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O que está acontecendo realmente na Venezuela?

By: A A
1 October 2026 at 13:35

O quão mais longe Delcy Rodríguez está disposta a ir? Eis a questão.

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O ano de 2026 está passando rápido. De fato, não falta muito para ele terminar. Ainda assim, nos lembramos muito bem de como este ano se abriu: em 3 de janeiro os EUA realizaram uma operação militar em Caracas, na qual sequestraram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Lícia Flores. Durante essa operação, boa parte dos guarda-costas de Maduro perdeu sua vida. Maduro estava próximo de um bunker, mas não conseguiu chegar e selar a porta a tempo antes de ser capturado.

Em seu lugar, assume Delcy Rodríguez, apoiada por seu irmão Jorge Rodríguez, que preside a Assembleia Nacional, pelo Ministro do Interior Diosdado Cabello, e por Vladimir Padrino López, que controla os militares. Longe de apostar em “eleições livres e democráticas”, os EUA referendaram a continuidade política bolivarianista, mantendo Delcy Rodríguez no poder. Maria Corina Machado, sucessora de Juan Guaidó no projeto de “revolução colorida” venezuelana, já caiu no esquecimento.

O que realmente aconteceu quando do sequestro de Maduro? As circunstâncias nunca ficaram suficientemente bem explicadas e seguimos nadando em meio a rumores e boatos. Ocasionalmente, emergem informações inverificáveis de que alguns elementos da equipe de segurança de Maduro teriam vendido-o em troca de compensação financeira, nunca paga pelos EUA. De fato, o governo interino da Venezuela fez diversas alterações na guarda presidencial após o sequestro, mesmo enquanto nega que tenha havido qualquer traição.

Mas a grande dúvida é o que aconteceu com todo o equipamento militar russo e chinês adquirido pela Venezuela. Por que ele não foi usado em 3 de janeiro? Estamos falando, por exemplo, de radares chineses JY-27A, JYL-1 e JY-11, alguns dos quais têm capacidade anti-stealth, bem como de caças russos Sukhoi Su-30 e de sistemas antiaéreos russos como o S300 e o Buk-M2. Nada disso parece ter utilizado durante o ataque dos EUA. Falta de manutenção? Falta de prontidão dos soldado venezuelanos? Não se sabe.

Desde então, Delcy Rodríguez tem sido extremamente criticada, por anti-imperialistas estrangeiros, por sua postura conciliacionista com os EUA. Sempre que aparecem notícias de uma reunião da presidente interina da Venezuela com algum representante dos EUA, tal como Dan Caine do Estado-Maior Conjunto dos EUA, com Marco Rubio ou, tal como recentemente, com Donald Trump, abundam as críticas. O mesmo quando o governo venezuelano emite as suas já agora típicas notas oficiais comemorando a “colaboração” com os EUA, a “melhora nas relações”, as “oportunidades de investimentos”, e assim por diante.

Agora, em alguma medida, é bastante fácil criticar o governo interino da Venezuela estando fora da Venezuela e sem ter que lidar com o mesmo tipo de pressão. Num sentido prático e material, de que opções a Venezuela dispõe hoje? Em que medida ela pode desafiar diretamente e abertamente os EUA?

A versão oferecida pelos apoiadores do atual governo venezuelano é de que a prioridade de Delcy Rodríguez é preservar o sistema político bolivariano e conseguir a devolução de Nicolás Maduro. A soberania econômica pode, até certo ponto, ser sacrificada no curto-prazo, a estrutura de poder não, já que está é mais difícil de reconstruir ou recuperar caso deixe de existir. Nesse sentido, Delcy Rodríguez estaria oferecendo concessões aos EUA visando ganhar tempo, aguardando até que mudanças políticas dentro dos EUA – como uma derrota de Trump nas midterms ou, talvez, nas próximas eleições presidenciais – tragam algum cenário mais favorável.

A narrativa é plausível e, sinceramente, no lugar da Delcy Rodríguez eu faria a mesma coisa. Não parece haver muitas outras opções, nesse momento, para a Venezuela, além do controle de danos.

Mas o quanto é possível ceder?

