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Eurodeputados pedem que União Europeia pondere missão naval no Mar Negro

22 October 2026 at 18:21

O Parlamento Europeu instou a União Europeia (UE) a ponderar o envio de uma missão naval para o Mar Negro, na sequência de ataques mortais contra navios mercantes civis ao largo da Roménia e da Bulgária. Numa resolução aprovada esta quinta-feira, os eurodeputados pedem ainda à NATO que reforce a presença na região e consideram a Rússia responsável pela escalada da insegurança marítima.

De acordo com o Rapporteur, o texto foi aprovado com 432 votos a favor, 52 contra e 88 abstenções. Os eurodeputados condenam os ataques a embarcações civis e as repetidas violações do espaço aéreo romeno, considerando que estes incidentes fazem parte de uma estratégia de escalada da guerra contra a Ucrânia para a parte ocidental do Mar Negro.

A eventual operação naval europeia teria como objetivo proteger a liberdade de navegação e reforçar a segurança marítima, consideradas essenciais para o flanco leste da NATO, na região do Mar Negro e no delta do Danúbio. A votação, contudo, não significa que uma missão tenha sido aprovada ou que exista uma decisão de mobilizar meios navais.

Os eurodeputados apelam também à NATO para que avalie uma nova iniciativa de segurança para o Mar Negro, tendo por base as discussões em torno de uma possível operação designada Black Sea Sentry, defendendo ainda uma cooperação mais estreita entre a Roménia, a Bulgária e a Turquia.

A resolução aprovada no Parlamento Europeu surge depois de o ministro da Defesa da Bulgária, Dimitar Stoyanov, pedir na passada sexta-feira à NATO caças, sistemas de defesa aérea e sistemas antidrones para combater os ataques contra navios no mar Negro.

Os eurodeputados pedem igualmente que o Black Sea Maritime Security Hub, uma iniciativa de segurança marítima desenvolvida pela Roménia e pela Bulgária com apoio europeu, entre em funcionamento com urgência. O objetivo é reforçar a partilha de informação, melhorar a vigilância e proteger infraestruturas marítimas críticas.

A proteção de cabos submarinos de telecomunicações, eletricidade e transmissão de dados é outra das prioridades identificadas no texto. Para esse efeito, o Parlamento defende uma vigilância marítima mais robusta, maior cooperação regional e mecanismos de resposta rápida.

A Roménia anunciou no sábado ter abatido dois drones russos sobre o mar Negro. A 6 e a 13 de outubro, quatro navios mercantes foram atingidos por drones na zona económica exclusiva da Bulgária no Mar Negro. Dois afundaram-se e 21 marinheiros estão desaparecidos.

Esta terça-feira, a Aliança Atlântica anunciou que vai mobilizar meios adicionais para o Mar Negro, na sequência de uma série de ataques com drones contra navios comerciais.

NATO abre agência de compras militares à Ucrânia para acelerar fornecimentos

22 October 2026 at 13:02

A Ucrânia vai poder comprar armas, munições e equipamento militar através da agência centralizada de aquisições da NATO, uma medida que poderá permitir a Kiev obter material de defesa mais rapidamente e a custos mais baixos. O novo mecanismo permitirá à Ucrânia recorrer à Agência de Apoio e Aquisições da NATO (NSPA), que disponibiliza serviços de contratação, apoio logístico e acesso à base industrial de defesa da Aliança.

“Isto proporciona à Ucrânia a capacidade de ter um quadro mais estruturado para tirar partido de uma vasta gama de recursos que oferecemos: competências em matéria de contratação pública, serviços de apoio e acesso a uma base industrial estabelecida”, afirmou Jacqueline Borsboom, diretora de apoio às operações da Agência de Apoio e Compras da NATO (NSPA), ao Financial Times, citada pela Reuters.

A medida surge num momento de agravamento das relações entre Washington e Kiev. A Ucrânia acusou perturbações na partilha de informações de serviços de inteligência e na utilização do sistema de satélites Starshield — serviços Starlink de nível militar. Contudo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que, numa reunião realizada na terça-feira, em Oslo, foi acordado resolver estas questões.

O acesso à agência de aquisições da NATO poderá, assim, proporcionar à Ucrânia um canal adicional para obter equipamento militar, recorrendo à experiência de contratação da Aliança e à capacidade da indústria de defesa dos países aliados.

Bruxelas também tem procurado vias de apoiar as aquisições ucranianas de equipamentos cruciais para responder aos ataques da Rússia. Em setembro, a Comissão Europeia aprovou o pedido da Ucrânia para financiar mísseis intercetores Patriot através de fundos europeus, incluindo compras a fornecedores fora do bloco europeu.

Kiev volta a ser alvo de mísseis russos após negociações entre Moscovo e Washington

By: Lusa
22 October 2026 at 10:20

A capital da Ucrânia foi alvo de um novo ataque com mísseis esta noite, após as negociações entre a Rússia e os Estados Unidos na quarta-feira em São Petersburgo para pôr fim ao conflito.

Poucas horas depois das negociações, e de o Presidente norte-americano, Donald Trump declarar que o fim da guerra nunca esteve “tão próximo”, um ataque com mísseis contra Kiev deixou seis feridos, segundo o presidente da câmara da capital ucraniana, Vitali Klitschko. O exército ucraniano emitiu durante a noite um alerta para mísseis balísticos provenientes do leste da Rússia.

Steve Witkoff, enviado de Trump, reuniu-se com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em São Petersburgo, na sequência de uma reunião, na véspera, em Oslo com líderes europeus e o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, que apelou a uma cessação dos combates nas posições atuais como primeiro passo para as negociações.

