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Gonçalo Ramos, Pete Tha Zouk e Diogo Infante e muitos mais unidos pelos Mercados Municipais de Olhão

Os Mercados Municipais de Olhão estão a mobilizar uma grande onda de apoio na reta final da sua candidatura às Novas 7 Maravilhas de Portugal 2026.

Várias figuras públicas de quadrantes tão diversos como a música, o desporto, a gastronomia e a televisão decidiram dar a cara pelo monumento, que assume o estatuto de único património algarvio entre os 21 finalistas nacionais na categoria Século XX.

Entre os apoiantes que uniram as suas vozes a este apelo contam-se o futebolista Gonçalo Ramos; o presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes; a artista plástica Joana Vasconcelos; o DJ olhanense Pete Tha Zouk; o criador de conteúdos João Cajuda; o ator Diogo Infante; a apresentadora Maya e a chef Noélia Jerónimo, que assume o papel de madrinha da candidatura.

O presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, refere que esta mobilização transversal demonstra que a candidatura já quebrou as barreiras locais e se tornou numa causa de toda a região, unindo pessoas com diferentes percursos em torno de um símbolo identitário profundamente ligado à Ria Formosa, à pesca e à gastronomia algarvia.

O desfecho do concurso acontece já no próximo sábado, 12 de setembro, a partir das 21h30, durante a Grande Final Nacional que será transmitida em direto na TVI, momento em que serão revelados os vencedores.

Até lá, as votações do público continuam abertas e são o fator decisivo para garantir a eleição, podendo os interessados votar através da aplicação TVI Pass ou ligando para o número 761 207 097, que tem o custo de um euro mais IVA por chamada.

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A mesma vila algarvia deu abrigo ao maior guerrilheiro do país e ao mestre do ensino

A identidade histórica de São Bartolomeu de Messines, vila do concelho de Silves, está profundamente ligada à sua vasta geografia e ao legado de duas figuras marcantes do século XIX.

Leia também: A lenda secreta de uma igreja algarvia

Uma delas foi o prestigiado poeta e pedagogo João de Deus. Autor da célebre Cartilha Maternal, um método revolucionário que alfabetizou gerações de portugueses, o escritor deixou uma marca cultural indelével no país, sendo a sua memória hoje celebrada e preservada na Casa-Museu João de Deus, situada na própria vila.

Foi nesta vila algarvia que também emergiu José Joaquim de Sousa Reis, o célebre “Remexido”, um capitão e guerrilheiro absolutista que transformou a região no palco principal das suas incursões e combates durante as violentas lutas entre Liberais e Miguelistas. A sua audácia militar gravou o nome de Messines nas crónicas da história política e militar de Portugal.

Com mais de 254 km², São Bartolomeu de Messines é a maior freguesia do Algarve, caracterizada pelo solo vermelho do “grés de Silves” e pelas bacias hidrográficas do Arade e do Funcho.

A ocupação humana da região remonta ao Paleolítico, com posterior presença romana e islâmica, tendo a freguesia sido integrada em Silves no reinado de D. Afonso III.

No património religioso, o grande destaque é a Igreja Matriz de São Bartolomeu de Messines, cuja construção (século XVI) está envolta numa lenda.

Diz-se que a sua localização foi decidida por uma corrida de cavaleiros entre a Amorosa e Messines, ganha por este último através de uma estratégia deliberada de avançar mais devagar.

A riqueza espiritual da vila completa-se ainda com as ermidas de Nossa Senhora da Saúde, Sant’Ana, São Pedro e São Paulo.

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Ninguém consegue conquistar esta cidade

Não se iluda com a beleza da cidade de Lagos. Ela é também um osso duro de roer. Que o diga quem, em determinada fase da história, a tentou conquistar e falhou redondamente.

Um dos que comprovaram a têmpera dos lacobrigenses e a eficácia das suas estruturas de defesa, em especial, as muralhas, foi o temível corsário britânico Francis Drake.

Em1587, numa altura em que Portugal estava sob o domínio espanhol, vindo de Cádis, onde destruíra mais de duas dezenas de navios inimigos, tentou desembarcar e saquear Lagos.

No entanto, a resistência local foi muito mais feroz do que previra.

Forçado a desistir, o corsário seguiu para Sagres, descarregando a sua frustração ao arrasar quase tudo o que encontrou entre o Porto da Baleeira e o Cabo de São Vicente.

Séculos mais tarde, durante as Guerras Liberais do século XIX, a cidade voltou a ser posta à prova pelo famoso Remexido, um temido guerrilheiro apoiante de D. Miguel.

