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Viana: Aos 49 anos, Ana Lúcia voltou a estudar e agora é caloira juntamente com a filha

8 October 2026 at 12:47

Depois de mais de duas décadas a trabalhar na área da contabilidade, Ana Lúcia Pereira decidiu, aos 49 anos, regressar ao ensino superior. É caloira no curso de licenciatura em Desporto e Lazer da Escola Superior de Desporto e Lazer da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (ESDL-UNIPVC) e, algumas vezes por semana, troca Viana do Castelo por Melgaço para assistir às aulas. Em casa, há outra caloira: a filha entrou também este ano na UNIPVC.

O primeiro episódio curioso desta nova etapa aconteceu ainda antes das aulas. Quando foi fazer o cartão de estudante, quem a atendeu pensou que Ana Lúcia estaria a tratar do cartão de um dos filhos. “Era para mim”, recorda, divertida.

A diferença de idades voltou a tornar-se evidente quando chegou à ESDL-UNIPVC e conheceu os novos colegas de curso. “Todos poderiam ser meus filhos. E alguns dos professores também são mais novos do que eu”, brinca sobre os colegas de turma, maioritariamente muito mais novos. A integração, garante, em declarações aos meios da UNIPVC, está a correr bem: “Eles são queridos.”

O interesse pelo desporto não nasceu agora. Ainda no ensino secundário, Ana Lúcia chegou a considerá-lo como possibilidade para o futuro, mas acabou por escolher outra área e construiu a sua vida profissional na contabilidade.

Mais de duas décadas depois, decidiu recuperar esse interesse. Não apenas pelo gosto pelo desporto, mas também pela atenção que foi dando à relação das crianças com a atividade física.

“Nas crianças, acho que há pouco estímulo, e isso era uma área em que me veria a trabalhar”, considera, citada em nota de imprensa da UNIPVC. Trabalhar com os mais novos é, aliás, um dos objetivos que coloca no horizonte desta nova formação.

Interessa-lhe particularmente o desenvolvimento de competências como a coordenação e o equilíbrio e a capacidade de as crianças aprenderem a conhecer e a utilizar o próprio corpo. “Se os miúdos adquirirem essas destrezas, acho que vão lidar melhor com o seu corpo, crescer melhor”, explica. E esclarece que não fala do corpo numa perspetiva estética, mas de mobilidade, num tempo em que telemóveis e tecnologias ocupam cada vez mais espaço no quotidiano dos mais novos.

Uma mudança que pode não ser uma mudança

A entrada na licenciatura não significou deixar a contabilidade. Ana Lúcia continua a trabalhar e assume agora também a condição de trabalhadora-estudante. Mudar de profissão não é, para já, uma certeza. “Entretanto, até posso não fazer a mudança, mas irei sentir-me mais realizada. Disso não tenho dúvida”, admite.

O objetivo é aprender e adquirir competências numa área completamente diferente daquela em que fez o seu percurso. “Acho que vai sempre enriquecer-me como pessoa e profissional”, afirma. O conhecimento adquirido poderá servir para um futuro profissional diferente, mas também para a sua própria relação com o desporto e para aquilo que transmite aos filhos.

Começar mais tarde também não é propriamente novidade. Ana Lúcia pratica ténis, uma modalidade que só experimentou já em “idade veterana”. “Comecei a praticar do zero. Nunca tinha praticado”, conta. E acrescenta, com a mesma despretensão com que fala da nova licenciatura, que talvez não jogue bem, mas já sabe “jogar um pouquinho”.

Duas caloiras em casa

Conciliar a nova vida académica com tudo o resto exige agora uma gestão diferente. Ana Lúcia vive em Viana do Castelo, desloca-se a Melgaço para frequentar as aulas e mantém a atividade profissional. Há dias em que regressa das aulas e o trabalho da contabilidade ainda a espera.

Em casa, a palavra “caloira” passou a fazer parte das brincadeiras. E, este ano, aplica-se a duas pessoas. A filha iniciou também uma licenciatura na UNIPVC, em Marketing e Comunicação Empresariais, na Escola Superior de Ciências Empresariais (ESCE-UNIPVC). O filho, de 10 anos, está noutra etapa do percurso escolar. Neste ano letivo, os três estudam.

A organização familiar e o apoio de quem a rodeia são, por isso, essenciais. Com o ano letivo ainda no início, Ana Lúcia reconhece que está a encontrar a melhor forma de gerir a nova rotina.

“Eu vou conseguir”

Daqui a três anos, não sabe ainda se estará a preparar-se para deixar a contabilidade e iniciar uma nova profissão. “Se calhar até não é isto, mas já me realizei”, admite quando imagina o momento de terminar a licenciatura. Para Ana Lúcia, voltar a estudar é também uma forma de continuar a aprender. “O conhecimento traz-nos segurança e poder de decisão”, defende.

