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Universidade Politécnica de Viana do Castelo tem em curso mais de 52 milhões em investimento

12 October 2026 at 17:12

A Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) tem 111 projetos nacionais e internacionais em execução, associados a um investimento superior a 52 milhões de euros, e prepara uma nova etapa de desenvolvimento científico e tecnológico, foi hoje anunciado pela instituição.

Em comunicado, a UNIPVC explica que, entre as prioridades, está a construção de três Centros de Tecnologia e Inovação no Alto Minho, num investimento conjunto de mais de 13,5 milhões de euros, os primeiros doutoramentos próprios e o reforço da investigação aplicada.

Os anúncios foram feitos na sessão “UNIPVC: Onde estamos e para onde vamos”, realizada no edifício dos Serviços Centrais, e reuniu o reitor, Carlos Rodrigues, o pró-reitor para as áreas da Investigação, Desenvolvimento, Inovação e Tecnologia, Luís Paulo Rodrigues, e responsáveis das Escolas e das Unidades de Investigação, no âmbito da primeira Semana da Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia da UNIPVC. A apresentação permitiu fazer o balanço da evolução científica da instituição e identificar os desafios que se colocam à universidade nos próximos anos.

Universidade Politécnica de Viana do Castelo tem em curso mais de 52 milhões em investimento
Foto: Joca Fotógrafos / O MINHO
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Um desses desafios resulta da própria transformação institucional. Para Carlos Rodrigues, a passagem de Instituto Politécnico a Universidade Politécnica, concretizada em agosto, representa o reconhecimento de um percurso desenvolvido ao longo de vários anos e assume importância estratégica para a afirmação da instituição: “A passagem a Universidade Politécnica não é uma mera alteração de designação. É o reconhecimento de um percurso que fizemos ao longo de vários anos, sustentado na qualificação dos nossos docentes, no crescimento da investigação e na qualidade da formação. Esta mudança reforça a valorização dos diplomas dos nossos estudantes, permite-nos afirmar com maior clareza a nossa identidade no contexto internacional e cria condições para aumentar o impacto da universidade na região”.

Carlos Rodrigues destacou ainda o trabalho dos docentes e investigadores, considerando que os resultados alcançados refletem um investimento continuado na qualificação e no desenvolvimento da atividade científica.

561 artigos científicos publicados em 2025

Em 2025, os investigadores da UNIPVC publicaram 561 artigos científicos, dos quais 197 em revistas dos quartis Q1 e Q2, posicionadas “entre as mais bem classificadas nas respetivas áreas científicas”.

Em termos absolutos, a instituição foi “a segunda universidade politécnica portuguesa com maior produção científica nesse ano”.

A Universidade integra também o World University Rankings da Times Higher Education, encontrando-se entre as duas mil melhores instituições de ensino superior do mundo e ocupando, em Portugal, a primeira posição entre as universidades politécnicas.

O reconhecimento internacional da investigação desenvolvida na UNIPVC reflete-se também na presença de três dos seus investigadores entre os 2% de cientistas mais citados do mundo: Sérgio Lopes, docente, investigador e diretor-geral do CiTiN – Centro de Tecnologia e Inovação Industrial, Gaspar Rego e Leonel Nunes. “A distinção evidencia a projeção internacional do trabalho científico desenvolvido por investigadores ligados à Universidade”, sublinha a instituição, na mesma nota de imprensa enviada às redações.

Luís Paulo Rodrigues destacou que o crescimento da produção científica resulta de uma estratégia desenvolvida ao longo dos últimos anos, que procurou aumentar a qualidade e o impacto da investigação. O pró-reitor atribuiu particular importância ao trabalho dos investigadores e à consolidação das estruturas científicas da instituição.

Atualmente, a UNIPVC conta com 10 unidades de investigação, cinco das quais classificadas com Muito Bom pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Nestas unidades estão integrados 135 investigadores com vínculo à Universidade. Para apoiar o seu funcionamento entre 2025 e 2029, a FCT atribuiu um financiamento de 1.745.253 euros.

A UNIPVC pretende aumentar, no próximo ciclo de avaliação, para oito o número de unidades classificadas com Muito Bom ou Excelente. “Esta é uma meta particularmente relevante para a expansão da oferta de formação avançada, uma vez que a avaliação das unidades de investigação constitui um dos fatores fundamentais para a acreditação de doutoramentos próprios”, acrescenta.

