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Portugueses conquistam em Portimão títulos mundiais na maior competição de vela inclusiva do Mundo

O velejador José Campos, de apenas 14 anos, é o novo campeão mundial da classe ILCA 6, em vela adaptada. A dupla João Pinto e Carlos Santos, na classe Hansa 303 duplo, sagrou-se vice-campeã do mundo, na categoria Open. 

Terminou hoje, em Portimão, o World Sailing Inclusion Championship, a maior competição inclusiva do mundo e com formato inovador organizada pela World Sailing e Vela Solidária.

Tem apenas 14 anos, nunca tinha participado em competições internacionais mas chegou ao World Inclusion Championships e conquistou o título de campeão do mundo. Ao fim de 6 dias de competição, José Campos, velejador do Clube Naval Povoense, venceu 10 das 14 regatas realizadas pela frota de ILCA 6, conseguindo assim ser o melhor do mundo. Uma vitória completamente inesperada para o segundo mais jovem atleta do campeonato.

“Não estava nada à espera. Estava convencido que ia ficar no final da tabela. O único campeonato em que já tinha participado foi num nacional mas aqui foi uma experiência totalmente diferente. A minha tática foi focar-me, pensar positivamente e recorrer a tudo o que aprendi“, refere o velejador de Aveiro, agora campeão do mundo. 

José Campos

Portugal conquistou não só a posição mais alta do pódio em ILCA 6 mas também o 3.º lugar. Um feito assinado por Rodrigo Pereira, igualmente atleta do Clube Naval Povoense, que manteve um excelente desempenho ao longo da competição, apesar de ter começado a velejar há pouco mais de um ano.

Numa recuperação notável no último dia de regatas, a dupla Carlos Santos e João Pinto em Hansa 303 duplo, conseguiu um 2.º e um 3.º lugar, o que lhes permitiu ascender duas posições na classificação geral. No final, sagraram-se vice-campeões do mundo na classe.

“Sabíamos que tínhamos de dar tudo. Fizemos umas boas largadas e tivemos a vantagem de o João Pinto conhecer muito bem estas águas. Tirámos partido disso e estamos felizes por sermos vice-campeões do mundo“, referiu Carlos Santos.

João Pinto e Carlos Santos (2026 World Sailing Inclusion Championship, Portimão, Portugal, Vela Solidária)

Os atletas nacionais conquistaram ainda mais lugares no pódio neste World Sailing Inclusion Championships. Em Hansa 303 single, classe com maior número de participantes e um nível competitivo muito elevado, João Pinto classificou-se como o 3.º melhor velejador. O atleta do Clube Naval de Portimão que, no ano passado, arrecadou o título de vice-campeão do mundo, na 1.ª edição deste World Sailing Inclusion Championships que se realizou em Omã.

A aproximação ao nível competitivo do polaco Piotr Cochocki, 1.º classificado e que somou mais um título mundial ao seu vasto currículo, e do alemão Jens Kroker, que terminou no 2º lugar, é um fator positivo para João Pinto.

“Felizmente estou com o nível necessário para competir com eles. Consegui o 3º lugar e isso deixa-me muito feliz porque tanto o Piotr como o Jens são atletas de topo mundial“, disse João Pinto.

João Pinto (2026 World Sailing Inclusion Championship, Portimão, Portugal, Vela Solidária)

Menos sorte tiveram os velejadores da vela Solidária, Pedro Câncio Reis e Teodoro Cândido, vice-campeões da Europa da classe RS Venture Connect. As aspirações a ocuparem um lugar entre os 3 primeiros classificados ficaram pelo caminho depois de alguns imprevistos. A dupla da Vela Solidária terminou à porta do pódio, na 4.ª posição.

O último dia do World Sailing Inclusion Championships ficou ainda marcado pela visita da Presidente do Comité Para Olímpico Internacional, Leila Marques, que veio observar a competição tendo em vista a candidatura apresentada pela World Sailing para que em Brisbane 2032, a vela volte a ser incluída nos Jogos Para Olímpicos.

“A Comissão Executiva do Comité Paralímpico Internacional está a trabalhar neste processo. São vários os critérios, desde a integridade, classificação desportiva, universalidade, questões de anti-doping e até mesmo o Broadcast, ou seja, a forma como a modalidade chega ao público-alvo. Estamos a recolher toda a informação e por enquanto está tudo em aberto“, afirmou Leila Marques.

