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Lagos – Casal assassinado pelo seu caseiro na freguesia de Odiáxere, foi avisado por amigos que o homem é toxicodependente e tem problemas mentais

O duplo homicídio e a profanação dos cadáveres ocorreram na quinta do casal estrangeiro, situada no monte da Cova da Zorra, entre Sargaçal e Odiáxere, no concelho de Lagos. Depois das mortes, na moradia, os corpos foram arrastados para o interior de uma cisterna existente na mesma propriedade, com o objectivo de serem destruídos. O suspeito, Natalino Cordeiro, de 45 anos e nacionalidade brasileira, já tinha sido despedido  de uma outra quinta, devido a problemas com os patrões.

José Manuel Oliveira

Paulo Silva

“É toxicodependente” e “um desequilibrado mental”. “Não é de confiança”. Terão sido, entre outras palavras, segundo revelaram, ao ‘Litoralgarve’, vários populares, os alertas lançados por vizinhos e amigos do médico osteopata francês Jean Marie Grenier, de 79 anos, e da esposa, Milena, de 62 e nacionalidade romena, o casal brutamente assassinado na passada sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2026, pelo caseiro da sua quinta no monte Cova da Zorra, situado numa zona que liga Sargaçal a Odiáxere, no concelho de Lagos, como noticiámos na altura em primeira mão.

O casal, agora assassinado, aceitou contratá-lo por “necessitar de ajuda” de alguém para trabalhar como caseiro na sua quinta.

Trabalhou ali durante cerca de três anos até cometer o duplo homicídio na moradia, seguido de ocultação dos dois cadáveres, que os arrastou para o interior de uma cisterna na mesma propriedade.

Como contaram ao nosso Jornal, o suspeito, Natalino Cordeiro, de 45 anos e nacionalidade brasileira, já tinha sido despedido pelos proprietários de uma outra quinta, devido a problemas com os patrões. Contudo, o casal, agora assassinado, aceitou contratá-lo por “necessitar de ajuda” de alguém para trabalhar como caseiro.

Amigo do suspeito denunciou às autoridades onde tinham sido escondidos os dois cadáveres.

Operacionais dos Bombeiros de Lagos estiveram envolvidos numa operação considerada complexa para retirar os corpos da cisterna existente na propriedade do casal assassinado, para a qual foram lançados, a fim de serem destruídos.

De acordo com informações obtidas pelo ‘Litoralgarve’, Natalino Cordeiro terá actuado sozinho no duplo homicídio e profanação dos cadáveres. Primeiro matou o médico osteopata Jean Marie Grenier. Pouco tempo depois, após a mulher, alegadamente, ter considerado haver algo estranho por não conseguir entrar em contacto com o marido e telefonar para o Posto Territorial de Lagos da Guarda Nacional Republicana (GNR), além de alertar a família, acabou por ser, também, assassinada pelo caseiro. Um amigo dele denunciou às autoridades onde tinham sido escondidos os dois cadáveres.

Militares da GNR deslocaram-se, de imediato, à quinta do casal, que vivia há vários anos em Portugal, e após a descoberta dos corpos, numa operação considerada complexa, a cargo de operacionais dos Bombeiros Voluntários de Lagos, o suspeito do duplo homicídio foi detido e entregue a agentes do Departamento de Investigação Criminal de Portimão da Polícia Judiciária (PJ).

Preparava-se para fugir de Portugal, pelo que o Tribunal de Portimão, onde foi presente para primeiro interrogatório, aplicou ao suspeito prisão preventiva, a medida de coacção mais gravosa, enquanto aguarda julgamento

Presente ao Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Portimão, para primeiro interrogatório, viu ser-lhe aplicada a medida de coacção mais gravosa, ou seja prisão preventiva, enquanto aguarda julgamento. Preparava-se para fugir de Portugal. Foi esse, o perigo de fuga, aliada à gravidade dos crimes em investigação e aos restantes elementos recolhidos durante a investigação, que terá contribuído para a decisão judicial.

