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Morre Lua Blanco, atriz que interpretou Roberta na novela Rebelde Brasil, aos 39 anos

A atriz, cantora e compositora brasileira Lua Blanco, conhecida por interpretar a personagem Roberta Messi na novela Rebelde Brasil em 2011 e 2012, faleceu neste domingo (18), aos 39 anos.

A morte foi confirmada por familiares da artista, através das redes sociais. Segundo a publicação, Lua Blanco lutava contra um câncer nos últimos meses de vida.

"Ela se foi em paz, preenchida de amor e com a fé plena de que ia direto pras mãos de Deus. Ela estará conosco para sempre, nos iluminando com a sua forte luz eterna. Peço respeito pelo nosso luto e silêncio nesse momento desafiador. Obrigado por todo carinho de sempre", diz o texto.

Lua Maria Blanco nasceu em 5 de março de 1987, em São Paulo. Como atriz, integrou o elenco de Malhação e Aventuras do Didi, além dos filmes Socorro e Turbulência, e como apresentadora, esteve à frente do programa infantil TV Globinho.

Lua também investiu na carreira como cantora e lançou dois álbuns: Mão no Sonho, em 2016, e Órbita, em 2023.

© Reprodução/Instagram

Atriz Lua Blanco faleceu aos 39 anos
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Trump reforça apoio à reeleição de Netanyahu e ameaça ampliar ações contra o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou apoio à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ameaçou intensificar as ações contra o Irã caso Teerã não mude de postura. Em publicação na Truth Social, dirigida ao povo israelense, o republicano afirmou que Netanyahu é o único líder capaz de manter a parceria com Washington no enfrentamento à República Islâmica.

"Peço que esta carta seja considerada uma expressão do meu apoio completo e irrestrito a Bibi Netanyahu em sua próxima campanha pela reeleição como primeiro-ministro de Israel", escreveu Trump, acrescentando que o premiê "nunca decepcionará" os israelenses.

Os israelenses irão às urnas em 27 de outubro, nas primeiras eleições nacionais desde o ataque do Hamas contra Israel, em 2023.

O presidente americano elogiou Netanyahu como um líder "forte, corajoso e brilhante" e afirmou que ele resistiu à oposição, inclusive dentro de Israel. Segundo Trump, o premiê demonstrou capacidade de enfrentar momentos difíceis e se tornou ainda mais forte diante das pressões políticas.

Na frente geopolítica, Trump acusou o Irã de ameaçar Israel e os Estados Unidos há décadas e afirmou que o país foi "sistematicamente destruído, tanto militar quanto financeiramente". O republicano advertiu que, caso Teerã não altere rapidamente seu comportamento, Washington poderá ampliar as operações. "Em breve concluiremos o trabalho", ameaçou.

Trump também vinculou a continuidade da cooperação americana à permanência de Netanyahu no poder. "Se Israel tiver o líder errado, o que significa qualquer pessoa que não seja Bibi, os Estados Unidos terão de fazer esse trabalho sozinhos, e não estou disposto a isso", declarou.

O presidente afirmou ainda que Netanyahu tem sido um importante parceiro na busca pela paz e no combate ao Irã, ressaltando que esse é o tipo de liderança que Washington espera de Israel.

 

© Isac Nóbrega/PR

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, compartilhou links de site suspeito
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Padre morre após ser atingido por cruz em missa transmitida ao vivo

Um padre morreu depois de ser atingido por uma cruz de madeira enquanto celebrava uma missa transmitida ao vivo nas redes sociais neste sábado, 17. O incidente ocorreu em Guaiaquil, no Equador, e vitimou o padre Patricio Sánchez Molinari. A morte foi confirmada pela Arquidiocese de Guaiaquil em nota no Instagram no sábado.

Registros do momento do acidente circulam nas redes sociais e mostram a estrutura atingindo a cabeça do sacerdote enquanto ele celebrava a cerimônia na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na região sul da cidade.

