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Três temas que marcam as eleições de Meio de Mandato dos EUA em 2026

21 October 2026 at 11:00

A popularidade do presidente dos EUA, Donald Trump, atingiu o nível mais baixo já registrado, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19).

A frustração dos eleitores com o custo de vida e uma acirrada disputa sobre a imigração estão moldando as eleições de Meio de Mandato (Midterms) de 3 de novembro, que determinarão se os republicanos vão manter o controle do Congresso ou se os democratas conquistarão o poder para desafiar o governo.

Os republicanos detêm maiorias estreitas na Câmara dos Deputados e no Senado. Os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras para assumir o controle de cada uma das Casas.

O resultado dependerá de um número relativamente pequeno de disputas acirradas, mas as campanhas estão sendo moldadas em nível nacional pelo próprio Trump e pelas preocupações dos eleitores com o custo de vida e a imigração.

Veja os principais temas que podem definir as eleições de Meio de Mandato dos EUA,

Donald Trump

O presidente se colocou no centro das atenções na reta final do ciclo eleitoral, apesar de sua popularidade estar em nível recorde de baixa, com comícios programados na Flórida, em Iowa, em Michigan e no Texas.

O índice de aprovação de Trump caiu para 31%, o menor nível já registrado, de acordo com a pesquisa Reuters/Ipsos. No entanto, ele tem repetidamente pedido aos eleitores que finjam que ele está na cédula eleitoral — uma estratégia que poderia motivar democratas e independentes a se unirem contra seu partido, embora a mensagem tenha como objetivo aumentar a participação eleitoral entre a base de Trump.

Os democratas afirmam que Trump não cumpriu suas promessas de campanha de reduzir custos e pôr fim às guerras. Eles prometeram adotar uma agenda de acessibilidade para reduzir o custo de vida dos norte-americanos e responsabilizar o governo por supostas práticas de corrupção, caso os eleitores lhes concedam o controle de qualquer uma das duas Casas do Congresso.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante comício na Carolina do Norte em 20 de outubro de 2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante comício na Carolina do Norte em 20 de outubro de 2026 • Reuters

Custo de vida

Os eleitores têm consistentemente classificado o custo de vida como o principal tema neste ciclo eleitoral.

Metade dos registrados entrevistados na mais recente Reuters/Ipsos citou o custo de vida como o fator mais importante na decisão de voto. Na mesma pesquisa, os eleitores destacaram saúde, gasolina, alimentação e moradia como as principais despesas domésticas nas quais os parlamentares deveriam se concentrar.

A principal conquista legislativa dos republicanos foi a prorrogação de um corte de impostos que reduziu em cerca de US$ 1 trilhão os gastos com o Medicaid — o programa governamental de seguro saúde para norte-americanos de baixa renda — e outros programas de saúde.

No ano passado, os democratas forçaram uma paralisação do governo devido a uma tentativa fracassada de prorrogar subsídios de saúde que estavam prestes a expirar e que beneficiavam 24 milhões de norte-americanos.

Os preços da gasolina dispararam desde que os EUA e Israel lançaram ataques militares contra o Irã em fevereiro. O preço médio nacional da gasolina é de US$4,28 — US$1,20 a mais do que há um ano, segundo a AAA (American Automobile Association). O custo médio do diesel é de US$6,32 — um aumento de US$2,70 em relação ao ano anterior.

Os custos com mantimentos subiram 1,8% no último ano, de acordo com dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA sobre preços ao consumidor. Dados da Agência Federal de Financiamento Imobiliário mostram que os preços das casas subiram 2,1% no último ano. O Congresso aprovou um projeto de lei bipartidário sobre habitação no início deste ano. Ele se tornou lei sem a assinatura de Trump.

Caminhões passam por placa com preços dos combustíveis
Caminhões passam por placa com preços dos combustíveis • Caminhão passa por uma placa que anuncia o preço do diesel na Interstate 5, em Williams, Califórnia, EUA, em 28 de setembro de 2026. REUTERS/Fred Greaves/Foto de arquivo

Imigração

Dados preliminares do Departamento de Segurança Interna mostraram uma queda de 95% no número de imigrantes detidos na fronteira sudoeste em comparação com o governo do ex-presidente Joe Biden.