O conselheiro diplomático do Kremlin, Iuri Ushakov, indicou, no final de uma reunião “detalhada e franca” ao longo de três horas, que Moscovo está na disposição de retomar as negociações a três com Kiev e Washington, mas não de imediato, “por volta de 10 de novembro”.

Ou seja, após as eleições intercalares nos Estados Unidos, que poderão alterar o panorama político norte-americano, e sem que aconteça, até lá, uma pausa nos combates, que prosseguem sem avanços significativos de nenhum dos lados.

Volodymyr Zelensky afirmou ser favorável a um encontro a três, “o mais rapidamente possível”. “A ordem do dia é clara: pôr fim à guerra, promover a paz e, se bem compreendi, preparar tudo para um encontro ao nível dos líderes”, afirmou.

Trump, por seu lado, manifestou-se na quarta-feira otimista e garantiu mais uma vez que o fim da guerra está próximo, tal como tem afirmado várias vezes desde o regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025.

“No outro dia, conversei com Vladimir Putin sobre a resolução da sua guerra com a Ucrânia e penso que, aliás, estamos a aproximar-nos disso. Talvez nunca tenhamos estado tão perto”, afirmou o chefe de Estado norte-americano.

Já em sinal contrário, Ushakov afirmou na quarta-feira que as propostas apresentadas por Kiev e pelos europeus em Oslo “não contêm grande coisa”.

Também Witkoff deu nota da distância entre as partes beligerantes, considerando na rede social X que as discussões com Putin tinham sido “construtivas e que iriam prosseguir no âmbito de conversações trilaterais”, mas reconhecendo haver ainda “muito trabalho a fazer”.

Ushakov referiu-se igualmente a uma possível reunião que está a ser preparada entre Vladimir Putin, Donald Trump e Xi Jinping na China, à margem da cimeira da APEC, em novembro, em Shenzhen, mas a Casa Branca não confirmou ainda a deslocação do Presidente norte-americano à cidade chinesa.

Zelensky apelou na quarta-feira, em entrevista à emissora norte-americana Fox News, a um congelamento da linha da frente como primeiro passo nas negociações, proposta rejeitada por Moscovo, que exige um acordo sobre a questão de fundo, antes de qualquer cessação dos combates.

A Rússia exige, nomeadamente, que o exército ucraniano se retire dos territórios que ainda controla na região de Donetsk (leste da Ucrânia), o que Kiev considera inaceitável.

As forças ucranianas denunciaram nos últimos dias dificuldades de acesso a informações dos Estados Unidos, bem como ao sistema de satélites Starlink, situação que parece ter sido corrigida por Washington. Zelensky saudou na terça-feira o restabelecimento dos alertas precoces dos Estados Unidos destinados a detetar mísseis russos.

Ataques russos fizeram sete mortos e 22 feridos na Ucrânia

Moscovo e Kiev trocaram ataques durante a última noite registando-se pelo menos sete mortos na Ucrânia, poucas horas depois da visita à Rússia do emissário do presidente norte-americano, Donald Trump.

No nordeste da Ucrânia, os ataques russos mataram um homem em Sumi e uma mulher em Kharkiv, enquanto três pessoas morreram na região de Zaporijia, no sudeste do país, segundo as administrações militares regionais e a polícia. Em Kiev, duas pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas, incluindo quatro menores, na sequência de uma série de ataques com mísseis balísticos levados a cabo pelas Forças Armadas da Rússia, contra seis distritos da capital.

Segundo informou o Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia, os bombardeamentos provocaram vários incêndios e graves danos materiais em infraestruturas residenciais e civis por toda a cidade. Esta quinta-feira de manhã, a Força Aérea ucraniana alertou para novos disparos de mísseis balísticos russos contra Kiev tendo pedido aos residentes que permanecessem nos abrigos.

Por outro lado, durante a noite passada, os sistemas de defesa aérea russos destruíram 808 drones ucranianos sobre 20 regiões russas e a Crimeia anexada, indicou esta quinta-feira o Ministério da Defesa da Rússia.

O presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, disse que 630 drones foram lançados durante a última noite em direção à região da capital russa, fazendo dois feridos. O autarca salientou que a maior parte dos aparelhos aéreos não tripulados foi destruída pelos sistemas de defesa, mas realçou que 163 drones chegaram a aproximar-se da cidade de Moscovo.

Zelensky favorável a reunião trilateral com Rússia e EUA o mais rapidamente possível

By: Lusa
21 October 2026 at 21:02

O Presidente ucraniano afirmou esta quarta-feira ser favorável a uma reunião trilateral entre Kiev, Moscovo e Washington “o mais rapidamente possível”, após o Kremlin ter demonstrado esta quarta-feira abertura para a realização de um encontro em novembro.

“Ficámos a saber que a Rússia (…) é favorável a uma reunião trilateral ao nível das nossas delegações. A parte norte-americana propõe organizar esta reunião o mais rapidamente possível. Estamos favoráveis a isso”, afirmou Volodymyr Zelensky, em declarações à comunicação social.

As declarações do chefe de Estado ucraniano surgem no seguimento da visita do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, a São Petersburgo, onde se reuniu com o Presidente russo, Vladimir Putin.

No rescaldo da reunião desta quarta-feira, o conselheiro de política externa de Putin, Yuri Ushakov, disse aos jornalistas que Moscovo tenciona, “em princípio”, retomar as conversações após o dia 10 de novembro, e que as negociações trilaterais vão focar-se na “criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”.

Ushakov, citado pela agência russa TASS, indicou ainda que esta nova ronda de negociações poderá ter lugar em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Também Witkoff referiu nas redes sociais que as reuniões que manteve na terça-feira com Zelensky, em Oslo, na Noruega, e esta quarta-feira com Vladimir Putin, foram positivas e que “irão prosseguir com conversações trilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia a nível técnico”.

