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Por que a proibição das Bets é tão importante

Na sexta-feira, dia 25 de setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições, o presidente Lula assinou a Medida Provisória (MP) 1394, que proíbe a atuação das bets no país. A MP é uma vitória, ainda que venha tarde.

É apenas o começo de uma batalha jurídica e regulatória que irá se desenrolar no próximo mandato eleitoral, com papel central tanto do presidente eleito quanto dos demais parlamentares. Afinal, deputados e senadores compõem as comissões mistas que analisam as medidas provisórias, e, para virar lei, uma MP também precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado. 

Aqui, quero enaltecer o papel fundamental que a cobertura jornalística da Agência Pública teve nessa decisão, e que minha colega Natália Viana detalha em sua coluna da semana passada.  

Que o vício em apostas – a ludopatia – tem um impacto grande na saúde da população, já está estabelecido, tanto em termos psicológicos quanto financeiros. Não são poucos os casos de pessoas que perdem bens materiais, se endividam e quebram relações familiares por causa das apostas.

O marido de uma amiga não tem celular desde o ano passado: foi a condição para que seguissem o relacionamento, depois de ele perder tudo o que tinham guardado e até vender o carro para seguir jogando. 

Rafael Borges Amaral, de 26 anos, perdeu a vida na batalha contra a ludopatia. A carta escrita por sua mãe, Vânia de Souza Borges, não foi ouvida pela CPI das Bets, mas alcançou o Brasil e ajudou a levantar a bandeira de muitas outras famílias pela proibição das apostas online.

A saúde das pessoas é muito mais importante do que qualquer impacto econômico. Antes de pensar no PIB ou na arrecadação tributária, é a vida que precisa ser colocada em primeiro plano. 

Então, mesmo se proibir as bets fosse ruim para a economia, seria a decisão acertada.

Mas este não é o caso. Para a economia do país, acabar com esses jogos é bastante benéfico.

Isso porque a renda que é absorvida pelas bets não retorna em mesmo volume para a economia do país. Ela é tirada de circulação, em grande parte apropriada pelas casas de aposta, muitas das quais nem no Brasil estão.

Então, além da renda que sai do bolso das famílias e prejudica suas contas diárias, a economia do país como um todo é afetada. 

Isso porque, quando alguém vai ao mercado e gasta dinheiro comprando um produto ou contratando um serviço, esse valor retorna em maior escala para a economia. É o que chamamos de efeito multiplicador. 

Por exemplo, se eu compro R$ 100 no mercadinho, estes R$ 100 viram a renda do comerciante. Ele, por sua vez, vai gastá-la, o que gera renda para outra pessoa, que também vai gastar, e assim por diante. No final, R$100 viram muito mais em atividade econômica. A roda da economia gira.  

Mas, se eu perco estes mesmos R$ 100 num cassino online, este dinheiro não comprou nada, não gerou demanda nenhuma. E a maior parte dele não vai retornar em prêmios, vai ser retida na casa de apostas.

Um estudo conduzido pelo professor Guilherme Klein para o Centro de Estudos de Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP) dimensionou o impacto das bets nesse movimento. 

A conta é a seguinte. O Centro Celso Furtado estimou que, em 2025, houve uma transferência bruta de R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas. Ou seja, somando tudo o que foi apostado e redistribuído em prêmios, as bets ficaram com mais de 60 bilhões para si. 

Com esse número, o professor estimou alguns cenários diferentes, com hipóteses mais ou menos otimistas sobre o papel econômico do setor de apostas, e chegou numa perda total para a economia brasileira de algo entre R$ 90,9 bi e R$ 141 bilhões de reais – ou de 0,7 a 1,1% do PIB do nosso país.

De um terço a metade do crescimento da economia brasileira em 2025. Até cinco vezes mais do que o impacto estimado para o tarifaço americano. 

A própria Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o varejo sozinho deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões em 2024, devido ao direcionamento de recursos das pessoas para as bets.

Mesmo quando consideramos o ganho de arrecadação que a regulamentação das apostas trouxe, regular sai mais caro para o país do que proibir. No Estudo do Made, o efeito final é de uma redução entre R$ 14,6 bilhões e R$ 35,6 bilhões na arrecadação de impostos.

Isso sem nem considerar a elevação dos gastos em saúde pública para tratamento do vício em apostas. Conforme o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), as bets geram um custo anual para o SUS de R$ 30,6 bilhões. 

No fim, a soma do jogo é clara. Com a proibição, ganham as pessoas, sua saúde mental e financeira, e a economia do país. Só perdem, mesmo, as casas de apostas – e os influenciadores que elas remuneram. 

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Euro Falls to 17-Month Low as French Debt Fears Return to Markets

The euro fell to its lowest level against the dollar since May 2025 on Monday as investors reacted to rising French borrowing costs, political uncertainty and doubts over Paris’s ability to stabilise its public finances before next year’s presidential election.

The euro fell to a 17-month low against the US dollar on Monday as renewed pressure on French government debt raised concern over the fiscal position of the eurozone’s second-largest economy.

The single currency dropped as far as $1.116 during trading, its weakest level since May 2025, before recovering part of the fall. By late Monday it was trading at around $1.121, still lower on the day.

The move followed a sharp sell-off in French government bonds and a widening gap between French and German borrowing costs.

According to market data published on Monday, the spread between French government debt and equivalent German Bunds had approached 160 basis points on Friday, its widest level since the eurozone sovereign-debt crisis in 2011.

The gap subsequently narrowed, but the scale of the movement has drawn attention back to France’s public finances.

French debt is already close to 120 per cent of gross domestic product and is expected to continue rising.

Investors are now assessing whether Prime Minister Sébastien Lecornu’s minority government can secure sufficient parliamentary support for measures intended to put the budget on a more sustainable path.

That challenge is becoming more difficult as France approaches its 2027 presidential election.

Spending cuts and tax increases are politically sensitive even under stable parliamentary conditions. Lecornu’s administration does not have an outright majority in the National Assembly, while opposition parties have challenged several elements of the government’s fiscal programme.

The French economy itself is providing little additional room.

Revised national accounts examined by EU Today showed that the economy failed to grow during the second quarter, while household purchasing power weakened and investment declined.

Slower growth makes deficit reduction harder because tax revenues tend to grow more slowly while welfare and debt-servicing costs remain high.

Bond markets have also changed the calculation.

For much of the period following the eurozone debt crisis, France was able to borrow at historically low rates. Higher interest rates now mean maturing debt has to be refinanced at greater cost.

France’s debt burden is therefore rising at the same time as the price of servicing it increases.

The euro’s fall on Monday shows that those concerns are no longer confined to the French bond market.

Currency traders are also assessing whether fiscal pressure in France could affect confidence in the wider euro area.

The comparison with the sovereign-debt crisis of 2010–12 should nevertheless be treated cautiously.

France remains one of Europe’s largest and most diversified economies, and the eurozone now has institutional mechanisms and European Central Bank instruments that did not exist at the beginning of the earlier crisis.

There is also no indication that France is unable to finance itself.

What markets are pricing is an increase in the risk attached to holding French debt and growing uncertainty over the country’s medium-term fiscal trajectory.

The euro has now fallen for four successive weeks against the dollar and has lost more than three per cent over that period.

US monetary policy is contributing to the movement. Persistent inflation indicators have supported the dollar even as expectations of an immediate Federal Reserve interest-rate increase have declined.

For Europe, however, Monday’s trading was dominated by France.

French fiscal policy has been a domestic political dispute for much of the past year. The widening bond spread and the euro’s fall show that it is increasingly becoming a eurozone market issue.

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