A agência informou que, pela primeira vez na história, não houve nenhuma liberação pela Patrulha de Fronteira durante todo o ano fiscal.

No entanto, ocorreram confrontos fatais com agentes federais de imigração no Maine, em Minnesota e no Texas. A reação à morte de dois cidadãos norte-americanos em Minnesota levou muitos democratas em primárias acirradas a se posicionarem mais à esquerda este ano, com alguns candidatos pedindo o impeachment da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e outros defendendo que o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) deveria ser abolido.

Democratas e republicanos entraram em choque sobre o financiamento da imigração este ano, o que forçou os republicanos a aprovar unilateralmente um projeto de lei de US$ 70 bilhões para financiar o ICE e a Patrulha de Fronteira até o fim do mandato de Trump. Os republicanos rebatem as críticas dos democratas, alegando que estes defendem fronteiras abertas.

Autoridades federais de imigração também realizaram uma operação na residência em Washington da deputada federal democrata Ilhan Omar, de Minnesota, neste mês, o que gerou ampla condenação por parte dos democratas.

Uma pessoa a par do processo contra Omar disse à Reuters que um dos possíveis objetivos da investigação poderia ser retirar-lhe a cidadania norte-americana e deportá-la.

Outros temas

Inteligência artificial e data centers, criptomoedas, aborto e Israel também podem influenciar os eleitores em disputas eleitorais específicas.

Na disputa pelo Senado em Ohio, por exemplo, o candidato democrata Sherrod Brown rotulou o senador republicano Jon Husted como o rosto dos data centers, e o super PAC de criptomoedas “Defend American Jobs” gastou mais de US$ 46 milhões para reeleger Husted em detrimento de Brown, um ex-senador que presidiu a Comissão de Bancos da Câmara.

Na disputa pelo Senado no Maine, o candidato democrata Troy Jackson espera que os eleitores não se esqueçam de que a senadora republicana Susan Collins ajudou a confirmar Brett Kavanaugh para a Suprema Corte, que posteriormente revogou o direito federal ao aborto. Collins está na cédula eleitoral pela primeira vez desde que a Suprema Corte transformou o aborto em uma questão estadual, em vez de um direito federal.

Em Michigan, o candidato republicano Mike Rogers indicou que aceitaria ajuda de um super PAC pró-Israel que gastou mais de US$ 30 milhões apoiando a deputada democrata Haley Stevens em sua primária malsucedida contra Abdul El-Sayed, que agora enfrenta Rogers na eleição geral. O grupo já gastou mais de US$ 280 mil em correspondências contra El-Sayed.

No início desta semana, Trump declarou seu apoio à reeleição do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Como funciona o sistema eleitoral dos Estados Unidos para as Midterms?

 

Após protestos, França promete presença policial “massiva” no fim de semana

21 October 2026 at 10:00

As autoridades francesas prometeram uma presença policial “massiva” para os protestos planejados para sábado (24) e impuseram toques de recolher localizados pelo segundo dia consecutivo, enquanto o país lida com as consequências dos piores distúrbios vistos em anos.

As medidas ocorrem após protestos relacionados à educação e ao custo de vida terem se transformado, no fim de semana, em uma onda de violência letal por todo o país — cenário que desencadeou uma troca de acusações no campo político interno e ameaça se espalhar para países vizinhos na Europa.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que os “toques de recolher pontuais” ajudaram a manter a calma durante a noite de segunda (19) para terça-feira (20). Ele admitiu que os serviços de inteligência falharam ao identificar a gravidade da situação e reconheceu que as estratégias de segurança adotadas anteriormente eram estáticas demais.

Leia Mais:

A polícia de Paris anunciou um toque de recolher noturno, a partir das 23h de terça-feira, nas áreas mais afetadas — nos arredores da Place de la République e de Les Halles. Outras cidades, incluindo Bordeaux e Lille, também vão adotar a medida.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou aos parlamentares na Assembleia Nacional que lamenta profundamente a violência ocorrida no fim de semana e assumiu parte da responsabilidade, ao mesmo tempo em que apontou o papel de opositores políticos e dos envolvidos nos atos de destruição.