A instituição pretende igualmente aumentar para 150 o número de investigadores integrados nas suas unidades até ao final de 2027, o equivalente a cerca de 75% dos docentes a tempo integral.

Da produção científica ao desenvolvimento de novas tecnologias

A transferência de conhecimento constitui uma das áreas em que a UNIPVC pretende concentrar esforços, procurando que os resultados da investigação “possam dar origem a soluções com aplicação prática”.

O portefólio da Universidade integra atualmente 31 tecnologias em diferentes fases de desenvolvimento e valorização. “Uma das nossas primeiras prioridades foi aumentar o impacto da investigação e os resultados mostram o caminho que percorremos. Mas queremos ir mais longe. O desafio agora é transformar uma parte crescente desse conhecimento em tecnologias e soluções que possam ser utilizadas pelas empresas. Temos 31 tecnologias em diferentes fases de desenvolvimento e queremos criar condições para que avancem, sejam testadas e possam chegar ao tecido produtivo”, explicou Luís Paulo Rodrigues.

“Esta orientação ganha particular importância num território em que predominam pequenas e médias empresas, nem sempre com recursos próprios para desenvolver atividades de investigação e inovação. A criação de estruturas capazes de identificar necessidades, testar soluções e apoiar o desenvolvimento tecnológico procura responder a essa realidade”, refere a UNIPVC.

Investimento superior a 13,5 milhões de euros em centros de tecnologia e inovação

A UNIPVC esteve entre os principais promotores da criação de três Centros de Tecnologia e Inovação no Alto Minho: o CITIN, em Arcos de Valdevez, o SUSTEMARE, em Viana do Castelo, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG-UNIPVC), e o 3AR, em Ponte de Lima, na Escola Superior Agrária (ESA-UNIPVC).

As três estruturas reúnem 63 entidades associadas, quase metade das quais empresas, e têm financiamento aprovado para a construção das respetivas infraestruturas tecnológicas, num investimento conjunto de 13.522.252 euros.

“Precisávamos de criar estruturas que fizessem a ligação entre o conhecimento desenvolvido na Universidade e as necessidades concretas das empresas. Foi esse o caminho que seguimos com os três Centros de Tecnologia e Inovação. Não foi um processo simples. Exigiu vários anos de trabalho e o envolvimento de autarquias, empresas e instituições científicas. Agora, com o financiamento das infraestruturas aprovado, temos condições para dar um novo passo. E os principais beneficiários deste investimento serão as empresas e, através delas, a região”, salientou Carlos Rodrigues.

As novas infraestruturas deverão reforçar a capacidade tecnológica do Alto Minho em três áreas distintas: indústria, energias e tecnologias oceânicas e agroalimentar.

CiTiN: oito laboratórios e uma fábrica de aprendizagem para a indústria

Criado em 2021, o CiTiN – Centro de Tecnologia e Inovação Industrial prepara a construção de instalações próprias em Arcos de Valdevez, num investimento de cerca de 4,1 milhões de euros, cofinanciado pelo programa Norte 2030.

A nova infraestrutura, designada CNIAM/CiTiN – Centro para a Nova Indústria do Alto Minho, terá mais de 3.200 metros quadrados de área de construção e contará com oito laboratórios, quatro dedicados à Manufatura Avançada e quatro à Transição Digital.

Estão ainda previstas uma Academia CiTiN, orientada para a formação técnica especializada, e uma Learning Factory, destinada ao desenvolvimento e teste de soluções em condições próximas do ambiente industrial. O centro pretende apoiar as empresas na modernização dos processos produtivos, na adoção de novas tecnologias e no desenvolvimento de produtos com maior valor acrescentado.

O projeto conta com o Município de Arcos de Valdevez como copromotor e com a UNIPVC como parceiro estratégico.

SUSTEMARE: cinco laboratórios e uma nave industrial para tecnologias oceânicas

Em Viana do Castelo, o SUSTEMARE – Centro de Tecnologia e Inovação em Energias e Tecnologias Oceânicas está orientado para a investigação aplicada e o apoio às empresas da economia do mar, particularmente nas áreas das energias renováveis offshore, materiais, monitorização, manutenção e inspeção de infraestruturas marítimas.

