❌

Normal view

Copersucar fecha primeiro contrato mundial para abastecer navios com etanol

23 October 2026 at 20:59

A Copersucar firmou o primeiro contrato do mundo para abastecimento comercial regular de navios com etanol, no Porto de Santos, e projeta ampliar a operação para 200 milhões de litros do biocombustível em 2027.

“Até o fim de 2026, planejamos pelo menos sete abastecimentos, com consumo total de aproximadamente 10 milhões de litros de etanol”, afirma Tomás Manzano, CEO da Copersucar, líder global no setor de açúcar e etanol.

A iniciativa é resultado de cerca de dois anos de desenvolvimento e testes. Em julho deste ano, a empresa realizou uma operação-piloto para avaliar a segurança, os procedimentos e os parâmetros técnicos do abastecimento.

As operações são realizadas em parceria com a CMA CGM, grupo global de transporte marítimo e logística; a Bunker One, subsidiária do grupo dinamarquês Bunker Holding e especializada na comercialização de combustíveis marítimos; e a Autoridade Portuária de Santos (APS).

Segundo Manzano, outros operadores já haviam realizado testes com etanol, mas o contrato firmado pela Copersucar inaugura o fornecimento comercial recorrente nessa modalidade.

A operação marca a passagem de uma experiência pioneira para um modelo de abastecimento regular e coloca o Porto de Santos e o Brasil em posição de destaque no desenvolvimento de combustíveis marítimos de baixo carbono.

A meta da Copersucar para 2027 é atingir 200 milhões de litros, volume 20 vezes maior do que o previsto para os últimos meses de 2026. Segundo o executivo, o objetivo ainda está em fase de planejamento.

Demanda global de 50 bilhões de litros

O potencial de expansão vai muito além do mercado brasileiro. Manzano afirma que o setor de combustíveis marítimos consome atualmente cerca de 270 milhões de toneladas de combustíveis fósseis.

“Se 10% desse consumo for substituído por etanol, a demanda equivalente pode chegar a 50 bilhões de litros do biocombustível”, calcula o executivo. O volume supera a produção brasileira de etanol, estimada por ele em cerca de 37 bilhões de litros.

Na avaliação de Manzano, o crescimento desse mercado depende de três fatores: competitividade de preços, disponibilidade de motores compatíveis com combustíveis renováveis e pressão para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A indústria de navegação responde por aproximadamente 3% das emissões globais, segundo o executivo, e enfrenta desafios para reduzir sua pegada de carbono. Manzano avalia que a tecnologia de motorização deixou de ser uma barreira relevante para a adoção do etanol.

O navio utilizado nas operações pode funcionar com etanol, metanol ou combustível marítimo fóssil, conhecido como bunker.

Etanol pode reduzir emissões em 75%

Segundo Manzano, o uso do etanol pode proporcionar uma redução de aproximadamente 75% nas emissões de carbono em comparação com o combustível marítimo fóssil. Para ele, esse é o principal benefício da utilização do biocombustível na navegação.

O executivo pondera, porém, que o etanol custa mais do que a alternativa fóssil quando os combustíveis são comparados diretamente. A vantagem econômica depende também da possibilidade de monetizar a redução das emissões por meio de créditos de carbono, o que pode tornar os custos equivalentes, a depender das condições de comercialização.

O produto utilizado nas operações de Santos é o etanol anidro de cana-de-açúcar, o mesmo tipo empregado no Brasil para mistura à gasolina. Manzano afirma que a oferta poderá crescer com ganhos de produtividade agrícola da cana, aumento da produção de etanol de milho e expansão da capacidade instalada das usinas.

A Copersucar destaca que o etanol fornecido conta com uma cadeia de produção consolidada e certificada. A empresa também aponta o potencial de expansão da cana sobre áreas de pastagens degradadas e os critérios de sustentabilidade do RenovaBio, programa brasileiro de incentivo aos biocombustíveis.

Expansão para Singapura e Estados Unidos

Além de Santos, a Copersucar pretende viabilizar pontos de abastecimento em Singapura e nos Estados Unidos a partir de 2027. A empresa ainda não divulgou estimativas de volume para essas operações.

