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Eleições nos EUA: A semana de comícios de Trump em cinco pontos

O presidente Donald Trump está em meio a uma intensa maratona de campanha por todo o país, antes das Eleições de Meio de Mandato, as Midterms, de 3 de novembro, realizando comícios quase diários para incentivar o comparecimento de eleitores a favor dos republicanos, que lutam para manter o controle do Congresso.

Em seus discursos de campanha, que duram 90 minutos, Trump defende suas políticas econômicas, se vangloriou do tamanho das multidões, zomba de manifestantes e chegou até a fazer comentários sobre as nádegas de um colega republicano.

Aqui estão cinco pontos principais sobre as aparições do presidente, realizadas, em sua maioria, em áreas de forte apoio republicano pelo país:

O discurso econômico de Trump

No início do mês, Trump afirmou ter feito um “mau trabalho” ao explicar seu desempenho econômico. Ele tem tentado corrigir isso em seus comícios, destacando uma taxa de pobreza em nível historicamente baixo, baixo desemprego, recordes no mercado de ações e preços mais acessíveis para alguns itens alimentícios.

No entanto, seu discurso entra em conflito com as preocupações dos eleitores quanto aos gastos com combustível, compras de supermercado e outras despesas do dia a dia.

Os preços ao consumidor aceleraram em setembro, impulsionados pela disparada no custo da gasolina. O preço médio do combustível nos EUA é de US$ 4,27 por galão (US$ 1,13 por litro) — cerca de 40% mais caro do que há um ano, segundo a AAA. Trump tem prometido, repetidamente, que os preços da gasolina cairão assim que a “guerra com o Irã” terminar.

Esse descompasso ficou evidente do lado de fora de um comício de Trump na zona rural do Kansas, onde Chester Daniel, um veterano militar de 90 anos e apoiador de Trump, afirmou que a economia ainda tem “um longo caminho a percorrer” para ajudar os trabalhadores.

“Preços? Altos demais! Nunca voltaremos aos patamares de quando tudo isso começou, mas eles precisam cair bastante”, disse Daniel. “Não sei como esses jovens conseguem sustentar suas famílias.”

Republicanos na defensiva e o mapa dos comícios

O roteiro de viagens de Trump revela o quão difícil será para os republicanos manterem o controle do Congresso, com o presidente sendo forçado a adotar uma postura defensiva, mesmo em redutos conservadores. Trump viajou duas vezes ao Texas em apoio a Ken Paxton, candidato republicano ao Senado; fez campanha para o senador republicano em exercício Roger Marshall, no Kansas; e esteve duas vezes em Ohio em apoio ao senador Jon Husted.

Trump também participou de comícios para candidatos republicanos em disputas acirradas no Alasca, Iowa, Montana e Carolina do Sul. Ele tem uma visita ao Mississippi programada para segunda-feira (26).

Trata-se de locais onde os republicanos costumam vencer com facilidade — e não de campos de batalha eleitorais onde Trump normalmente dedicaria tempo durante as semanas cruciais que antecedem uma eleição.

Nas pesquisas, Paxton aparece ligeiramente atrás do democrata James Talarico, enquanto Marshall enfrenta um desafio considerável do democrata Adam Hamilton em um estado que não elege um senador democrata há quase um século. Em Ohio, Husted está atrás do ex-senador democrata Sherrod Brown, e, em Iowa, a candidata republicana ao Senado, Ashley Hinson, trava uma disputa acirrada contra o democrata Josh Turek.

Chama a atenção a ausência, até o momento — a menos de duas semanas do dia das Midterms —, de estados como Michigan, Maine, Minnesota e New Hampshire, que também registram disputas acirradas para o Senado. É provável que ele visite alguns desses locais em breve; há uma viagem programada para Michigan no domingo, e ele também mencionou planos de ir ao Maine.

O foco de Trump sobre o tamanho do público nos comícios

Trump transformou o tamanho do público em um tema recorrente de seus comícios durante o ciclo eleitoral de Meio de Mandato, descrevendo arenas lotadas e milhares de pessoas que, segundo ele, teriam ficado do lado de fora — o que ele apresenta como prova de sua popularidade contínua.

No entanto, a adesão real aos eventos de campanha nas últimas semanas tem sido irregular. Alguns comícios atingiram a capacidade máxima, mas sem qualquer sinal da multidão excedente descrita por Trump. Em outros, grandes setores de assentos permaneceram vazios, mesmo em locais de porte modesto.

“Faço isso todas as noites e, não importa aonde eu vá, é sempre a mesma coisa. São multidões enormes”, disse Trump em um comício na Carolina do Norte, na terça-feira. “Temos telões do lado de fora. Milhares e milhares de pessoas. Há algo muito especial acontecendo.”