2026 World Sailing Inclusion Championship, Portimão, Portugal, Vela Solidária

A vela adaptada integrou o programa dos Jogos Paralímpicos entre Sydney 2000 e Rio 2016, tendo sido retirada do programa a partir de Tóquio 2020 por não cumprir os critérios de alcance mundial.

O World Sailing Inclusion Championschips 2026 foi uma organização da World Sailing e da Vela Solidária e durante 10 dias reuniu 222 velejadores de 40 países num evento inclusivo, que celebrou as capacidades dos atletas em vez das suas limitações.

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Portimão vai receber primeiro Centro de Estágios e Formação para Vela Adaptada a nível mundial

É já no próximo mês de novembro que o pioneiro Centro de Estágios começará a desenvolver atividade, estando previsto o seu funcionamento em pleno a partir de janeiro de 2027

Portugal vai ter algo único no mundo: Um Centro de Estágios e de Formação, localizado na Marina de Portimão, dedicado especificamente a velejadores de vela adaptada e Inclusiva oriundos de todo o mundo. 

O projeto é da Associação Vela Solidária, que considera que Portimão tem um “diamante em bruto” que é preciso explorar.

«Vamos proporcionar ao mundo e muito especialmente aos europeus, que durante o inverno não conseguem navegar nos seus países, a possibilidade de virem para Portimão e aqui usufruírem de condições únicas quer em termos de infraestruturas, acessibilidades, planos de água e clima. Aqui é possível velejar todos os dias do ano. Vamos vender Portimão como o epicentro mundial da vela adaptada e inclusiva», refere Luís Brito, presidente da Vela Solidária.

O Centro de Estágios, localizado na Marina de Portimão, será alvo de um processo de certificação por parte da World Sailing, que garantirá a qualidade e o cumprimento de todos os requisitos inerentes à modalidade da vela adaptada.

Suíça, Noruega, França e Áustria são alguns dos países que firmaram já acordos com a Vela Solidária tendo em vista a deslocação de atletas para Portimão para a realização de estágios na temporada de inverno.

Também para os velejadores nacionais o Centro de Estágios irá funcionar como uma alavanca poderosa no desempenho e aumento do rendimento, sem terem que fazer grandes deslocações para treinar com tripulações internacionais.

«Este projeto é simplesmente incrível. O facto de ser único no mundo, coloca Portugal e Portimão como referências inquestionáveis da vela adaptada. Mostra o nosso valor, que vai muito para lá da vertente competitiva. Para mim e para todos os velejadores nacionais, vai ser muito bom para nós», destaca Pedro Câncio Reis, um dos velejadores portugueses mais medalhados e atualmente vice-campeão europeu da classe RS Venture Connect, juntamente com Teodoro Cândido.

Associado a este projeto a Vela Solidária está a desenvolver com vários países um “Circuito de Inverno”, composto por regatas em série que terão como objetivo capacitar os velejadores nacionais e internacionais para grandes eventos competitivos.

«É uma aproximação ao que é feito no programa das classes olímpicas na vela adaptada, a qual esperamos que volte a entrar para os Jogos Para Olímpicos em Brisbane 2032», afirma Luís Brito.

Recorde-se que a vela adaptada integrou o programa dos Jogos Paralímpicos entre Sydney 2000 e Rio 2016, tendo sido retirada do programa a partir de Tóquio 2020 por não cumprir os critérios de alcance mundial.

O projeto pioneiro do Centro de Estágios e de Formação de Portimão irá começar a ser implementado assim que termine o World Sailing Inclusion Championships, a maior competição de vela adaptada e inclusiva alguma vez realizada no mundo, que está a decorrer até ao próximo sábado na Marina de Portimão.

O World Sailing Inclusion Championships é uma organização da World Sailing e da Vela Solidária e tem como parceiros a Federação Portuguesa de Vela e o Município de Portimão.

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Vela Solidária prepara centro de estágios e formação de vela adaptada em Portimão

O início de atividade está previsto para novembro, com funcionamento em pleno em janeiro de 2027. Já há acordos para receber atletas de vários países.

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