Direção de colégio no PR é afastada após aluna encontrar câmera no banheiro
A Seed-PR (Secretaria de Estado da Educação do Paraná) determinou o afastamento da direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, nesta quarta-feira (21), após uma câmera ser encontrada no banheiro feminino da escola.
Segundo a Secretaria de Educação, uma vistoria foi realizada no local após a denúncia e não foram encontradas outras câmeras nos banheiros. A Seed-PR afirma que uma comissão foi instaurada para investigar o ocorrido, esclarecer as circunstâncias e indicar os encaminhamentos cabíveis.
O secretário de Estado, Roni Miranda, disse em um comunicado que “é uma questão óbvia de não colocar câmera dentro do banheiro, já temos leis federais sobre isso. Também publiquei uma resolução proibindo, em qualquer ambiente escolar, seja em banheiros ou vestiários, a proibição de colocação de câmeras.”
A Seed-PR reforça que a Resolução nº 5.206/2026 já proíbe a instalação e o uso de câmeras em banheiros e vestiários das instituições de ensino estaduais, inclusive equipamentos externos que permitam captar imagens desses ambientes.
A secretaria enfatiza que o descumprimento da resolução pode acarretar na apuração de responsabilidades administrativas, civis e penais, conforme o caso, e que o monitoramento escolar deve respeitar a privacidade, a dignidade e a segurança de toda a comunidade.
Entenda o caso
De acordo com testemunhos, uma estudante encontrou uma câmera pequena escondida no mobiliário do banheiro, na última segunda-feira (19). Ela retirou o equipamento e realizou uma denúncia.
De acordo com o boletim de ocorrência a que a CNN Brasil teve acesso, as alunas disseram que avisaram à direção da escola sobre o aparelho há mais de três anos, mas a escola havia dito ser um “sensor de detecção de fumaça”.
O que diz a escola?
O CECM Érico Veríssimo enviou um comunicado aos pais dos alunos e negou que o equipamento estivesse na parte interna do banheiro.
Veja na íntegra:
“Esclarecemos que as câmeras mencionadas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes”, explica o colégio ao chamar de “atos de vandalismo” a retirada das câmeras de acesso aos banheiros.
Sobre as imagens do sistema de monitoramento que circulam na internet, a escola explica que “um estudante entrou sem autorização na sala dos monitores militares e acessou o computador utilizado pela equipe, registrando a imagem posteriormente compartilhada. As circunstâncias desse acesso e da divulgação serão apuradas, preservando-se a identidade dos envolvidos”.
A Secretaria de Estado de Educação do Paraná, por nota, disse que orientou a direção “sobre as providências, com atenção à privacidade e à segurança dos estudantes. A escola informou que os equipamentos já foram retirados e que não há imagens armazenadas relacionadas a eles”.
*Sob supervisão de André Rigue