O local estava lotado, mas não havia sinais de multidões do lado de fora esperando para entrar ou acompanhando o evento pelos telões. Em um comício realizado no dia 7 de outubro em San Antonio, no Texas, Trump afirmou que as filas do lado de fora da arena estendiam-se por duas milhas (aproximadamente 3,2 km), mesmo com grandes áreas vazias no interior do local.

O tamanho do público nem sempre é um indicador preciso de apoio político; contudo, Trump tem utilizado esse dado como um sinal de força, ainda que seu índice de aprovação tenha caído para 31% — o patamar mais baixo de todo o seu mandato presidencial —, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada.

Trump não é candidato nas eleições de 3 de novembro. Para os candidatos republicanos, a questão é saber se o entusiasmo que ele desperta entre seus apoiadores pode se converter em votos para eles.

A França como um exemplo nas Eleições de Meio de Mandato

Trump tem usado frequentemente o presidente francês, Emmanuel Macron, como um contraponto em seus discursos de campanha, alegando ter forçado Macron — por meio da ameaça de impor tarifas sobre o champanhe (um produto de exportação francês muito popular) e outros bens — a aumentar os preços de medicamentos prescritos na França.

No entanto, na última semana, aproximadamente, Trump adotou uma nova narrativa sobre a França, apresentando os violentos distúrbios ocorridos no país nas últimas semanas como um alerta do que, segundo ele, poderia acontecer nos EUA caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato. Trump atribuiu a responsabilidade pelos distúrbios a imigrantes e muçulmanos, seguindo uma estratégia já conhecida que tem marcado sua atuação política há mais de uma década.

“Que diabos aconteceu com a França?”, perguntou Trump a uma multidão em uma arena de competições agropecuárias em Clemson, na Carolina do Sul, na quarta-feira.

Vale notar que os protestos na França ganharam mais destaque nos discursos recentes de Trump do que dois outros grandes problemas de política externa que ele não conseguiu solucionar: a invasão da Ucrânia pela Rússia e sua “guerra” contra o Irã.

“Eles vão acabar, de um jeito ou de outro”, disse Trump sobre os dois conflitos durante o comício em Clemson. Ele não explicou como esses conflitos poderiam terminar, mas queixou-se de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços na resolução de conflitos ao redor do mundo.

Trump e o foco no físico

Há muito tempo, Trump demonstra uma fixação pelo físico humano que vai além da metáfora do “corpo político”.

Nesta temporada eleitoral, Trump tem dado atenção especial a Husted, um ex-jogador de futebol americano universitário da Universidade de Dayton, de 59 anos.

Em comícios realizados em Ohio, Kentucky e Carolina do Norte, Trump expressou admiração pelo físico de Husted, chegando a comentar que os glúteos dele parecem “um amontoado de músculos”.

“Depois, olhei para as pernas dele e pensei: ‘Caramba, que pés grandes!’. Em seguida, observei seus ombros e dei um tapinha — cheguei a machucar a mão! Parecia um pedaço de aço. Eu disse: ‘Esse cara é um monstro!'”, relatou Trump.

Na sexta-feira, Trump teceu elogios semelhantes a Robert F. Kennedy Jr., seu secretário de Saúde e Serviços Humanos, declarando em um comício na Flórida que o político de 72 anos “tem o corpo de alguém de 30 anos”.

Comentários desse tipo são recorrentes no repertório de Trump. Na reta final de sua campanha de 2024, ele aproveitou um discurso em um comício na Pensilvânia para contar uma história grosseira sobre as proezas — para além do golfe — da lenda do esporte Arnold Palmer. Ao longo dos anos, Trump tem focado frequentemente nos atributos físicos das pessoas, chegando, inclusive, a zombar do peso e da aparência de seus oponentes.

Trump considera que até alguns de seus amigos carecem de senso de moda — é o caso de Paxton, conhecido por seu visual desleixado.

“Pode ser que alguns não gostem do jeito que ele se veste”, disse Trump sobre ele durante uma convenção republicana em Dallas, em meados de setembro, acrescentando: “Eu não gosto”.

Isso, contudo, não impediu Trump de fazer campanha para Paxton. Ele retorna ao Texas na terça-feira (27) para participar de mais dois comícios.

Eleições nos EUA: Qual é a diferença entre os red, blue e purple states?

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Kamala Harris faz campanha para democratas nas Midterms de olho em 2028

Kamala Harris está retornando à campanha eleitoral para ajudar os democratas em algumas das disputas mais acirradas das Midterms, as Eleições de Meio de Mandato nos EUA, colocando a ex-vice-presidente novamente diante dos eleitores, em um momento em que ela avalia se deve concorrer à presidência pela terceira vez, em 2028.

