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Coleira emite sinal sonoro para pastorear gado à distância na Serra de Montemuro

23 October 2026 at 20:46

O gado bovino no concelho de Cinfães está a partir de hoje a ser controlado por georreferenciação, tanto na localização como no controlo da saúde e bem-estar, disse à agência Lusa um dos responsáveis pelo projeto.

“Para já, há cerca de 100 animais com esta coleira, mas o objetivo é o projeto chegar a todos os pastores, neste caso, de Cinfães, porque esta tecnologia é uma mais-valia muito grande para todos”, defendeu Daniel Serralheiro, da Associação dos Baldios de Trás-os-Montes e Douro.

A ideia nasceu da “necessidade de controlar o gado, neste caso o bovino, que circulava entre os diferentes baldios e espaços, sem que fosse possível perceber se podia andar naquele território ou não” o que já se “estava a tornar uma preocupação”, disse.

Daniel Serralheiro adiantou que a “solução passa por o gado usar uma coleira, totalmente indolor, é como a do sino, que indica a localização do animal e, caso saia do território definido na aplicação, emite um sinal sonoro para que perceba que é uma zona em que não pode estar”.

“Por isso é que os animais tiveram de ser treinados antes, para saberem que aquele sinal sonoro têm de recuar e é possível manter o gado nas parcelas de terreno destinadas ao pastoreio”, esclareceu.

Estas coleiras, acrescentou Daniel Serralheiro, “emitem mais do que a localização do animal, também permitem saber o tempo que esteve a comer e com isso calcular a percentagem da carga combustível que reduziu naquela parcela” de terreno.

“E melhor ainda, conseguimos acompanhar a saúde e bem-estar do animal, como se está em processo de digestão e inclusive perceber se está prenha e de quanto tempo. Esta tecnologia dá-nos uma série de dados que são muito vantajosos para os pastores, tudo isto em tempo real”, realçou.

O projeto foi hoje apresentado junto à capela de São Pedro do Campo, em Tendais, concelho de Cinfães, distrito de Viseu.

Para o presidente da Câmara Municipal de Cinfães, Carlos Cardoso, este projeto “é de elevada importância, por diversas razões”, para este concelho que se situa na serra do Montemuro.

“Valorizamos a atividade da pastorícia, atraímos novos e jovens pastores para esta atividade que agora recorre a novas tecnologias e ajuda em muito no controlo dos animais e ainda a vantagem de limpar o combustível dos terrenos, ajudando na eliminação dos fogos florestais”, enumerou o presidente.

Carlos Cardoso realçou ainda que este projeto «não acarreta um investimento significativo», uma vez que a autarquia já tem um protocolo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e, por isso, «é só fazer uns ajustes» ao documento.

Segundo Daniel Serralheiro, o concelho de Cinfães ficará “totalmente coberto com 16 antenas” que permitem fazer a ligação por ‘wi-fi’ às coleiras e “o ideal era haver mais Municípios a aderirem a um projeto como este”.

A aquisição e manutenção das antenas “fica na responsabilidade da Câmara Municipal de Cinfães e da Associação dos Baldios de Trás-os-Montes e Alto Douro” e esse é o “contributo que dão aos pastores” do concelho.

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Curso vai formar professores de língua mirandesa

23 October 2026 at 19:22

A Estrutura de Missão para Língua Mirandesa e a Universidade Politécnica de Bragança vão promover um curso de ensino da língua, cultura e literatura mirandesa para formar profissionais para o ensino deste idioma, foi hoje anunciado.

“Esta formação para docentes e outros profissionais ligados à língua e cultura mirandesa contará com a participação de docentes especializados neste idioma e na cultura e literatura mirandesa, contribuindo para a qualificação de professores e de outros profissionais com intervenção na promoção e ensino da língua mirandesa”, indicam estas duas entidades promotoras.

Segundo a Universidade Politécnica de Bragança (UPB), esta iniciativa “fortalece a sua intervenção no território, reconhecendo a importância da formação especializada como instrumento fundamental para a preservação, transmissão, valorização e promoção da língua e da cultura mirandesa”.

As inscrições para frequentar o curso já estão abertas.

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Portugal foi o país da União Europeia onde os preços das casas mais subiram desde 2020

23 October 2026 at 16:41

Os preços da habitação em Portugal aumentaram 41,5% entre 2020 e 2025 e 81,9% desde 2010, respetivamente a maior e a terceira maior subidas da União Europeia, segundo o Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

De acordo com dados estatísticos compilados pela FFMS para um novo conteúdo intitulado “Factualmente”, cuja primeira edição reúne dados sobre a habitação, entre 2020 e 2025 houve em Portugal um aumento de 41,5% nos preços da habitação, o maior incremento entre os 18 países da União Europeia que apresentaram subidas.

Recuando uma década mais, até 2010, o aumento dos preços da habitação no país atinge os 81,9%, o terceiro maior entre os 23 países que registaram crescimentos.

