Apoiadores de Lula fazem ato com Caetano Veloso, Djavan e outros artistas em Copacabana
Apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram neste domingo o "Ato Musical pela Democracia", em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A manifestação, que começou às 16h e terminou já durante a noite, reuniu artistas em uma passeata, a uma semana do segundo turno da eleição presidencial. Participaram cantores como Caetano Veloso, Djavan, Simone, Frejat, Jorge Vercillo, Fernanda Abreu, Moreno Veloso, Jota.Pê, Duda Beat e Xamã. Que horas é o debate na Band? Veja como assistir debate entre Lula e Flávio Bolsonaro Quem está na frente para presidente no segundo turno? Veja resultado das últimas pesquisas com Lula e Flávio Caetano Veloso e Djavan subiram juntos ao trio elétrico e se revezaram nas apresentações. Entre uma música e outra, os cantores também fizeram breves discursos em defesa da democracia e da soberania nacional. — Música, cultura brasileira, tudo para defender a democracia — disse Caetano Veloso. — Salve a nossa democracia e a nossa soberania — completou Djavan. Djavan e Caetano Veloso sobre trio elétrico durante apresentações em ato na Praia de Copacabana Alexandre Cassiano Durante o ato, que teve mais de quatro horas de duração, na altura do Posto 5, Caetano Veloso lembrou ter sido preso durante a ditadura militar e afirmou que o ato é uma forma de defender a democracia. — Durante a ditadura militar, eu fui preso, fiquei na solitária, assim como amigos meus da cultura brasileira. Nós estamos aqui para representar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa — disse o cantor. A atriz Renata Sorrah subiu ao trio ao lado de Caetano Veloso e foi recebida pelo público aos gritos de “É Nazaré!”, em referência à vilã que interpretou na novela Senhora do Destino. — Viva a democracia! — exclamou a atriz. Em seguida, Caetano Veloso chamou Flor Gil ao palco, e os dois se apresentaram ao som de “O Leãozinho”. O cantor destacou a importância dos jovens para a história do país e incentivou a participação nas eleições. — A juventude brasileira é importantíssima na nossa história. Que a juventude vá votar — disse. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a More in Common estimaram a presença de 56,4 mil pessoas em Copacabana. Estimativa é de mais de 50 mil pessoas em ato pró-Lula em Copacabana a uma semana do segundo turno Alexandre Cassiano Chuva durante apresentações No momento em que Caetano e Flor cantavam, a chuva também marcou presença. A intensidade chegou a ser forte em alguns momentos, mas o ato seguiu. Frejat, João Bosco, Ivan Lins e Geraldo Azevedo foram alguns dos artistas que subiram ao trio elétrico — protegido por uma lona — durante a chuva. Os últimos a se apresentarem foram Marina Sena, Diogo Nogueira e a bateria da Estação Primeira de Mangueira. Gabriel o Pensador, por sua vez, subiu ao trio ao lado de Jota.Pê e defendeu o combate ao preconceito. Ainda fez críticas ao machismo, ao nazismo e à violência armada. — Contra o nazismo, contra o machismo, contra o preconceito contra os povos originários. Todos os brasileiros deveriam repudiar isso. Botem livros na mão dessas crianças, tirem a arma da mão dessas crianças. Deixa o homem ter marido, deixa a mulher ter mulher. O que tem demais em ser o que quer? — declarou. Mais cedo, um dos primeiros a subir ao trio elétrico foi o cantor Xamã, acompanhado do funkeiro Puterrier. Antes de começarem a cantar, os dois fizeram um breve discurso em defesa da democracia e relembraram suas origens. — Eu sou da Zona Oeste do Rio de Janeiro, Puterrier é de Del Castilho. A democracia é a base desse país. Viva a democracia! — disse Xamã. Os artistas cantaram juntos alguns de seus maiores sucessos. Perto do fim da apresentação, o rapper ainda improvisou uma rima sobre a importância da democracia no país. Na sequência, a rapper Ebony subiu ao trio e fez um discurso em incentivo às mulheres presentes, destacando a representatividade feminina no hip hop e a importância do voto consciente. — Diretamente da Baixada Fluminense, em nome da democracia, representando as mulheres do hip hop, mães, professoras. Votem consciente no próximo domingo! — afirmou. Duda Beat se apresentou ao som de “Brasil”, música composta por Cazuza, George Israel e Nilo Romero e eternizada na voz de Gal Costa. Ao fim da apresentação, a cantora defendeu a união popular e a democracia. — Isso aqui é