A candidata do Partido Democrata em 2024 — que não obteve sucesso na eleição — fez relativamente poucas aparições públicas este ano. Mas, com seu partido tentando quebrar o domínio republicano no Congresso em 3 de novembro, Harris está participando de atos de campanha na Geórgia, no Mississippi, em Nevada, em New Hampshire e em Wisconsin.

Esse retorno provavelmente reacenderá questionamentos sobre seu futuro político, justamente quando começa a surgir um grande número de possíveis concorrentes para 2028.

Harris deu início à sua turnê em Las Vegas, na semana passada, com um novo discurso de campanha no qual atacou o que descreveu como a crueldade do presidente Donald Trump, mesclando críticas a frases inspiradoras — sua marca registrada desde que se tornou a primeira pessoa negra e asiática e a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente.

Ela falou para dezenas de membros do sindicato Culinary Workers Union ao lado de Aaron Ford, candidato a governador e primeiro procurador-geral negro de Nevada — a quem ela se referiu como alguém que poderia se tornar o “primeiro governador negro a oeste do Mississippi”.

“Temos uma batalha séria pela frente”, disse Harris. “Estamos testemunhando uma brutalidade absoluta vinda do que é, sem dúvida, a administração presidencial mais corrupta, insensível e incompetente.”

Assim como Trump, que viaja pelo país em apoio a candidatos republicanos, Harris não goza de grande popularidade entre o eleitorado. Uma pesquisa de opinião da Reuters/Ipsos, realizada em junho, mostrou que 39% dos americanos tinham uma visão favorável dela; no entanto, os números revelaram uma divisão partidária acentuada: 82% dos democratas a viam de forma positiva, contra apenas 7% dos republicanos e 33% dos eleitores independentes.

“Na reta final de uma campanha, você traz a campo seus nomes de maior peso”, afirmou Elaine Kamarck, pesquisadora sênior da Brookings Institution e membro do Comitê Nacional Democrata. “É exatamente isso que está acontecendo com ela — e, francamente, também com Trump.”

No dia seguinte à sua passagem por Las Vegas, Harris liderou gritos de “O Mississippi importa!” diante de uma multidão que apoiava Scott Colom, na cidade de Columbus. Colom busca se tornar o primeiro senador democrata eleito pelo Mississippi desde 1982, e as pesquisas mostram uma disputa excepcionalmente acirrada contra a republicana Cindy Hyde-Smith.

Harris começou dando um conselho que, segundo ela, costuma oferecer aos jovens que orienta: “Nunca deixe que a incapacidade de outra pessoa de enxergar o seu potencial se torne uma limitação para a sua ambição”, disse ela. “Deixem-me repetir isso.” E ela repetiu, com mais ênfase do que da primeira vez, arrancando aplausos da plateia.

Candidatura de Kamala Harris em 2028 ainda é dúvida

Caso decida concorrer novamente à Casa Branca em 2028, Harris provavelmente figurará entre os nomes de maior destaque em um cenário democrata que promete ser bastante concorrido.

No entanto, Harris também carrega o peso de derrotas anteriores: ela perdeu a eleição presidencial de 2024 para Trump, e sua primeira tentativa de chegar à Casa Branca terminou antes mesmo do início das primárias democratas de 2020.

Uma eventual campanha em 2028 também obrigaria Harris a revisitar a caótica disputa democrata de 2024, quando o então presidente Joe Biden encerrou abruptamente sua campanha à reeleição — em meio a questionamentos sobre sua saúde e agudeza mental — e ela o substituiu como candidata da legenda.

Em seu livro de memórias, “107 Days” — uma referência ao curto período de campanha que ela herdou —, Harris classificou a decisão de Biden de buscar a reeleição como “imprudente”. Neste mês, ela apresentou sua crítica mais contundente até agora ao apoio de Biden à guerra de Israel em Gaza, condenando a “conduta horrível” do governo israelense e afirmando que os EUA deveriam ter “agido mais cedo e com mais firmeza”.

“Tudo isso voltará a ser discutido”, observou Kamarck. “O que aconteceu com Biden? Ela sabia? Ela achava que ele estava perdendo a lucidez? E por aí vai…”

Scott Ferson, estrategista democrata e autor do livro “How the Democrats Lost America” ​​(Como os Democratas Perderam a América), afirmou que o partido costuma deixar de lado candidatos que sofreram derrotas; contudo, eleitores desiludidos com Trump talvez passem a ver Harris sob uma nova perspectiva. “Ela tem aquele tipo de apelo que transcende barreiras”, disse Ferson, “especialmente junto a pessoas que se afastaram em 2024 ou que nem saíram de casa para votar”. A mensagem implícita dela, sugeriu ele, é: “Você se arrepende de ter ficado em casa?”.