Já tendo por base o “Barómetro das Cidades” da FFMS, 66% dos portugueses inquiridos apontam a habitação como a grande prioridade para a intervenção pública e quase 80% rejeita a ideia de que é fácil encontrar habitação adequada a preço razoável.

Esta percentagem sobe para 82% e 88% nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, respetivamente, sendo que, a nível nacional, 51% afirma que os custos com a habitação condicionam outras despesas.

Por sua vez, o “Barómetro da Habitação” da FFMS, datado de 2023, indicava que seis em cada 10 pessoas sentiam dificuldade em fazer face aos custos mensais com a habitação e que um em cada quatro inquiridos “já viu importantes decisões de vida condicionadas devido às dificuldades no acesso à habitação”.

Na altura, um em cada nove inquiridos temia perder a casa nos cinco anos seguintes e 34% afirmava não ter para onde ir caso tivesse de sair da casa onde vivia.

Os dados hoje compilados pela fundação dão ainda conta de que, em 2025, foram construídas cerca de 27.000 novas casas em Portugal, mais 11% do que no ano anterior, mas “menos de um quarto do valor registado no início do século”, tendo a quebra mais acentuada na construção ocorrido “durante e após a crise iniciada em 2011, com uma redução anual de 35% em 2012 e 2013”.

Por sua vez, no livro “O Papel da Casa nas Finanças Pessoais”, da autoria de Ana Isabel Sá e publicado este ano pela FFMS, a ideia de que “Portugal é um dos países da zona euro com mais famílias a viver em casa própria” é desmontada como sendo “imprecisa”.

“Segundo o Eurostat, em 2024, 73% das famílias portuguesas moravam em habitação própria, o que, em comparação com a média da zona euro (65%), indica uma forte preferência pela aquisição de casa. No entanto, ao analisar o ‘ranking’ dos países com maior percentagem de famílias a viver em casa própria, verifica-se que Portugal ocupa apenas a 9.ª posição entre os 20 países da zona euro”, precisa.

Já “verdadeira” é a perceção de que “Portugal tem pouca habitação social quando comparado com outros países da zona euro”.

De acordo com a publicação, embora não existam dados oficiais sobre a percentagem de habitação social em cada país da UE, a estimativa da OCDE aponta Portugal como um dos países com menor percentagem (1% em 2021), apenas à frente da Lituânia.

Já considerado “falso” é o conceito de que, “atualmente, a maior motivação dos portugueses para a compra de casa é a preferência por habitação própria, independentemente de ser ou não um bom investimento”.

“De acordo com o ‘Inquérito à Situação Financeira das Famílias de 2020’, […] apenas 24% das famílias que compraram casa entre 2011 e 2020 indicaram preferência por casa própria independentemente do retorno financeiro”, sendo que “a maioria apontou motivos económicos: 39% indicaram que a prestação do empréstimo era menor do que o valor da renda e 36% consideraram a compra um bom investimento”.

A publicação da FFMS elenca ainda como “verdadeiros” os conceitos de que “a maior parte dos arrendatários preferiria comprar casa, mas não tem condições financeiras para o fazer” e de que “os jovens portugueses compram casa mais tarde do que as gerações anteriores”.

“Dados dos Censos de 2021 indicam que 42% dos jovens entre os 25 e os 34 anos (nascidos entre 1987 e 1996) tinham casa própria.

Na mesma idade, as gerações anteriores apresentavam uma percentagem de proprietários muito mais elevada: 61% para os nascidos entre 1977 e 1986, 70% para os nascidos entre 1967 e 1976 e 55% para os nascidos entre 1957 e 1966. A única exceção é a geração nascida entre 1947 e 1956, que registava 42% de proprietários para a faixa etária dos 25 aos 34 anos”, precisa.

Já como “imprecisa” é classificada a ideia de que “o problema da habitação poderia ser resolvido com a ocupação dos imóveis vagos”, tendo por base um estudo do Banco de Portugal segundo o qual “em alguns municípios localizados na área metropolitana do Porto, Grande Lisboa, Oeste, região de Aveiro e península de Setúbal, o número de imóveis vagos é relativamente reduzido face às pressões da procura”.

Ainda assim, o trabalho admite que, “para a maioria dos municípios, em teoria, seria possível diminuir essas pressões colocando os imóveis vagos no mercado de compra ou arrendamento”, embora “muitos destes imóveis” não possam ser colocados imediatamente no mercado “por necessitarem de obras de reabilitação, estarem associados a processos de heranças ou terem questões jurídicas pendentes”.

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Governo já tomou “muitas medidas” e foi “praticamente tudo feito” na habitação, mas efeitos levam tempo

23 October 2026 at 12:35

O ministro das Finanças insistiu hoje no parlamento que o Governo já tomou “muitas medidas” para responder à crise na habitação, repetindo que “foi praticamente tudo feito”, mas avisando que as iniciativas demorarão tempo a surtir efeito.

