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Por que tantos brasileiros votam em Flávio Bolsonaro?

By: A A
23 October 2026 at 16:05

Segurança pública, rejeição à pauta woke e valorização dos costumes ajudam a explicar a força eleitoral da direita brasileira.

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O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma onda de análises na esquerda brasileira. Com Flávio Bolsonaro à frente de Lula na votação, muitos comentaristas voltaram a procurar explicações no comportamento dos evangélicos, no conservadorismo moral e na influência das lideranças religiosas. Esses fatores têm importância, mas não explicam tudo. Uma parcela significativa do eleitorado demonstra insatisfação com prioridades culturais da esquerda e, sobretudo, com a percepção de que o Estado perdeu capacidade de garantir segurança à população.

A segurança pública ocupa posição central nesse debate. Segundo levantamento Nexus/BTG divulgado em julho de 2026, 30% dos entrevistados identificaram violência, criminalidade ou segurança pública como o principal problema do país. A preocupação é especialmente relevante entre eleitores que apoiam Flávio Bolsonaro, para os quais o combate ao crime constitui uma das principais expectativas em relação ao próximo governo.

A situação do Rio de Janeiro ilustra a dimensão concreta desse problema. Um estudo do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF e do Instituto Fogo Cruzado estimou que, em 2024, aproximadamente quatro milhões de pessoas na Região Metropolitana viviam sob controle ou influência de grupos armados. Isso correspondia a 34,9% da população da região. Facções criminosas e milícias exercem formas de poder territorial que afetam a circulação, as atividades econômicas e a vida cotidiana dos moradores. Algumas estimativas apontam que entre 60% e 70% do território do Rio de Janeiro é atualmente controlado pelo crime organizado.

Nesse contexto, discursos que enfatizam direitos sociais, soberania nacional e política externa podem perder força eleitoral quando não oferecem respostas convincentes à insegurança cotidiana. Lula tem defendido o enfrentamento do crime organizado por meio da integração das forças de segurança, da investigação financeira e da retomada de territórios. E isso só está acontecendo agora, após quatro anos de absoluta negligência na questão de segurança, com o crime organizado alcançando recordes históricos de expansão territorial.

Flávio, por sua vez, aposta em uma abordagem mais punitiva, incluindo o enquadramento de facções como organizações narcoterroristas. A disputa envolve diferentes concepções de segurança, mas também a capacidade de cada candidato de transmitir determinação diante do problema. Se considerar estes grupos terroristas ajuda ou não no combate ao crime é uma longa discussão, mas sem dúvidas a mera classificação com terroristas já agrada uma parcela substancial da população que vive sob o (verdadeiro) terror desses criminosos.

Existe ainda uma dimensão cultural que a esquerda frequentemente subestima. Parte do eleitorado rejeita o vocabulário político associado à agenda woke e interpreta determinadas iniciativas progressistas como tentativas de impor novas normas de comportamento. A decisão draconiana do Supremo Tribunal Federal reconhecendo “transfobia” como “crime equiparável ao racismo” tem gerado, naturalmente, reações extremamente negativas. Afinal, parece absolutamente normal que milhões de brasileiros rejeitem uma decisão que literalmente pode colocar na cadeia (e já está colocando) por até cinco anos pessoas que erram pronome de tratamento durante comunicação com indivíduos trans.

O descontentamento cultural é muitas vezes irresponsavelmente ignorado nas análises políticas. Muitos analises insistem em ver os eleitores como máquinas em busca do benefício material constante, dispostas a sacrificar seus valores imateriais em troca de migalhas assistencialistas – que é tudo que até agora o governo PT conseguiu dar ao povo brasileiro. Mas essa análise é equivocada. Para muitos brasileiros, questões relacionadas à educação dos filhos, à religião e aos limites da intervenção estatal fazem parte de suas prioridades políticas. Esses eleitores obviamente tendem a votar na oposição num cenário nacional onde hospitais estatais universitários – com apoio do establishment esquerdista – promovem bloqueio hormonal e outras formas de “intervenções não-cirúrgicas” em “crianças trans”.

Para desespero dos analistas acadêmicos desconectados da realidade nacional, a política externa ocupa um espaço limitado na experiência diária da maioria da população. As relações com os Estados Unidos, a atuação brasileira nos BRICS e a posição diplomática sobre a Palestina são temas relevantes, mas dificilmente substituem preocupações imediatas como violência urbana e pautas culturais.

