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Cerva surpreende e faz reviravolta

7 October 2026 at 20:45

VTM

Vilar esteve a vencer, mas Cerva conseguiu contrariar o emblema barrosão e continua a brilhar no campeonato.

Jogo muito disputado. O Vilar de Perdizes ameaçou aos 8 minutos, depois de canto de Juninho, com a bola sair perto do segundo poste. O capitão Parente lesiona-se e Hudson estreia-se como defesa. O Cerva tem soberana oportunidade para marcar, de penálti, aos 31’, porém, Nei permite boa intervenção a Josemar. O Vilar de Perdizes animou com o penálti falhado do adversário e está perto de inaugurar o marcador; aos 35’, grande trabalho de Edu Paiva, todavia, Luís Borges não é feliz na finalização, atira ao lado. Aos 39’, Edu cabeceia bem e Geilson defende melhor. Ao intervalo, 0-0.

A etapa complementar foi mais movimentada, houve mais bola junto às áreas, golos e oportunidades. Entrou melhor o Vilar de Perdizes. Logo aos 47’, Bruno Silva atira ao lado. Aos 55’, Edu Paiva atira ao ferro da baliza do Cerva. Era o prenúncio do que viria a seguir. Canto para os ‘Gverreiros da Raia’ e golo de Marcélio, após ótimo cabeceamento.

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Bruno Gonçalves é o novo presidente do Abambres SC

7 October 2026 at 19:25

VTM

O futebol de formação continuará a ser a principal bandeira do Abambres, com Bruno Gonçalves a pretender reforçar a identidade construída ao longo de vários anos e que, atualmente, envolve mais de 300 atletas, desde os escalões de iniciação até aos veteranos.

“O Abambres é sinónimo de formação”, afirmou o novo presidente, momentos após a tomada de posse, à VTM, considerando que essa deve continuar a ser a principal linha orientadora do clube. “Apostar na formação é, sem dúvida, o objetivo desta direção”, sublinha, apontando para a criação de melhores condições para atletas e treinadores como uma das prioridades do mandato.

A formação competitiva surge, aliás, como uma das prioridades mais concretas para o novo mandato. O clube pretende lutar pelas subidas aos campeonatos nacionais, com particular incidência nos escalões sub-14 e sub-16. “Temos duas apostas claras. Nos sub-18 também, mas onde queremos subir ao nacional é nos sub-14 e nos sub-16”, explica o presidente. As duas equipas apresentam, segundo o responsável, argumentos para alimentar essa ambição.

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Vila Real foi melhor

7 October 2026 at 18:31

VTM

Manhã excelente para a prática do futebol no início do campeonato distrital de juvenis. O Vila Real entrou forte e determinado, com os olhos sempre postos na baliza contrária. Aos 15’, boa jogada pela esquerda do ataque da casa, com Pedro Vieira a fazer o remate vitorioso para o primeiro golo. Aos 21’, boa jogada do ataque local, culminada com um cruzamento para o coração da área, com um avançado da casa a rematar sobre a barra quando estava em ótima posição. O Vila Real tinha em Matheus Garcia o elemento mais esclarecido no ataque. O jogador sofreu uma falta na área e o mesmo jogador converteu o penálti. O Vila Real continuou a dominar e, aos 68’, após jogada bem delineada de Pedro Veiga, obrigou Miguel Cunha a boa intervenção.

O Vila Real estava senhor do jogo e assim continuou até ao final, numa vitória justa da melhor equipa.

Bom trabalho do trio de arbitragem.


FICHA TÉCNICA
Complexo Desportivo do Monte da Forca
Árbitro: João Botelho
Auxiliares: Marta Monteiro e Leonor Carvalho

VILA REAL:
Pedro Vilela; Filipe Santos, Gui Pinto, Martim Leite e Salvador Santos (Teixeira, 70’); Luís Gonçalves, Francisco Morais e Nuno Araújo; Matheus Garcia (Martim Afonso, 83’), Rafael Fontinha (Rodrigo Azevedo, 60’) e Pedro Vieira (Gonçalo Monteiro, 70’)
Treinador: Micael Teixeira

CHAVES:
Miguel Cunha; David Wang (David Teixeira, 62’), André Lima, Rafael Varandas e Tomás Oliveira (Tiago Moutinho, 85’); António Teixeira, Daniel Bernardino (Cavaleiro, 78’) e Rodrigo Domingues (Simão Silva, 62’); Valentim Ribeiro (Gonçalo Xavier, 46’), Francisco Pereira e João Silva (Rafael Martins, 46’ depois Tiago Moutinho, 85’)
Treinador: Dylan Teixeira

Ao intervalo:
2-0
Marcadores: Pedro Vieira (15’), Matheus Garcia (42’ g.p.)