As futuras instalações, previstas para a zona da Praia Norte, junto à Escola Superior de Tecnologia e Gestão, terão cinco laboratórios especializados e uma nave industrial destinada à montagem, teste e demonstração de componentes e protótipos de maior escala.

O centro já desenvolve atividade, com serviços contratados nas áreas da manutenção preditiva e do teste de soluções para estruturas metálicas, mesmo antes da construção do edifício.

Com financiamento aprovado pelo Norte 2030, está previsto o lançamento do concurso da empreitada ainda em outubro ou novembro de 2026. A conclusão da obra é apontada para o final de 2027 e a plena atividade nas novas instalações para 2028, dependendo dos procedimentos de contratação e construção.

3AR: cerca de 4,5 milhões de euros para inovação no agroalimentar

Em Ponte de Lima, o 3AR – Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia do Agroalimentar prepara a construção da sua infraestrutura no campus da Escola Superior Agrária da UNIPVC, num investimento de cerca de 4,5 milhões de euros, com financiamento de 65% através do Norte 2030.

O centro terá três áreas de intervenção: Alimentação e Gastronomia, Recursos Endógenos e Território e Sustentabilidade. Estão previstos laboratórios dedicados à inovação alimentar, análise sensorial, microbiologia, genética e tecnologias ambientais, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de novos produtos e processos, valorizar os recursos da região e aproximar a investigação das empresas e produtores.

A empreitada deverá ser lançada ainda em 2026, estando prevista a conclusão do edifício num prazo de dois anos. O trabalho com os parceiros empresariais, contudo, avançará em paralelo com a construção, “permitindo identificar necessidades e oportunidades de inovação”.

A infraestrutura estará também articulada com o polo de Melgaço, particularmente nas áreas da vinha e do vinho, com destaque para a casta Alvarinho.

111 projetos

Dos 111 projetos atualmente em execução na UNIPVC, 77 são nacionais e 34 internacionais, correspondendo a um investimento global associado de 52.293.798 euros.

No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a universidade participou em 42 projetos aprovados, com financiamento associado de 25.686.418 euros. Já através do programa Norte 2030 foram aprovados, até à data, 19 projetos, representando um investimento de 11.740.285 euros.

Nos últimos cinco anos, as receitas obtidas pela instituição através de projetos cofinanciados ascenderam a 46.181.409 euros.

Uma parte destes projetos tem permitido desenvolver novas ofertas de formação, particularmente dirigidas a públicos adultos. A UNIPVC disponibilizou 78 programas formativos financiados pelo PRR, entre ações de curta duração, pós-graduações e mestrados, que permitiram formar 1.954 pessoas.

A aposta no ensino digital e a distância tem igualmente permitido chegar a novos públicos. Um dos exemplos é o curso online aberto “Tudo sobre diabetes”, disponibilizado na plataforma NAU, que registou 6.349 participantes.

Primeiros doutoramentos próprios receberam 96 candidaturas para 35 vagas

A aprovação dos primeiros doutoramentos próprios constitui outro marco na evolução da UNIPVC e abre novas possibilidades de formação avançada e investigação científica.

Os programas de Doutoramento em Design para a Inovação Regional, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, e de Doutoramento em Ciências do Desporto, da Escola Superior de Desporto e Lazer, receberam, em conjunto, 96 candidaturas para 35 vagas.

“Queremos que os nossos doutoramentos sejam desenvolvidos, preferencialmente, em ambientes não académicos, mantendo naturalmente toda a exigência científica que lhes está associada. O que procuramos é que os problemas colocados à investigação possam nascer também das necessidades das empresas e da sociedade. Dessa forma, a formação doutoral contribuirá não apenas para aumentar a nossa produção científica, mas também para encontrar respostas a desafios concretos”, afirmou Luís Paulo Rodrigues.

A UNIPVC tem como objetivo alcançar quatro doutoramentos aprovados até ao final de 2026, estando a trabalhar também em propostas nas áreas da Enfermagem e da Educação.

SUNRISE: nove universidades europeias e três mestrados conjuntos em desenvolvimento

A internacionalização é outra das áreas em que a UNIPVC pretende “reforçar a sua intervenção”, nomeadamente através da participação na SUNRISE, uma aliança universitária europeia que integra desde 2024.

A iniciativa reúne nove instituições de ensino superior de oito países, desenvolvendo atividade em quatro áreas: ensino, investigação, inovação e serviço à sociedade.

