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Manuel Cordeiro – Valeu a Pena (3)

VTM

Que grande oportunidade! Sempre tive uma predileção especial por Timor. Porquê? Porque o Senhor Padre Alberto Gonçalves e o Senhor Padre Francisco Afonso, ambos nascidos em Remondes e de famílias bem conhecidas, eram missionários em Timor. Isso para mim era fascinante. Dada a amizade que ambos tinham com os meus pais, com especial relevo para a minha mãe, permitia-me ter sempre notícias sobre Timor pois sempre que vinham cá de férias, passavam-nas em Remondes, terra que me viu nascer e a eles também.

Recordo muito bem os selos das cartas que eles mandavam à família e que passavam todas por minha casa pois a minha mãe foi responsável pelo correio durante bastantes anos. Assim eu tinha a possibilidade de me deleitar com os lindos e diferentes selos das cartas que vinham de Timor.

Quando a minha profissão de Professor Universitário me facilitou contactos com Timor, eu aproveitei-os de imediato e com todo o empenho.

A primeira vez que eu falei em público sobre Timor foi no dia 10 de outubro de 2002. Fi-lo na qualidade de membro do Rotary Club de Vila Real e no papel de responsável pela Subcomissão de Serviços à Comunidade Mundial, pertencente à Comissão Distrital de Serviços Internacionais do Distrito Rotário 1970, presidida pelo companheiro Manuel Cardona, também membro do Rotary Club de Vila Real.

Após esta conferência e atendendo a que as minhas idas a Timor, para lecionar no curso de Engenharia Eletrotécnica ministrado na Universidade de Timor-leste, em parceria com a FUP – Fundação das Universidades Portuguesas, começou uma colaboração forte e profunda de mim com Timor.

Dado que estava em Timor num ano, durante dois períodos de cerca de 2 meses cada um, fui escrevendo e dando a conhecer aos leitores do Jornal A Voz de Trás-os-Montes, o que era o meu pensamento sobre Timor, em todos os aspetos. Na minha escrita tive sempre em consideração que Timor estava em formação e em crescimento e era importante realçar o que tinha de melhor. Este meu procedimento teve sempre como objetivo melhorar a imagem e o convívio entre os timorenses, pois só assim é que eu podia ajudar Timor a tornar-se um país independente e onde qualquer pessoa se pudesse sentir bem.

Desloquei-me lá 11 vezes, com estadias de 2 meses cada uma. Fui o Coordenado do Curso e escrevi muito sobre Timor. O livro “Um Olhar (atento) sobre Timor” é o meu legado a Timor e aos timorenses. Nele pus tudo o que de bom eu considero que Timor tem. E é muito.

Aos timorenses digo que o meu coração também é vosso.

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Clube de Solidariedade e Saúde angaria fundos para fazer a diferença

VTM

No Agrupamento de Escolas Miguel Torga, em Sabrosa, foi criado o Clube de Solidariedade e Saúde, um desafio lançado pela professora Carla Fernandes à turma do terceiro ano do curso profissional de técnico do desporto.

O clube começou a funcionar no ano letivo 2024/2025, em que a professora de desporto, em conjunto com os alunos, decidiu criar um projeto que pudesse ter um “tronco comum” de todas as outras disciplinas. “Lancei-lhes o repto de criarmos qualquer coisa que pudesse ir de encontro às necessidades das pessoas. Foi aí que surgiu a criação do Clube da Solidariedade e Saúde”, explica Carla Fernandes, adiantando que os alunos foram visitar escolas, infantários e lares para ver se teriam algumas necessidades mais prementes que eles pudessem colmatar.

“Quando fomos visitar o Lar de São Martinho de Anta soubemos que o incêndio do verão de 2025 destruiu alguns equipamentos. Desde logo nos prontificamos a arranjar cadeiras de rodas e cadeirões. Eram duas cadeiras de rodas e dois cadeirões que precisavam. E eu disse logo, então nós vamos tratar de arranjar esse material”.

O desafio estava lançado e era necessário colocar mãos à obra. “Lançamos um peditório através das redes sociais e andamos na rua a pedir às pessoas para colaborar. O certo é que conseguimos entregar mais equipamentos, nomeadamente quatro cadeiras de rodas, três poltronas e quatro cadeirões”, explicou Carla Fernandes, acrescentando que o clube não ficou por aí e já enviou material escolar para São Tomé e Príncipe, colchões e computadores para Timor, por exemplo.

Ensino Clube de Solidariedade e Saude Carla Fernandes

“O clube precisa de voluntários, pelo que vou lançar o repto a uma das minhas turmas para aderirem. Eles podem fazer a diferença”
CARLA FERNANDES
PROFESSORA

“À medida que íamos conseguindo os donativos, fazíamos as entregas. Também ajudamos a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Sabrosa com 500 euros para a criação de uma sala de lazer”, sublinhou a professora.

Para angariar fundos, o clube de alunos promove caminhadas solidárias, participa em eventos com ‘barraquinhas’, onde vendem bolos, crepes, panquecas, espetadas de frutas, como contou à VTM a antiga aluna do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, Inês Lourenço. “Durante o ano letivo fizemos quatro caminhadas e organizamos as barraquinhas para arranjar dinheiro para ajudar os outros”, refere, adiantando que se sente bem ao participar nas iniciativas. “Nunca tinha feito nada semelhante e o sentimento que fica é de satisfação pessoal por ajudar quem precisa”.

Outra voluntária, Marta Lopes, de 15 anos, entrou no clube depois da professora a ter convidado a aderir. “Aceitei logo, porque ajudar os outros não dá trabalho nenhum. Sempre gostei de ajudar as pessoas e sinto-me realizada por fazer este trabalho solidário”.

Carolina Gomes, de 16 anos, conheceu o clube através de cartazes que viu nas ruas de Sabrosa, e como era do grupo de amigos do Eduardo e da Inês (que começaram o projeto no âmbito de uma disciplina), decidiu inscrever-se e participar nas iniciativas. “Ao fazer o bem aos outros, sentiu-me feliz e realizada. Agora quero continuar a ajudar e participar nas iniciativas que vamos fazer, porque a felicidade é maior do que o trabalho que nos dá”.

Os próximos desafios do Clube da Solidariedade e Saúde já estão no terreno e passam por ajudar uma menina chamada Luane, que sofreu um acidente em Quarteira (Algarve) e tem familiares em Parada do Pinhão. O clube está também a angariar fundos para a requalificação do infantário da Santa Casa da Misericórdia de Sabrosa.

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