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Empate justo num jogo com duas partes distintas

7 October 2026 at 17:07

VTM

Início equilibrado com os visitantes a aproveitarem uma falha defensiva para inaugurar o marcador através de Francisco Lourenço. Este tento motivou os aguiarenses, que eram mais rápidos a sair para o ataque, criando algumas situações de perigo. O técnico da casa procedeu a duas alterações na tentativa de dar outro rumo ao jogo, acabando por tirar dividendos aos 32’ com a obtenção do tento de igualdade, por Vasco Teixeira. Aos 39’, Vasco Teixeira teve nos pés a hipótese de desfazer a igualdade e, aos 41’, valeu uma boa intervenção de Nélson Fernandes a remate de Pedro Martins.

No início da etapa complementar valeu a atenção do guardião aguiarense ao deter um remate intencional de Rodrigo Morais. O Abambres apresentava maior ambição e, aos 60’, numa jogada individual, o mesmo jogador ultrapassa vários adversários e obriga Nélson Fernandes a defesa apertada. Sempre à procura do tento da vitória, o Abambres criou situações que foi desperdiçando e, aos 82’, Tomás Pinto evidenciou-se ao travar um cruzamento remate de Rodrigo Pinto.

No cômputo geral, a igualdade agradou às duas equipas.


FICHA TÉCNICA
Complexo Desportivo D. Maria Lurdes do Amaral
Árbitro: Filipe Ferreira
Auxiliares: Fernando Clemente e Rodrigo Pinto

ABAMBRES:
Tomás Pinto; Santiago Frederico (Rodrigo Morais, 29’), Guilherme Rocha, David Ribeiro e David Lopes; Afonso Guerra (Simão Pereira, 81’), Tomás Teixeira (David Vinhas, 29’) e Eduardo Fraga (Gonçalo Teixeira, 81’); Vasco Teixeira (Guilherme Pereira, 81’), Davide Castelo (Vasco Guerra, 59’) e Pedro Martins.
Treinador: António Barros

VILA POUCA:
Nélson Fernandes; Vasco Machado (Rodrigo Trigo, 46’), João Sousa, Rodrigo Costa e Dani Ferreira; Francisco Ribeiro (Leandro Sousa, 82’), Diego Fragoso (Tiago Alves, 46’) e Francisco Lourenço; Diego Pereira (Rodrigo Gomes, 71’), Rodrigo Ramos e Afonso Braga (João Ferreira, 71’).
Treinador: Paulo Gonçalves

Ao intervalo:
1-1
Cartões amarelos: Francisco Lourenço (30’) e David Ribeiro (88’)
Marcadores: Francisco Lourenço (10’) e Vasco Teixeira (32’)

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O sequestro da cueca vermelha

12 September 2026 at 08:00

Acredito que a vida adulta te coloca algumas provações inusitadas, como descobrir que detergente virou bebida de maluco negacionista e que o papel higiênico não se desenrola sozinho — a não ser quando seu gato faz picadinho dele numa madrugada qualquer. 

Existem outras, claro, tão banais, como ir à lavanderia. Eu estou nessa prática há pouco tempo e percebi como esse ecossistema úmido é repleto de armadilhas sociológicas. 

A lavanderia é um lugar onde a intimidade alheia se expõe, rodopiando a mil rotações por minuto, atrás de um vidro embaçado. Foi numa dessas incursões, armado com um cesto de roupas sujas e a ingenuidade de um novato, que o destino me pregou uma peça.

Recolhi minhas roupas da secadora e dobrei tudo com a pressa de quem quer voltar ao sofá. Ao organizar as gavetas, notei uma intrusa. Uma cueca vermelha. Não um vermelho discreto. Era um vermelho vibrante, quase radioativo, um vermelho que gritava “eu não tenho medo de desbotar na lavagem”.