Atualmente, 38 elementos da UNIPVC estão envolvidos nas atividades da aliança, que conta também com cerca de 60 parcerias estratégicas com empresas e organizações da sociedade.

Entre os projetos em desenvolvimento encontram-se três mestrados conjuntos, nas áreas da Inteligência Artificial e Bioinformática, Ciências da Computação e Gestão Global e Sustentabilidade.

Carlos Rodrigues destacou que a participação na SUNRISE permite criar novas oportunidades de mobilidade para estudantes e docentes, reforçar a cooperação científica e facilitar o acesso a competências e redes internacionais que poderão beneficiar a Universidade, as empresas e a região.

Reforçar a investigação, captar financiamento europeu e criar emprego qualificado

Entre os objetivos definidos para os próximos anos está o reforço da participação no programa Horizonte Europa, com a apresentação de pelo menos 14 candidaturas entre 2026 e 2027.

Os três Centros de Tecnologia e Inovação têm também como perspetiva a criação de cerca de 110 postos de trabalho até 2032, associados ao desenvolvimento das suas atividades científicas e tecnológicas.

Luís Paulo Rodrigues salientou que o sucesso destas estruturas dependerá não apenas das instalações e dos equipamentos, mas sobretudo da capacidade de constituir equipas especializadas, dedicadas ao desenvolvimento tecnológico e ao trabalho direto com as empresas.

Cinco dias para aproximar a investigação das empresas e do território

A primeira Semana da Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia decorre até sexta-feira, envolvendo as Escolas e Unidades de Investigação da UNIPVC, empresas, municípios, centros tecnológicos, investigadores e estudantes.

A programação inclui ‘workshops’, conferências, Tech Talks, Think Tanks, visitas a laboratórios, uma mostra científica e momentos de contacto entre investigadores e representantes do tecido empresarial.

Entre as iniciativas previstas estão um workshop dedicado à propriedade industrial, em colaboração com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, debates sobre segurança marítima, economia azul e energias oceânicas, e um encontro sobre inovação na indústria agroalimentar, que permitirá também dar a conhecer o 3AR.

Os estudantes serão desafiados a desenvolver uma solução digital relacionada com o território de Viana do Castelo, num Hackathon tecnológico organizado com a UNTILE e a Unidade de Investigação ADiT-Lab. A ligação entre academia e empresas estará igualmente em discussão, num encontro dedicado à redução da distância entre o conhecimento científico e a sua aplicação no contexto empresarial.

A Semana encerra a 16 de outubro com uma reflexão sobre o impacto dos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência na UNIPVC. Durante os cinco dias estará ainda patente uma mostra dedicada ao ecossistema de investigação e inovação da Universidade.

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Viana: Aos 49 anos, Ana Lúcia voltou a estudar e agora é caloira juntamente com a filha

8 October 2026 at 12:47

Depois de mais de duas décadas a trabalhar na área da contabilidade, Ana Lúcia Pereira decidiu, aos 49 anos, regressar ao ensino superior. É caloira no curso de licenciatura em Desporto e Lazer da Escola Superior de Desporto e Lazer da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (ESDL-UNIPVC) e, algumas vezes por semana, troca Viana do Castelo por Melgaço para assistir às aulas. Em casa, há outra caloira: a filha entrou também este ano na UNIPVC.

O primeiro episódio curioso desta nova etapa aconteceu ainda antes das aulas. Quando foi fazer o cartão de estudante, quem a atendeu pensou que Ana Lúcia estaria a tratar do cartão de um dos filhos. “Era para mim”, recorda, divertida.

A diferença de idades voltou a tornar-se evidente quando chegou à ESDL-UNIPVC e conheceu os novos colegas de curso. “Todos poderiam ser meus filhos. E alguns dos professores também são mais novos do que eu”, brinca sobre os colegas de turma, maioritariamente muito mais novos. A integração, garante, em declarações aos meios da UNIPVC, está a correr bem: “Eles são queridos.”

O interesse pelo desporto não nasceu agora. Ainda no ensino secundário, Ana Lúcia chegou a considerá-lo como possibilidade para o futuro, mas acabou por escolher outra área e construiu a sua vida profissional na contabilidade.

Mais de duas décadas depois, decidiu recuperar esse interesse. Não apenas pelo gosto pelo desporto, mas também pela atenção que foi dando à relação das crianças com a atividade física.

