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Apostas na reta final: Flávio promete volta do Perse; Lula, tarifa zero

21 October 2026 at 07:40

Na reta final das eleições, os dois candidatos indicam que vão abrir ainda mais os cofres públicos caso sejam eleitos. De um lado, Flávio Bolsonaro (PL) prometeu retomar o Perse, benefício fiscal destinado ao setor de eventos. Do outro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o envio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para instituir a tarifa zero no transporte coletivo nos fins de semana.

O movimento ocorre em um cenário de contas públicas já pressionadas, com a dívida bruta do governo batendo em quase 83% do PIB, sem previsão de queda, segundo dados mencionados na reportagem de Taísa Medeiros, durante o WW.

O Perse e a promessa de Flávio

O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) foi criado em 2021, durante a pandemia de covid-19, com o objetivo de auxiliar setores fortemente impactados pelas restrições sanitárias do período. Entre os mais beneficiados estavam hotelaria, restaurantes, bares e agências de turismo.

O programa, no entanto, foi encerrado em 2025 sob acusações de irregularidades: segundo a Receita Federal, mais de duas mil empresas utilizavam o benefício de maneira ilegal em julho de 2024.

Flávio argumenta que a retomada do programa seria necessária para salvar o setor de shows e elevar o faturamento de comércios e motoristas de aplicativo. A promessa contrasta com a postura de austeridade fiscal adotada pela campanha do PL ao longo do período eleitoral, que previa um corte de R$ 200 bilhões — proposta que, segundo a reportagem, durou pouco e nunca teve explicação clara sobre a origem das reduções.

Além do Perse, Flávio também propôs devolver parte dos valores pagos via Pix em contas e parcelas, sem detalhar quais pagamentos seriam contemplados, quando a devolução ocorreria ou qual seria o impacto fiscal da medida.

A PEC da tarifa zero de Lula

Lula, por sua vez, anunciou o envio ainda naquela semana da PEC da tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. O governo avaliou um impacto fiscal de cerca de R$ 10 bilhões, a ser coberto por meio da destinação de emendas parlamentares.

Para viabilizar a proposta, seria necessário que o Congresso cedesse 25% das emendas impositivas — algo que analistas consideram improvável.

Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, avaliou que a proposta “não tem quase nenhuma chance de acontecer”, lembrando que o tema das emendas parlamentares envolve tensões institucionais relevantes.

“Haverá retaliação do Congresso, se ocorrer isso, de colocar um freio ou declarar a inconstitucionalidade das emendas impositivas”, afirmou Rittner. A própria base governista reconhece que a proposição enfrentaria dificuldades no parlamento.

O “leilão de promessas” na visão dos analistas

Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, afirmou que o que se observa na reta final da campanha é “um verdadeiro leilão de promessas”.

Segundo ele, há uma lógica própria por trás do comportamento dos candidatos: “Se eu disser a verdade, se eu disser como candidato que eu vou cortar gastos, eu certamente não vou me eleger”.

O Gabiati destacou ainda que o eleitor tende a buscar soluções simples para seus problemas, sem se aprofundar nos detalhes do financiamento das políticas públicas.

Gabiati apontou que Flávio teria cometido um erro de movimento logo após o primeiro turno, ao se concentrar em composições políticas e divisão de cargos enquanto Lula intensificava a campanha.

“Isso se reflete um pouco nas pesquisas que nós estamos observando depois do primeiro turno, em que Lula diminui uma distância de quatro pontos para dois pontos ou até menos”, afirmou Gabiati. Diante desse cenário, segundo os analistas, Flávio teria se visto obrigado a entrar no mesmo jogo de promessas.

Estelionato eleitoral já “contratado”, segundo análise

A âncora e analista de Economia da CNN Thais Herédia foi enfática ao classificar a promessa de retomada do Perse como “puro populismo”, argumentando que se trata de “uma política pública que ficou muito mais tempo do que deveria, além de custar caro”.

Para ela, a proposta contradiz a própria ideia defendida por Flávio de criar um “Ministério da Prosperidade”: “Um país que quer ter prosperidade não pode achar que o Estado vai ter sempre o papel de salvador e não de criador de um ambiente para a prosperidade”.