Decidido a fazer Lagos render-se pela fome e pela sede, o Remexido montou um cerco implacável de um mês.

Posicionou canhões no Monte Moleão e no Cerro das Mós para bombardear a população, queimou os moinhos e destruiu o aqueduto.

Apesar do sofrimento imposto, os seus intentos falharam e, com a iminente derrota miguelista no Alentejo, viu-se obrigado a levantar o cerco, deixando finalmente a cidade em paz.

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A lenda do Menino dos Olhos Grandes

Olhão é uma cidade com muitas lendas.

Uma das mais conhecidas das gentes locais é a do Menino dos Olhos Grandes, que até já ganhou um monumento em sua honra.

A escultura faz, inclusivamente, parte do Caminho das Lendas, um percurso pedonal que liga cinco dos principais largos da zona histórica de Olhão.

Conta essa lenda que, nas noites escuras de Olhão, os pescadores do Bairro da Barreta costumavam encontrar um menino misterioso sentado no Largo do Carolas.

A criança vestia uma camisa simples, usava um gorro vermelho, trazia um cesto de vime no braço e chorava sem parar.

O que mais impressionava eram os seus olhos pretos, gigantes e muito brilhantes. Com pena do miúdo, os pescadores tentavam pegá-lo ao colo para o ajudar, mas levavam um grande susto.

Assim que o levantavam, o menino começava a ficar cada vez mais pesado, como se fosse feito de chumbo. Sem forças para aguentar tanto peso, os homens eram obrigados a largá-lo e, mal tocava no chão, o rapaz desaparecia por encanto.

Com o tempo, o povo ganhou tanto medo que deixou de sair à noite, até que um dia a criatura desapareceu para sempre.

Hoje, quem passeia por Olhão pode ver uma estátua de metal que recorda esta famosa lenda algarvia.

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Portimão além das praias. Roteiro secreto pelo coração histórico da cidade

Este percurso pedestre é um convite para caminhar entre monumentos históricos, praças animadas e a brisa do Rio Arade.

1. O Coração Comercial: Da Rua do Comércio à Praça da República

Alameda da Praça da República

Comece a manhã na Rua do Comércio e Rua Vasco da Gama. Este eixo é o pulmão comercial de Portimão, onde o movimento das lojas tradicionais reflete o quotidiano da cidade. No centro, a Praça da República (Alameda) serve de ponto de união, oferecendo um espaço amplo onde se destaca o monumental Colégio dos Jesuítas (1660), um gigante barroco que guarda o túmulo do seu fundador, D. Diogo Gonçalves.

Leia também: Este edifício histórico domina o centro de Portimão

2. Espiritualidade e Nobreza: Da Matriz ao Largo 1º de Dezembro

Suba até à Igreja Matriz, onde o portal tardo-gótico do século XV resiste como a memória mais antiga da fundação da vila. Desça depois para o Largo 1º de Dezembro, um “livro de história a céu aberto”.

  • A não perder: Os 10 bancos de azulejo de 1930 que narram a história de Portugal e a imponente fachada do Palacete Sárrea Prado (Teatro TEMPO).

Leia também: Por este edifício de Portimão já passaram polícias, ladrões, juízes, políticos e artistas

3. Memória Política e Literária: Casa Manuel Teixeira Gomes

Siga em direção ao rio para visitar a casa natal do “Presidente-Escritor”. Esta casa oitocentista de traça simples algarvia é um refúgio de cultura. Espreite o pátio central e imagine a vida da família Gomes, que aliava aqui o negócio da exportação de figos à fruição do jardim nas traseiras.

Leia também: Foi nesta casa que nasceu um homem que vendeu figos e chegou a Presidente da República

4. O Ponto de Encontro: Praça Teixeira Gomes

Praça Teixeira Gomes

A poucos metros, entre na Praça Teixeira Gomes. Batizada em 1950, esta praça de raiz oitocentista é a sala de visitas da cidade.

  • O Coreto: Repare na réplica do coreto original (destruído nos anos 60 e reconstruído em 2010), que devolveu à cidade um símbolo dos antigos bailes sociais. É o local ideal para um café com vista para o Arade.

5. Passeio pela Zona Ribeirinha: Arte e Tradição

Inicie a caminhada pela frente ribeirinha, que funciona como uma galeria de arte ao ar livre graças às esculturas feitas em vários simpósios.