Após ser atingido, o padre foi socorrido por fiéis que estavam no local. Segundo o jornal equatoriano El Comercio, não há informações sobre o que teria causado o desabamento da cruz.

No comunicado compartilhado no Instagram, a Arquidiocese prestou condolências aos redentoristas, congregação religiosa do qual o sacerdote fazia parte, e aos amigos e familiares de Patricio Molinari. A nota foi assinada pelo Cardeal Luis Cabrera Herrera, arcebispo de Guaiaquil.

 

© Reprodução/Redes sociais

Cruz de madeira atingiu padre durante uma missa
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Brasileiros participam de ato pró-Lula em Lisboa neste domingo (18)

Brasileiros que moram em Portugal participaram, neste domingo (18), de um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A mobilização "Caminhada pela Virada", como está sendo chamada, contou com a presença do cantor pernambucano Alceu Valença.

Com cartazes em defesa da democracia, da Amazônia e contra a entrega de recursos naturais aos Estados Unidos, o grupo se concentrou às 10h30 de Lisboa (6h30 de Brasília) na histórica Praça Luís de Camões.

Priscilla Aguiar/Cortesia
Alceu Valença participou de ato pró-Lula em Lisboa - Priscilla Aguiar/Cortesia

O ato seguiu em caminhada às 11h30 de Lisboa (7h30 de Brasília) em direção a Ribeira das Naus, sendo embalado pelo grupo de Maracatu Baque do Tejo.

Com 26.401 votos, Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) em Portugal, o segundo maior colégio eleitoral brasileiro na Europa, no primeiro turno. O senador recebeu 19.412 votos.

© Priscilla Aguiar/Cortesia

Brasileiros participaram de ato em apoio a reeleição do presidente Lula, neste domingo (18), pelas ruas de Lisboa
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Reino Unido: Chefe do Exército diz que governo deve preparar população para tempos de guerra

O chefe do Estado-Maior do Exército britânico, general Roly Walker, afirmou que a população do Reino Unido terá de encarar em breve um debate sobre os sacrifícios exigidos pela prioridade à defesa. Para ele, o período em que o país podia evitar pensar na possibilidade de uma guerra ficou para trás.

As declarações foram publicadas na quinta-feira, 15, pelo Forces News, portal de notícias público da organização britânica de radiodifusão voltada às Forças Armadas. Walker falou em Catterick Garrison diante de cerca de 700 militares da 1ª Divisão do Reino Unido.

Segundo Walker, quem acompanha a evolução do cenário internacional percebe que o mundo vive hoje um nível de perigo extremo, e a atividade militar voltou a ocupar espaço na mente dos britânicos. Ele disse esperar que os líderes políticos expliquem ao público, nos próximos tempos, onde estão os riscos e o que a nação precisará estar disposta a fazer. O general classificou o momento atual como muito perigoso.

Ele disse que os cidadãos, que nem sempre têm as Forças Armadas entre suas preocupações cotidianas, precisam entender o papel dos militares e consentir com os sacrifícios que isso implica. Em última instância, afirmou, será necessário que a sociedade apoie os soldados naquilo que só eles fazem: levar o combate ao inimigo.

Walker também lembrou aos militares que, nas forças terrestres, o peso do combate recai sobre os soldados mais jovens e menos experientes. Ele afirmou que, se o país for chamado à guerra, a defesa da nação dependerá deles, e que a nação poderá precisar de cada um, mesmo que não saibam disso.

O discurso ocorre em meio a temores de que o conflito na Ucrânia atinja outros países da Europa. Autoridades do continente afirmam que a Rússia estaria planejando ataques, o que Moscou nega.

A fala do comandante ocorre num momento em que uma nova pesquisa do Instituto Ipsos indica que metade dos britânicos não pegaria em armas pelo país em nenhuma circunstância. O mesmo levantamento mostra, porém, que mais da metade apoia o aumento dos gastos militares.