“Reunimo-nos com o Presidente Putin para dar continuidade aos progressos alcançados em Oslo com o Presidente Zelensky” e “discutir um quadro de paz”, referiu Witkoff na mesma mensagem publicada na rede social X.

Horas antes, numa entrevista à estação norte-americana Fox News, Zelensky afirmou que é necessária uma pausa na frente de batalha como ponto de partida para as negociações de paz.

Zelensky reiterou ainda que qualquer negociação de paz deve incluir a Ucrânia.

Também foi proposta por Putin uma reunião a três com os homólogos norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, à margem da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) no próximo mês, na China.

Trump também já se mostrou disponível para participar nesta reunião de líderes e, embora Pequim ainda não se tenha pronunciado sobre o assunto, Ushakov afirmou esta quarta-feira que a China já tinha iniciado os preparativos para a reunião.

O Presidente russo recebeu também esta quarta-feira em São Petersburgo o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, após conversar três horas com o enviado da Casa Branca sobre a Ucrânia e o possível encontro dos líderes de Rússia, Estados Unidos e China em novembro.

Líderes europeus procuram solução para défice de 70 mil milhões da Ucrânia em 2027

21 October 2026 at 20:36

Os líderes da União Europeia (UE) vão reunir-se a 26 e 27 de novembro para procurar uma solução para as necessidades de financiamento da Ucrânia em 2027, estimadas em 70 mil milhões de euros, e discutir o próximo orçamento comunitário para o período de 2028 a 2034, segundo adiantou um funcionário do bloco envolvido nos preparativos à Reuters.

Apesar de Bruxelas prever disponibilizar 45 mil milhões de euros à Ucrânia no próximo ano, o montante será insuficiente para cobrir as necessidades financeiras de Kiev, enquanto a guerra com a Rússia prosseguir. Os Estados-membros terão, por isso, de encontrar uma nova forma de financiamento, que poderá passar por outro empréstimo, segundo a fonte citada pela agência noticiosa.

Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou ao bloco europeu para arranjar forma de conceder mais 70 mil milhões de euros para 2027, avisando que a guerra “vai custar 155 mil milhões de euros” no próximo ano.

O Executivo comunitário contava também com contribuições adicionais de países que não pertencem à UE, como Noruega, Suíça, Canadá, Japão e Reino Unido, num total de 45 mil milhões de euros repartidos entre 2026 e 2027. No entanto, parte desse financiamento ainda não se concretizou, aumentando a pressão para encontrar alternativas.

Em setembro, a Comissão Europeia indicou que o Canadá está a negociar a participação no empréstimo da União à Ucrânia, no valor de 90 mil milhões de euros, lembrando que o regulamento do Empréstimo de Apoio à Ucrânia para 2026-2027 abre a porta a que alguns países terceiros participem no programa sob condições específicas.

A cimeira servirá também para discutir o orçamento comunitário de longo prazo para 2028-2034. Os governos europeus pretendem chegar a acordo sobre o próximo quadro financeiro ainda este ano, antes de as campanhas eleitorais previstas para 2027 em países como França, Itália, Polónia, Grécia, Estónia, Finlândia e Eslováquia tornarem as negociações mais politizadas.

Putin aceita retomar negociações trilaterais com Kiev e Washington

By: Lusa
21 October 2026 at 16:08

O Presidente russo, Vladimir Putin, aceitou esta quarta-feira retomar as negociações trilaterais com Washington e Kiev para pôr fim à guerra na Ucrânia, declarou um responsável da presidência russa (Kremlin).

O líder russo concordou, “em princípio”, retomar as conversações após o dia 10 de novembro, disse Yuri Ushakov, conselheiro de política externa de Putin, aos jornalistas após um encontro em São Petersburgo entre Putin e Steve Witkoff, enviado do Presidente norte-americano, Donald Trump.

As negociações trilaterais vão focar-se na “criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”, afirmou Ushakov.

A conversa de Witkoff com Putin sobre a guerra na Ucrânia ocorre quando Trump pressiona Kiev para fechar um acordo que interrompa os combates.

No início da reunião, que durou cerca de três horas, Putin agradeceu a Trump e a Witkoff os esforços para pôr fim à guerra, segundo o Kremlin. A visita de Witkoff à Rússia ocorreu um dia depois de o enviado norte-americano se ter reunido com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e alguns líderes europeus em Oslo, capital da Noruega.

A Rússia e a Ucrânia ainda divergem profundamente quanto aos termos para um acordo, enquanto os seus exércitos permanecem em confronto no campo de batalha.

No entanto, o Presidente finlandês, Alexander Stubb, declarou na noite de terça-feira que a reunião em Oslo – na qual participou – “apresentou um progresso real”.

Zelensky declarou esta quarta-feira que é necessário uma pausa na frente de batalha como ponto de partida para as negociações para colocar fim à guerra entre a Ucrânia e a Rússia, numa entrevista à Fox News.

“Depois, claro, recorreremos ao Presidente (Trump) e aos europeus para solicitar garantias de segurança”, acrescentou Zelensky, um dia depois da reunião com os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner (este último por videoconferência), assim como com os líderes da Noruega e da Finlândia. Zelensky afirmou ainda que qualquer negociação de paz deve incluir a Ucrânia.

Segundo o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, Witkoff planeava regressar a Oslo para novas consultas após a sua viagem à Rússia.

“Acredito que podemos ter entrado numa fase em que os russos também procuram oportunidades para a diplomacia”, disse esta quarta-feira Store à emissora norueguesa NRK.

