Sete presídios de Pernambuco devem adotar padrão de segurança máxima por abrigarem membros de facções
Sete presídios de Pernambuco devem adotar padrões de segurança máxima por abrigarem membros de facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As unidades fazem parte de uma lista de 138 que receberão reforço do governo federal por concentrarem 80% das lideranças do crime organizado no Brasil.
O principal objetivo da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) é que os líderes das facções presos permaneçam sem qualquer comunicação fora dos presídios, evitando que ordens sejam dadas para homicídios e ampliação do domínio de territórios para o tráfico de drogas e armas de fogo.
A coluna Segurança apurou que o Presídio de Itaquitinga II, localizado no município de Itaquitinga, na Mata Norte, é um dos sete que fazem parte da lista nacional. A unidade, cuja obra foi concluída na atual gestão do governo estadual, abriga alguns dos principais líderes do crime organizado presos em Pernambuco. Eles permanecem em celas separadas a maior parte do dia e seguem rigorosos protocolos. Hoje é considerada a unidade mais segura do Estado - sem superlotação e sem a presença de chaveiros.
O Presídio de Igarassu, localizado no Grande Recife, também faz parte da lista. Uma das mais superlotadas e precárias do Estado, a unidade prisional foi alvo de operações da Polícia Federal, no primeiro semestre de 2025, com o objetivo de combater um forte esquema de corrupção envolvendo um ex-diretor, um ex-secretário executivo e vários policiais penais, que recebiam propina para liberar regalias a alguns presos.
Mesmo com as operações e a cobrança por melhorias na segurança, o Presídio de Igarassu mantém presos comandando pavilhões e cantinas. Além disso, inspeção realizada pela Defensoria Pública Estadual, no primeiro semestre deste ano, indicou que havia 6.127 pessoas presas, com taxa de ocupação de 499,8%. A capacidade oficial é de 1.226 vagas.
As outras cinco unidades de Pernambuco que devem receber reforço federal são:
Presídio policial Penal Leonardo Moura Lago, no Complexo Prisional do Curado, no Recife;
Presídio Rorinildo da Rocha Leão, em Palmares, na Mata Sul;
Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, no Sertão;
Penitenciária de Tacaimbó, no Agreste;
Penitenciária Dr. Enio Pessoa Guerra, em Limoeiro, também no Agreste.
O Nordeste concentra o maior número de unidades prisionais (45) que terão regras mais rígidas para ampliar o isolamento de líderes das organizações criminosas. Na sequência, estão o Sudeste (38), o Norte (23), o Sul (17) e o Centro-Oeste (15).
O Ministério da Justiça e Segurança Pública adquiriu 276 equipamentos de raio-X, com investimento de R$ 36 milhões. O planejamento prevê o envio de duas máquinas para cada presídio contemplado. Também foram adquiridos 138 scanners corporais, com valor de cerca de R$ 38 milhões.
Parlatórios das 138 unidades estaduais também devem receber equipamentos de gravação e monitoramento de reuniões entre advogados e líderes das facções.
POLICIAIS PENAIS PARTICIPAM DE DIAGNÓSTICO
A Senappen convocou os servidores que atuam nos 138 presídios mapeados para responder a um diagnóstico que pretende identificar as competências existentes e as necessidades de desenvolvimento desses profissionais nas ações de combate ao crime organizado.
A iniciativa está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As respostas serão analisadas em conjunto com os dados obtidos na primeira etapa da pesquisa, realizada por meio de entrevistas com os gestores das unidades.
"A combinação das perspectivas dos gestores e dos profissionais que atuam diretamente na custódia permitirá construir uma visão mais abrangente das capacidades existentes, das lacunas de desenvolvimento e das condições necessárias para fortalecer a atuação das equipes", informou a secretaria nacional.


© Hesíodo Goes/Secom