De acordo com Manzano, a implantação em outros países exige adequações regulatórias, atualização de especificações técnicas e autorizações portuárias. A experiência brasileira facilitou o desenvolvimento da operação em Santos, mas a expansão internacional ainda depende da conclusão dessas etapas.

 

Soja fecha em alta na Bolsa de Chicago, mas acumula perdas na semana

23 October 2026 at 20:32

O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou a sessão desta sexta-feira (23) em alta de 0,30% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 12,68 por bushel. Apesar da valorização diária, a oleaginosa acumulou a segunda semana consecutiva de perdas.

Segundo a Granar, os preços receberam suporte de operações de hedge realizadas por investidores e da valorização do petróleo, negociado em torno de US$ 103 por barril. A commodity energética foi impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro.

No mercado de exportação, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) não confirmou novas vendas antecipadas de soja da safra 2026/2027 para a China nesta sexta-feira. Ao longo da semana, porém, o órgão informou transações de 1,062 milhão de toneladas para o país asiático, além de 261 mil toneladas para destinos não especificados e 165 mil toneladas para a Espanha.

Os ganhos da sessão foram limitados pelo avanço da colheita norte-americana e pela entrada de novos volumes de grãos no mercado. A previsão de tempo seco no cinturão produtor de soja e milho dos Estados Unidos deve favorecer os trabalhos no campo durante o fim de semana. A exceção são áreas das Grandes Planícies, onde as chuvas têm provocado atrasos na colheita.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão na Bolsa de Chicago com queda de 0,98%, cotado a US$ 4,56 por bushel. Segundo a Granar, o cereal acumulou a quarta semana consecutiva de desvalorização, em meio à pressão exercida pela oferta norte-americana.

O avanço da colheita nos Estados Unidos, que caminha para consolidar a segunda maior safra já registrada no país, tem contribuído para a queda das cotações.

Os trabalhos no campo são favorecidos pelo clima predominantemente seco no Meio-Oeste, enquanto a entrada de novos volumes de milho no mercado amplia a disponibilidade do cereal. De acordo com a Granar, as perdas acumuladas da commodity já superam 13%.

Outro fator de pressão foi a valorização do dólar em relação ao euro, que torna o milho norte-americano mais caro para os compradores da União Europeia.

O movimento ocorre em um período de maior dependência europeia das importações de grãos, diante da redução da safra regional e das dificuldades para o envio de cargas da Ucrânia pelo Mar Negro, país que figura entre os principais fornecedores do bloco.

Apesar do cenário de pressão sobre os preços, o USDA confirmou nesta sexta-feira uma nova venda de milho norte-americano da safra 2026/2027. A operação envolve 116 mil toneladas destinadas a compradores ainda não identificados.

Trigo

O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou a sessão com alta de 0,04% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 6,25 por bushel. Apesar da leve valorização diária, o mercado norte-americano registrou a oitava semana consecutiva de perdas, em meio à liquidação de contratos por fundos de investimento.

Segundo a Granar, a sequência de desvalorizações é a mais longa desde 1997, conforme destacou a Bloomberg. Desde 28 de agosto, os contratos para dezembro acumulam quedas de 20,29% em Chicago e de 21,30% em Kansas City, considerando os preços de fechamento de US$ 288,07 e US$ 310,21, respectivamente, registrados naquela data.

A valorização do dólar em relação ao euro também contribuiu para pressionar as cotações, ao reduzir a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional. Outro fator observado pelos investidores é a proximidade do início da colheita no Hemisfério Sul, que deve ampliar a oferta global do cereal.

Jabuticaba, açaí e guaraná: brasileiras entre as melhores frutas do mundo

Moagem de cana cresce 1,81% no Centro-Sul na safra 2026/2027

23 October 2026 at 20:12

A moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil alcançou 412,37 milhões de toneladas no acumulado da safra 2026/2027 até o fim de agosto, em alta de 1,81% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Os dados são da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), em levantamento divulgado nesta sexta-feira (23).

Somente em agosto, as usinas processaram 100,59 milhões de toneladas de cana, volume 2,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando a moagem somou aproximadamente 98,04 milhões de toneladas.

Apesar do avanço no volume de matéria-prima processada, a produção de açúcar apresentou queda no acumulado da safra. Até o fim de agosto, foram fabricadas 24,08 milhões de toneladas, recuo de 10,29% ante as 26,84 milhões de toneladas do ciclo anterior.