No dia 11 de outubro, Trump declarou que a Rússia e a Ucrânia tinham acordado um cessar-fogo nos ataques a infraestruturas energéticas. No entanto, a Rússia continuou a bombardear a rede elétrica ucraniana, enquanto Kiev atacou as refinarias de petróleo russas. Desde então, os combates continuam de parte a parte.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou na terça-feira que Moscovo está disposta a ouvir novas propostas dos EUA sobre a Ucrânia, mas salientou que não espera qualquer “milagre” por parte de Washington.

Na terça-feira, na Casa Branca, Trump intensificou a pressão sobre Zelensky para que chegue a um acordo com a Rússia, numa altura em que a relação entre os dois líderes voltou a deteriorar-se.

França investiga incursão de drones sobre base naval e outras zonas militares

21 October 2026 at 13:45

A Marinha Francesa abriu uma investigação judicial depois de vários drones não autorizados terem sido detetados junto e sobre instalações militares no sudeste de França. Entre os locais afetados estão a base naval de Toulon, uma instalação da Direção-Geral do Armamento e um regimento de artilharia em Hyères. As autoridades ainda não determinaram a origem dos sobrevoos.

Durante um exercício militar de grande escala que decorreu de 5 a 16 de outubro, “drones não autorizados foram detetados na zona de exclusão aérea, perto e acima de instalações militares“, afirmou a Armada francesa em comunicado de imprensa, citada pelo Politico.

Os incidentes ocorreram durante o exercício Typhon, destinado a treinar a proteção de instalações militares terrestres e marítimas na região de Toulon, em coordenação com as forças de segurança internas. Em cada ocorrência, foram ativados dispositivos antidrones, mas a Marinha francesa garante que, até ao momento, nenhuma infraestrutura sensível foi ameaçada.

A base naval de Toulon é uma das principais instalações militares francesas no Mediterrâneo e acolhe o porta-aviões Charles de Gaulle e submarinos de ataque.

Europa em alerta para ameaças híbridas

Os incidentes surgem num contexto de crescente preocupação europeia com incursões de drones junto de instalações militares e infraestruturas críticas, algumas das quais atribuídas por autoridades nacionais à Rússia.

Em setembro, o Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu um plano para proteger infraestruturas críticas perante a intensificação dos ataques híbridos que Paris atribui a Moscovo, afirmando que a “natureza da agressividade russa” mudou e anunciando uma nova cimeira do G7.

Na Alemanha, o Governo responsabilizou oficialmente a Rússia por ataques com drones equipados com explosivos na zona de segurança do aeroporto de Leipzig, um importante centro de logística militar. No caso da Dinamarca, os serviços de informações anunciaram ter detetado preparativos concretos para operações de sabotagem russas contra empresas da indústria de Defesa.

O comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, avisou que a União Europeia (UE) deve responder à Rússia com medidas “tão dolorosas” como os danos provocados por eventuais ataques híbridos, defendendo que Moscovo não deve ter conhecimento antecipado de qual será a resposta europeia.

No caso francês, as autoridades não identificaram a origem dos drones detetados em Toulon nem atribuíram os sobrevoos a qualquer país. A investigação judicial deverá apurar as circunstâncias dos incidentes.

Encontro entre Zelensky e Witkoff foi “positivo”, diz Rubio

By: Lusa
21 October 2026 at 11:08

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou positivos os contactos entre o emissário dos Estados Unidos Steve Witkoff, e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na terça-feira, em Oslo.

Rubio acrescentou que Witkoff estava, naquele momento, a caminho de um encontro com as autoridades russas, nomeadamente com o presidente, Vladimir Putin, em São Petersburgo, onde já chegou. “Foi positivo, nada de inesperado, nada de surpreendente. Agora, com estas ideias, ele pode ir a São Petersburgo e partilhá-las com o lado russo. Vamos ver se conseguimos obter alguns avanços”, declarou Marco Rubio aos jornalistas na Índia, onde se encontra a realizar uma visita oficial.

A iniciativa diplomática de Witkoff ocorre após uma semana de forte tensão entre a Ucrânia e os Estados Unidos, sobretudo no que diz respeito à partilha de informações e às comunicações via SpaceX, a empresa de telecomunicações e de alta tecnologia de Elon Musk.

A este propósito, o chefe da diplomacia norte-americana reiterou que os Estados Unidos não foram previamente informados sobre a redução da velocidade das comunicações via satélite da SpaceX — utilizadas pela Ucrânia nas operações no campo de batalha contra a Rússia. “O Presidente [dos Estados Unidos] não tem qualquer relação com as decisões tomadas pela Starlink, pela Starshield ou por [Elon] Musk”, afirmou. “É uma empresa privada. O Presidente não dirige essa empresa e não lhe pode ordenar nada (…). Não houve qualquer conhecimento prévio” sobre o assunto, acrescentou.

Segundo o Wall Street Journal, Elon Musk ordenou a limitação dos serviços da rede de satélites Starshield na Ucrânia, embora o multimilionário tenha afirmado, anteriormente, que qualquer restrição a este sistema teria sido decidida, em última instância, por Donald Trump.

Ao abordar as negociações diplomáticas em curso, Rubio observou que no centro delas estão as zonas do Donbass que a Rússia reivindica. Questionado se o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, vai participar na próxima semana numa reunião dos países do G20 em Atlanta, Estados Unidos, disse esperar que o ministro esteja presente, embora não tenha confirmado a eventual presença.

É possível que o Presidente russo “também compareça” na cimeira do G20 em Miami, em dezembro, “embora não tenhamos confirmação disso”, acrescentou Marco Rubio.

O Presidente Donald Trump convidou a Rússia a participar nos encontros que se vão realizar nos Estados Unidos.