  • Tradição: Passe pela zona onde o Festival da Sardinha acontece e observe as embarcações de recreio junto ao Clube Naval.
  • Antiga Lota: Quase a chegar à Ponte Velha, descubra este edifício de 1916. Originalmente uma central elétrica, tornou-se o local icónico onde o peixe era descarregado em cabazes. Hoje, após uma reabilitação profunda, acolhe o posto de turismo e espaços culturais, mantendo viva a alma do cais.

Leia também: O melhor de Portimão num único percurso

6. Final Industrial: Museu de Portimão

Museu de Portimão
Zona exterior do Museu

Termine o roteiro na antiga Fábrica de Conservas “São Francisco” (Féu Hermanos), atualmente transformada em museu. No exterior, um enorme guindaste recorda o tempo em que o cais fervilhava com a indústria conserveira. No interior, deixe-se envolver pela premiada exposição “Portimão, Território e Identidade”, o remate perfeito para compreender a simbiose entre a cidade e o rio.

Leia também: O museu que nasceu entre latas de conservas e redes de pesca

Igreja Matriz
Igreja do Colégio
Escultura junto à zona ribeirinha
Jardim 1º de Dezembro
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Caminhar no Algarve: descubra o farol centenário escondido a meio de um trilho fantástico

Erguendo-se sobre imponentes falésias, este farol, situado no concelho de Lagoa, guarda histórias fascinantes que vão muito além da sua imponente torre e da luz que guia os navegantes.

Tudo começou a 1 de dezembro de 1920, data em que o Farol de Alfanzina foi oficialmente estabelecido e começou a funcionar.

Naquela época, o seu funcionamento dependia do esforço humano, com a rotação da luz a ser gerada manualmente por uma pesada máquina de relojoaria alimentada a vapor de petróleo.

O progresso tecnológico trouxe grandes mudanças nas décadas seguintes, começando com a eletrificação através de geradores próprios em 1950, seguida pela ligação à rede pública e total automatização no início dos anos 80, até culminar numa remodelação completa com motores e sistemas modernos em 2004.

Hoje em dia, além de continuar a cumprir a sua missão de segurança marítima com alta tecnologia, o monumento tornou-se uma paragem obrigatória e um ponto de referência inesquecível para os amantes da natureza que percorrem o famoso Trilho dos Sete Vales Suspensos, considerado um dos percursos pedestres mais bonitos de toda a Europa.

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Sabia que esta rua de Lagos já foi a “praia” da cidade?

A Rua da Barroca é uma das artérias mais emblemáticas de Lagos, um autêntico arquivo vivo de pedra e mar.

Famosa pelos seus arcos pitorescos, esta rua foi, durante séculos, a marginal da cidade, onde as águas da Ribeira de Bensafrim batiam diretamente no seu paredão até à década de 60.

Estrategicamente integrada no sistema defensivo das muralhas, a rua estendia-se entre o Baluarte de D. Manuel (mais tarde conhecido como “da Porta Nova”) e as estruturas do antigo Hospital Militar (atual Messe).

Mas a história da Barroca recua muito antes das muralhas medievais.

Escavações geoarqueológicas revelaram vestígios de um estabelecimento fenício do século VIII a.C., provando que este pedaço de terra junto ao mar é habitado há quase três milénios.

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Já não se fazem cidades assim. Esta levou só dois anos a ser construída

Vila Real de Santo António (VRSA) não é uma localidade comum, pois nasceu em 1774 de um plano geométrico quase obsessivo do Marquês de Pombal.

O seu principal objetivo era marcar a fronteira portuguesa frente à Espanha. E rapidamente! Daí que VRSA tenha demorado apenas cerca de… dois anos a ser construída.

No século XVIII, a unidade de medida padrão para desenhar ruas e edifícios era o palmo de craveira, que equivalia a exatamente 22 centímetros.

Como o Iluminismo exigia uma simetria perfeita, o coração de VRSA reflete essa regra ao milímetro, sendo que cada um dos lados da atual Praça do Marquês de Pombal mede rigorosamente 330 palmos, o que dá cerca de 72,6 metros.

Isso permitiu que toda a malha urbana passasse do papel à realidade num tempo recorde, num feito de engenharia militar e planeamento sem precedentes para a época.

Farol

A nível geográfico, este concelho possui uma curiosa característica.

Conta com três freguesias, mas a de Vila Nova de Cacela está fisicamente isolada das restantes.

Isto significa que para ir de Monte Gordo ou da sede do concelho até Cacela é obrigatório atravessar a freguesia de Altura, que pertence ao concelho vizinho de Castro Marim, funcionando como uma verdadeira “ilha” territorial.