O receio da reação dos outros também não foi razão para deixar a ideia para trás. “As pessoas não podem ficar envergonhadas se vão fazer má figura. Às vezes retraem-se por causa disso e, na verdade, não faz muito sentido”, diz.

Entre o trabalho, a família, as viagens até Melgaço e a licenciatura, sabe que os próximos três anos vão ser desafiantes e exigir uma nova gestão do tempo. Mas, quando se fala na possibilidade de desistir, a resposta é curta: “Eu vou conseguir.”

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Site da UNIPVC é o primeiro de uma universidade portuguesa a receber o Selo de Ouro

8 October 2026 at 10:45

O portal institucional da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) conquistou o Selo de Ouro de Usabilidade e Acessibilidade, o nível mais exigente da distinção atribuída pela ARTE – Agência para a Reforma Tecnológica do Estado.

Em comunicado, a UNIPVC salienta que é a única instituição de ensino superior portuguesa a alcançar este reconhecimento, resultado de um processo que implicou alterações na estrutura, na organização dos conteúdos e na apresentação visual do portal, bem como testes de usabilidade realizados com a colaboração da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Viana do Castelo.

“A acessibilidade digital não se esgota no cumprimento de requisitos técnicos. Implica garantir que as pessoas conseguem encontrar informação, compreender os conteúdos e utilizar os serviços disponibilizados online, independentemente das suas capacidades ou necessidades. Foi este compromisso que esteve na base do trabalho desenvolvido pela Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), cujo portal institucional acaba de receber o Selo de Ouro de Usabilidade e Acessibilidade”, salienta o comunicado.

A distinção, atribuída pela ARTE – Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, em colaboração com o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), reconhece o cumprimento de um conjunto de requisitos de acessibilidade e usabilidade digital. O nível Ouro é o mais exigente de três patamares e distingue-se por acrescentar à avaliação técnica a realização de testes com utilizadores, incluindo pessoas com deficiência.

No caso da UNIPVC, estes testes contaram com a colaboração da APPACDM de Viana do Castelo, cuja participação foi fundamental para avaliar a experiência de utilização do portal e identificar aspetos suscetíveis de melhoria.

A obtenção do Selo de Ouro implicou também uma intervenção na apresentação do portal institucional, explica a UNIPVC.

O trabalho passou pela revisão da estrutura de navegação, pela reorganização e disposição dos conteúdos e por alterações em elementos visuais, nomeadamente nas cores e na formatação da informação, com o objetivo de facilitar a leitura, tornar a navegação mais intuitiva e permitir que todos os utilizadores encontrem e consultem a informação com maior autonomia.

“Estas alterações procuraram responder a dificuldades que podem condicionar o acesso à informação digital, desde a localização de determinados conteúdos até à sua leitura e compreensão. A participação de utilizadores com deficiência nos testes de usabilidade permitiu avaliar o portal a partir de experiências concretas, complementando a verificação dos requisitos técnicos de acessibilidade”, salienta.

Para o reitor da UNIPVC, Carlos Rodrigues, a distinção representa muito mais do que o reconhecimento da qualidade de uma plataforma digital: “A acessibilidade é uma condição essencial para que a nossa instituição seja verdadeiramente aberta a todos. Não basta disponibilizar informação e serviços online, é necessário garantir que todas as pessoas conseguem utilizá-los. Este Selo de Ouro reconhece o trabalho desenvolvido pelas nossas equipas, que implicou repensar a forma como organizamos e disponibilizamos a informação. Mas tem um significado especial pela participação de pessoas que nos ajudaram a identificar dificuldades e a melhorar o portal. A colaboração da APPACDM de Viana do Castelo foi fundamental neste processo e demonstra a importância de construirmos soluções com as pessoas, e não apenas para as pessoas”.

Acessibilidade avaliada por quem utiliza o portal

Para alcançar o Selo de Ouro, não basta que um portal cumpra as normas técnicas de acessibilidade. É necessário demonstrar, através de testes de usabilidade, que os seus conteúdos e funcionalidades foram avaliados por utilizadores reais.

O processo exige a participação de, pelo menos, seis pessoas, incluindo quatro participantes com deficiência e dois sem deficiência, que constituem o grupo de controlo. Os testes permitem observar a realização de tarefas concretas no portal, identificar dificuldades e recolher contributos para melhorar a experiência de utilização.

A colaboração da APPACDM de Viana do Castelo assumiu, por isso, particular importância no processo desenvolvido pela UNIPVC. Mais do que verificar se os conteúdos cumpriam determinados critérios, foi possível incorporar a perspetiva de pessoas com diferentes necessidades na avaliação da forma como a informação está organizada e é apresentada.

O resultado traduz-se num portal que procura reduzir barreiras de utilização e facilitar o acesso à informação sobre a Universidade, a sua oferta formativa, os procedimentos académicos, a investigação e as diferentes atividades que desenvolve.