“Nas crianças, acho que há pouco estímulo, e isso era uma área em que me veria a trabalhar”, considera, citada em nota de imprensa da UNIPVC. Trabalhar com os mais novos é, aliás, um dos objetivos que coloca no horizonte desta nova formação.

Interessa-lhe particularmente o desenvolvimento de competências como a coordenação e o equilíbrio e a capacidade de as crianças aprenderem a conhecer e a utilizar o próprio corpo. “Se os miúdos adquirirem essas destrezas, acho que vão lidar melhor com o seu corpo, crescer melhor”, explica. E esclarece que não fala do corpo numa perspetiva estética, mas de mobilidade, num tempo em que telemóveis e tecnologias ocupam cada vez mais espaço no quotidiano dos mais novos.

Uma mudança que pode não ser uma mudança

A entrada na licenciatura não significou deixar a contabilidade. Ana Lúcia continua a trabalhar e assume agora também a condição de trabalhadora-estudante. Mudar de profissão não é, para já, uma certeza. “Entretanto, até posso não fazer a mudança, mas irei sentir-me mais realizada. Disso não tenho dúvida”, admite.

O objetivo é aprender e adquirir competências numa área completamente diferente daquela em que fez o seu percurso. “Acho que vai sempre enriquecer-me como pessoa e profissional”, afirma. O conhecimento adquirido poderá servir para um futuro profissional diferente, mas também para a sua própria relação com o desporto e para aquilo que transmite aos filhos.

Começar mais tarde também não é propriamente novidade. Ana Lúcia pratica ténis, uma modalidade que só experimentou já em “idade veterana”. “Comecei a praticar do zero. Nunca tinha praticado”, conta. E acrescenta, com a mesma despretensão com que fala da nova licenciatura, que talvez não jogue bem, mas já sabe “jogar um pouquinho”.

Duas caloiras em casa

Conciliar a nova vida académica com tudo o resto exige agora uma gestão diferente. Ana Lúcia vive em Viana do Castelo, desloca-se a Melgaço para frequentar as aulas e mantém a atividade profissional. Há dias em que regressa das aulas e o trabalho da contabilidade ainda a espera.

Em casa, a palavra “caloira” passou a fazer parte das brincadeiras. E, este ano, aplica-se a duas pessoas. A filha iniciou também uma licenciatura na UNIPVC, em Marketing e Comunicação Empresariais, na Escola Superior de Ciências Empresariais (ESCE-UNIPVC). O filho, de 10 anos, está noutra etapa do percurso escolar. Neste ano letivo, os três estudam.

A organização familiar e o apoio de quem a rodeia são, por isso, essenciais. Com o ano letivo ainda no início, Ana Lúcia reconhece que está a encontrar a melhor forma de gerir a nova rotina.

“Eu vou conseguir”

Daqui a três anos, não sabe ainda se estará a preparar-se para deixar a contabilidade e iniciar uma nova profissão. “Se calhar até não é isto, mas já me realizei”, admite quando imagina o momento de terminar a licenciatura. Para Ana Lúcia, voltar a estudar é também uma forma de continuar a aprender. “O conhecimento traz-nos segurança e poder de decisão”, defende.

O receio da reação dos outros também não foi razão para deixar a ideia para trás. “As pessoas não podem ficar envergonhadas se vão fazer má figura. Às vezes retraem-se por causa disso e, na verdade, não faz muito sentido”, diz.

Entre o trabalho, a família, as viagens até Melgaço e a licenciatura, sabe que os próximos três anos vão ser desafiantes e exigir uma nova gestão do tempo. Mas, quando se fala na possibilidade de desistir, a resposta é curta: “Eu vou conseguir.”

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Site da UNIPVC é o primeiro de uma universidade portuguesa a receber o Selo de Ouro

8 October 2026 at 10:45

O portal institucional da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) conquistou o Selo de Ouro de Usabilidade e Acessibilidade, o nível mais exigente da distinção atribuída pela ARTE – Agência para a Reforma Tecnológica do Estado.

Em comunicado, a UNIPVC salienta que é a única instituição de ensino superior portuguesa a alcançar este reconhecimento, resultado de um processo que implicou alterações na estrutura, na organização dos conteúdos e na apresentação visual do portal, bem como testes de usabilidade realizados com a colaboração da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Viana do Castelo.