Outro elemento curioso é o facto de, embora ostentando a designação de Vila, VRSA é, na verdade, uma cidade, tendo obtido esse estatuto em 11de março de 1988.

Centro Cultural António Aleixo

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Este farol famoso destruiu um local de fé

O Farol da Ponta da Piedade, situado no concelho de Lagos, vai muito além de uma simples torre que guia os marinheiros no mar.

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Localizado numa das paisagens mais impressionantes do Algarve, este monumento guarda uma história rica que mistura religião, debates antigos e o avanço da tecnologia no mar.

Para que o farol pudesse ser construído foi necessário derrubar um espaço religioso muito antigo, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. A compra foi feita pelo Ministério da Marinha, em 1911, por cerca de 250 mil réis.

Esta demolição causou muita tristeza e revolta na população local, já que o templo tinha séculos de história e era muito visitado por pescadores e devotos.

Apesar dos protestos, a segurança da costa falou mais alto e o projeto seguiu em frente.

O farol começou a funcionar no dia 1 de julho de 1913, com uma torre de pedra de 9 metros de altura e casas para os faroleiros ao lado.

Leia também: O santo que nasceu em Lagos e se tornou o terror das tempestades

Ao longo dos anos, a tecnologia do local mudou bastante para acompanhar os novos tempos. No início, a luz funcionava com um candeeiro a petróleo que alcançava cerca de 20 milhas de distância.

Mais tarde, em 1952, o farol recebeu eletricidade e, poucos anos depois, ganhou um sistema a gás para garantir que a luz não se apagasse em caso de falha.

Hoje em dia, tudo funciona de forma totalmente elétrica e automática, emitindo flashes de luz branca a cada 7 segundos que podem ser vistos a cerca de 37 quilómetros de distância.

Atualmente, o farol de paredes brancas cria um contraste perfeito com o amarelo das rochas gigantes e o azul-turquesa do oceano.

O local deixou de ser apenas um aviso para os barcos e tornou-se um dos pontos turísticos e miradouros mais fotografados de Portugal.

É o ponto de partida perfeito para os visitantes que querem fazer passeios de barco pelas famosas grutas da região ou caminhar pelos passadiços de madeira para assistir a um pôr do sol inesquecível.

Conheça o forte que ‘morreu’ na praia

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Portimão: segredos, polémicas e memórias à beira do rio

A atual Praça Teixeira Gomes é muito mais do que um espaço de passagem. É o ponto de encontro onde a história de Portimão se cruza com o Rio Arade.

Saiba aqui mais sobre Portimão

Batizada em 1950, em honra de Manuel Teixeira Gomes — ilustre portimonense, escritor, diplomata e antigo Presidente da República —, esta praça de raiz oitocentista mantém-se como um dos locais mais emblemáticos e frequentados da cidade.

Recuando aos anos 20, a praça fervilhava de vida com os seus famosos “cafés-restaurantes” e bailes sociais. Hoje, esse espírito de convivência permanece bem vivo.

Graças às suas inúmeras esplanadas, ao lago central e à vista privilegiada para o rio, a praça é o local de eleição tanto para os locais como para os visitantes que procuram relaxar e desfrutar do ambiente marítimo de Portimão.

Conheça aqui a estação de Portimão que ficava no concelho de… Lagoa

Durante décadas, o centro da praça foi dominado por um coreto, inaugurado em 1925, que servia de palco principal para concertos e cerimónias oficiais.

Embora o coreto original tenha sido polemicamente demolido nos anos 60 para dar lugar ao atual monumento escultórico em homenagem a Teixeira Gomes, a memória não se perdeu.

Em 2010, a Junta de Freguesia de Portimão construiu uma réplica do antigo coreto, instalada a poucos metros de distância, em plena zona ribeirinha, devolvendo à cidade um dos seus símbolos mais queridos.

Compreendendo o espaço entre o Jardim Bívar e a icónica Casa Inglesa, a Praça Teixeira Gomes continua a ser o cenário onde a identidade de Portimão se renova todos os dias, entre um café à beira-rio e a contemplação da estátua do seu filho mais ilustre.

Conheça a ponte de Portimão que um deputado ‘roubou’ a Silves

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Esta igreja guarda uma estátua milagrosa que os pescadores salvaram

No interior da Igreja Matriz de Alvor há uma imagem que, reza a lenda local, deu misteriosamente à costa, tendo sido recolhida e colocada com profunda reverência no altar pelos antigos pescadores. É a esta célebre e milagrosa escultura do “Senhor Jesus” que os fiéis ainda hoje prestam grande devoção.