Entre os que defendem mais dinheiro para a defesa, 37% acham que os recursos devem vir do remanejamento de outras áreas do orçamento, enquanto 36% preferem a elevação de impostos em geral.

O financiamento das Forças Armadas se tornou um dos principais dilemas do governo. Em setembro, durante a conferência do Partido Trabalhista em Liverpool, o ministro da Defesa, Wes Streeting, reconheceu que investir mais em defesa exige escolhas e concessões. Ele rebateu críticos da direita ao dizer que um país não se fortalece empobrecendo seu povo.

O antecessor de Streeting na pasta, John Healey, hoje ministro das Finanças, deve detalhar os planos de gastos no orçamento previsto para 28 de outubro.

Walker não é o único alto oficial a falar do assunto. Líderes militares de primeiro escalão, entre eles o chefe do Estado-Maior da Defesa, marechal do ar Sir Rich Knighton, têm sido cada vez mais enfáticos ao tratar do papel da sociedade na resistência a ameaças externas.

 

© Reprodução das redes sociais

Ex-ministra do Reino Unido foi morta em ataque premeditado, diz polícia britânica
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Flávio comemora entrevista de lobista e deputada do PL quer proteção para testemunha

Flávio Bolsonaro (PL), candidato que disputa o segundo turno da Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comemorou a entrevista dada pela lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil, em que ela disse que Lula "continua mentindo", o chamou de "mau-caráter" e ainda faz ataques a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

"Bomba na família Lula. Mentiroso e mau-caráter. Fala tudo, Roberta", escreveu Flávio. O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que protocolou ofícios à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a proteção de Luchsinger e também disse que irá pedir a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, à Comissão de Segurança Pública para prestar esclarecimentos.

Em outra frente, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), que é procuradora da mulher na Câmara, disse que pedirá proteção a Luchsinger.

"Como Procuradora da Mulher na Câmara, solicito sua inclusão imediata no Programa de Proteção a Testemunhas, diante da gravidade das denúncias e dos riscos à segurança dela e de suas filhas", afirmou.

Chamada de pilantra por Lula em entrevistas, a lobista revidou e disse que o presidente é mau-caráter, mentiroso, senil e machista. Ela também relatou receber ameaças de morte e temer pela segurança das filhas.

Nessa entrevista, ela disse que quer fazer um acordo de delação premiada e disse que não irá poupar nem Lula e nem Lulinha. A lobista e o filho do presidente são investigados pela Polícia Federal por tráfico de influência.

O PL, partido de Flávio, também celebrou as declarações de Luchsinger. "O Brasil precisa saber o que está acontecendo. Mentiroso e mau-caráter. Lula pai da mentira. Fala tudo, Roberta, Lula corrupto e mentiroso. Acabou pro Lula, delata Roberta", escreveu o partido em publicação no X.

Do outro lado, petistas optaram por não reagir em peso nas redes sociais. O deputado André Janones (Rede-MG), que comanda o "Exército do Lula", canal do WhatsApp com 5 milhões de pessoas focado em angariar votos para a reeleição de Lula, conclamou apoiadores a ignorar tudo relacionado à entrevista.

"Se a campanha tiver que responder alguma coisa, vai responder na televisão, no jornal, onde a lógica do algoritmo não funciona", disse Janones." Você não vai engajar em nada negativo ao presidente."

O ministro da secretaria da Presidência, Guilherme Boulos, comentou fazendo contrastes entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). "Quando o filho de Lula foi citado numa investigação, o presidente chegou e disse: investiga. Quando Flávio estava sendo investigado, Bolsonaro disse numa reunião de ministros que ia trocar o diretor da Polícia Federal, e, se preciso, trocar até o ministro para poder proteger o filho dele", disse.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou nota dizendo que o presidente não manteve contatos com a lobista e desconhece os relatos que ela faz e estranha ela ter dado entrevista perto do segundo turno das eleições.