“Assumo minha parcela de responsabilidade, mas não gostaria que esquecêssemos a responsabilidade significativa de um determinado campo político que não hesita em jogar lenha na fogueira, nem a responsabilidade dos próprios agitadores”, disse Nuñez.

A UNEF, principal sindicato estudantil da França, convocou novos protestos para sábado e afirmou que o movimento não cessará até que suas reivindicações sejam atendidas. A CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, informou que participará das manifestações, defendendo que elas sejam pacíficas.

Os toques de recolher foram implementados após a prisão de mais de 2 mil pessoas no último fim de semana. O saldo inclui pelo menos duas mortes e relatos de ferimentos graves — incluindo duas pessoas que perderam as mãos.

A polícia utilizou gás lacrimogêneo contra as multidões e entrou em confronto com manifestantes encapuzados e vestidos de preto, que atearam fogo a diversos locais e invadiram milhares de lojas e prédios públicos.

Imagens registraram, inclusive, edifícios históricos em chamas.

As repercussões políticas podem ser significativas, aprofundando as divisões entre os principais partidos, a apenas seis meses da eleição para suceder o presidente francês, Emmanuel Macron.

A grande maioria dos manifestantes tem agido de forma pacífica, ressaltam autoridades e líderes políticos — mas o nível de confrontos e destruição abalou o país e provocou condenações contundentes, tanto por parte de líderes quanto da população.

“Aqueles que destruíram devem pagar”, disse Macron na noite de domingo. “Aqueles que saquearam devem arcar com as consequências. Aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados.”

Ele também prometeu realizar reuniões esta semana para discutir “propostas concretas” e ouvir as demandas dos manifestantes — mas muitos deles permanecem céticos.

Como tudo começou?

Tudo teve início em setembro, com uma greve de estudantes e professores em uma escola de ensino médio nos subúrbios de Paris, que exigiam mais funcionários e recursos. As reivindicações foram atendidas e a greve terminou — mas o episódio serviu como uma faísca que logo se espalhou por todo o país.

Estudantes de várias regiões, há muito frustrados com um sistema educacional superlotado e com falta de pessoal, iniciaram protestos que, por vezes, tornaram-se violentos. Uma resposta policial excessivamente dura alimentou a indignação popular e levou centenas de milhares de pessoas às ruas, especialmente após a circulação de vídeos que mostravam um policial utilizando uma técnica de imobilização proibida contra uma jovem.

Em poucas semanas, os protestos ganharam força e se transformaram em um movimento mais amplo, indo além dos estudantes e refletindo um descontentamento generalizado com o custo de vida, a suposta inação do governo, o crescente abismo de riqueza e um profundo desejo por mudanças sociais e políticas.

“Isso não pode continuar”, disse Maria Pallas, de 57 anos, integrante de um importante sindicato francês, em entrevista à CNN durante o protesto realizado no sábado, em Paris.

“Há a questão do custo de vida. Há o desemprego. Há uma série de problemas. Um jovem sai em busca de trabalho, prometem-lhe muita coisa, mas, no fim, ele acaba sem nada”, afirmou.

O que aconteceu neste fim de semana?

Mais de meio milhão de pessoas manifestaram-se por toda a França no sábado. Na maior parte, as manifestações transcorreram de forma pacífica. Contudo, em vários locais, os protestos descambaram para a violência, especialmente ao cair da noite.

Em Paris, grupos de jovens mascarados saquearam lojas e atearam fogo a estabelecimentos; em Lyon, manifestantes incendiaram o posto de turismo da cidade; na cidade de Limoges, no centro do país, a torre de uma prefeitura de 143 anos desabou em meio às chamas — um episódio que, para alguns, trouxe à tona lembranças dolorosas do incêndio da Catedral de Notre-Dame. Cerca de 3 mil lojas foram saqueadas em todo o país, informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, na terça-feira.

No domingo, também ocorreram focos isolados de protestos.