Em apenas 1 ano vimos o retorno da Embaixada dos EUA a Caracas, bem como o estabelecimento de um escritório da CIA no país e a restauração das relações com o Estado de Israel.

No plano econômico, os EUA passaram a se aproximar da receita de aproximadamente 1 milhão de barris diários exportados, cujo valor é apenas parcialmente devolvido ao governo venezuelano para a realização de investimentos e gastos autorizados pelos EUA. Boa parte do valor permanece com o governo dos EUA, e Trump se referiu diretamente a este valor como espólio de guerra.

Logo em seguida, a Venezuela concedeu à empresa estadunidense Trafigura o direito de comprar e exportar ouro venezuelano para ser refinado no exterior, com aproximadamente 400kg de ouro por mês sendo transferidos para os EUA.

E mais recentemente, a Venezuela cedeu aos EUA controle majoritário sobre reservas venezuelanas ainda não exploradas e que equivaleriam, em tese, a 65 bilhões de barris de petróleo. Trata-se de áreas nas quais os EUA fariam investimentos de 100 bilhões de dólares para extrair petróleo por 25 anos, o que renderia 200 bilhões de dólares em receita para a Venezuela, mas muito mais para as empresas envolvidas e para o governo dos EUA.

O quão mais longe Delcy Rodríguez está disposta a ir? Eis a questão.

Finalmente, é temerário acreditar que uma mudança na Casa Branca de um governo republicano para um governo democrata representaria uma virada de sorte para a Venezuela. Em tópicos estratégicos, há uma surpreendente continuidade de política externa entre diferentes governos, o que nos indica que talvez não seja a Casa Branca a ditar as diretrizes realmente. Ademais, não custa nada recordar que foi sob Barack Obama que o cerco contra a Venezuela realmente se iniciou, intensificando-se com cada presidência subsequente, fosse ela republicana ou democrata.

¿Qué está pasando realmente en Venezuela?

By: A A
1 October 2026 at 13:00

¿Hasta dónde más está dispuesta a llegar Delcy Rodríguez? He ahí la cuestión.

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Escríbenos: info@strategic-culture.su

El año 2026 está pasando rápido. De hecho, no falta mucho para que termine. Aun así, recordamos muy bien cómo se abrió este año: el 3 de enero los EE.UU. realizaron una operación militar en Caracas, en la cual secuestraron al presidente venezolano Nicolás Maduro y a su esposa, Lícia Flores. Durante esa operación, buena parte de los guardaespaldas de Maduro perdió la vida. Maduro estaba cerca de un búnker, pero no logró llegar y sellar la puerta a tiempo antes de ser capturado.

En su lugar, asume Delcy Rodríguez, apoyada por su hermano Jorge Rodríguez, que preside la Asamblea Nacional, por el Ministro del Interior Diosdado Cabello, y por Vladimir Padrino López, que controla a los militares. Lejos de apostar por “elecciones libres y democráticas”, los EE.UU. refrendaron la continuidad política bolivarianista, manteniendo a Delcy Rodríguez en el poder. Maria Corina Machado, sucesora de Juan Guaidó en el proyecto de “revolución de color” venezolana, ya cayó en el olvido.

¿Qué realmente aconteció cuando el secuestro de Maduro? Las circunstancias nunca quedaron suficientemente bien explicadas y seguimos nadando entre rumores y chismes. Ocasionalmente, emergen informaciones inverificables de que algunos elementos del equipo de seguridad de Maduro lo habrían vendido a cambio de compensación financiera, nunca pagada por los EE.UU. De hecho, el gobierno interino de Venezuela hizo diversas alteraciones en la guardia presidencial después del secuestro, incluso mientras niega que haya habido cualquier traición.

Pero la gran duda es qué pasó con todo el equipo militar ruso y chino adquirido por Venezuela. ¿Por qué no fue usado el 3 de enero? Estamos hablando, por ejemplo, de radares chinos JY-27A, JYL-1 y JY-11, algunos de los cuales tienen capacidad anti-stealth, así como de cazas rusos Sukhoi Su-30 y de sistemas antiaéreos rusos como el S300 y el Buk-M2. Nada de eso parece haber sido utilizado durante el ataque de los EE.UU. ¿Falta de mantenimiento? ¿Falta de preparación de los soldados venezolanos? No se sabe.