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", diz o comunicado.

 

© Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República
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Sete presídios de Pernambuco devem adotar padrão de segurança máxima por abrigarem membros de facções

Sete presídios de Pernambuco devem adotar padrões de segurança máxima por abrigarem membros de facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As unidades fazem parte de uma lista de 138 que receberão reforço do governo federal por concentrarem 80% das lideranças do crime organizado no Brasil. 

O principal objetivo da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) é que os líderes das facções presos permaneçam sem qualquer comunicação fora dos presídios, evitando que ordens sejam dadas para homicídios e ampliação do domínio de territórios para o tráfico de drogas e armas de fogo. 

A coluna Segurança apurou que o Presídio de Itaquitinga II, localizado no município de Itaquitinga, na Mata Norte, é um dos sete que fazem parte da lista nacional. A unidade, cuja obra foi concluída na atual gestão do governo estadual, abriga alguns dos principais líderes do crime organizado presos em Pernambuco. Eles permanecem em celas separadas a maior parte do dia e seguem rigorosos protocolos. Hoje é considerada a unidade mais segura do Estado - sem superlotação e sem a presença de chaveiros. 

O Presídio de Igarassu, localizado no Grande Recife, também faz parte da lista. Uma das mais superlotadas e precárias do Estado, a unidade prisional foi alvo de operações da Polícia Federal, no primeiro semestre de 2025, com o objetivo de combater um forte esquema de corrupção envolvendo um ex-diretor, um ex-secretário executivo e vários policiais penais, que recebiam propina para liberar regalias a alguns presos.

Mesmo com as operações e a cobrança por melhorias na segurança, o Presídio de Igarassu mantém presos comandando pavilhões e cantinas. Além disso, inspeção realizada pela Defensoria Pública Estadual, no primeiro semestre deste ano, indicou que havia 6.127 pessoas presas, com taxa de ocupação de 499,8%. A capacidade oficial é de 1.226 vagas. 

As outras cinco unidades de Pernambuco que devem receber reforço federal são: 

Presídio policial Penal Leonardo Moura Lago, no Complexo Prisional do Curado, no Recife;

Presídio Rorinildo da Rocha Leão, em Palmares, na Mata Sul;

Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, no Sertão;

Penitenciária de Tacaimbó, no Agreste;

Penitenciária Dr. Enio Pessoa Guerra, em Limoeiro, também no Agreste.

O Nordeste concentra o maior número de unidades prisionais (45) que terão regras mais rígidas para ampliar o isolamento de líderes das organizações criminosas. Na sequência, estão o Sudeste (38), o Norte (23), o Sul (17) e o Centro-Oeste (15).

O Ministério da Justiça e Segurança Pública adquiriu 276 equipamentos de raio-X, com investimento de R$ 36 milhões. O planejamento prevê o envio de duas máquinas para cada presídio contemplado. Também foram adquiridos 138 scanners corporais, com valor de cerca de R$ 38 milhões.

Parlatórios das 138 unidades estaduais também devem receber equipamentos de gravação e monitoramento de reuniões entre advogados e líderes das facções. 

POLICIAIS PENAIS PARTICIPAM DE DIAGNÓSTICO 

A Senappen convocou os servidores que atuam nos 138 presídios mapeados para responder a um diagnóstico que pretende identificar as competências existentes e as necessidades de desenvolvimento desses profissionais nas ações de combate ao crime organizado.

A iniciativa está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As respostas serão analisadas em conjunto com os dados obtidos na primeira etapa da pesquisa, realizada por meio de entrevistas com os gestores das unidades. 

"A combinação das perspectivas dos gestores e dos profissionais que atuam diretamente na custódia permitirá construir uma visão mais abrangente das capacidades existentes, das lacunas de desenvolvimento e das condições necessárias para fortalecer a atuação das equipes", informou a secretaria nacional. 