“A acessibilidade digital não se esgota no cumprimento de requisitos técnicos. Implica garantir que as pessoas conseguem encontrar informação, compreender os conteúdos e utilizar os serviços disponibilizados online, independentemente das suas capacidades ou necessidades. Foi este compromisso que esteve na base do trabalho desenvolvido pela Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), cujo portal institucional acaba de receber o Selo de Ouro de Usabilidade e Acessibilidade”, salienta o comunicado.

A distinção, atribuída pela ARTE – Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, em colaboração com o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), reconhece o cumprimento de um conjunto de requisitos de acessibilidade e usabilidade digital. O nível Ouro é o mais exigente de três patamares e distingue-se por acrescentar à avaliação técnica a realização de testes com utilizadores, incluindo pessoas com deficiência.

No caso da UNIPVC, estes testes contaram com a colaboração da APPACDM de Viana do Castelo, cuja participação foi fundamental para avaliar a experiência de utilização do portal e identificar aspetos suscetíveis de melhoria.

A obtenção do Selo de Ouro implicou também uma intervenção na apresentação do portal institucional, explica a UNIPVC.

O trabalho passou pela revisão da estrutura de navegação, pela reorganização e disposição dos conteúdos e por alterações em elementos visuais, nomeadamente nas cores e na formatação da informação, com o objetivo de facilitar a leitura, tornar a navegação mais intuitiva e permitir que todos os utilizadores encontrem e consultem a informação com maior autonomia.

“Estas alterações procuraram responder a dificuldades que podem condicionar o acesso à informação digital, desde a localização de determinados conteúdos até à sua leitura e compreensão. A participação de utilizadores com deficiência nos testes de usabilidade permitiu avaliar o portal a partir de experiências concretas, complementando a verificação dos requisitos técnicos de acessibilidade”, salienta.

Para o reitor da UNIPVC, Carlos Rodrigues, a distinção representa muito mais do que o reconhecimento da qualidade de uma plataforma digital: “A acessibilidade é uma condição essencial para que a nossa instituição seja verdadeiramente aberta a todos. Não basta disponibilizar informação e serviços online, é necessário garantir que todas as pessoas conseguem utilizá-los. Este Selo de Ouro reconhece o trabalho desenvolvido pelas nossas equipas, que implicou repensar a forma como organizamos e disponibilizamos a informação. Mas tem um significado especial pela participação de pessoas que nos ajudaram a identificar dificuldades e a melhorar o portal. A colaboração da APPACDM de Viana do Castelo foi fundamental neste processo e demonstra a importância de construirmos soluções com as pessoas, e não apenas para as pessoas”.

Acessibilidade avaliada por quem utiliza o portal

Para alcançar o Selo de Ouro, não basta que um portal cumpra as normas técnicas de acessibilidade. É necessário demonstrar, através de testes de usabilidade, que os seus conteúdos e funcionalidades foram avaliados por utilizadores reais.

O processo exige a participação de, pelo menos, seis pessoas, incluindo quatro participantes com deficiência e dois sem deficiência, que constituem o grupo de controlo. Os testes permitem observar a realização de tarefas concretas no portal, identificar dificuldades e recolher contributos para melhorar a experiência de utilização.

A colaboração da APPACDM de Viana do Castelo assumiu, por isso, particular importância no processo desenvolvido pela UNIPVC. Mais do que verificar se os conteúdos cumpriam determinados critérios, foi possível incorporar a perspetiva de pessoas com diferentes necessidades na avaliação da forma como a informação está organizada e é apresentada.

O resultado traduz-se num portal que procura reduzir barreiras de utilização e facilitar o acesso à informação sobre a Universidade, a sua oferta formativa, os procedimentos académicos, a investigação e as diferentes atividades que desenvolve.

O Selo de Usabilidade e Acessibilidade está organizado em três níveis — Bronze, Prata e Ouro —, com requisitos progressivamente mais exigentes. O nível Ouro pressupõe o cumprimento dos requisitos dos patamares anteriores e acrescenta a realização de testes de usabilidade com pessoas com deficiência, permitindo avaliar a acessibilidade para além dos resultados obtidos através de ferramentas automáticas.

A distinção agora atribuída ao portal institucional reforça um percurso que se estende também aos Serviços de Ação Social Escolar da UNIPVC, cujo portal detém igualmente o Selo de Ouro de Usabilidade e Acessibilidade.