Este mês, ao encerrar sua participação no videocast “Baby, This Is Keke Palmer”, Palmer perguntou a ela se pretendia se candidatar novamente.

“Ah, querida, fala sério!”, disse Harris, rindo enquanto segurava as mãos da estrela de cinema de Hollywood. “Ainda não decidi.”

“Mas as Eleições de Meio de Mandato… as eleições de meio de mandato!”, continuou Harris. “2028 não importa se não fizermos a coisa certa em 2026.”

Eleições nos EUA: O que muda se Trump perder a maioria no Congresso?

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Análise: Por que Trump foca campanha para Midterms em estados republicanos

Uma nova pesquisa do Washington Post com a ABC News, realizada no fim de semana, trouxe um dado revelador.

Outras pesquisas recentes mostraram, de modo geral, que os eleitores dos Estados Unidos preferem os democratas aos republicanos para o Congresso americano, com uma vantagem de cerca de 10 pontos percentuais na chamada “votação genérica” ​​— um indicador fundamental.

No entanto, quando o presidente Donald Trump entra na equação — ou seja, ao escolher entre um Congresso sob controle democrata, que poderia servir como um contrapeso a Trump, e um Congresso sob controle republicano, que poderia aprovar a agenda dele —, essa diferença aumenta consideravelmente. Na pesquisa do Post com a ABC News, os eleitores registrados preferiram o lado democrata por uma margem de 19 pontos (58% contra 39%).

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Diante desses números, fica claro por que os republicanos em regiões politicamente disputadas evitam fazer campanha ao lado de Trump — e por que ele tem concentrado suas visitas em estados com bases de apoio republicanas.

Com as viagens do presidente para as eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms, a pleno vapor, alguns padrões se tornaram evidentes: 1) ele tem feito campanha, majoritariamente, em estados republicanos que lhe deram uma vitória com dois dígitos de vantagem em 2024; e 2) quando ele faz campanha em áreas mais competitivas, geralmente é para apoiar candidatos republicanos que enfrentam dificuldades — e que parecem apostar tudo na capacidade de Trump de mobilizar republicanos desanimados.

Existem exceções em ambos os casos, e a agenda de viagens de Trump tem passado por mudanças. Mas, em linhas gerais, é esse o cenário.

O vice-presidente JD Vance tem visitado muitos dos mesmos locais que Trump — por vezes, chegando a áreas politicamente mais desafiadoras antes mesmo do presidente.

Isso está bem longe da promessa feita por Trump, durante a convenção republicana para as eleições de meio de mandato no mês passado, de que visitaria todos os 35 principais estados ou distritos “indecisos” do país. Segundo cálculos da NPR, ele esteve em menos de um terço deles.

O foco de Trump em estados republicanos

O primeiro padrão é inconfundível. A decisão de Trump de usar seu tempo limitado antes da eleição para visitar estados fortemente republicanos — como Oklahoma, Alabama, Tennessee e Kentucky — causou bastante surpresa.

Mas não se trata apenas desses estados. Desde a convenção de meio de mandato do Partido Republicano, os quase 20 estados que Trump visitou — ou planeja visitar esta semana — deram a ele, em média, uma vantagem de 14 pontos percentuais.

Essa lista inclui tanto estados onde ele venceu com uma margem de cerca de 30 pontos (os quatro estados mencionados anteriormente) quanto estados decisivos na disputa presidencial (Arizona, Geórgia, Michigan e Carolina do Norte).

Incluindo Nova York — o único estado que Trump perdeu em 2024 e que visitou recentemente —, ele viajou ou planeja viajar para apenas cinco estados onde não obteve uma vitória com margem de dois dígitos.

Os candidatos que farão campanha ao lado dele parecem precisar da ajuda

Trump participa de comício em apoio a Paxton no Texas, enquanto vários manifestantes são retirados do local.
Trump participa de comício antes das Eleições de Meio de Mandato • REUTERS

Isso não significa que todos os republicanos em disputas-chave tenham evitado fazer campanha com Trump.

No entanto, aqueles que apareceram ao lado dele, de modo geral, parecem precisar de um impulso. Candidatos em uma posição mais favorável, ou em estados que oscilam entre o apoio aos republicanos e aos democratas, não o receberam bem — ou simplesmente não apareceram quando ele esteve por perto, chegando inclusive a faltar aos seus comícios.