Zelensky e enviado de Trump estão em Oslo para discutir proposta de paz

20 October 2026 at 13:39

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, já estão em Oslo para discutir uma nova proposta diplomática destinada a pôr fim à guerra na Ucrânia. As conversações, que juntam também os líderes da Noruega e da Finlândia, decorrem numa altura em que a relação entre Kiev e Washington se deteriora e Trump volta a criticar o chefe de Estado ucraniano, enquanto elogia a posição de Moscovo.

O avião de Zelensky aterrou no aeroporto de Gardermoen, nos arredores da capital norueguesa, por volta das 12h30 locais, menos uma hora em Portugal continental. Witkoff tinha chegado pouco antes e seguiu para o Grand Hotel, no centro de Oslo, onde decorrerão as reuniões. Jared Kushner, genro de Trump e também envolvido nos esforços de negociação dos Estados Unidos, participa por videoconferência.

“Estamos a manter todos os contactos que possam ajudar a trazer a paz. Iremos também discutir o reforço da nossa defesa aérea e a produção conjunta. Estou grato a todos os que apoiam a Ucrânia e um caminho digno para a paz”, escreveu Zelensky na rede social X.

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O encontro foi organizado a pedido de Zelensky e conta com a presença do primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e do presidente finlandês, Alexander Stubb. Segundo a Axios, que cita um responsável norte-americano, representantes dos Estados Unidos, da Ucrânia e de países europeus trabalharam durante a última semana na elaboração das propostas que estarão agora em discussão.

O plano deverá seguir duas linhas paralelas: definir garantias para o futuro da Ucrânia, incluindo a segurança, a integração europeia e a recuperação económica, e preparar uma proposta abrangente a apresentar à Rússia, com vista a criar condições para uma paz duradoura. Após as reuniões na Noruega, Witkoff deverá viajar para a Rússia, onde espera reunir-se com Vladimir Putin para discutir as ideias desenvolvidas com Kiev e os parceiros europeus, segundo a mesma fonte.

Trump elogia Moscovo e volta a pressionar Kiev

As conversações em Oslo decorrem num momento de tensão crescente entre a Ucrânia e os Estados Unidos. Na segunda-feira, Trump afirmou que “a Rússia, francamente, tem-se portado bem em relação à Ucrânia” e disse que Zelensky “não está a ajudar muito a resolver a situação”. O Presidente norte-americano apelou ainda a Kiev para encontrar “outra pessoa para negociar” o fim da guerra.

As declarações surgem depois de a Administração Trump ter aliviado sanções sobre o petróleo russo, alegando a necessidade de reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos, e de ter anunciado uma dispensa mais ampla de sanções previstas contra Moscovo.

Trump tem criticado repetidamente os ataques ucranianos às refinarias russas, que Kiev considera uma das poucas formas de responder aos bombardeamentos prolongados de Moscovo. A Ucrânia suspendeu durante vários dias os ataques a instalações petrolíferas russas a pedido do líder norte-americano, mas a Rússia não deu sinais de reduzir a intensidade dos seus próprios ataques.

Ao mesmo tempo, a Ucrânia denuncia falhas no aviso antecipado de lançamentos de mísseis russos, limitações nas comunicações por satélite utilizadas para orientar drones ucranianos e atrasos na entrega de sistemas de defesa aérea financiados por aliados europeus. Washington rejeita as acusações de que esteja a reter informações de inteligência ou a impor restrições ao sistema militar Starshield, da SpaceX.

Antes da chegada a Oslo, Zelensky disse ter falado com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre os intercetores de mísseis balísticos, os sistemas de alerta antecipado e a necessidade de restabelecer as ligações por satélite.

“A situação com o Starlink/Starshield precisa de ser restaurada”, referiu o presidente ucraniano numa publicação na rede social X. “É claro que tudo isto acontece no contexto dos nossos esforços diplomáticos para pôr fim a esta guerra horrível e à morte constante de pessoas”, acrescentou.

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Marco Rubio, reconheceu na terça-feira que um lote de intercetores adquiridos para a Ucrânia ao abrigo do programa Lista de Requisitos Prioritários para a Ucrânia (PURL) pode não ter sido entregue, mas que isso não se deveu a qualquer intenção política. “Penso que a conclusão importante é que não houve nenhuma diretiva política deliberada para prejudicar a Ucrânia”, disse aos jornalistas ao iniciar a sua viagem à Índia, citado pela Reuters.

Coreia do Sul anuncia retirada de parte do pessoal da embaixada em Kiev

By: Lusa
20 October 2026 at 10:29

A Coreia do Sul anunciou hoje a retirada de parte da equipa da embaixada em Kiev, face ao adensar da disputa diplomática sobre a transferência de prisioneiros de guerra norte-coreanos para Seul.

“Após a ‘convocatória’ do embaixador [sul-coreano] na Ucrânia, medida que não gerou qualquer reação construtiva por parte das autoridades ucranianas, e perante a ameaça persistente de ataques aéreos em todo o território, o que torna difícil garantir a segurança da equipa, o Governo decidiu repatriar parte dos membros da sua missão diplomática”, declarou Park Doo-soon, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul.

O embaixador da Coreia do Sul na Ucrânia, Park Ki-chang, regressou ao país em 10 de outubro, dias depois de Seul ter repreendido o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por ter referido publicamente a transferência para Seul de dois soldados norte-coreanos capturados pelo exército ucraniano. As autoridades sul-coreanas pretendiam manter o sigilo em torno deste caso.