Dois crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver

Em comunicado, a Polícia Judiciária, através do Gabinete de Imagem e Comunicação, indica que o suspeito é investigado pela prática de “dois crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver”, após as autoridades terem encontrado os corpos de Jean Marie Grenier e de sua esposa, empresários ligados ao sector da saúde.

Arrisca a ser condenado à pena máxima de 25 anos de prisão

Utilizados produtos químicos com o objetivo de acelerar a decomposição dos cadáveres, numa tentativa de dificultar a sua descoberta e identificação.

Conforme apurou o ‘Litoralgarve’, por cada crime de homicídio qualificado, o suspeito incorre numa pena de 12 a 25 anos de prisão. Já a profanação de cadáver, com ocultação, é punida até dois anos de cadeia, ou pena de multa até 240 dias.

O casal, recorde-se, foi violentamente agredido com um objecto contundente dentro da própria residência. Os ferimentos provocados pelas agressões terão sido fatais. Depois das mortes, o caseiro arrastou os corpos para o interior de uma cisterna de água existente na propriedade, numa tentativa de ocultar os cadáveres. E tal como o ‘Litoralgarve’ revelou na altura, as autoridades suspeitam, ainda, que tenham sido utilizados produtos químicos com o objetivo de acelerar a decomposição dos cadáveres, numa tentativa de dificultar a sua descoberta e identificação.

A remoção dos dois corpos, como já referimos, obrigou a uma operação particularmente complexa, devido às condições em que estes se encontravam e ao local onde tinham sido escondidos, tendo as autoridades contado com o apoio dos Bombeiros de Lagos.

Na posse do caseiro, estava “bastante dinheiro”, além de “objectos de valor presumivelmente pertencentes às vítimas”, segundo a Polícia Judiciária.

“Não tinha, até à data da sua detenção, antecedentes criminais conhecidos”.

O homem foi localizado pela GNR de Lagos nas imediações do local, durante a madrugada de sábado, 12 de Setembro, onde ocorreram os crimes. Segundo informação divulgada pela PJ, tinha consigo “bastante dinheiro e objetos de valor, presumivelmente, pertencentes às vítimas.”

O facto de o caseiro ter sido encontrado com estes bens constitui uma das linhas de investigação das autoridades para esclarecer o que terá acontecido após a morte do casal. “O suspeito não tinha, até à sua detenção, antecedentes criminais conhecidos”, refere a PJ.

Motivo do duplo homicídio continua por esclarecer, mas conseguir dinheiro poderá ter sido a causa.

“A investigação prossegue agora para esclarecer todas as circunstâncias do crime, nomeadamente a eventual existência de outros envolvidos e o destino que o suspeito pretendia dar ao dinheiro e aos objetos encontrados na sua posse”

Apesar dos avanços na investigação, permanece por esclarecer o móbil do crime.“A Polícia Judiciária continua a recolher prova e a reconstruir as últimas horas de vida das vítimas, procurando determinar o que terá desencadeado a violência e qual terá sido exatamente o papel do suspeito. A investigação prossegue agora para esclarecer todas as circunstâncias do crime, nomeadamente a eventual existência de outros envolvidos e o destino que o suspeito pretendia dar ao dinheiro e aos objetos encontrados na sua posse”, acrescenta o comunicado.

Chegou a trabalhar na Cruz Vermelha, em Lagos

Um utente recordou ao ‘Litoralgarve’: Tratou-me de um problema na coluna e agradeci-lhe imenso”.

Conhecido de muita gente, que não lhe poupa elogios, o médico osteopata francês Jean Marie Grenier chegou a exercer a sua actividade profissional na Delegação de Lagos da Cruz Vermelha Portuguesa. “Tratou-me de um problema na coluna e agradeci-lhe imenso”, recordou, ao ‘Litoralgarve’, um utente.

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Artigo de opinião: Criminalidade em Alta: Onde Estão os Dados, Senhor Ministro?

Há declarações que seriam discutíveis vindas de um qualquer político ou até numa simples conversa no Clube da Ladeira do Vau ou no café do Fabinho.

Vindas de um Ministro da Administração Interna que foi Diretor Nacional da Polícia Judiciária, tornam-se difíceis de compreender.