Até o momento, os dois estados decisivos na disputa presidencial, onde Trump participou de comícios com candidatos ao Senado, são a Geórgia e a Carolina do Norte. Contudo, em ambos os casos, as pesquisas de intenção de voto e os gastos com publicidade de ambos os partidos sugerem que essas cadeiras provavelmente serão perdidas pelo Partido Republicano.

Os outros candidatos republicanos ao Senado que participaram — ou participarão nos próximos dias — de comícios com Trump vêm, ou de estados onde ele venceu por pelo menos 16 pontos, ou de estados onde Trump venceu por uma margem de dois dígitos, mas onde esses candidatos aparecem atrás em um número maior de pesquisas confiáveis ​​do que à frente.

Nesses estados, as pesquisas por vezes situam-se dentro da margem de erro, sem um líder claro; contudo, em outros levantamentos, os republicanos aparecem em desvantagem.

Até agora, não há sinal de que Trump esteja fazendo campanha para candidatos ao Senado em estados com tendência democrata, como Maine, Minnesota e New Hampshire. Ele viajará para Iowa e Michigan esta semana, mas ainda não se sabe quem comparecerá aos eventos. A situação é semelhante nas disputas para governador.

O governador de Nevada, Joe Lombardo, e o candidato republicano na Geórgia, Rick Jackson, fizeram campanha ao lado de Trump em disputas acirradas e de grande destaque. Trump também irá à Flórida esta semana para apoiar o deputado Byron Donalds em um estado de maioria republicana. (Donalds ganhou as manchetes recentemente ao remover de seu site qualquer menção a Trump.)

No entanto, os outros candidatos a governador que apareceram com Trump são republicanos que, por vezes, surgiram como azarões — no Alasca, no Arizona e em Ohio. Além disso, ainda não há sinal de que Trump fará campanha com candidatos no Maine, em New Hampshire, no Oregon e em Wisconsin.

E, quando Trump visitou o Texas no início deste mês para fazer campanha ao lado de Paxton, o governador do Texas, Greg Abbott — que tem apresentado um desempenho melhor nas pesquisas do que Paxton —, optou, de forma bastante notável, por não comparecer.

As ausências

As ausências também têm se tornado uma tendência. Às vezes, quando Trump aparece, os candidatos republicanos simplesmente… não aparecem.

Isso ocorreu não apenas com Abbott, mas também com vários representantes republicanos de Nova York — incluindo o deputado Mike Lawler, cuja reeleição está sob risco —, quando Trump visitou o estado; com dois candidatos importantes à Câmara no Arizona, na semana passada; e com outro candidato republicano à Câmara no Kentucky (que, assim como Donalds, removeu de seu site qualquer menção a Trump), no último sábado.

E, quando Vance visitou Iowa no mês passado, a deputada Ashley Hinson — candidata republicana ao Senado — não compareceu; Vance, por sua vez, mal mencionou a disputa pelo Senado.

Uma grande questão para esta semana é quem aparecerá quando Trump visitar Iowa, na quinta-feira, e Michigan, no domingo.

Em Michigan, o ex-deputado Mike Rogers foi mais longe do que a maioria dos principais candidatos republicanos ao Senado ao tentar se distanciar de Trump — inclusive, recentemente, no que diz respeito à guerra comercial de Trump com o Canadá. A visita do ex-presidente ocorrerá na fronteira com o Canadá, em Port Huron, o que pode criar uma situação politicamente delicada para Rogers.

Em Iowa, Hinson também buscou manter distância de Trump em temas como a guerra com o Irã, a importação de carne bovina estrangeira e, mais recentemente, a importação de diesel russo. E, como mencionado, ela não compareceu ao evento com Vance.

Por outro lado, ela vem de um estado com um eleitorado republicano mais consolidado e chegou a sugerir que veria com bons olhos uma visita de Trump a Iowa — inclusive quando ele a colocou em uma situação embaraçosa durante um evento no Salão Oval, no final de setembro.

Esse pode ser um dilema que aguarda outros republicanos. O que acontece se eles preferirem que Trump não venha, mas ele decida aparecer mesmo assim? Ele deixou claro que não gosta quando republicanos o tratam com frieza, nem aprecia a narrativa de que ele representa um ônus para o partido.

Mas os dados da nova pesquisa do Washington Post/ABC News são bastante reveladores. Ao marcar presença em estados decisivos e colocar a si mesmo — e sua agenda — no centro das atenções, Trump, muitas vezes, parece não estar prestando nenhum favor ao seu próprio partido.

Eleições nos EUA: Qual é a diferença entre os red, blue e purple states?

 

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