O Selo de Usabilidade e Acessibilidade está organizado em três níveis — Bronze, Prata e Ouro —, com requisitos progressivamente mais exigentes. O nível Ouro pressupõe o cumprimento dos requisitos dos patamares anteriores e acrescenta a realização de testes de usabilidade com pessoas com deficiência, permitindo avaliar a acessibilidade para além dos resultados obtidos através de ferramentas automáticas.

A distinção agora atribuída ao portal institucional reforça um percurso que se estende também aos Serviços de Ação Social Escolar da UNIPVC, cujo portal detém igualmente o Selo de Ouro de Usabilidade e Acessibilidade.

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Viana do Castelo: Trabalhadoras da limpeza desesperam com salários em atraso

7 October 2026 at 18:21

Um grupo de 13 trabalhadoras da Lucena & Lucena, empresa contratada para limpeza na Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), manifestou-se, esta manhã, devido a salários em atraso. O Sindicato de Todos os Trabalhadores de Empresas Prestadoras de Serviços (STTEPS) refere que a situação está a levar as funcionárias “ao desespero”:

Como avança o Bloco de Esquerda (BE), numa nota enviada às redações, as trabalhadoras não receberam o salário referente ao mês de setembro, nem o subsídio de férias. Têm ainda horas de trabalho realizadas em agosto por pagar, segundo a mesma fonte.

O BE aponta ainda que as funcionárias afirmam igualmente que a empresa não estará a efetuar os respetivos descontos para a Segurança Social desde junho, situação que, a confirmar-se, poderá “comprometer direitos sociais e contributivos das trabalhadoras”.

“As funcionárias denunciam ainda dificuldades em contactar a empresa, que, segundo relatam, não responde às chamadas telefónicas nem às mensagens. Referem também que esta não é a primeira vez que enfrentam atrasos no pagamento dos salários, tendo já recorrido anteriormente a protestos e à ameaça de greve para conseguir a regularização dos pagamentos”, refere o partido, que se mostra solidário com estas mulheres que protestaram em frente à Escola Superior de Tecnologia e Gestão.

Segundo o STTEPS, que apoiou a manifestação de hoje, os problemas de pagamento da Lucena & Lucena não se limitam a Viana do Castelo, afetando trabalhadores da empresa em diferentes pontos do país.

O BE lembra que a Lucena & Lucena, com sede em Matosinhos, presta serviços de limpeza a diferentes entidades, incluindo “organismos públicos ou entidades financiadas por dinheiros públicos”.

A situação irregular no pagamento de salários “não pode ser ignorada”, pois o Estado tem uma “responsabilidade acrescida quando contrata empresas para prestar serviços em organismos públicos”.

“Dinheiros públicos não podem financiar incumprimentos laborais”, sublinha o BE.

Perante o problema, o BE questionou o Governo sobre o cumprimento das obrigações laborais e contributivas da Lucena & Lucena, nomeadamente sobre a existência de descontos em falta para a Segurança Social e sobre os mecanismos de fiscalização dos contratos públicos celebrados com a empresa.

O Bloco questiona ainda o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre quantos contratos a Lucena & Lucena mantém atualmente com organismos públicos ou entidades financiadas por dinheiros públicos e qual o seu valor, bem como que mecanismos existem para impedir que empresas com incumprimentos laborais e contributivos continuem a beneficiar de contratos públicos.

Já o STTEPS exige que as entidades que contratam estes serviços acompanhem “de perto o cumprimento das obrigações laborais das empresas prestadoras e não ignorem as consequências que recaem sobre os trabalhadores”.

“O trabalhador não pode ser a última prioridade (…) Não estamos a falar de números. Estamos a falar de pessoas”, acrescenta.

Em comunicado emitido esta tarde, a UNIPVC manifestou a sua “total solidariedade para com os trabalhadores afetados, reconhecendo a legitimidade da sua preocupação perante uma situação que afeta diretamente a sua estabilidade pessoal, familiar e profissional”.

“Perante a gravidade do ocorrido, a UNIPVC tem desenvolvido diligências adequadas junto da empresa prestadora de serviços, no sentido de exigir o imediato esclarecimento da situação e a sua rápida regularização, reservando-se igualmente o direito de acionar os mecanismos contratuais e legais aplicáveis, caso tal se revele necessário”, diz.

Como o nosso jornal noticiou, em abril, as trabalhadoras manifestaram-se também devido a salários em atraso em Viana do Castelo. Na altura, a empresa Lucena & Lucena, disse que “não tem qualquer salário em dívida” e que existiu “um atraso pontual nos vencimentos de março”, que foi “integralmente regularizado na primeira semana de abril”.

O MINHO contactou a empresa Lucena & Lucena, mas, até à edição desta notícia, não obteve resposta ao pedido de esclarecimentos.

Notícia atualizada às 20:56 com reação da UNIPVC.

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