Já a produção de etanol alcançou 21,09 bilhões de litros no acumulado da safra até agosto, avanço de 13,88% em relação ao ciclo anterior.

No acumulado da safra atual, 53,44% da matéria-prima foi direcionada à produção de etanol, enquanto 46,56% foi destinada ao açúcar.

No mesmo período da safra passada, a participação do açúcar era maior, de 52,77%, enquanto o etanol respondia por 47,23%.

Os números indicam que, embora a moagem tenha avançado no Centro-Sul, a distribuição da matéria-prima entre os produtos mudou, com maior participação do etanol na safra 2026/2027.

 

Da fábrica ao campo: entenda como o plástico está salvando alimentos

23 October 2026 at 17:33
A plasticultura, uso de tecnologias plásticas na agricultura, está se tornando uma alternativa acessível para a redução de perda de alimentos no campo. O Brasil desperdiça mais de 55 milhões de toneladas de alimentos por ano, e o caminho pode oferecer preservar a produção e melhorar o aproveitamento dos alimentos durante processos da cadeia produtiva.As soluções da Braskem, empresa do setor químico e petroquímico que fabrica resinas termoplásticas, apostam em uso de filmes para proteção de frutas, telas contra granizo, silos flexíveis para grãos e recipientes utilizados no transporte de hortaliças.Além da proteção das plantações, os materiais plásticos podem contribuir para o uso mais eficiente de recursos e para a conservação dos produtos depois da colheita. O resultado depende, porém, da aplicação adequada de cada tecnologia e das condições de manejo.“A plasticultura oferece ao produtor rural soluções que protegem as lavouras contra condições climáticas adversas, pragas e doenças, além de promover o uso mais eficiente de recursos como água, energia e outros insumos agrícolas”, afirma Ana Paiva, líder de Desenvolvimento de Mercado PE da Braskem.Como e onde o plástico é usado?Na fruticultura, uma das aplicações é o ensacamento de cachos de banana com filmes plásticos que recebem aditivos específicos. A cobertura ajuda a proteger os frutos contra insetos e pode prevenir alterações na casca provocadas por baixas temperaturas.A medida contribui para preservar a aparência das bananas e reduzir descartes por danos externos. Esse tipo de proteção também ajuda a manter a qualidade comercial da produção até a chegada ao consumidor.Na produção de maçãs, as telas antigranizo cumprem outra função. Instaladas sobre os pomares, elas formam uma barreira física contra pedras de gelo que podem danificar os frutos e comprometer a estrutura das plantas. O granizo pode provocar perdas na safra e afetar a produtividade de ciclos posteriores, dependendo da intensidade dos danos. Por isso, a proteção dos pomares é uma estratégia para diminuir os prejuízos causados por eventos climáticos.Armazenamento de grãos reduz perdas após a colheitaOutra alternativa utilizadas no agronegócio é o silo bolsa, estrutura flexível de plástico que permite armazenar grãos na própria propriedade rural.Quando utilizado corretamente e sob condições adequadas, o sistema possibilita conservar grãos por períodos prolongados, reduzindo a dependência imediata de estruturas convencionais de armazenagem. Segundo a Braskem, o armazenamento pode chegar a 12 meses sem perda nutricional, desde que sejam respeitadas as condições necessárias de conservação.A solução pode oferecer flexibilidade ao produtor na organização da logística e no planejamento da retirada dos grãos. Entretanto, a conservação depende de fatores como a umidade do produto, a integridade da bolsa e o manejo durante o armazenamento.Uso do plástico exige atenção ao ciclo de vidaEmbora a plasticultura ofereça aplicações para proteção e conservação dos alimentos, seu uso também exige planejamento para o descarte e a destinação dos materiais após o período de utilização.Filmes agrícolas, coberturas e outros componentes precisam ser recolhidos e encaminhados para destinação adequada, conforme suas características e as condições locais de reciclagem. A gestão desses resíduos é parte importante da avaliação dos benefícios ambientais das tecnologias.A Braskem afirma que trabalha no desenvolvimento de soluções para diferentes setores, incluindo o agronegócio, e que busca ampliar a circularidade do plástico e o uso de materiais de fonte renovável.

❌