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Viana do Castelo: Trabalhadoras da limpeza desesperam com salários em atraso

7 October 2026 at 18:21

Um grupo de 13 trabalhadoras da Lucena & Lucena, empresa contratada para limpeza na Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), manifestou-se, esta manhã, devido a salários em atraso. O Sindicato de Todos os Trabalhadores de Empresas Prestadoras de Serviços (STTEPS) refere que a situação está a levar as funcionárias “ao desespero”:

Como avança o Bloco de Esquerda (BE), numa nota enviada às redações, as trabalhadoras não receberam o salário referente ao mês de setembro, nem o subsídio de férias. Têm ainda horas de trabalho realizadas em agosto por pagar, segundo a mesma fonte.

O BE aponta ainda que as funcionárias afirmam igualmente que a empresa não estará a efetuar os respetivos descontos para a Segurança Social desde junho, situação que, a confirmar-se, poderá “comprometer direitos sociais e contributivos das trabalhadoras”.

“As funcionárias denunciam ainda dificuldades em contactar a empresa, que, segundo relatam, não responde às chamadas telefónicas nem às mensagens. Referem também que esta não é a primeira vez que enfrentam atrasos no pagamento dos salários, tendo já recorrido anteriormente a protestos e à ameaça de greve para conseguir a regularização dos pagamentos”, refere o partido, que se mostra solidário com estas mulheres que protestaram em frente à Escola Superior de Tecnologia e Gestão.

Segundo o STTEPS, que apoiou a manifestação de hoje, os problemas de pagamento da Lucena & Lucena não se limitam a Viana do Castelo, afetando trabalhadores da empresa em diferentes pontos do país.

O BE lembra que a Lucena & Lucena, com sede em Matosinhos, presta serviços de limpeza a diferentes entidades, incluindo “organismos públicos ou entidades financiadas por dinheiros públicos”.

A situação irregular no pagamento de salários “não pode ser ignorada”, pois o Estado tem uma “responsabilidade acrescida quando contrata empresas para prestar serviços em organismos públicos”.

“Dinheiros públicos não podem financiar incumprimentos laborais”, sublinha o BE.

Perante o problema, o BE questionou o Governo sobre o cumprimento das obrigações laborais e contributivas da Lucena & Lucena, nomeadamente sobre a existência de descontos em falta para a Segurança Social e sobre os mecanismos de fiscalização dos contratos públicos celebrados com a empresa.

O Bloco questiona ainda o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre quantos contratos a Lucena & Lucena mantém atualmente com organismos públicos ou entidades financiadas por dinheiros públicos e qual o seu valor, bem como que mecanismos existem para impedir que empresas com incumprimentos laborais e contributivos continuem a beneficiar de contratos públicos.

Já o STTEPS exige que as entidades que contratam estes serviços acompanhem “de perto o cumprimento das obrigações laborais das empresas prestadoras e não ignorem as consequências que recaem sobre os trabalhadores”.

“O trabalhador não pode ser a última prioridade (…) Não estamos a falar de números. Estamos a falar de pessoas”, acrescenta.

Em comunicado emitido esta tarde, a UNIPVC manifestou a sua “total solidariedade para com os trabalhadores afetados, reconhecendo a legitimidade da sua preocupação perante uma situação que afeta diretamente a sua estabilidade pessoal, familiar e profissional”.

“Perante a gravidade do ocorrido, a UNIPVC tem desenvolvido diligências adequadas junto da empresa prestadora de serviços, no sentido de exigir o imediato esclarecimento da situação e a sua rápida regularização, reservando-se igualmente o direito de acionar os mecanismos contratuais e legais aplicáveis, caso tal se revele necessário”, diz.

Como o nosso jornal noticiou, em abril, as trabalhadoras manifestaram-se também devido a salários em atraso em Viana do Castelo. Na altura, a empresa Lucena & Lucena, disse que “não tem qualquer salário em dívida” e que existiu “um atraso pontual nos vencimentos de março”, que foi “integralmente regularizado na primeira semana de abril”.

O MINHO contactou a empresa Lucena & Lucena, mas, até à edição desta notícia, não obteve resposta ao pedido de esclarecimentos.

Notícia atualizada às 20:56 com reação da UNIPVC.

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