Eu não tenho cuecas vermelhas. Minhas gavetas são um monótono degradê de cinza, preto e azul-marinho, o uniforme padrão da melancolia masculina urbana. Aquela peça rubra era um alienígena no meu guarda-roupa. Fiquei imaginando quem seria o dono e o que aquela cueca teria vivido. 

Pensei em levar de volta. “Amanhã eu desço e deixo no balcão”, prometi. Mas o amanhã não chegou. A cueca vermelha ficou ali, no cesto de roupa suja, me encarando com toda a sua ousadia escarlate toda vez que eu me aproximava. 

Semanas se passaram e a cueca foi soterrada por outras peças. Chegou o dia de lavar roupa novamente. No piloto automático, peguei tudo no cesto, desci, lavei, sequei, subi. Quando fui guardar… lá estava ela. Eu a havia lavado de novo. Avisei a Alexa para anotar o recado e me lembrar no dia seguinte. “Devolver a cueca”.

Por um momento, eu não só a tinha sequestrado, como também a mantinha num regime bizarro de cativeiro com pensão completa. Ela tinha dono e não era eu. Senti um misto de culpa e absurdo. E, por algum motivo besta, tinha nojinho dela. 

Decidi que daria um fim naquilo. Um assassinato de algodão. Mas hesitei. Vai que o cara é apegado? A cueca já tinha ganhado status de entidade na minha casa. 

Na vez seguinte em que desci à lavanderia, a maldita estava na minha sacola, pronta para ser devolvida. Enquanto a máquina girava, sentei-me e abri um livro, tentando fingir que não carregava a roupa íntima de um estranho no bolso. Fiquei sem jeito de colocar a danada na bancada porque havia mais gente. 

Não é qualquer gente, é dessas que puxam assunto na lavanderia. Elas existem. Foi quando um rapaz deu início ao papo. Falamos do tempo, do síndico, da inflação do sabão. Amenidades. A conversa fluiu para o futebol. Ele suspirou pesado e, com a naturalidade de quem confessa um pecado, soltou:

— Pra piorar, perdi minha cueca da sorte aqui faz um mês. Sou flamenguista. Tinha uma cueca vermelha que eu só usava no dia de clássico. Sumiu na secadora. Sem ela, o Mengão perdeu o último jogo. 

Eu, são-paulino desde o berço, congelei. A mão, que instintivamente tinha ido ao bolso, parou no meio do caminho. O tecido vermelho pareceu queimar meus dedos. 

Olhei para o rapaz. Ele tinha um olhar triste, de quem acreditava que o time dependia daquela peça íntima. Pensei no meu Tricolor lutando no campeonato e nas minhas próprias mandingas de torcedor. Pensei no Flamengo. Pensei na cueca vermelha, limpinha, amaciada com lavanda, refém no meu bolso esquerdo.

Fiz o que qualquer homem ético e apaixonado por futebol faria naquela situação.

Fiquei em absoluto silêncio.

— Puxa, cara… que chato — lamentei, com a voz embargada por uma solidariedade falsa. — A máquina sempre come alguma coisa — consolei.

Ele assentiu, resignado. Recolheu suas roupas e saiu com sua sacola, levando consigo a esperança do seu time. E eu fiquei ali, com a cueca no bolso. Já sozinho, a depositei no balcão, olhando para os lados, e resolvi escrever um bilhete de improviso.

— Pertence a um flamenguista. Favor respeitar. Ele voltará.

Voltei para o apartamento satisfeito. Tirei as roupas da sacola, dobrei com cuidado e guardei. Para minha surpresa, e revolta, agora havia uma meia. Apenas o pé direito, daquelas estampadas com capivaras usando óculos escuros.

— “Não é possível”, pensei. 

Levantei a meia contra a luz para observar melhor a capivara com seus óculos de lacração tug life. Se o Flamengo perdeu o jogo por causa da cueca, o que será que estava em jogo com aquela meia de capivara? Pelo sim, pelo não, passei a calçar a meia para ver os jogos do São Paulo. Passado um tempo, a conclusão: se o universo estava tentando me dar uma vantagem, definitivamente não funcionou.

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