A votação de Flávio Bolsonaro deve ser compreendida a partir dessa combinação de fatores, sem atribuir a milhões de eleitores uma motivação única. Segurança pública, valores tradicionais, insatisfação com o governo e rejeição a determinadas pautas progressistas podem convergir em um mesmo voto. Se a esquerda quiser melhorar sua popularidade, o caminho correto é através da revisão de seus erros, não da invenção de falsos motivos para o crescimento da direita.

The Bukeleization of Latin America Has Arrived

23 October 2026 at 14:05
Nayib Bukele’s notoriously harsh and wildly popular security crackdown in El Salvador is spawning imitators and remaking the region.

© Fred Ramos for The New York Times

President Nayib Bukele of El Salvador has overseen an extraordinary security crackdown that has led to plummeting crime rates.

Datafolha Poll Shows Lula and Bolsonaro Tied at 50% Ahead of Runoff

23 October 2026 at 12:53

Both candidates remain statistically tied three days before the presidential runoff.

On Thursday, polling firm Datafolha published a survey showing far-right candidate Flavio Bolsonaro and Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva tied at 50% of valid votes, three days before the presidential runoff.

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Lula Proposes Constitutional Amendment for Free Weekend Transit in Brazil

This is the first runoff poll to show a numerical tie between the two candidates and represents a two-point recovery for Lula compared with the survey released by the same firm last week.

In terms of voter intention, Bolsonaro has 47%, compared with Lula’s 46%, representing a one-percentage-point increase for the incumbent.

On Wednesday, another poll released by Quaest also showed a trend toward a narrowing gap between the two candidates, in this case with Bolsonaro leading by one point, 45% to Lula’s 44%.

Amazing turnout and energy in London yesterday in support of President Lula, ahead of his crucial election against Bolsonaro. His campaign has given hope to people around the world!

Viva Lula! 🇧🇷 pic.twitter.com/hukUDShmz2

— Jeremy Corbyn (@jeremycorbyn) October 19, 2026

In both polls, the results amount to a statistical tie within the margin of error, which is two percentage points for each survey. For its latest poll, commissioned by television network Globo and Folha de Sao Paulo, Datafolha interviewed 2,520 voters between Tuesday and Wednesday of this week.

Bolsonaro received the most votes in the first round of the presidential election, held Oct. 4, with 47.03% of the vote, followed by Lula with 45.16%. This was the narrowest result between two candidates in the first round of a presidential election held in Brazil, demonstrating the extreme polarization of the Brazilian electorate.

In Brazil’s recent democratic history, presidential runoffs have been held seven times, and in every instance, the candidate who received the most votes in the first round has won.

On Friday, Lula and Bolsonaro will face off in the second and final televised debate and will wrap up their respective campaigns on Saturday, the day before voters head to the polls.

teleSUR/ JF

Source: EFE

As Brazil Prepares for Election Runoff, a Town Offers Clues to Bolsonaro’s Rise

Deep in cattle country, voter sentiments in an evangelical stronghold help explain why the country’s leftist president is the underdog in Sunday’s election.

© Seth Kugel for The New York Times

A gathering last month in Nanuque, Brazil, where longtime residents and those who have moved away come together to dance and reconnect.

The Bukeleization of Latin America Has Arrived

23 October 2026 at 10:01
Nayib Bukele’s notoriously harsh and wildly popular security crackdown in El Salvador is spawning imitators and remaking the region.

© Fred Ramos for The New York Times

President Nayib Bukele of El Salvador has overseen an extraordinary security crackdown that has led to plummeting crime rates.

Brazil’s election and the battle for the Amazon – podcast

Our Latin America correspondent, Tom Phillips, heads to Roraima to hear what’s at stake for the rainforest and the communities that live there in the Brazilian presidential runoff on Sunday. Send your comments and questions to tif.questions@theguardian.com

For the Amazon and the communities who live there, the stakes in Sunday’s Brazilian presidential election runoff could scarcely be higher.

Our Latin America correspondent, Tom Phillips heads to Roraima, the country’s most northern state, to hear from voters, preachers and politicians in a region that heavily backed Flávio Bolsonaro in the first round.

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© Photograph: Raphael Alves/The Guardian

© Photograph: Raphael Alves/The Guardian

© Photograph: Raphael Alves/The Guardian

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