© Hesíodo Goes/Secom

Presídio Policial Penal Leonardo Lago, no Recife
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Tarifa Zero no transporte público: Livro mostra por que a gratuidade deixou de ser utopia e virou urgência nacional

Por anos, falar em transporte público gratuito no Brasil foi tratado por gestores públicos e empresários como um delírio populista ou um descompasso orçamentário. No entanto, o estrangulamento das cidades, o encarecimento contínuo das passagens e o esvaziamento dos ônibus evidenciaram uma realidade inevitável: o modelo de mobilidade urbana baseado na cobrança individual da tarifa está falido. Essa é a principal lição e conclusão do livro Tarifa Zero: Do Impossível ao Inevitável, lançado pela Fundação Rosa Luxemburgo e pela editora Autonomia Literária.

Organizado pela vereadora Iza Lourença e pela ativista Anna Carolina Leal, o livro surge como um manifesto técnico e político para registrar e impulsionar a transição da gratuidade de pauta marginal para prioridade na agenda pública nacional. A publicação analisa em profundidade a batalha travada para fazer vingar o Projeto de Lei nº 60/2025 em Belo Horizonte — a campanha do "Busão 0800" —, ao mesmo tempo em que conecta as experiências de mais de 140 municípios brasileiros que já aboliram a tarifa no transporte coletivo diário.

A ILUSÃO DO “USUÁRIO-PAGADOR”

Daniel Santini/Divulgação
Publicação organizada após a emblemática campanha do "Busão 0800" em Belo Horizonte (MG) reúne dados e análises tributárias - Daniel Santini/Divulgação

O livro constata que as metrópoles brasileiras vivem o que especialistas em mobilidade chamam de "espiral da morte" do transporte público. A lógica contratual que exige que a arrecadação das catracas custeie toda a operação gera um círculo vicioso perverso: a tarifa sobe para cobrir os custos operacionais, o valor afasta o passageiro que não pode pagar, a receita despenca e as empresas reagem cortando frota e horários. O resultado é um serviço caro, lotado e ineficiente, que empurra a população para o transporte individual motorizado — provocando a explosão do uso de motos, sinistros de trânsito graves, congestionamentos a qualquer hora do dia e emissões crescentes de poluentes.

CONFIRA A EXPANSÃO DA TARIFA ZERO NO PAÍS AQUI

Esse cenário afeta desproporcionalmente as famílias de baixa renda, para as quais o transporte chega a representar cerca de 20% do orçamento doméstico. Em termos concretos, a catraca atua como uma barreira de classe que impede o cidadão de exercer direitos fundamentais garantidos pelo Artigo 6º da Constituição Federal — como o acesso à saúde, à educação, ao trabalho e ao lazer.

Coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo e um dos co-editores da publicação, o pesquisador e jornalista Daniel Santini explica como a experiência de Belo Horizonte acelerou a maturidade do debate no País. "Fizemos da Tarifa Zero a grande pauta da cidade em 2025. O projeto de lei de BH reuniu 22 assinaturas de 41 vereadores e mostrou uma proposta extremamente sólida sobre como bancar o custeio. A publicação é uma coletânea de múltiplas vozes — juristas, tributaristas, sindicalistas e movimentos sociais — que comprova que o transporte sem catraca é a única opção real para reverter a crise da mobilidade urbana e evitar o colapso das nossas cidades", defende.

Divulgação
Daniel Santini, coordenador de Projetos da Fundação Rosa Luxemburgo - Divulgação

Daniel Santini ressalta que o movimento anti tarifário brasileiro alcançou uma nova etapa de amadurecimento político e institucional. "Hoje estamos em uma terceira fase: saímos das denúncias contra aumentos de passagem e entramos na disputa concreta pela implementação da Tarifa Zero. A gratuidade deixou de ser uma abstração teórica e se tornou o principal horizonte de planejamento urbano no Brasil", diz.