a resposta que a gente vai dar. O povo unido consegue tudo. Viva a democracia! — disse. Bandeiras com o nome de Lula em meio ao público na Praia de Copacabana Tércio Teixeira / AFP O ator Paulo Vieira, que mediou as apresentações, também ressaltou a importância do ato como espaço de manifestação democrática, independentemente da posição política dos participantes. — Que bom que vocês estão aqui, que a gente pode se manifestar, que o ato é a favor da democracia. Sendo você de direita ou de esquerda, esse ato é sobre democracia. Não importa qual voto seja — afirmou. Já o cantor Jorge Vercillo disse sentir orgulho de participar da mobilização e destacou a importância da cidadania e da solidariedade. — Todos nós estamos muito orgulhosos de estar aqui. A gente roda o Brasil e recebe carinho de tanta gente, só que tem poucos momentos em que a gente se sente tão orgulhoso. Já tinha vindo aqui no primeiro ato e sou muito grato. Todos nós estamos com essa sensação de cidadania. Já passou do tempo de a gente deixar essa síndrome de vira-lata. Só a gente mesmo pode se alforriar, cada um ajudando e amparando o próximo — declarou. Ana Lúcia Rodrigues de Aleluia, de 55 anos, manicure, participou de todas as manifestações da campanha e esteve em Copacabana neste domingo. Ela destacou o clima de união entre os apoiadores. — Estou aqui na luta por um Brasil melhor. Fui a todas as manifestações, mas essa aqui dá vontade de chorar. Está muito linda, e o povo aqui se abraçando, todo mundo junto. Estamos aí para o segundo turno — disse. Ana Lucia Rodrigues de Aleluia e as amigas durante ato na Praia de Copacabana Alexandre Cassiano Estratégia do PT Segundo apurou o GLOBO, o PT quer incentivar atos locais, com a participação de autoridades quando possível, como o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e outros aliados. Artistas convocaram "atos pela democracia" em várias capitais neste domingo. Em São Paulo, Emicida, Rashid e Julia Costa, entre outros nomes do rap, fazem uma manifestação pró-Lula na Zona Norte. Em Salvador, Gilberto Gil, BaianaSystem e Daniela Mercury também convocaram um evento de apoio ao presidente. Ações na Justiça Eleitoral O Novo e políticos do Rio de Janeiro entraram com ações na Justiça Eleitoral contra os atos. Eles afirmam que os eventos são "showmícios", prática proibida pela lei. Na quinta-feira (15), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou a ação que pedia a suspensão do ato musical. Ele enviou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para as providências que considerar cabíveis. Outras manifestações No Rio, às 11h, centenas de apoiadores de Lula se reuniram na Candelária, no Centro. Com bandeiras, gritaram palavras de ordem pela soberania nacional, pela educação pública, pelo fim da escala 6x1 e contra a ditadura e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O cantor Chico Buarque e a cantora Marisa Monte participaram de um ato de estudantes e movimentos sociais no Centro. Chico discursou do alto de um trio elétrico e conversou e tirou fotos com apoiadores. Marisa publicou fotos do ato no Instagram e escreveu: "Pelo meio ambiente, pela cultura, pela democracia, pela ciência, pelas vítimas da pandemia, ainda estamos aqui!" Nas imagens, ela usa uma camiseta verde com a frase "Minha ideologia é floresta em pé, água limpa, ar puro, comida sem veneno para todos". Em outra foto, segura um cartaz com a mensagem: "Um país que não conhece a própria história está fadado a repeti-la. Memória importa". Em Brasília, apoiadores de Lula fizeram o "ato da virada" na Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes se concentraram a partir das 9h em frente ao Museu Nacional da República e caminharam até o Congresso Nacional. O candidato ao governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT), que disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão (PP), participou, assim como parlamentares do PT e do PSOL. O ato terminou por volta das 13h, com apresentações musicais. Em São Paulo, a manifestação prevista para o Vale do Anhangabaú, no Centro, foi transferida para o Largo da Batata, na Zona Oeste, e depois cancelada. Militantes protestaram contra a decisão, e organizadores independentes mantiveram o ato. Por volta das 13h30, os manifestantes fecharam a Avenida Faria Lima, no sentido Itaim Bibi. Há mobilizações em defesa da reeleição de Lula também em Porto Alegre e Belo Horizonte.
