❌

Reading view

Operação prende investigado por intermediar propinas em Bauru (SP)

O MPSP (Ministério Público de São Paulo) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (23), a terceira fase da Operação Cavalo de Troia, que investiga fraudes na gestão de resíduos sólidos urbanos em Bauru, no interior do estado. Um dos investigados, suspeito de intermediar o pagamento de propinas na concessão dos serviços públicos, foi preso preventivamente na ação.

Também são cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a pessoas jurídicas suspeitas de intermediar os repasses de valores. As diligências são conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Militar de São Paulo.

Segundo o Ministério Público, a Justiça também determinou medidas assecuratórias para preservar bens e ativos dos investigados, até o limite de R$ 20 milhões.

Terceira fase da Operação Cavalo de Troia
Terceira fase da Operação Cavalo de Troia • Divulgação/MPSP

Leia Mais:

Braço financeiro e intermediador de propinas

A segunda fase da investigação concentrou-se no braço financeiro do esquema e nas pessoas supostamente responsáveis pela intermediação das propinas.

Os elementos reunidos até o momento indicam que empresas e contratos aparentemente desprovidos de efetiva causa econômica teriam sido utilizados para conferir aparência de regularidade à transferência de recursos destinados, de forma indireta, a agentes públicos e pessoas por eles indicadas.

Segundo a investigação, os pagamentos identificados até o momento superam R$ 4 milhões. As transferências teriam sido formalizadas por meio de contratos, notas fiscais e descrições de serviços cuja efetiva prestação ainda é objeto de apuração.

Essa frente investigativa foi aprofundada após a apreensão, na fase anterior da Operação Cavalo de Troia, de uma nota fiscal emitida pela empresa que estaria intermediando as propinas. As diligências realizadas posteriormente identificaram outros pagamentos expressivos em favor da mesma empresa.

Secretário de Bauru foi preso

O secretário municipal de Governo de Bauru Renato Purini, também marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso no dia 16 de outubro durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia.

A investigação apura suspeitas de fraude na licitação para a concessão do sistema de gestão integrada de resíduos sólidos do município. O projeto previa um contrato de 30 anos, estimado em R$ 5,2 bilhões.

imagem da prefeita de bauru e o marido
A prisão ocorreu no mesmo dia em que Suéllen Rosim está prevista para prestar depoimento à CP. • Reprodução / Redes Sociais

A nova fase da operação ocorre no mesmo dia em que a prefeita tem depoimento previsto na Comissão Processante (CP) instaurada pela Câmara Municipal para apurar possíveis infrações político-administrativas relacionadas à condução da concessão.

Leia também: Marido da prefeita e secretário de Bauru tem prisão mantida em SP

Operação Cavalo de Troia

A Operação Cavalo de Troia apura suspeitas de direcionamento da licitação desde a elaboração dos estudos técnicos, além de possíveis pagamentos de vantagens indevidas, compartilhamento reservado de documentos e tentativas de interferência na atuação de órgãos de controle.

Na primeira fase da operação, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, prisões e bloqueios de bens e valores dos investigados. Na ocasião, as autoridades cumpriram mandado de prisão preventiva contra o secretário municipal de Governo

Posteriormente, seis investigados passaram à condição de réus por suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas à concessão, conforme informações divulgadas pelo Ministério Público.

Considerando as três fases de operação, oito pessoas já foram detidas.

O projeto de concessão, que previa a gestão dos resíduos sólidos por 30 anos, foi cancelado. A investigação criminal, no entanto, segue em andamento para apurar as responsabilidades dos envolvidos.

  •  

MP recorre contra soltura de Ivo Kos, empresário suspeito de agredir esposa

O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) entrou com um recurso contra a soltura do empresário Ivo Kos, de 48 anos, preso em flagrante por suspeita de agredir e ameaçar a esposa em agosto deste ano.

Segundo o órgão, após a soltura, Kos publicou uma foto ao lado do filho nas redes sociais, em que comemorava a soltura.

De acordo com o MP, o pedido seria para evitar nova violência contra a mulher, o que classifica como irreparável. A instituição apontou que o relaxamento da detenção, decorrente de acordo entre o agressor e a vítima para a formalização do divórcio, oferece perigo de dano concreto.

A prisão preventiva de Kos foi revogada pela Justiça de São Paulo e ele deixou a Penitenciária de Potim II, no interior paulista, nesta quarta-feira (21).

A CNN Brasil entrou em contato com as defesas de Ivo e Giullia sobre a soltura e aguarda retorno.

Entenda o caso

O caso aconteceu na zona Oeste da capital paulista, na madrugada de 15 de agosto. Segundo a dentista Giullia Falcão, de 27 anos, Ivo a agrediu na mão direita com um golpe de taco de beisebol e a ameaçou com um taser.

Imagens de uma câmera de segurança, obtidas pela CNN Brasil, registraram o momento da agressão. Veja:

Em depoimento à polícia, Giullia afirmou que a discussão começou após um jantar do casal com clientes de Ivo. Segundo ela, durante o trajeto de volta para casa, o empresário teria iniciado as agressões.