Ao final do fim de semana, Paris parecia uma “zona de guerra”, relatou um visitante à agência Reuters. Moradores de Paris e de outras cidades francesas ficaram chocados; alguns condenaram os saqueadores e vândalos, enquanto outros culparam as autoridades por não terem lidado com a crise mais cedo.

“É de partir o coração, é de partir o coração ver nossa cidade assim”, disse Farida, uma moradora de Marselha de 59 anos — que não revelou seu sobrenome —, segundo a Reuters. “Se todo protesto termina com vitrines quebradas e lojas destruídas, isso simplesmente não pode continuar — não pode continuar.”

Paola Formenti, uma moradora de Paris de 56 anos, expressou apoio à indignação “legítima” dos manifestantes, ao mesmo tempo em que condenou a violência.

O que vem a seguir, e será que os protestos vão se espalhar?

Os protestos e suas consequências podem influenciar as próximas eleições na França, na primavera do ano que vem.

A líder da direita, Marine Le Pen, que lidera as pesquisas de intenção de voto, afirmou neste fim de semana que “reivindicações sociais legítimas foram, mais uma vez, feitas reféns pela extrema-esquerda”. Seu rival da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, defendeu repetidamente o direito dos estudantes de protestar.

Também ocorreram manifestações em outras partes da Europa no último fim de semana.

Na Bélgica, estudantes protestaram contra a situação do sistema educacional do país. Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Lisboa no sábado para protestar contra o aumento do custo de vida e a crise habitacional no país.

Na Itália, Milão também registrou duas noites consecutivas de distúrbios neste fim de semana, resultando em prejuízos de cerca de 1 milhão de euros, segundo autoridades. Manifestantes atiraram pedras e saquearam supermercados; a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d’água, efetuando 32 prisões.

O comércio só reabriu na terça-feira, após o governo anunciar uma série de medidas para lidar com os protestos violentos.

Entre elas, está a criação de um novo tipo penal: a “participação violenta em manifestação”. Os infratores podem enfrentar até cinco anos de prisão e multas de até 20 mil euros.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que a pena aumenta caso o manifestante esteja com o rosto coberto, cause ferimentos a terceiros ou se um grupo de manifestantes praticar atos de vandalismo contra o patrimônio.

Como parte das novas medidas, os manifestantes — ou os pais daqueles que forem menores de idade — deverão arcar com os custos de quaisquer danos pelos quais sejam responsáveis.

Além disso, menores de idade agora podem ser submetidos à detenção preventiva, medida anteriormente restrita a adultos. A primeira-ministra mencionou que uma criança de 11 anos estava entre os manifestantes mais jovens identificados em Milão.

O ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, declarou que aqueles que utilizarem as redes sociais para organizar protestos violentos poderão enfrentar penas de até 12 anos de prisão.

Meloni informou ainda que 500 militares adicionais serão enviados a Milão até o final do ano para apoiar as forças de segurança. Também serão abertas novas vagas em centros de detenção juvenil para acomodar um número maior de jovens detidos.

Enquanto isso, na Albânia, estudantes têm saído às ruas há meses para protestar contra o que consideram ser corrupção governamental. As manifestações na capital, Tirana, tornaram-se violentas neste fim de semana; uma pessoa foi fotografada lançando um coquetel molotov contra a tropa de choque.

Autoridades em vários desses países condenaram a violência e pediram calma. Os protestos chamaram a atenção da Casa Branca: o vice-presidente JD Vance publicou na rede social X um vídeo da prefeitura de Limoges em chamas, atribuindo os distúrbios a uma política de imigração fracassada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também mencionou os protestos durante um comício na Geórgia neste fim de semana, brincando: “Vamos para a França, participar da revolução e gastar nossos US$ 5 mil lá” — referindo-se ao dividendo prometido caso os republicanos vençam as eleições de meio de mandato.

(Com informações de Pierre Bairin, Max Saltman, Joseph Ataman, Niamh Kennedy, Lisa Courbebaisse, Lucie Lepellec, Catherine Nicholls, Sana Noor Haq, James Legge, Sharon Braithwaite, Stefano Pozzebon, Issy Ronald, Melissa Bell, Sarah Hutter, Hira Humayun e Antonia Mortensen, da CNN)

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

 

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