A decisão de Seul surge também na sequência das revelações feitas pelo jornal britânico The Guardian, segundo as quais 176 mil toneladas de produtos, “principalmente gasóleo”, tinham sido enviadas da Coreia do Sul para a Rússia em julho e agosto. As entregas foram alvo de críticas por parte de Kiev. O Governo sul-coreano ameaçou tomar “medidas adicionais”, cuja natureza não especificou.

O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, exigiu, além disso, desculpas oficiais, temendo que a divulgação da transferência de prisioneiros de guerra norte-coreanos para a Coreia do Sul pusesse em perigo as famílias dos soldados.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano reagiu afirmando que “a diplomacia deve prevalecer sobre a emoção”.

Marco Rubio nega pausa na partilha de informações dos EUA com a Ucrânia

By: Lusa
19 October 2026 at 12:08

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos (EUA), Marco Rubio, afirmou hoje que não houve “nenhuma pausa” na partilha de informações de inteligência com Kiev e instou a Ucrânia a “terminar a guerra”.

No domingo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou que os EUA voltaram a partilhar informações com Kiev ao fim de “três dias”, agradecendo a Washington o fim do bloqueio, que dificultou a resposta da Ucrânia aos ataques russos.

Numa entrevista ao canal norte-americano NBC, Zelensky disse que a partilha de informações “esteve bloqueada durante algum tempo e, depois, foi desbloqueada pelo lado norte-americano”, referiu. “Estamos gratos por isso. Agora está a funcionar”, afirmou, acrescentando que a ausência durou “três dias, durante os ataques balísticos” de Moscovo.

“Não sei onde é que ele vai buscar tudo isto ou porque é que partilha isto com a imprensa. Deviam perguntar-lhe. Não houve qualquer pausa”, declarou o secretário de Estado norte-americano. “Onde ele se deve concentrar (…) é em acabar com a guerra”, enfatizou Marco Rubio, durante uma visita a Samarcanda, no Uzbequistão.

Os EUA e a Ucrânia viveram nos últimos dias um momento de grande tensão, com os ucranianos a denunciarem que Washington limitou a transmissão de informações de segurança, o que causou constrangimentos na utilização do sistema de satélites Starlink, propriedade do milionário Elon Musk, dono da SpaceX.

No domingo, o Presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, de “não querer pôr fim” à guerra com a Rússia.

O líder norte-americano defendeu a decisão de não aplicar novas sanções contra a Rússia, bem como o acordo entre Washington e Moscovo, anunciado dias antes, permitindo aos Estados Unidos importar petróleo russo.

Trump argumentou ainda que se assinasse neste momento a chamada Lei Graham, relativa a novas sanções contra a Rússia, faria com que Moscovo se retirasse das negociações.

O republicano associou os ataques ucranianos contra as refinarias de petróleo russas à subida dos preços dos combustíveis a nível mundial, agudizada com a guerra no Médio Oriente desencadeada com os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. Marco Rubio reafirmou que as isenções de 60 dias visam ganhar tempo, “para ver se as discussões podem levar a algo positivo”.

Questionado a propósito de uma notícia do jornal norte-americano Wall Street Journal, segundo a qual o Presidente russo, Vladimir Putin, terá proposto a Trump e ao homólogo chinês, Xi Jinping, um encontro em novembro para discutir o fim do conflito — excluindo, portanto, a Ucrânia — o secretário de Estado foi evasivo. “Não sei se isso foi concretizado”, disse Rubio. Mas o presidente norte-americano “foi claro: deseja que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia chegue ao fim”.

“Quanto à nossa relação [com a Ucrânia], o nosso objetivo é acabar com a guerra”, um conflito que “ninguém está a ganhar”, acrescentou Rubio, sublinhando, mais uma vez, os riscos de o conflito se espalhar pela Europa.

Zelensky sugere que Trump está a tentar forçar capitulação de Kiev perante Moscovo

By: Lusa
19 October 2026 at 10:06

O Presidente da Ucrânia afirmou no domingo que “parece que” o seu homólogo norte-americano tenta forçar uma capitulação da Ucrânia perante a Rússia com medidas como o acordo para comprar gasóleo russo ou restrições à ajuda militar a Kiev.

“Penso que foram dados passos no sentido de convencer a Ucrânia a capitular. Não estou a dizer que este seja o objetivo dos nossos aliados. Não quero pensar que os nossos aliados norte-americanos possam querer pôr fim ao conflito mais cedo à custa da Ucrânia. Mas é isso que parece”, disse Volodymyr Zelensky, numa entrevista à agência de notícias Bloomberg publicada no domingo.

O Presidente ucraniano tem criticado, nos últimos dias, as limitações que o sistema de comunicação por satélite norte-americano Starlink parece ter para a sua utilização para fins militares em território russo, bem como o abrandamento dos envios de mísseis de interceção Patriot.

Na mesma entrevista, Zelensky afirmou que os Estados Unidos liderados pelo republicano Donald Trump enviam apenas 12 mísseis Patriot por mês para a Ucrânia, um quarto do que o anterior presidente, o democrata Joe Biden, enviava. “Pagámos por essas armas”, argumentou. “Parte das entregas já está autorizada, mas o resto não, e não se trata de uma questão técnica”, sublinhou.

Zelensky sugeriu a Washington que Kiev poderia deixar de atacar as refinarias russas, tal como pretendem os Estados Unidos, se acelerassem a entrega dos mísseis Patriot para proteger as infraestruturas ucranianas. “Mas eles só querem que deixemos de atacar o gasóleo e, se atacarmos, cortam-nos o acesso a alguma coisa”, afirmou o líder ucraniano.

