“Correr é o ponto de partida, mas o verdadeiro valor está naquilo que acontece entre colegas, equipas e empresas”

Depois de 26 anos de história em Espanha, a Corrida das Empresas Quirónprevención estreia-se em Portugal a 15 de novembro, em Lisboa. O evento pretende aproximar colaboradores, reforçar o espírito de equipa e promover hábitos de vida saudáveis, num formato que alia desporto, convívio e networking. Em conversa com o ECO, Luís Sepúlveda, CEO da LastLap, explica o potencial desta iniciativa para transformar as relações dentro das organizações e revela a ambição de afirmar a corrida como uma referência nacional.

Ao fim de 26 anos de história em Espanha, a Corrida das Empresas acontece pela primeira vez em Portugal. Porquê agora? Que oportunidade identificaram no mercado português?
Portugal reúne hoje condições muito favoráveis para receber um evento desta natureza. As empresas estão cada vez mais atentas à importância do bem-estar dos colaboradores, da cultura organizacional e da criação de experiências que promovam o sentimento de pertença. Acreditamos que existe espaço para trazer para o mercado português um conceito consolidado em Espanha, que combina atividade física, espírito de equipa e relacionamento entre empresas.
A primeira edição portuguesa da Corrida das Empresas Quirónprevención, marcada para 15 de novembro, em Lisboa, pretende responder a essa oportunidade, criando um ponto de encontro entre organizações de diferentes setores e dimensões, através de uma experiência acessível, inclusiva e com uma forte componente de convívio.
O que explica o sucesso em Espanha de um evento que já reuniu 32 mil corredores de 1.600 empresas?
O sucesso resulta, em grande medida, da capacidade de transformar uma atividade individual numa experiência coletiva. Correr é o ponto de partida, mas o verdadeiro valor está naquilo que acontece entre colegas, equipas e empresas.
"As empresas querem reforçar o espírito de equipa, promover hábitos de vida saudáveis, melhorar a motivação e criar uma ligação mais forte entre os colaboradores e a organização”
O formato permite que pessoas com diferentes funções, níveis de responsabilidade e condições físicas participem num objetivo comum. Ao mesmo tempo, introduz uma componente de competição saudável e de diversão que torna a experiência mais envolvente.
Este é um momento para se estar com colegas da mesma empresa, mas também uma oportunidade de fazer networking com as muitas empresas que vão estar presentes no evento. Será um contexto específico, no qual todos estão em pé de igualdade e poderão ter conversas de igual para igual. Não há clientes nem parceiros, apenas atletas com o objetivo de passar um bom momento.
Os números alcançados em Espanha demonstram que existe uma procura real por iniciativas que aproximem as pessoas através de experiências partilhadas, fora do contexto habitual de trabalho.
O que procuram hoje as empresas quando investem em experiências para os colaboradores?
As empresas procuram experiências com significado, capazes de gerar um impacto que vá além de um momento pontual de lazer. As empresas querem reforçar o espírito de equipa, promover hábitos de vida saudáveis, melhorar a motivação e criar uma ligação mais forte entre os colaboradores e a organização.
Existe também uma preocupação crescente com a saúde física e mental e com a qualidade das relações no local de trabalho. Neste contexto, iniciativas como a Corrida das Empresas permitem trabalhar várias dimensões em simultâneo, de uma forma prática, positiva e participativa. O desafio é criar experiências em que os colaboradores não sejam apenas espectadores, mas protagonistas.
A Corrida das Empresas não é apenas um evento datado. Não começa nem acaba no dia 15 de novembro. Há todo um processo anterior que é tão ou mais importante do que o dia da corrida. Há alguém que toma conhecimento do evento e que se torna num influenciador dos colegas, levando à criação e inscrição de uma equipa; há sessões de treino em conjunto e provavelmente, a partir daí há um estreitamento de relações e a criação de grupos de corrida dentro das empresas ou reforço daqueles que já existem. É natural que com este pretexto, nasçam novos corredores nas empresas portuguesas, que irão repetir a sua presença na Corrida das Empresas, nos próximos anos.
