sucesso e mantém uma vida familiar aparentemente estável ao lado da esposa, Ingrid (Indira Varma).Essa rotina muda quando William conhece Anna Barton (Charlie Murphy), uma mulher por quem sente uma atração imediata. O problema é que ela está noiva de Jay (Rish Shah), filho mais velho do médico. Mesmo diante do risco de destruir a própria família, William se entrega à paixão e começa a viver um relacionamento secreto com a jovem.O que começa como uma aventura movida pelo desejo rapidamente ganha contornos mais perigosos. A intensidade da relação e a obsessão do protagonista ameaçam sua reputação, seu casamento e os vínculos familiares, enquanto os envolvidos tentam lidar com as consequências de suas escolhas.Suspense e sensualidade conduzem a tramaAo longo dos quatro episódios, a minissérie explora os limites entre atração, paixão e obsessão. O relacionamento clandestino é o ponto de partida para uma sequência de conflitos que coloca os personagens diante de decisões capazes de mudar suas vidas.A produção aposta em elementos comuns aos thrillers eróticos, combinando sedução, traição, segredos e tensão psicológica. Em vez de se concentrar apenas no romance proibido, a narrativa também acompanha os danos provocados pela tentativa de manter a relação escondida e pelo risco constante de que a verdade venha à tona.A história já ganhou uma adaptação cinematográfica em 1992, intitulada Perdas e Danos, estrelada por Jeremy Irons e Juliette Binoche. A versão da Netflix retoma a premissa do livro em formato seriado, distribuindo os conflitos ao longo de uma temporada curta.Elenco reúne estrelas de séries conhecidasO protagonista é interpretado por Richard Armitage, conhecido internacionalmente por viver Thorin Escudo de Carvalho na trilogia O Hobbit. O ator também participou de produções como Hannibal, além de séries da Netflix baseadas em livros de Harlan Coben, entre elas Não Fale com Estranhos e Fique Comigo.Charlie Murphy interpreta Anna e é conhecida por trabalhos em Peaky Blinders e The Last Kingdom. Já Indira Varma, que vive Ingrid, ganhou notoriedade ao interpretar Ellaria Sand em Game of Thrones. O elenco conta ainda com Rish Shah, que dá vida a Jay e participou de Ms. Marvel.A presença de atores conhecidos pode atrair quem gosta de acompanhar diferentes trabalhos de nomes já vistos em outras produções de suspense, fantasia e drama.Vale a pena?Sim, para quem gosta de tramas de suspense e tensão, Desejo Obsessivo pode ser uma boa escolha. A minissérie combina romance proibido, segredos e relações perigosas para mostrar como uma paixão pode sair do controle e ameaçar uma família inteira.Ao longo dos quatro episódios, a história explora as consequências da obsessão e das escolhas impulsivas, criando conflitos que colocam em risco a reputação e os relacionamentos dos personagens. Com aproximadamente 40 minutos por capítulo, a produção também é uma alternativa para quem procura uma maratona curta durante a semana.Para quem prefere histórias com mistério, tensão emocional e conflitos familiares, a série oferece uma trama provocadora sobre os limites do desejo e a destruição de uma vida aparentemente perfeita.
Se você está procurando uma série curta para aproveitar o tempo livre e escapar do tédio durante a semana, a Netflix tem uma opção que pode transformar algumas horas em uma maratona cheia de mistérios. Lançada em 2026, a minissérie alemã Armadilha conquistou espaço entre as produções mais assistidas da plataforma e já ultrapassou 5,4 milhões de visualizações.O sucesso também aparece no volume de horas acumuladas: são 26,4 milhões de horas assistidas, número que colocou a produção na terceira posição do ranking global de séries em língua não inglesa da Netflix, conforme os dados informados pela plataforma.
Com apenas seis episódios, a minissérie pode ser assistida em pouco mais de quatro horas. A duração enxuta torna a produção uma alternativa para quem deseja começar e terminar uma história antes do fim de semana, sem abrir mão de uma trama repleta de suspeitas, tensão psicológica e reviravoltas.Minissérie da Netflix conquista milhões de visualizaçõesO desempenho de Armadilha chama a atenção para uma história que combina suspense psicológico e investigação criminal. A produção acompanha uma escritora que passa uma década isolada em casa após presenciar o assassinato da irmã. O trauma transforma completamente sua rotina, mas uma descoberta inesperada na televisão muda o rumo de sua vida.Ao reconhecer um homem que acredita ser o responsável pelo crime, a protagonista decide agir por conta própria. Sem provas suficientes para convencer as autoridades, ela prepara uma estratégia para atraí-lo até sua residência e tentar descobrir o que realmente aconteceu.A produção alcançou 5,4 milhões de visualizações e 26,4 milhões de horas assistidas, consolidando sua presença entre os títulos de maior destaque no catálogo internacional da plataforma. O formato compacto também favorece quem procura uma história fechada para assistir em poucas horas.Qual é a história de Armadilha?A trama acompanha Lisa Konrad, interpretada por Friederike Becht, uma escritora renomada que não sai de casa há dez anos, desde o assassinato de sua irmã, Anna. A vida da protagonista muda quando ela assiste à televisão e acredita reconhecer Robert Lenzen, um jornalista vivido por Hans Löw, como o homem que viu na noite do crime.Convencida de que encontrou o possível responsável pela morte da irmã, Lisa sabe que suas acusações