Herédia foi além e afirmou que o chamado “estelionato eleitoral” já estaria precificado pelo mercado para ambos os candidatos.

No caso de Lula, a analista alertou que o custo pode ser ainda maior: “Ele não vai ter que fazer o que ele não disse que faria — ele vai ter que desfazer o que ele já fez”, referindo-se a créditos subsidiados, ampliação de políticas sociais e desvios de crédito direcionado que já estão em curso e terão custos nos próximos anos.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Eleições: Somos testemunhas de um leilão de promessas, diz especialista

21 October 2026 at 07:36

Ao WW, o cientista político e diretor da Dominium, Leandro Gabiati, afirmou que o segundo turno das eleições de 2026 está sendo marcado por um verdadeiro “leilão de promessas” entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para ele, a disputa acirrada tem levado ambos a superarem as ofertas um do outro, sem qualquer ponderação sobre a viabilidade das propostas.

Segundo Gabiati, o fenômeno tem uma lógica própria, ainda que seja reprovável.

“A gente está sendo testemunha de um verdadeiro leilão de promessas. É uma farra, de fato. E a gente observa justamente a concorrência acirrada entre um e outro candidato. Quando um propõe uma coisa, o outro vem, cobre a oferta para justamente poder, de alguma forma, não ficar para trás”, declarou o especialista.

A lógica por trás das promessas

Gabiati apontou que há uma série de elementos alinhados que incentivam esse comportamento.

Para ele, um candidato que admitisse a necessidade de cortar gastos estaria praticamente abrindo mão de suas chances eleitorais.

O especialista também destacou o papel do eleitorado nessa dinâmica. De acordo com Gabiati, o eleitor busca soluções simples e imediatas para seus problemas, sem se interessar pelos detalhes de como as políticas públicas serão financiadas ou pelos custos que acarretarão.

Esse comportamento, segundo ele, cria um ambiente propício para promessas sem fundamento.

Campanha versus governo

Na avaliação de Gabiati, a reta final da campanha resultou em dois candidatos prometendo “sem qualquer limite, sem qualquer ponderação”, com foco exclusivo na conquista do voto.

O especialista ressaltou que, caso eleito, cada candidato terá de lidar com a realidade do governo, que impõe restrições bem diferentes das do período eleitoral.

“Campanha é campanha, governo é governo. Primeiro a eleição, depois ver como é que se resolvem os problemas”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

Democratas podem ter mais sucesso do que projetado em pesquisas, diz Ipsos

21 October 2026 at 07:11

A Ipsos projeta uma virada democrata nas eleições de midterms nos Estados Unidos, que acontecerão em duas semanas. Clifford Young, presidente da Ipsos nos Estados Unidos, detalhou ao WW as expectativas do instituto para os resultados tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.

Câmara dos Representantes deve se tornar democrata

Segundo Young, ao longo do ano o instituto já avaliava que a Câmara dos Representantes se tornaria democrata. “O House, ao longo desse ano, a gente achava que o House se tornaria democrático”, afirmou.

A principal questão, de acordo com ele, não é mais se os democratas vencerão, mas por quanto.

“Eu imagino que vai ser entre 20 a 30 assentos, mas pode ser mais”, disse Young, acrescentando que a Câmara tende a acompanhar o humor da opinião pública, que atualmente demonstra um alto grau de pessimismo.

Senado: de vantagem republicana a disputa acirrada

No Senado, o cenário mudou significativamente em poucos meses. Young explicou que, quatro meses atrás, a avaliação era de que os republicanos manteriam o controle da Casa, ainda que os democratas diminuíssem a diferença.

“Hoje, todas as pesquisas indicam uma virada”, declarou. A Ipsos projeta atualmente uma disputa de 50% a 51% para os democratas contra 49% para os republicanos.

Democratas podem ter desempenho acima do esperado

Young destacou ainda que há chances concretas de os democratas superarem as próprias projeções das pesquisas de intenção de voto.

Ele citou estados tradicionalmente republicanos — como Iowa, Kansas, Ohio e Texas — como palcos de disputas que antes pareciam improváveis.

“Tem chance que os democratas têm mais sucesso do que isso”, afirmou. Para o especialista, o resultado mais provável em novembro é a formação de um Congresso de maioria democrata.

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