Leia também: Este barco levou a população de Alvor a declarar ‘guerra’ à Marinha Portuguesa

O grande destaque arquitetónico da Igreja Matriz de Alvor vai por inteiro para o seu pórtico principal. Esta autêntica joia de pedra é legitimamente considerada a mais bela e trabalhado expressão do estilo manuelino em toda a região algarvia.

A estrutura ostenta uma decoração exuberante, repleta de motivos detalhados e inspirados na fauna e flora locais, combinados com cenas bélicas expressivas e uma forte simbologia religiosa.

Erguido originalmente na década de 1520, o monumento afirma-se como o grande ex-líbris histórico desta vila do concelho de Portimão.

A sua construção decorreu sob os auspícios da influente família Ataíde, alcaides-mores da localidade, tendo sido muito provavelmente impulsionada por Álvaro de Ataíde (filho).

A história da edificação está profundamente interligada com as grandes dinâmicas da Coroa Portuguesa, tendo-se seguido à trágica morte do rei D. João II em Alvor, em 1495.

Leia também: A vila de pescadores que conquistou o turismo mundial e viu morrer o “Príncipe Perfeito”

Décadas mais tarde, em 1573, o jovem rei D. Sebastião visitou a localidade para inspecionar as casas outrora habitadas pelo “Príncipe Perfeito”.

Ao longo dos séculos, a gestão do templo cruzou-se com os grandes senhores da terra, desde os condes de Odemira até à poderosa família Távora — cujo condado em Alvor se extinguiu devido ao trágico processo político de Belém, no século XVIII.

Ao longo do tempo, a Igreja de Alvor resistiu a abalos sísmicos, incluindo os de 1755 e 1969, e passou por reconstruções setecentistas, com destaque para a torre sineira e o retábulo de Joaquim José Rasquinho.

Intervenções polémicas nos anos 1970 destruíram elementos originais, como o coro-alto, mas alertas do Museu Nacional de Arte Antiga, em 1977, travaram a destruição da talha dourada e imagens sacras.

Atualmente, a estrutura sobrevive como um testemunho de arte e resiliência, apesar da pressão urbanística.

Para além da famosa escultura e do portal, o interior da igreja guarda tesouros artísticos de enorme valor histórico, como altares em talha dourada, azulejos setecentistas e capelas particulares.

Leia também: Nesta casa algarvia morreu um famoso rei português

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Esta terra é conhecida como a Santorini do Algarve (com vídeo)

Localizada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a aldeia de Burgau, em Vila do Bispo, deve o seu nome aos pequenos búzios que abundam nas suas rochas.

Conhecida como a “Santorini portuguesa”, esta vila algarvia encanta pelas suas ruelas estreitas e pedonais, ladeadas por casas brancas de contornos azuis e repletas de flores.

O passeio por entre o casario termina invariavelmente no mar, onde barcos de pesca recordam a forte tradição marítima da zona — que, no século XVI, era um ponto estratégico para a faina do atum. 

Atualmente, embora o turismo e o alojamento local sejam o motor económico, Burgau preserva a sua essência.

A praia, situada numa baía protegida por falésias, oferece águas tranquilas e um areal extenso.

Para quem procura a melhor vista, o topo da arriba a nascente revela um cenário deslumbrante que explica por que razão este destino é cada vez mais procurado, sem nunca perder a sua alma típica.

VÍDEO:

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A igreja que vigia o centro histórico de Lagos há mais de cinco séculos

Situada numa zona nevrálgica de Lagos, encostada às antigas muralhas e com a frente voltada para a Praça do Infante, a Igreja de Santa Maria é um marco incontornável para quem percorre o centro histórico daquela cidade.

A sua história é feita de resiliência: construída originalmente em 1498 como Igreja da Misericórdia, o templo sobreviveu ao devastador sismo de 1755 – que destruiu a antiga igreja paroquial, levando Santa Maria a assumir esse papel – e a um grave incêndio em 1888.

Arquitetonicamente, o edifício que hoje admiramos é um exemplar do estilo neoclássico, fruto das importantes obras de recuperação ao longo dos séculos.

A sua fachada destaca-se pela simetria perfeita, com duas torres sineiras laterais que emolduram o portal central, uma janela de sacada e um nicho para imagem.

No interior, a nave única revela um ambiente de sobriedade e elegância, enriquecido por retábulos da segunda metade do século XVIII e três capelas colaterais.

É um testemunho vivo da evolução de Lagos, onde a arquitetura de defesa das muralhas se cruza com a imponência da fé.