“Já colocámos muitas medidas na questão da habitação, mas é um problema que demora tempo, porque, obviamente, construir casas demora tempo, colocá-las no mercado demora tempo. Mas já fizemos um número de medidas muito significativo nestes dois anos e meio”, disse hoje o ministro de Estado e das Finanças.

Joaquim Miranda Sarmento falava numa audição no âmbito da apreciação, na generalidade, da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

A posição do ministro surgiu em resposta ao deputado do Chega Eduardo Teixeira, que citou uma entrevista que Miranda Sarmento deu ao jornal Expresso, publicada hoje, em que o governante afirma, relativamente à resposta ao problema da habitação, que “o que podia ser feito foi praticamente tudo feito”.

Miranda Sarmento repetiu essa frase, para clarificar que não disse que já está tudo feito, mas para frisar que a sua declaração incluía o advérbio “praticamente”.

“Se não ler apenas o título, mas o conteúdo da notícia, verá que eu digo ‘Foi praticamente quase [sic] tudo feito’”, começou por responder, insistindo que nos últimos dois anos e meio o executivo tomou uma série de medidas em três eixos e que nenhuma agrava a crise.

Na entrevista, refere que “os grandes instrumentos e os grandes recursos que podiam ser colocados para este problema já estão” e que “falta só a lei do arrendamento, que está no parlamento”, considerando que o “o fator principal é que se precisa de mais casas, o que “demora tempo”.

Eduardo Teixeira considerou que as medidas do Governo da Aliança Democrática não melhoraram, só agravaram a crise na habitação, afirmou que a proposta de OE2027 “não irá resolver este trágico problema” e perguntou o que é que o executivo está disponível para fazer, se admite baixar o IRS ou eliminar a tributação sobre as mais-valias até um determinado montante obtidas com a venda de imóveis, “para que se consiga libertar casas para o mercado”.

Sobre esta medida concreta, Miranda Sarmento nada disse, respondendo sobre o teor da entrevista, para reforçar as medidas que o Governo tomou em três pilares.

O primeiro, referiu, passa pela construção de casas públicas. O ministro referiu que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) previa 26.000 casas, mas só tinha financiamento para 16.000, o que levou o executivo a colocar as verbas necessárias, em mais de 1.000 milhões de euros, para se atingir as 26.000 habitações e para no final da década se chegar às 59.000.

Este número, “para um país que nos 20 anos anteriores praticamente não construiu habitação pública é já um esforço muito significativo”, disse. “Não me parece que agrave a crise, pelo contrário, reduz”, contrapôs.

O segundo eixo, acrescentou, passa pela redução dos custos da construção nova, com a descida temporária do IVA da construção e reabilitação de imóveis destinados à habitação própria e permanente de 23% para 6%, a alteração à lei dos solos e Parcerias Público-Privadas (PPP) com a utilização de solos e edifícios públicos para privados construírem. “Não me parece que agrave a crise, pelo contrário”, repetiu.

O terceiro pilar passa pela via fiscal, com a redução do IRS para 10% nas rendas até 2.300 euros, e pela lei do arrendamento, votada na generalidade no parlamento, proposta que o ministro prevê que dará mais casas ao mercado.

Além destas medidas, Miranda Sarmento lembrou a criação da garantia pública para apoiar os jovens até aos 35 anos a comprarem casa com crédito bancário e a criação das isenções de IMT e Imposto de Selo na aquisição da primeira habitação própria e permanente dos jovens.

Em resposta à deputada do PS Marina Gonçalves, referiu que hoje é mais fácil aos jovens comprar casa do que há uns anos, graças à garantia concedida pelo Estado.

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Benfica goleia e lidera fase de grupos da Liga Europa

22 October 2026 at 22:23

O Benfica manteve hoje o percurso 100 por cento vitorioso na presente edição da Liga Europa de futebol, ao vencer em casa dos cipriotas do Omonia por 4-1, em jogo da terceira jornada da prova.

Frente a um adversário que contava igualmente dois triunfos consecutivos no arranque da prova, o Benfica chegou ao intervalo igualado, depois de se ter adiantado aos 14 minutos, com um autogolo de Négo, e de ter permitido o empate aos 42, por Kakoulis. Na etapa complementar, tentos de Pavlidis (49), Aursnes (76) e Prestianni (85) consumaram a goleada ‘encarnada’.

Com mais este triunfo, o Benfica chega ao primeiro lugar da fase de liga, com nove pontos, os mesmos do Bayer Leverkusen, mas comanda por ter vantagem sobre os alemães no desempate por golos marcados e sofridos.

Na próxima jornada, agendada para 05 de novembro, o Benfica recebe os polacos do Lech Poznan, formação situada na parte baixa da tabela e que hoje somou o primeiro ponto, ao empatar na receção aos ingleses do Sunderland.

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