O imóvel é frequentado por indivíduos toxicodependentes e traficantes, além de pessoas sem-abrigo. Meios aéreos sobrevoaram a zona, situada perto do Parque de Campismo da Trindade, durante o incêndio, mas, segundo garantiram ao ‘Litoralgarve, não chegaram a ser necessários. População na cidade ficou alarmada.
José Manuel Oliveira
O fogo que agitou a população de Lagos na tarde da passada quinta-feira, dia 03 de Setembro, ao ver meios aéreos a sobrevoar a cidade, ocorreu no edifício onde durante décadas funcionou o Hotel Golfinho, perto da praia da Dona Ana, e terá sido provocado por indivíduos toxicodependentes e traficantes, que ocupam o antigo imóvel, há anos em estado de degradação, juntamente com sem-abrigos, apurou o ‘Litoralgarve’.
“É a quarta vez que isto acontece nesta semana”, contou-nos um popular
“É a quarta vez que isto acontece nesta semana, com traficantes de droga no edifício onde funcionou o Hotel Golfinho. O incêndio atingiu, também, uma zona de mato, situada nas traseiras do edifício e devido à proximidade do Parque de Campismo da Trindade, por precaução houve necessidade da presença de meios aéreos. Contudo, não foram necessários”, contou, ao ‘Litoralgarve’, um popular conhecedor da situação.
“Enorme aparatado” com corte do trânsito de viaturas no acesso à praia da Dona Ana, destacou uma residente perto do local do fogo
Já uma senhora residente na zona da Dona Ana, perto da Estrada da Ponta da Piedade, destacou o “enorme aparato” das forças de segurança no local, com o corte temporário do trânsito de viaturas no acesso à praia e a vários edifícios. Tal sucedeu numa altura em que o incêndio estava a ser combatido por operacionais do Corpo de Bombeiros Voluntários de Lagos, numa tarde de imenso calor.
Entre reis, cavaleiros, artesãos, músicos e personagens de outros tempos, Castro Marim vive, até 30 de agosto, mais uma edição dos Dias Medievais. A vila algarvia volta a transformar-se num cenário de outros séculos, numa das maiores recriações históricas da região.
Por estes dias, caminhar pelas ruas de Castro Marim é fazer uma viagem no tempo. As roupas contemporâneas dão lugar a túnicas, capas e armaduras, enquanto o som dos tambores, das músicas medievais e das vozes dos vendedores se mistura com o movimento de milhares de visitantes.
A 27.ª edição dos Dias Medievais de Castro Marim, que decorre entre 26 e 30 de agosto, volta a levar à vila uma atmosfera marcada pela história, pela fantasia e pela recriação de costumes e tradições de outros tempos.
O Castelo de Castro Marim assume, uma vez mais, um papel central nesta viagem ao passado. No interior das muralhas, os visitantes encontram dezenas de representações de artes e ofícios, demonstrações ao vivo, espaços de animação e diferentes recriações que procuram aproximar o público do quotidiano medieval.
Uma vila vestida a rigor
Ao longo dos dias do evento, as ruas e ruelas enchem-se de personagens que parecem ter saído diretamente de um livro de História. Reis e rainhas, nobres, damas, monges, cavaleiros, artesãos, bobos e figuras ligadas ao imaginário medieval cruzam-se com os visitantes.
Um dos momentos mais aguardados são os desfiles medievais, que acontecem no primeiro e no último dia do evento. Centenas de figurantes percorrem as ruas da vila, representando diferentes grupos sociais da época, num cortejo acompanhado por músicos, malabaristas, equilibristas, bobos e outros artistas.
A participação da população ajuda a reforçar o ambiente de autenticidade. Os figurantes são convidados a respeitar determinadas regras de indumentária e a representar diferentes estratos sociais, desde o povo à nobreza, passando pelo clero, homens de armas, cavaleiros e personagens de inspiração árabe.
Cavaleiros, artesãos e sabores de outros tempos
Os combates e torneios a cavalo são também uma das imagens de marca dos Dias Medievais. Entre demonstrações de destreza e momentos de animação, os cavaleiros contribuem para recriar o ambiente dos grandes espetáculos medievais.
A feira dá ainda destaque ao artesanato e às antigas profissões, permitindo aos visitantes observar demonstrações de diferentes artes e ofícios. A par da componente histórica, o evento aposta igualmente na gastronomia, com tabernas, produtos tradicionais e os já conhecidos Banquetes Medievais, realizados no ambiente do castelo e acompanhados por música, dança, acrobacia e falcoaria.
Também as famílias encontram diversas propostas de animação, com atividades infantis, espetáculos de rua, acampamentos temáticos e outras iniciativas pensadas para aproximar os mais novos da história de uma forma lúdica e participativa.
Uma viagem que acontece depois do pôr do sol
É ao final da tarde que Castro Marim ganha uma nova dimensão. Com a abertura do mercado medieval, as ruas começam a encher-se e a animação prolonga-se pela noite dentro.
Nos dias 26 e 27 de agosto, o mercado funciona até às 02h00, enquanto nos dias 28 e 29 encerra às 02h30. No último dia, 30 de agosto, abre mais cedo, às 16h00, e mantém-se até às 02h30. O espaço do castelo funciona, nos primeiros quatro dias, das 18h00 à meia-noite, encerrando à meia-noite também no dia 30, com a última subida prevista para as 23h30.
É neste ambiente noturno, iluminado e povoado por personagens históricas, que muitos visitantes encontram um dos momentos mais marcantes da experiência. A fronteira entre o presente e o passado parece, por algumas horas, desaparecer.
História, cultura e identidade
Mais do que uma feira temática, os Dias Medievais afirmam-se como um acontecimento cultural com forte ligação à identidade de Castro Marim. A recriação histórica permite valorizar o património local, divulgar antigas artes e ofícios e criar um espaço de encontro entre a comunidade, os visitantes e a própria história da vila.
A organização descreve o evento como um dos grandes destaques da agenda cultural algarvia, capaz de atrair visitantes nacionais e estrangeiros e de transformar o centro da localidade num verdadeiro palco vivo da Idade Média.
Durante cinco dias, Castro Marim deixa de ser apenas uma vila do Algarve e transforma-se numa viagem. Uma viagem feita de espadas e armaduras, música e dança, artesanato e gastronomia, história e fantasia.
E, quando a noite cai sobre o castelo, entre tochas, sons medievais e o movimento dos visitantes, a sensação é de que o passado não está assim tão distante.