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Esta igreja é dos pescadores

No coração da zona histórica de Olhão, onde hoje se cruzam turistas de todo o mundo, ergue-se um monumento que conta a história de um povo que transformou a humildade em grandeza: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

A sua construção, iniciada em 1698, é um verdadeiro testemunho da força da comunidade local. Na fachada, uma inscrição imortaliza a origem do templo: “À custa dos homens do mar deste povo se fez este templo novo, no tempo em que só haviam umas palhotas”.

O que começou como uma pequena capela de pescadores evoluiu para a atual Igreja Matriz, um edifício barroco de planta longitudinal que hoje domina a baixa da cidade.

Ao entrar, somos recebidos por uma nave única e imponente, onde se destacam cinco altares e uma capela-mor quadrangular coberta por uma cúpula oitavada. O interior é um tesouro de arte sacra, exibindo um retábulo e arco triunfal em talha dourada, obra do prestigiado entalhador Manuel Francisco Xavier. No teto, um fresco delicado e a imagem da padroeira, Nossa Senhora do Rosário, completam o cenário de devoção.

A fachada principal, reformulada na segunda metade do século XVIII com um impressionante coroamento triangular, é considerada uma das mais belas de todo o Algarve. Classificada como Imóvel de Interesse Público, a Igreja Matriz não sobreviveu apenas ao terramoto de 1755, mas tornou-se o símbolo máximo da identidade de Olhão, unindo o mar, a fé e a arquitetura barroca num só lugar.

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A vila de pescadores que conquistou o turismo mundial e viu morrer o “Príncipe Perfeito”

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// Garante que o áudio para se o utilizador fechar ou mudar de página
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Muito antes de ser o refúgio balnear que hoje atrai milhares de turistas, Alvor foi o cenário de um dos momentos mais marcantes da História de Portugal.

Foi ali que o rei D. João II faleceu, em 1495, após falharem os tratamentos nas Caldas de Monchique.

Este trágico episódio mudou o destino da terra que, por vontade expressa do “Príncipe Perfeito”, foi elevada a vila pelo seu sucessor, D. Manuel I.

Com raízes que recuam a um entreposto fundado por Aníbal Barca (Portus Hannibalis) e a um posterior castro celtibérico, a localidade soube reinventar-se ao longo dos séculos sem perder a sua profunda ligação ao mar.

A evolução do mar para o turismo

Historicamente, Alvor consolidou-se como um lugar de forte vocação marítima e piscatória.

Durante séculos, a subsistência da população dependeu do mar, da pesca e das suas salinas.

Nas últimas décadas, a terra operou uma transição extraordinária: de uma pacífica comunidade de pescadores, transformou-se numa importante estância turística internacional. Este crescimento foi impulsionado por um contínuo desenvolvimento económico e social que devolveu à localidade a importância dos seus tempos áureos.

As pragas de Alvor são uma das imagens de marca desta terra e das gentes.

Nascidas no seio da comunidade piscatória tradicional, os chamados “Alvoreiros”, estas pragas eram expressões e dizeres utilizados habitualmente durante discussões, picardias ou desavenças entre vizinhos e familiares.

Herança histórica e artística

A era de grande prosperidade deixou marcas profundas no património.

O maior exemplo é a sua deslumbrante Igreja Matriz, erguida no século XVI.

Este templo é célebre por exibir portais de estilo manuelino incrivelmente trabalhados, repletos de pormenores decorativos que testemunham a riqueza artística da época dos Descobrimentos.

Leia também: Este barco levou a população de Alvor a declarar ‘guerra’ à Marinha Portuguesa

A zona ribeirinha e o esplendor da ria

Hoje, a alma de Alvor continua ligada às suas águas, mas com foco no lazer.

A requalificada zona ribeirinha é o ponto de encontro por excelência, convidando a passeios junto aos barcos tradicionais.

Daí abre-se o cenário idílico da Ria de Alvor, uma das zonas húmidas mais importantes do Algarve.

Este ecossistema estende-se num labirinto de canais e sapais, servindo de refúgio a várias espécies de aves e bivalves.

A poucas centenas de metros do centro da vila, a paisagem transforma-se num cenário balnear de excelência. Alvor é emoldurada por praias de areias douradas, como a vasta Praia de Alvor e a icónica Praia dos Três Irmãos, famosa pelas suas falésias.

Para unir este património de forma sustentável, foi construído o famoso passadiço de madeira de Alvor, que serpenteia ao longo das dunas, ligando a zona ribeirinha à praia com vistas deslumbrantes sobre o oceano.

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Vir a esta vila e não comer frango assado é quase um crime

A Guia é a verdadeira capital do frango assado, famosa em todo o país por esta especialidade gastronómica deliciosa e estaladiça.