O Presidente norte-americano defendeu no domingo a sua decisão de não aplicar novas sanções contra a Rússia, bem como o acordo entre Washington e Moscovo, anunciado dias antes, permitindo aos Estados Unidos importar petróleo russo. Trump argumentou ainda que se assinasse neste momento a chamada Lei Graham, relativa a novas sanções contra a Rússia, faria com que a Rússia se retirasse das negociações. E apontou outro argumento: “A Rússia está a fazer muito pouco para ajudar a República Islâmica do Irão comparado com o que poderia estar a fazer”. Por fim, insistiu no “grave dano” que os ataques ucranianos contra as refinarias russas estão na sua visão a causar, “também nos Estados Unidos”.

Ainda na entrevista à Bloomberg, o líder ucraniano alertou que estes são “dias perigosos antes das eleições”, referindo-se às eleições intercalares nos Estados Unidos, marcadas para 03 de novembro e nas quais os republicanos de Trump tentam manter o controlo do Congresso.

“Mas depois das eleições a vida continua e acredito que ficará mais tranquila”, afirmou.

Zelensky avisa líderes europeus que Kiev vai precisar de mais 70 mil milhões em 2027

By: Lusa
16 October 2026 at 17:31

O Presidente da Ucrânia avisou esta sexta-feira os líderes europeus de que o país vai precisar de mais 70 mil milhões de euros em 2027 do que estava inicialmente previsto, apelando a que arranjem maneiras de os conceder.

Num discurso perante os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), na cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas, Volodymyr Zelensky avisou que, em 2027, a guerra “vai custar 155 mil milhões de euros”.

“E precisamos de pelo menos mais 70 mil milhões de euros vossos: para a Defesa, armamento, para a nossa resiliência. Este montante é realista e peço-vos que encontrem forma de nos conceder este apoio”, apelou.

Este apelo de Zelensky surge numa altura em que várias fontes diplomáticas indicam que a Ucrânia tem transmitido à UE que o montante do empréstimo de 90 mil milhões de euros previsto para 2027 (uma fatia de 45 mil milhões euros) não vai ser suficiente para suprir as necessidades do país para esse ano – o que Zelensky confirmou agora.

Perante os líderes europeus, Zelensky salientou que, atualmente, a Ucrânia consegue “travar a maioria dos ataques russos na linha da frente”, interromper “linhas de abastecimento russas” e “enfraquecer a economia russa” graças aos drones que produz.

“Mas poderíamos produzir duas ou três vezes mais drones, consoante o tipo. Mas, pura e simplesmente, não temos dinheiro suficiente para o fazer. É verdade. Imaginem só se pudéssemos exercer sobre a Rússia uma pressão duas ou três vezes superior à que exercemos hoje”, frisou.

O Presidente ucraniano avisou que o líder russo, Vladimir Putin, se “prepara para permanecer no poder durante muito mais tempo”, e, independentemente de quando a guerra terminar, “não deixará de constituir uma ameaça” para a UE, apelando a que o bloco europeu dos 27 também preveja verbas para Kiev no seu próximo orçamento comunitário, que cobrirá o período entre 2028 e 2034.

“A nossa força, o nosso exército e as nossas tecnologias também ajudam a garantir a segurança europeia. Estas garantias ainda não estão, tanto quanto pensamos, refletidas no vosso orçamento a partir de 2028. Levamos esta questão a sério e vamos definir exatamente de que forma as capacidades de defesa da Ucrânia devem ser integradas nesse orçamento”, indicou.

Nesta intervenção perante o Conselho Europeu, Zelensky abordou ainda as recentes tensões que tem tido com a administração norte-americana, liderada pelo Presidente Donald Trump, agradecendo a “todos os que estão a tentar manter unidos a Europa e os Estados Unidos”.

“Há tantas pessoas de bom coração na América que desejam sinceramente que o mal seja derrotado e que a Ucrânia se mantenha forte. (…) Pessoas que querem ser aliadas, não dividir nem humilhar a Europa”, referiu.

O Presidente ucraniano disse acreditar que “a maioria dos americanos continua a pensar desta forma” e, “no fim de contas, o povo americano terá uma palavra a dizer”, numa alusão às eleições intercalares (‘midterms’) nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

“Putin ouvirá os Estados Unidos se estes exercerem realmente uma pressão muito maior sobre ele e deixarem uma coisa bem clara: ou escolhe a paz, ou deixa de receber dinheiro para financiar a sua guerra”, referiu.

Zelensky alertou que, se as sanções à Rússia “forem aliviadas em qualquer parte da Europa”, outros “irão rapidamente aproveitar-se disso”, abordando o acordo sobre o gasóleo firmado recentemente entre os Estados Unidos e a Rússia.

“Este acordo nunca será suficiente para compensar o impacto do encerramento do Estreito de Ormuz nos mercados mundiais. Mas colocará mais dinheiro diretamente nos bolsos de Putin para financiar esta guerra. Precisamos de um 22.º pacote de sanções da UE que seja forte”, afirmou.

O Presidente ucraniano agradeceu aos europeus pelo apoio que têm dado à Ucrânia nos últimos anos, frisando que, “sem uma UE determinada e capaz de tomar decisões firmes, Putin já teria ido mais longe”.

“A UE não se desmoronou. Não recuou nem cedeu ao medo quando se tratou de defender o modo de vida europeu. E isso foi tão importante como a coragem dos ucranianos”, elogiou.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país.

Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.

Zelensky agradece em Bruxelas a “verdadeiros líderes” que não vacilam no apoio

By: Lusa
16 October 2026 at 12:31

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu hoje em Bruxelas, ao lado dos principais responsáveis da União Europeia, aos “verdadeiros líderes” que não vacilam no apoio a Kiev, numa crítica velada ao Presidente norte-americano. “Não é agora altura de retirar o apoio à Ucrânia. Não é agora altura de aliviar sanções à Rússia. É agora a altura de reforçar o nosso apoio e aumentar a pressão”, defendeu António Costa, presidente do Conselho Europeu. Von der Leyen adianta que está a ser preparado um novo pacote de sanções.