dificilmente serão levadas a sério sem provas concretas. Por isso, elabora um plano arriscado: escrever um thriller inspirado no assassinato e anunciar uma entrevista exclusiva em sua própria casa, exigindo que Robert conduza a conversa.O encontro, no entanto, está longe de ser uma simples entrevista. Enquanto Lisa tenta encontrar evidências que confirmem suas suspeitas, o jornalista também demonstra ter interesses próprios. Aos poucos, a escritora começa a questionar as próprias lembranças, e o que parecia uma investigação planejada passa a se transformar em um jogo psicológico.A dúvida sobre a identidade do verdadeiro culpado conduz a narrativa e mantém em aberto a possibilidade de Lisa estar certa sobre o jornalista ou ter cometido um erro durante sua investigação.Elenco estrelado reúne nomes do suspense alemãoAlém de Friederike Becht, que interpreta Lisa Konrad, e Hans Löw, no papel de Robert Lenzen, a minissérie conta com Matthias Brandt como Norbert Rudow, editor da escritora, e Anna Schudt como Pia, sua agente literária.O elenco também reúne Miriam Ohlmeyer, Josephine Thiesen, Malaya Stern Takeda, Ursula Strauss, Sesede Terziyan, Michael Klammer, Peter Lohmeyer, Anna Stieblich e Naile Schuberth.A direção e o roteiro são assinados por Isabel Kleefeld, responsável também pela minissérie de suspense Depois da Cabana, que conquistou público na Netflix. A produção adapta o romance Die Falle, da escritora alemã Melanie Raabe, publicado em 2015 e lançado internacionalmente em diversos países.O livro se tornou um best-seller e serviu de base para a história que coloca uma escritora traumatizada diante de um homem que ela acredita ser um assassino. A adaptação mantém o foco na tensão entre os personagens e nas dúvidas sobre memória, manipulação e verdade.Vale a pena?Sim, principalmente para quem gosta de suspense psicológico, mistérios criminais e histórias que colocam em dúvida a percepção dos próprios personagens. Com seis episódios, Armadilha oferece uma trama que pode ser concluída em pouco mais de quatro horas, sendo uma opção prática para quem deseja aproveitar o tempo livre sem começar uma série longa.A atuação de Friederike Becht é um dos destaques da produção, ao transmitir a fragilidade e a determinação de uma mulher marcada pelo luto. A dinâmica entre Lisa e Robert também cria momentos de tensão, enquanto a investigação levanta dúvidas sobre o que realmente aconteceu com Anna.Apesar de apresentar conflitos repetitivos e um desfecho que pode ser previsível para parte do público, a minissérie reúne elementos capazes de despertar a curiosidade de quem aprecia histórias cheias de suspeitas. O desempenho na Netflix, com mais de 5 milhões de visualizações, reforça o interesse pela produção.Para quem procura uma maratona curta, com mistério, confrontos psicológicos e uma investigação que desafia as certezas da protagonista, Armadilha é uma alternativa para incluir na lista de próximas séries.
A Hera Venenosa pode ganhar uma série para chamar de sua na TV. Segundo informações do Deadline, a Warner Bros. e a DC Comics estão desenvolvendo uma produção centrada na vilã do universo Batman. Lauren LeFranc, showrunner de Pinguim, está em negociações para participar do projeto como produtora executiva.Até o momento, nenhum roteirista foi contratado, e LeFranc não deve assumir o roteiro da produção. O desenvolvimento da série foi pausado devido a fusão entre Paramount e Warner Bros.Caso avance, a série será exibida pela HBO e não fará parte do universo de Batman dirigido por Matt Reeves e estrelado por Robert Pattinson. Ainda não há atriz definida para interpretar a personagem.
Nos quadrinhos, Hera Venenosa é a identidade da Dra. Pamela Isley, uma cientista capaz de controlar plantas e de usar feromônios para manipular qualquer pessoa. Criada por Robert Kanigher e Carmine Infantino, a vilã é conhecida como a "Femme Fatale Floral" do Batman.A personagem já foi interpretada por Uma Thurman no cinema e também apareceu em outras produções da DC, como Batman: A Série Animada e Harley Quinn. Nos quadrinhos e na animação, ganhou destaque por seu relacionamento com Arlequina.
Brad Pitt retorna ao papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 'Era Uma Vez... em Hollywood' em 'As Novas Desventuras de Cliff Booth', e à Netflix divulgou imagens inéditas do filme, dirigido por David Fincher e escrito por Quentin Tarantino.Ambientada em 1977, a trama acompanha Cliff Booth em uma nova Los Angeles, diferente daquela apresentada no primeiro longa. David Fincher comentou sobre a produção: "Não é exatamente uma história sobre dublês, nem sobre cinema, e já nem dá para dizer que é uma história sobre Hollywood. É uma história sobre Los Angeles."
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Além disso, Tarantino contou como a parceria surgiu: "O Brad veio falar comigo e disse: 'E aí, o que você acha de ter o David Fincher dirigindo o filme do Cliff Booth?'. Eu respondi: 'Ideia sensacional!'. Era uma ideia tão incrível que eu nem conseguia imaginar acontecendo de verdade. Parecia bom demais para ser verdade."O elenco também conta com Elizabeth Debicki, Scott Caan, Carla Gugino, Yahya Abdul-Mateen II e Peter Weller, entre outros nomes. A produção estreia nos cinemas em 25 de novembro de 2026, antes de chegar à Netflix em 23 de dezembro.Horários, cinemas e mais: acesse o Cineinsite AQUI e veja onde os filmes estão passando em Salvador.Veja o trailer de As Novas Desventuras de Cliff Booth!