Ao chegar à residência, Giullia disse que tentou impedir a entrada no imóvel, mas teria sido puxada para dentro com o auxílio de um segurança da rua, identificado no boletim de ocorrência como Cosme.

Já dentro da casa, segundo o relato, as agressões teriam continuado. A dentista afirmou que Ivo utilizou um taco de beisebol para atingir sua mão direita, provocando a fratura de um dedo.

Ela também relatou ter sido ameaçada com uma arma de choque e disse que o marido tomou seu celular para impedir que ela acionasse a Polícia Militar. Segundo Giullia, o empresário ainda teria feito ameaças de morte caso ela tentasse fugir ou deixar o relacionamento.

Agressões frequentes

Giullia afirmou nas redes sociais que a agressão registrada na data não teria sido um episódio isolado. Segundo ela, outros casos de violência ocorreram durante os quase três anos de casamento.

Em um vídeo publicado, a dentista mostrou ferimentos no rosto e afirmou ter sofrido uma fratura no dedo.

“Esta é a situação em que meu marido me deixou. Veja, um dedo quebrado, meu rosto todo deformado”, disse. Giullia também relatou que já havia registrado uma ocorrência anterior contra o marido e procurado um advogado criminalista.

Após receber atendimento médico, a vítima retornou à residência do casal e encontrou a porta trancada e a fechadura trocada.

Versão do empresário

Em depoimento, Ivo Kos apresentou uma versão diferente dos fatos. O empresário afirmou que a discussão começou depois de comentários feitos pela esposa durante o jantar. Ele relatou que ela teria o menosprezado diante de clientes.

Kos disse ainda que os dois possuem histórico de problemas relacionados ao consumo de álcool. Durante o trajeto de carro, segundo o empresário, Giullia teria afirmado que ele a havia traído durante uma viagem a Miami e iniciado agressões com socos e chutes.

Ele negou ter agredido a esposa dentro do carro ou da residência. Também negou ter usado um taco de beisebol, uma arma de choque ou feito ameaças de morte.

O investidor, no entanto, admitiu ter dado um soco no rosto de Giullia enquanto os dois estavam na calçada. Segundo ele, o golpe foi uma reação às agressões que estaria sofrendo.

Kos também confirmou ter tomado o celular da esposa para impedir que ela ligasse para a polícia.

Ainda segundo o empresário, ele tentou oferecer gelo à esposa para tratar um ferimento no rosto. Kos afirmou que Giullia teria arremessado o gelo contra sua cabeça, provocando lesões na testa e na orelha direita.

O empresário também disse que pediu ajuda ao segurança Cosme para levar a esposa para dentro da residência e afirmou que foi ameaçado de morte por ela.

Em dias de futebol, agressões contra mulheres aumentam 20%

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

  •  

MPSP pede indenização de R$ 100 mil a Eduarda Campopiano por ataque a Erika

O MPSP (Ministério Público de São Paulo) entrou, na última terça-feira (20), com uma Ação Civil Pública contra a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), após uma publicação em que se referia à deputada federal Erika Hilton (PSOL) como “homem biológico”.

A ação, movida pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital, condena que a parlamentar do PL pague indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos e sociais, publique uma retratação pública e faça um curso sobre inclusão social e combate à discriminação. O documento ainda determina que a rede social X, onde Campopiano fez a declaração, seja oficiada a manter os registros da publicação para “fins de comprovação do ilícito”.

O Ministério Público sustenta que a imunidade da parlamentar, que exerce o cargo de vereadora em Praia Grande (SP), não pode ser utilizada para proteger ataques pessoais e discriminatórios sem relação com o exercício do mandato. O órgão também enquadra a conduta no contexto da violência política de gênero e afirma que a ofensa ultrapassou a esfera individual de Erika Hilton, atingindo coletivamente as mulheres trans.

O documento destaca que “o discurso que foi trazido pela ré caracteriza verdadeiro discurso de intolerância, ódio e menosprezo, que cria mais preconceitos e ressalta estereótipos”.

No início deste mês, a deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) havia denunciado o ocorrido ao MPSP, que acatou a representação. A motivação da denúncia foi uma publicação nas redes sociais na qual Campopiano chamava a deputada federal de “homem biológico”. No post, a deputada eleita do PL pergunta diretamente à Erika “como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo?”.

Oi @ErikakHilton Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs

— Eduarda Campopiano (@DudaCampopiano) October 5, 2026

O contexto da fala é o resultado das eleições do último domingo (4). Campopiano foi a deputada mais votada ao legislativo estadual recebendo 1.956.238 votos, enquanto Erika foi reeleita à Câmara dos Deputados com 1.596.472, ficando na segunda colocação atrás de Lucas Pavanato (PL) que teve 3.038.438.

A ação movida por Favero e acatada pelo MP sustenta que o episódio representou uma negação pública da identidade de gênero da deputada federal.

Procurada, a deputada Erika Hilton não quis se manifestar sobre o ocorrido. A CNN tenta contato com Eduarda Campopiano. O espaço segue aberto.

 

  •  
❌