Como pode uma corrida contribuir para quebrar hierarquias e aproximar as pessoas dentro das organizações?
Uma corrida cria um contexto diferente daquele em que as pessoas se relacionam diariamente. Durante a preparação e no próprio dia do evento, os cargos e as hierarquias passam para segundo plano. O que ganha importância é a participação, a entreajuda e a vontade de alcançar um objetivo comum.
Um diretor pode correr ao lado de um colega de outra área, uma equipa pode apoiar quem tem um ritmo mais lento e pessoas que raramente trabalham juntas podem descobrir interesses comuns. São estas experiências que ajudam a construir relações mais próximas e autênticas. O impacto não se esgota no dia da corrida: as memórias e as histórias partilhadas podem prolongar-se no quotidiano da organização.
O que distingue a Corrida das Empresas de uma corrida tradicional?
A principal diferença está no facto de o evento ter as empresas e as suas equipas no centro da experiência. Não se trata apenas de cumprir uma distância ou alcançar um determinado tempo, mas de representar uma organização, partilhar um desafio com os colegas e viver um momento de convívio com pessoas de outras empresas.
O formato combina desporto, competição saudável, diversão e networking. Além disso, procura ser acessível a diferentes perfis de participantes, com provas de 5 e 10 quilómetros e uma caminhada, permitindo que cada pessoa encontre a forma mais adequada de participar.
"A ambição da LastLap é afirmar a Corrida das Empresas como uma referência nacional na ligação entre desporto, empresas e bem-estar dos colaboradores”
O objetivo é que todos se sintam parte da equipa, independentemente da sua experiência desportiva, até porque não existe uma competição individual, mas sim de grupo. Cada um é, como nas empresas, parte de uma organização, a dar o seu melhor pelo bem coletivo e não individual.
Como funcionam os rankings, desafios e ativações que tornam este formato diferente?
A componente competitiva é pensada para ir além do desempenho individual. A participação das empresas permite criar uma dinâmica de equipa, com rankings e desafios que incentivam os colegas a envolver-se, a mobilizar outros participantes e a representar a sua organização.
A isto juntam-se as ativações e os momentos de interação associados ao evento, que ajudam a prolongar a experiência para além da corrida propriamente dita. Queremos que as empresas possam transformar a participação numa iniciativa interna, envolvendo os colaboradores antes, durante e depois do evento. A competição é importante, mas o objetivo é que seja sempre uma competição saudável, que estimule a participação, a diversão e o espírito de equipa.
Qual tem sido a resposta das empresas portuguesas e como estão as inscrições para novembro?
A primeira edição está a permitir-nos apresentar o conceito às empresas portuguesas e demonstrar o potencial de uma iniciativa que alia desporto, bem-estar e cultura organizacional. Temos procurado chegar a organizações de diferentes setores e dimensões, porque acreditamos que este é um formato com capacidade para mobilizar empresas muito distintas.
Que ambição tem a LastLap para transformar esta primeira edição num evento de referência em Portugal?
A ambição da LastLap é afirmar a Corrida das Empresas como uma referência nacional na ligação entre desporto, empresas e bem-estar dos colaboradores. Queremos construir um evento com identidade própria, que as organizações reconheçam como uma oportunidade relevante para investir nas suas equipas e que os participantes queiram repetir ano após ano.
A experiência de 26 anos em Espanha dá-nos uma base sólida, mas sabemos que é essencial construir uma relação próxima com o mercado português, perceber as suas características e adaptar o evento à realidade das empresas nacionais.
Esta primeira edição é o ponto de partida. O nosso objetivo é crescer de forma sustentada, aumentar a participação de empresas e corredores e criar uma comunidade em torno de valores como a saúde, a colaboração, a inclusão e o espírito de equipa.