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Educação financeira infantil vai além da mesada; veja como orientar os filhos

A mesada, sozinha, não garante que crianças aprendam a administrar o dinheiro. Com o uso de Pix, cartões e contas digitais cada vez mais presente na rotina, a educação financeira também depende das conversas em família e dos exemplos dos adultos, segundo a contadora e consultora financeira Angelina Moura, especialista em Investimentos, Finanças e Banking.

Uma pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box apontou que 53% dos pais começaram a falar sobre finanças com os filhos antes dos 8 anos. O levantamento também mostrou que 28% das crianças e adolescentes recebem mesada por Pix, conta digital ou cartão, enquanto 39% usam Pix no cotidiano.

Para Angelina, a facilidade dos pagamentos digitais pode dificultar a percepção dos limites do dinheiro quando não há orientação dos responsáveis.

“Educação financeira começa ajudando a criança a entender que toda escolha tem um limite e uma consequência”, afirma.

Um dos erros apontados pela especialista é entregar a mesada sem estabelecer quais despesas ficarão sob responsabilidade da criança. Outro é repor imediatamente o dinheiro quando o valor acaba antes do prazo combinado.

Segundo Angelina, situações como essas podem ser usadas para conversar sobre planejamento e consequências das escolhas, sem recorrer a punições ou constrangimentos.

“Se gastou tudo no início, talvez precise esperar para comprar outra coisa. O erro, quando acontece em um ambiente seguro e acompanhado, também educa”, explica.

A especialista recomenda que os responsáveis conversem com os filhos sobre as decisões de consumo e ajudem a avaliar alternativas. A proposta é que a criança aprenda gradualmente a administrar o valor disponível e a lidar com a espera antes de realizar uma compra.

Exemplo dos pais influencia hábitos de consumo

O comportamento dos adultos também pode influenciar a forma como crianças e adolescentes lidam com o dinheiro. Uma pesquisa da Serasa realizada em 2025 apontou que 65% dos pais acreditam que os filhos são influenciados pelo que veem nas redes sociais.

Na avaliação de Angelina, os hábitos da família precisam estar alinhados às orientações dadas às crianças. Compras por impulso e a satisfação imediata de desejos, por exemplo, podem contradizer conversas sobre planejamento financeiro.

A consultora sugere incluir os filhos em decisões cotidianas, como comparar preços, escolher entre produtos e entender por que determinada compra será adiada. A orientação, segundo ela, não significa compartilhar preocupações financeiras de adultos com as crianças, mas apresentar situações compatíveis com a idade.

Ensinar a gastar também faz parte

A educação financeira não deve se limitar ao hábito de guardar dinheiro. Para Angelina, as crianças também precisam aprender a gastar, estabelecer prioridades, esperar e lidar com a frustração de não conseguir comprar tudo o que desejam.

“O objetivo não é formar uma criança que economize cada centavo. É ajudá-la a perceber que dinheiro envolve escolhas”, afirma.

A especialista recomenda adaptar a mesada à idade da criança e à realidade financeira de cada família, sem estabelecer um valor universal. Para os menores, períodos mais curtos entre os pagamentos podem facilitar a compreensão. Conforme amadurecem, os responsáveis podem ampliar os intervalos e as responsabilidades.

Angelina ressalta que a mesada é apenas um dos recursos disponíveis para ensinar educação financeira. Conversas após as compras, comparação de preços e exemplos dos adultos também podem ajudar a desenvolver hábitos de planejamento e consumo consciente.

© REPRODUÇÃO/MAGNIFIC

Mesada não basta para ensinar crianças a lidar com dinheiro, diz especialista
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