Presença de Marçal na campanha de Flávio causou climão com marqueteiro, e ausência em treino para debate da Globo gera alívio
22 October 2026 at 19:44
A participação de Pablo Marçal na preparação de Flávio Bolsonaro (PL) para o debate da Band provocou um mal-estar nos bastidores da campanha presidencial, especialmente pelo histórico de confronto entre o influenciador e o marqueteiro Duda Lima durante a eleição municipal de São Paulo, em 2024. A presença de Marçal dividiu aliados do senador e gerou desconforto na equipe de comunicação, que agora vê com alívio sua ausência dos treinamentos para o último debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para sexta-feira, na TV Globo. O principal ponto de tensão foi a relação com Duda Lima, responsável pela estratégia de comunicação de Flávio. Em setembro de 2024, durante a campanha à prefeitura de São Paulo, o marqueteiro, que trabalhava para Ricardo Nunes (MDB), foi atingido por um soco de Nahuel Medina, integrante da equipe de Marçal, após um debate promovido pelo Grupo Flow. O episódio provocou uma crise entre as duas campanhas e deixou um histórico de atritos que voltou à tona com a aproximação do influenciador ao entorno de Flávio. Apesar desse antecedente, Marçal participou da preparação do senador para o primeiro confronto com Lula, na Band. A presença foi recebida com reservas por parte dos integrantes da campanha, que questionavam dar espaço ao influenciador justamente em um momento em que Duda Lima comandava os ajustes na postura e no discurso do candidato. O desconforto também gerou divergências sobre a estratégia eleitoral. Enquanto alguns aliados defendiam aproveitar a capacidade de mobilização digital e o estilo agressivo de Marçal para atingir eleitores nas redes sociais, outros avaliavam que sua presença poderia gerar ruídos internos e prejudicar a imagem que Flávio tenta construir na reta final do segundo turno. A decisão de não incluir Marçal na preparação para o debate da Globo foi recebida com alívio por integrantes da equipe. O treinamento desta quinta-feira ocorre no QG da campanha, no Lago Sul, em Brasília, com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Duda Lima. A orientação é reduzir as provocações ao adversário e ampliar o espaço dedicado à apresentação de propostas, buscando transmitir uma imagem mais equilibrada do candidato. Aliados contrários à participação de Marçal afirmam que o senador já conta com interlocutores políticos mais próximos e experientes para orientá-lo na reta final da disputa. Entre as avaliações feitas internamente, estão as de que é preferível ter “mais Rogério Marinho que Marçal” e “mais Tarcísio que Marçal”, em referência ao coordenador da campanha e ao governador paulista. As comparações refletem a defesa de que Flávio priorize a orientação de integrantes do núcleo político, em vez de ampliar o espaço do influenciador na definição da estratégia eleitoral. O afastamento de Marçal também ocorre em meio a críticas mais amplas à sua atuação na campanha. Conforme revelou a colunista Bela Megale, do GLOBO, integrantes da cúpula eleitoral passaram a defender um distanciamento do influenciador por três motivos: a tentativa de assumir protagonismo em agendas de Flávio, sua elevada rejeição entre eleitores e declarações consideradas prejudiciais à estratégia de conquistar novos apoios. Um dos episódios citados por aliados foi o encontro com cantores sertanejos realizado nesta semana, em Goiás. A avaliação de integrantes da campanha é que Marçal tentou assumir o protagonismo da mobilização, apesar da participação direta de Flávio na articulação do evento. Também causaram incômodo declarações do influenciador sobre eleitores de Renan Santos, candidato do Missão que declarou neutralidade no segundo turno. Em entrevista ao podcast IronTalks TV, Marçal afirmou que esses eleitores poderiam anular seus votos, em uma manifestação considerada contraproducente por integrantes da equipe do senador. Outro ponto de atrito tem sido o fato de Marçal já se apresentar publicamente como futuro integrante de um eventual governo Flávio. Embora reconheça que caberá ao senador dar a palavra final caso seja eleito, o influenciador tem falado sobre a possibilidade de ocupar um cargo na gestão, apesar de interlocutores próximos ao candidato afirmarem que não há uma decisão tomada sobre o assunto.