“Estou muito grato pelo enorme apoio que temos recebido do Conselho da União Europeia, da Comissão Europeia e dos líderes — os verdadeiros líderes — que estão ao nosso lado desde o primeiro dia desta guerra. Esse apoio é crucial e contamos com ele”, declarou Volodymyr Zelensky aos jornalistas ao lado de António Costa e de Ursula von der Leyen à chegada à cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Numa altura em que Donald Trump tem acusado Volodymyr Zelensky de não estar disposto a negociar a paz, apelando à sua substituição, o chefe de Estado da Ucrânia salientou que tenciona “acabar com a guerra o mais rapidamente possível”.

“Mas não vemos sinais do lado russo de que estão preparados para acabar com a guerra. É por isso que temos de preparar um pacote para o inverno”, salientou Zelensky, que referiu que o apoio em termos de energia vai ser um dos principais tópicos que vai discutir hoje com os líderes europeus em Bruxelas.

No entanto, o Presidente ucraniano frisou que não tenciona apenas discutir a energia, mas também as capacidades de defesa aérea e o financiamento para cobrir as necessidades orçamentais do país em 2026 e 2027. “Temos de discutir não só 2026, mas também 2027 e agradeço ao nosso parlamento e ao nosso Governo — fizeram um excelente trabalho, incluindo debaixo de ataques massivos — para votar e aprovar reformas importantes”, saudou.

Zelensky agradeceu ainda aos líderes europeus por, na passada terça-feira, terem acordado abrir mais dois grupos de capítulos (clusters) nas negociações de adesão da Ucrânia à UE, ficando agora a faltar apenas dois. “Vamos fazer tudo para conseguir abrir os dois últimos grupos de capítulos até ao final do ano e estou seguro que vamos conseguir”, disse.

No sábado, Trump propôs às duas partes uma moratória de 60 dias sobre os ataques a refinarias e infraestruturas energéticas, uma iniciativa que tanto Moscovo como Kiev se têm acusado de não respeitar e que coincidiu com o levantamento das sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo.

Desde então, tem crescido a pressão de Washington para que a Ucrânia suspenda os ataques contra estas instalações, a par de duras críticas de Trump a Zelensky, sob a ameaça de interrupção do fluxo de informações secretas — essenciais para deter ataques russos — e da suspensão das comunicações via Starlink, a rede de Internet da SpaceX, do empresário norte-americano Elon Musk.

Esta quinta-feira, o chefe de Estado ucraniano afirmou que a ofensiva russa em grande escala, ocorrida nos últimos dias contra o setor energético, outras instalações e o parque habitacional ucranianos, já anteriormente por ele referida, é a resposta de Moscovo “a mais uma tentativa do Presidente norte-americano para reduzir a intensidade dos ataques”.

António Costa defende ao lado de Zelenky que não é tempo de “aliviar sanções à Rússia”

Este não é o tempo para “aliviar sanções à Rússia” ou retirar o apoio à Ucrânia, numa altura de tensões entre Kiev e Washington, defendeu o presidente do Conselho Europeu.

“A nossa mensagem para o Presidente [Volodymyr] Zelensky é muito simples: o apoio à União Europeia (UE) à Ucrânia permanece tão forte como sempre. Não é agora altura de retirar o apoio à Ucrânia. Não é agora altura de aliviar sanções à Rússia. É agora a altura de reforçar o nosso apoio e aumentar a pressão”, afirmou António Costa.

Reforçar o apoio a Kiev e aumentar a pressão sobre Moscovo “é essencial para levar a Rússia a aceitar um verdadeiro cessar-fogo, a sentar-se à mesa das negociações e a pôr fim a esta guerra”.

“Este é o momento da paz, não é o momento de continuar a guerra”, defendeu António Costa, novamente numa alusão a Trump, que tem sustentado a necessidade de se acabar com a guerra o mais rapidamente possível e apelado à substituição de Volodymyr Zelensky para o efeito.

Dirigindo-se ao Presidente ucraniano, Costa garantiu-lhe que “pode contar” com a UE. “Não só para te apoiarmos durante a guerra, mas, mais importante ainda, para apoiarmos o teu futuro como membro da UE”, salientou, frisando que, ainda esta terça-feira, os Estados-membros concordaram em abrir mais dois novos grupos de capítulos (clusters) nas negociações de adesão da Ucrânia à UE.

“Temos de continuar a avançar neste processo e gostaria de felicitar-te, bem como o teu parlamento, porque, no meio de uma guerra terrível, continuam a cumprir os seus compromissos, a negociar, a aprovar medidas e a implementar reformas”, elogiou.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também garantiu a Zelensky que é “absolutamente claro” que a UE “não vai levantar quaisquer sanções enquanto a Rússia não puser fim à guerra”, acrescentando que o bloco está agora a elaborar um 22.º pacote de sanções.

Von der Leyen referiu que a UE apoia a proposta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para um cessar-fogo energético, mas salientou que é visível que a Rússia “não o respeitou nem por um minuto”. “Pelo contrário, intensificou os ataques. Por isso, temos de aumentar a pressão sobre a Rússia”, defendeu.

A presidente da Comissão Europeia frisou ainda que os líderes vão discutir hoje com Kiev a “preparação para o inverno”. “A Rússia está a fazer tudo o que pode para destruir as infraestruturas energéticas e de abastecimento de água. Mas estamos ao vosso lado. Vamos apoiar-vos, tal como fizemos nos invernos anteriores. Vamos superar esta situação”, disse.

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