Portugal vai entrar no novo fundo do BEI para financiar empresas tecnológicas
Portugal vai participar na European Tech Champions Initiative 2.0 (ETCI 2.0), promovida pelo Grupo Banco Europeu de Investimento, através de uma subscrição de capital até um máximo de 50 milhões de euros, pagos pelo Orçamento do Estado. A iniciativa, que funciona numa lógica de fundo de fundos, pretende melhorar o acesso ao financiamento das empresas tecnológicas e ajudar ao desenvolvimento do mercado de capital de risco.
“A Resolução do Conselho de Ministros não corresponde a um programa de apoios diretos do Estado português às empresas, nem a um mecanismo de financiamento gerido pelo Governo. Trata-se da participação de Portugal na European Tech Champions Initiative 2.0 (ETCI 2.0), uma iniciativa europeia promovida pelo Banco Europeu de Investimento (BEI/FEI) destinada a reforçar o financiamento de empresas tecnológicas europeias em fase de crescimento”, explicou ao ECO fonte do Ministério das Finanças.
“O Grupo BEI irá investir em grandes fundos de capital de risco e private equity, e serão os gestores desses fundos que depois escolhem empresas tecnológicas a apoiar”, explicou a mesma fonte, sublinhando que “o modelo ETCI funciona numa lógica de fundo de fundos”.
A Resolução do Conselho de Ministros, aprovada a semana passada, foi publicada esta quarta-feira em Diário da República e detalha que os pagamentos relativos à subscrição de capital até 50 milhões de euros serão efetuados em função das chamadas de capital, sendo assegurados por verbas a inscrever no capítulo 60 do Orçamento do Estado.
“Os encargos decorrentes desta participação serão suportados por verbas a inscrever no Orçamento do Estado, constituindo despesa não efetiva, com impacto nas necessidades de financiamento da República, mas sem impacto no saldo orçamental”, segundo a Resolução.
“A participação portuguesa na ETCI 2.0 visa alargar as oportunidades de financiamento das empresas tecnológicas nacionais, favorecendo o seu crescimento e a sua internacionalização. Permitirá também assegurar a representação da República Portuguesa nos mecanismos de governação da iniciativa e reforçar a cooperação com o Grupo BEI no financiamento da inovação”, lê-se no diploma.
A primeira versão da European Tech Champions Initiative foi lançada em 2023, mobilizou cerca de 3,9 mil milhões de euros, apoiou 15 mega fundos de investimento especializados em tecnologia e contribuiu para o desenvolvimento de 12 unicórnios sediados na UE (empresas em expansão avaliadas em mais de mil milhões de euros).
Agora, a segunda edição, lançada em julho, pretende captar até 15 mil milhões de euros, através de contribuições dos Estados-membros, do Grupo BEI e de investidores institucionais privados. O objetivo é mobilizar, com esses recursos, até 80 mil milhões de euros de investimento total para assim apoiar mais de 100 fundos de capital de risco e cerca de 1.500 empresas tecnológicas europeias, de acordo com as estimativas do Grupo BEI.
Mas, o montante do ETCI 2.0 será determinado no segundo semestre deste ano, quando as contribuições de todas as partes participantes forem finalizadas, naquele que é designado como first closing. O Grupo BEI investirá até 1,25 mil milhões de euros no fundo.
Pela primeira vez, além de apoiar mega fundos, serão apoiados fundos de média dimensão (de mais de 300 milhões de euros). A expectativa é que, entre os mais de 100 fundos que deverão ser criados, 45 serão megafundos que irão investir em empresas em fase de expansão, com um valor médio de investimento de 200 milhões de euros por empresa.
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