Situada em pleno coração do Algarve, no concelho de Albufeira, junto à estrada EN125, esta vila consegue a proeza de juntar tradição, lazer e ótimas compras num único lugar.

Visitar a Guia e não comer um frango assado é quase um pecado. É o grande ex-líbris da terra e as dezenas de restaurantes locais servem-no como ninguém.

Antes ou depois de provar este prato típico, pode dar uma volta pela localidade para apreciar, sobretudo, os seus monumentos religiosos.

Igreja Matriz da Guia

A Igreja Matriz é dedicada a Nª Sra. da Visitação. Foi edificada no século XVII e no seu interior podem ser admirados o retábulo da Capela-Mor, uma imagem de Nossa Senhora da Visitação, provavelmente do século XVIII, as imagens de Santo António e de Cristo Crucificado.

A Ermida de Nossa Senhora da Guia é mais antiga, data do século XV, mas teve de ser reconstruída depois do terramoto de 1755 Terá, inclusivamente, estado na origem da povoação e, reza a lenda que naquele local apareceu a Virgem.

A umas centenas de metros encontramos outra ermida, a de São Sebastião, feita com o objetivo de ajudar a afastar a peste negra.

A Guia é, também, um ponto de paragem obrigatório para quem gosta de fazer compras. A poucos quilómetros do centro da vila, fica um enorme espaço comercial que serve toda a região. O grande destaque vai para o famoso Algarve Shopping, um centro comercial ao ar livre onde pode encontrar lojas para todos os estilos e gostos, um grande supermercado e uma ampla zona de restauração.

Se for em direção ao mar, encontra, também, a cerca de 6 quilómetros, praias famosas, como a da Galé e a dos Salgados.

Ermida de Nª Sra. da Guia
Ermida de São Sebastião

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Este barco levou a população de Alvor a declarar ‘guerra’ à Marinha Portuguesa

// Se já estiver a falar, para o áudio e repõe o botão
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// 1. Seleciona o bloco de texto do artigo (lógica original do Guia Algarve)
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// 5. Quando o áudio terminar sozinho, o botão volta ao normal
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O barco “Alvor” é o elemento mais importante e o coração de todo o Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor.

Construído entre 1932 e 1933, este barco a remos do tipo dinamarquês e casco trincado salvou muita gente ao longo dos anos, atuando numa época em que os acidentes à entrada da barra eram frequentes e fatais.

O apego da comunidade a este salva-vidas, símbolo de proteção marítima, gerou um episódio memorável de resistência em 1983.

Com o encerramento da estação salva-vidas, a Marinha Portuguesa tentou levar a embarcação para o seu museu, mas a população de Alvor revoltou-se.

Para impedir a retirada da embarcação, as portas da estação foram soldadas e os carris de acesso à água cortados.

No dia da chegada da comitiva militar, os sinos da igreja tocaram a rebate e o povo desceu em massa à ribeira, impedindo a partida do barco.

Texto relacionado: Nesta casa algarvia morreu um famoso rei português

Após ser restaurado no final dos anos 1990, o salva-vidas passou a integrar a procissão de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Hoje, toda esta história está guardada no Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor. Este equipamento cultural resulta da reabilitação da antiga Estação do Instituto de Socorros a Náufragos, sendo um projeto da Câmara Municipal de Portimão (através do Museu) com a Junta de Freguesia de Alvor.

O espaço funciona como um núcleo museológico que liga o património sociocultural às vivências e saberes da comunidade piscatória local, homenageando os homens e mulheres que sempre viveram do mar e da ria.

Leia aqui mais textos sobre o concelho de Portimão

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A lenda secreta de uma igreja algarvia

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// 2. Guarda o texto na memória
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// 3. Remove a frase do botão para ela não ser lida
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// 4. Configura a voz
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// 5. Quando o áudio terminar sozinho, o botão volta ao normal
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// 6. Muda o texto do botão para indicar que se pode parar
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// 7. Começa a ler
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A Igreja de São Bartolomeu de Messines nasceu de uma forma bem pouco comum.

Diz a lenda que os habitantes da Amorosa e de Messines não chegavam a acordo sobre a localização do templo.

Para resolver o conflito, decidiu-se que dois cavaleiros partiriam de cada aldeia e que a igreja seria erguida no ponto de encontro.

O cavaleiro de Messines, contudo, avançou propositadamente mais devagar, garantindo que o edifício ficasse nas terras da sua povoação.