Desde entonces, Delcy Rodríguez ha sido extremadamente criticada, por antiimperialistas extranjeros, por su postura conciliacionista con los EE.UU. Siempre que aparecen noticias de una reunión de la presidente interina de Venezuela con algún representante de los EE.UU., tal como Dan Caine del Estado Mayor Conjunto de los EE.UU., con Marco Rubio o, tal como recientemente, con Donald Trump, abundan las críticas. Lo mismo cuando el gobierno venezolano emite sus ya ahora típicas notas oficiales celebrando la “colaboración” con los EE.UU., la “mejora en las relaciones”, las “oportunidades de inversiones”, y así sucesivamente.

Ahora, en alguna medida, es bastante fácil criticar al gobierno interino de Venezuela estando fuera de Venezuela y sin tener que lidiar con el mismo tipo de presión. En un sentido práctico y material, ¿de qué opciones dispone Venezuela hoy? ¿En qué medida puede desafiar directa y abiertamente a los EE.UU.?

La versión ofrecida por los partidarios del actual gobierno venezolano es que la prioridad de Delcy Rodríguez es preservar el sistema político bolivariano y conseguir la devolución de Nicolás Maduro. La soberanía económica puede, hasta cierto punto, ser sacrificada en el corto plazo; la estructura de poder no, ya que esta es más difícil de reconstruir o recuperar si deja de existir. En este sentido, Delcy Rodríguez estaría ofreciendo concesiones a los EE.UU. con el objetivo de ganar tiempo, aguardando hasta que cambios políticos dentro de los EE.UU. – como una derrota de Trump en las midterms o, tal vez, en las próximas elecciones presidenciales – traigan algún escenario más favorable.

La narrativa es plausible y, sinceramente, en el lugar de Delcy Rodríguez yo haría lo mismo. No parece haber muchas otras opciones, en este momento, para Venezuela, además del control de daños.

Pero ¿cuánto es posible ceder?

En apenas 1 año vimos el retorno de la Embajada de los EE.UU. a Caracas, así como el establecimiento de una oficina de la CIA en el país y la restauración de las relaciones con el Estado de Israel.

En el plano económico, los EE.UU. pasaron a acercarse a la recaudación de aproximadamente 1 millón de barriles diarios exportados, cuyo valor es apenas parcialmente devuelto al gobierno venezolano para la realización de inversiones y gastos autorizados por los EE.UU. Buena parte del valor permanece con el gobierno de los EE.UU., y Trump se refirió directamente a este valor como botín de guerra.

Poco después, Venezuela concedió a la empresa estadounidense Trafigura el derecho de comprar y exportar oro venezolano para ser refinado en el exterior, con aproximadamente 400 kg de oro por mes siendo transferidos a los EE.UU.

Y más recientemente, Venezuela cedió a los EE.UU. control mayoritario sobre reservas venezolanas aún no exploradas y que equivaldrían, en teoría, a 65 mil millones de barriles de petróleo. Se trata de áreas en las cuales los EE.UU. harían inversiones de 100 mil millones de dólares para extraer petróleo por 25 años, lo que rendiría 200 mil millones de dólares en ingresos para Venezuela, pero mucho más para las empresas involucradas y para el gobierno de los EE.UU.

¿Hasta dónde más está dispuesta a llegar Delcy Rodríguez? He ahí la cuestión.

Finalmente, es temerario creer que un cambio en la Casa Blanca de un gobierno republicano a un gobierno demócrata representaría un vuelco de suerte para Venezuela. En temas estratégicos, hay una sorprendente continuidad de política exterior entre diferentes gobiernos, lo que nos indica que tal vez no sea la Casa Blanca la que dicta las directrices realmente. Además, no cuesta nada recordar que fue bajo Barack Obama que el cerco contra Venezuela realmente se inició, intensificándose con cada presidencia subsequente, fuese republicana o demócrata.

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