DEPENDÊNCIA DO VALE-TRANSPORTE TRADICIONAL

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Tarifa Zero no transporte público: Livro mostra por que a gratuidade deixou de ser utopia e virou urgência nacional - ARTE

Um dos pontos mais debatidos na obra é a superação da dependência do vale-transporte tradicional, criado na década de 1980 e atrelado ao valor da passagem individual. Daniel Santini defende que a reformulação dos mecanismos vigentes é suficiente para financiar a gratuidade sem estourar o orçamento do Tesouro Municipal.

"Apenas a reformulação do vale-transporte, transformando-o em uma contribuição patronal direta e extratarifária, já cobriria praticamente todo o custo de operação dos sistemas municipais. O setor produtivo e a sociedade ganham com a cidade circulando e com o aumento do poder de compra da população", alerta e ensina.

O pesquisador também faz uma crítica contundente às propostas de gratuidade restrita ou voltadas apenas a cadastros sociais assistenciais - numa referência ao projeto Transporte para Todos, desenvolvido pelo setor operacional.  "A gente defende a Tarifa Zero universal, para todos. Restringir a gratuidade apenas a beneficiários do CadÚnico ou criar 'tarifas sociais' parciais pode ser muito danoso. Isso perpetua a falsa ideia de que o ônibus é um serviço ruim voltado apenas para os mais pobres, em vez de consolidar o transporte como um direito público universal e de alta qualidade para toda a sociedade", alerta. 

A URGÊNCIA DA PAUTA NACIONAL

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Tarifa Zero no transporte público: Livro mostra por que a gratuidade deixou de ser utopia e virou urgência nacional - Divulgação
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A cobrança de tarifa individual na catraca impõe barreiras financeiras às famílias de baixa renda e alimenta o colapso do sistema coletivo - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Apesar da consistência técnica e do respaldo de pesquisas da UFMG mostrando que a Tarifa Zero aqueceria o comércio local e geraria empregos, o Projeto de Lei nº 60/2025 em Belo Horizonte acabou rejeitado no plenário por 30 votos a 10. A votação expôs a forte pressão do lobby das concessionárias de ônibus e de entidades patronais como a FIEMG e a CDL, além da oposição do prefeito Álvaro Damião. Contudo, como demonstra a publicação, a derrota regimental se transformou em uma vitória política e pedagógica sem precedentes.

A pressão popular em Belo Horizonte forçou a prefeitura a decretar a gratuidade dos ônibus aos domingos e feriados. Mais do que isso, espalhou a proposta pelo País. Projetos de lei inspirados no modelo de financiamento do Busão 0800 foram protocolados no Distrito Federal, em Fortaleza (CE) e em Florianópolis (SC). Em maio de 2026, o Brasil contava com 144 municípios com Tarifa Zero universal diária, beneficiando mais de 8 milhões de brasileiros e tornando o país a maior referência mundial no tema.

O debate alcançou o topo do governo federal. O fortalecimento da pauta deu novo fôlego à Proposta de Emenda à Constituição nº 25/2023, de autoria da deputada federal Luiza Erundina, que institui o Sistema Único de Mobilidade (SUM). Conhecido como o "SUS do Transporte", o SUM busca criar uma estrutura federativa de financiamento e diretrizes de qualidade que garanta o transporte gratuito e universal como direito social em todo o território nacional, protegido das oscilações de gestões municipais.

ARTES
Impacto da Tarifa Zero - ARTES

Com 81% de aprovação popular no País, a Tarifa Zero provou que a mobilidade não é um gasto improdutivo, mas um investimento estrutural e o "direito-meio" indispensável para a existência da vida democrática nas cidades. A obra Tarifa Zero: Do Impossível ao Inevitável deixa claro que a pergunta não é mais se a gratuidade deve ser adotada, mas quando o País terá a coragem política de implementá-la em escala nacional.

© FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

A cobrança de tarifa individual na catraca impõe barreiras financeiras às famílias de baixa renda e alimenta o colapso do sistema coletivo
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