Leia também: Esta igreja guarda um segredo macabro

Para além do mito, o templo é um valioso exemplar arquitetónico.

Construído originalmente no primeiro quartel do século XVI, exibe hoje uma fusão entre o Manuelino e o Barroco, fruto de grandes obras no início do século XVIII.

No exterior, destaca-se o imponente pórtico barroco, ladeado por colunas salomónicas e capitéis coríntios.

O seu interior, de planta longitudinal com três naves, guarda um rico espólio de imagens dos séculos XVII e XVIII.

A importância religiosa da vila estende-se ainda às ermidas de Nossa Senhora da Saúde, Sant’Ana, São Pedro e São Paulo, que completam o património local.

Leia também: Esta igreja guarda um segredo macabro

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A vila de casas brancas que esconde uma das praias mais bonitas de Portugal

Porta de entrada no Algarve para quem vem do Alentejo, a vila de Odeceixe ergue-se encostada a uma colina, com ruas estreitas e casas de um branco imaculado.

Integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a freguesia combina a pacatez rural com a força do Atlântico, sendo famosa pela sua biodiversidade, arribas imponentes e dunas litorais.

O território é moldado pela Ribeira de Seixe, que nasce na Serra de Monchique e corre todo o ano, servindo de fronteira natural entre as duas regiões.

As suas águas preservadas alimentam uma vegetação rica em plantas endémicas e servem de refúgio a espécies raras como a garça-boieira e a lontra.

O rio desagua na icónica Praia de Odeceixe, eleita uma das “7 Maravilhas de Portugal” em 2012, onde o mar e a ribeira se encontram criando lagoas calmas na maré baixa. Logo ao lado, a sul, fica a Praia das Adegas, uma das praias oficiais de naturismo do país.

Na vila, o património histórico e cultural convida a visitas demoradas. Destacamos a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, um templo dos séculos XIV/XV que guarda um arco triunfal manuelino e valioso espólio em prata lavrada.

A Adega-Museu, que recria as adegas das décadas de 1920 e 1940, antigo ponto de encontro social e de partilha da tradicional “adiafa” entre trabalhadores também merece uma visita, tal como o Moinho de vento, de onde se tem uma das vistas mais belas da zona.

A ligação à terra e ao mar reflete-se na gastronomia, com pratos típicos como a “Feijoada à minha maneira”, e nas celebrações locais.

A vila ganha vida com os desfiles de Carnaval, com a Feira do Folar na Páscoa, com as ruas coloridas nos Santos Populares, em junho, e com o mercado de rua que, de 15 em 15 dias aos domingos, mostra o orgulho local em legumes doces e licores artesanais.

Leia também: No alto desta terra há um moinho que continua a desafiar o tempo e o vento

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Esta igreja guarda um segredo macabro

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// 3. Remove a frase do botão para ela não ser lida
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A Igreja do Carmo, em Faro, ficou eternizada na história por ter sido o palco onde eclodiu a revolta da cidade contra o domínio francês, a 19 de junho de 1808, e onde se elegeu o Supremo Conselho de Regência do Reino do Algarve.

Outro dos seus maiores – e macabros – pontos de interesse situa-se no antigo cemitério anexo: a célebre Capela dos Ossos, erguida em 1816.

Sendo uma das apenas seis estruturas deste género recenseadas em Portugal, esta capela oitocentista de inspiração barroca impressiona pelo seu revestimento feito com os crânios e ossos de mais de mil monges carmelitas.

Leia também: A lenda secreta de uma igreja algarvia

Para além deste forte legado histórico e místico, o templo destaca-se na paisagem urbana pelas suas imponentes torres gémeas.

Construída originalmente entre 1713 e 1719 pela Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a igreja teve de ser reconstruída após o sismo de 1755, afirmando-se como um belo exemplar da arquitetura barroca em estilo D. João V.

No seu interior de nave única, o retábulo-mor, esculpido pelo mestre Manuel Martins, é considerado uma das grandes obras-primas da talha algarvia, enquanto o altar de São José assinala a transição pioneira para o estilo Rococó na região.

Esta riqueza estende-se aos tetos pintados – com brutescos de Clemente Velho na sacristia e uma pintura em perspetiva de José Ferreira da Rocha na capela-mor – e aos trabalhos de massa de Diogo Tavares e Ataíde no coro-alto e nártex, desenhados para criar um efeito de ilusão e surpresa típico do Barroco.

Por fim, painéis de azulejos no nártex deixam gravada a fundação do monumento pelo Bispo D. António Pereira da Silva e intervenções posteriores na balaustrada, datadas de 1875.

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