Perante o aumento da criminalidade geral participada, o Ministro Luís Neves atribui esse crescimento, entre outros fatores, à existência de maior fiscalização por parte das autoridades e a uma maior ação do Estado.

Mas desde quando é que a fiscalização pode ser apresentada, de forma tão genérica, como explicação para o aumento da criminalidade geral?

Luís Neves sabe perfeitamente, ou deveria saber melhor do que a maioria, como se formam as estatísticas criminais.

Um crime registado não é necessariamente consequência de uma ação de fiscalização. Muitos crimes chegam ao conhecimento das autoridades porque uma vítima apresenta queixa, um cidadão denuncia ou uma entidade pública ou privada participa os factos.

Naturalmente, existem crimes cuja deteção está diretamente relacionada com a iniciativa das forças de segurança. Mais fiscalização rodoviária pode revelar mais crimes de condução sob influência do álcool ou de condução sem habilitação legal, por exemplo. Da mesma forma, mais operações policiais podem permitir detetar situações de tráfico de droga, posse de armas ou outros ilícitos que dificilmente seriam denunciados por uma vítima.

Mas reconhecer essa realidade é muito diferente de transformar a “maior fiscalização” numa explicação genérica para o aumento da criminalidade geral participada.

Um furto ou um roubo não é participado porque existe mais fiscalização.

Uma vítima de violência doméstica não denuncia porque existem mais operações policiais.

Uma pessoa burlada não apresenta queixa porque há mais patrulhas na rua.

Uma vítima de agressão física e facadas não se dirige à GNR ou à PSP porque o Estado decidiu fiscalizar mais.

Esses crimes entram nas estatísticas porque foram participados ou chegaram ao conhecimento das autoridades. E, antes de procurar uma explicação para a subida dos números, é precisamente isso que deve ser analisado.

Por isso, antes de utilizar a fiscalização como explicação para o aumento da criminalidade, seria importante responder a perguntas muito simples:

Que crimes aumentaram em resultado de uma maior fiscalização? Quantos foram? E que peso tiveram no aumento global da criminalidade participada?

Sem esses dados, a afirmação é, no mínimo, insuficiente.

E existe aqui uma questão política e sociológica que também merece ser colocada.

Luís Neves tem sido particularmente assertivo ao rejeitar uma relação entre imigração e aumento da criminalidade. Já enquanto Ministro da Administração Interna manteve publicamente essa posição.

Perante números que mostram agora um aumento da criminalidade geral participada, é, por isso, legítimo questionar:

Será que a explicação da “maior fiscalização” surge também perante a dificuldade de conciliar os números atuais com um discurso que tem afastado uma relação entre a evolução da criminalidade e o forte crescimento da imigração?

É uma pergunta. Não uma conclusão.

E essa distinção é fundamental.

A Sociologia não deve servir para escolher antecipadamente a conclusão que queremos alcançar. Deve servir para formular hipóteses, confrontá-las com dados e aceitar aquilo que os resultados demonstrarem, independentemente de confirmarem ou contrariarem aquilo em que inicialmente acreditávamos.

E de Luís Neves esperava-se particularmente esse rigor.

Não estamos perante alguém que acabou de chegar à área da segurança.
Estamos perante um antigo Diretor Nacional da Polícia Judiciária que hoje ocupa o cargo de Ministro da Administração Interna.

Se a maior fiscalização explica uma parte significativa do aumento da criminalidade, apresentem-se os números que o demonstram.

Se o crescimento da imigração não apresenta qualquer relação estatisticamente relevante com essa evolução, apresentem-se igualmente os dados que sustentam essa conclusão.

E deixemos que os factos falem.

Porque um Ministro da Administração Interna não deve procurar uma explicação que se adapte aos números. Deve apresentar os números e permitir que sejam eles a sustentar a explicação.

De quem dirigiu a Polícia Judiciária e hoje tutela a segurança interna não se esperam explicações de circunstância para tornar os números mais confortáveis.

Espera-se rigor.

Espera-se transparência.

E, sobretudo, espera-se que não se tente explicar politicamente aquilo que primeiro deveria ser demonstrado com factos.

Por: R. Lopes Silva

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