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Associação argentina se manifesta contra plano de demissões voluntárias

22 October 2026 at 11:36

O Governo da Argentina anunciou no início desta semana um plano de demissões voluntárias para os funcionários que integram o quadro permanente da administração pública do Estado.

O presidente argentino Javier Milei diz que a medida faz parte de um pacote de reorganização do país, buscando reduzir gastos e alocar os recursos públicos de forma mais eficiente.

 

A ATE (Associação dos Trabalhadores do Estado) da Argentina criticou a medida. Em nota, a entidade disse que o plano do governo de Milei “é um acordo multimilionário” que ameaça os direitos trabalhistas.

A Associação explica que esse plano de desligamento voluntário atinge mais de 21 mil funcionários e ponta que quem não aderir fica impedido de retornar à administração pública por oito anos.

“Além disso, foi confirmado que os cargos desocupados não serão substituídos e que aqueles que ocuparem um cargo sindical em vigor ou forem candidatos a eleições deverão renunciar para se inscrever na aposentadoria”, escreveu a ATE.

O decreto do governo da Argentina também determina que o plano de demissão voluntária pode ser prorrogado apenas uma única vez por mais 30 dias.

Concessões rodoviárias têm “década da transformação” e duplicam players

22 October 2026 at 11:00

O mercado de concessões de rodovias passou por uma mudança significativa na última década, com a desconcentração do setor e a entrada de novos players, incluindo operadoras estrangeiras e fundos de investimentos.

Entre 2016 e 2026, o número de empresas praticamente dobrou, passando de 18 para 35. Na direção contrária, a malha administrada pelo “top five” diminuiu de 64% para 54% do total.

O levantamento foi feito pela A&M Infra, divisão de infraestrutura e projetos de capital, a pedido da CNN. Ele capta um período em que as rodovias federais ou estaduais operadas pela iniciativa privada saltaram de aproximadamente 19 mil para cerca de 36 mil quilômetros.

“Nos últimos dez anos, esse mercado foi marcado por forte dinamismo no Brasil, com reestruturações importantes e um pipeline acelerado de projetos a partir de 2020”, afirma Tiago Barros, diretor-sênior da A&M Infra.

• CNN Infra

Em 2016, a liderança era dividida pela espanhola Arteris e pela CCR (hoje Motiva), com 17% de participação. Depois vinham Invepar (12%), Ecorodovias (9%) e Triunfo (9%).

Alguns players, como a Roadis (dona da Via Bahia) e a Odebrecht Transport, deixaram o mercado. A Triunfo saiu da BR-040, entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora (MG), e deve deixar outras operações.

Hoje, a dianteira do setor é disputada palmo a palmo por Motiva e Ecorodovias, cada uma com 14%. A EPR, fundada em 2022 pelos grupos Equipav e Perfin, detém 10%. Pátria Investimentos (9%) e Arteris (7%) vêm em seguida.

Atores recentes, porém, chamam a atenção. Um deles é a Nova Rodovias, que promoveu um “casamento” do Opportunity com quatro construtoras reunidas na 4UM (JMalucelli, Carioca Engenharia, Aterpa e Senpar).

“Gostamos de capex alto. A capacidade do grupo de se alavancar com equity é alta. E sobra capacidade de execução”, disse recentemente o CEO da empresa, Marcelo Stachow, em entrevista à CNN.

A Nova Rodovias arrematou as concessões da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares (MG), e da BR-364, entre Porto Velho e Vilhena (RO). Agora, estuda os leilões da Rota Agro Central e da Rota do Pequi, além da relicitação da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).

O Pátria, que entrou em concessões de rodovias federais e estaduais, vê um marco regulatório com previsibilidade no setor e investidores estrangeiros — como fundos de pensão e fundos soberanos — confiantes na segurança dos contratos.

“É um setor do qual gostamos bastante, estamos presentes há dez anos e pretendemos continuar participando”, afirmou Thiago Bronzi, sócio-líder de investimentos em rodovias e saneamento da gestora de recursos.

A francesa Vinci, uma das maiores operadoras privadas de rodovias do mundo, arrematou a Rota dos Cristais — entre Belo Horizonte (MG) e Cristalina (GO) — e adquiriu a Entrevias (SP).

Carteira de leilões

A continuidade das concessões de rodovias é apontada pela A&M Infra como um fator que ainda reconfigurar o mercado brasileiro nos próximos anos, além de oportunidades de fusões e aquisições.

Na semana passada, o Ministério dos Transportes divulgou sua carteira de leilões para o próximo quadriênio. Está prevista a oferta de 11 ativos somente em 2027, incluindo três lotes em Santa Catarina e a Rota Portuária Itaqui, entre São Luís (MA) e Teresina (PI). Há trechos como a Rota do Café (BR-393/RJ) e a otimização da BR-153 em São Paulo (Transbrasiliana). Esses projetos preveem investimentos de R$ 102,6 bilhões.

“É um número extremamente ousado de leilões”, afirmou o ministro George Santoro. De forma geral, o mercado entende pode haver nuances dependendo do resultado das eleições presidenciais, mas que a agenda de concessões rodoviárias hoje é um consenso entre os candidatos.

O diretor-presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), Marco Aurélio Barcelos, avalia que investidores internacionais ainda enxergam oportunidades no mercado brasileiro e pode haver novos entrantes.

De acordo com ele, o setor tornou-se um mobilizador de outras importantes atividades econômicas no país, que vão de construtoras a empresas de atendimento pré-hospitalar (responsáveis pelos primeiros socorros e assistência médica em estradas pedagiadas).

Para não colocar em risco a disposição dos investidores, acrescenta Barcelos, é fundamental que os contratos sejam integralmente respeitados e os governos empossados em 2027 não cedam a pressões populistas contra a cobrança de tarifas, que se revertem em investimentos recordes no setor e melhoria das condições oferecidas aos usuários.

Santa Catarina vistoria 1,6 mil granjas após foco de Newcastle

22 October 2026 at 10:46

O governo de Santa Catarina iniciou um amplo processo de vistoria em mais de 1.600 propriedades rurais após a confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja de perus no município de Nova Itaberaba, localizado no oeste catarinense. O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária na última segunda-feira.

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) informou que identificou o foco da doença durante uma visita de rotina realizada em propriedades rurais do estado. Em resposta, o governo federal decretou emergência zoosanitária por 60 dias, abrangendo não apenas Nova Itaberaba, mas também os municípios vizinhos de Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

Medidas de contenção e protocolos sanitários

As equipes da CIDASC (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) e do Ministério da Agricultura e Pecuária atuam tanto na propriedade afetada quanto em um raio de 10 quilômetros ao redor, alcançando propriedades rurais vizinhas.

A granja onde foi identificado o foco de newcastle está interditada, com acesso restrito a profissionais devidamente autorizados.

Entre as medidas previstas estão a eliminação das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção completa do local e o descarte de todos os materiais que tiveram contato com os animais.

Além das ações na propriedade afetada, o governo de Santa Catarina pretende vistoriar as 1.600 propriedades rurais no estado.

Em algumas poderão ser coletadas amostras de sangue dos animais para verificar a ocorrência ou não de contaminação.

Segundo a CIDASC, a população pode continuar consumindo carne de aves e produtos inspecionados, sendo recomendável identificar estabelecimentos regularizados com selo de inspeção sanitária.

Países suspendem importações e impacto econômico preocupa

O caso já gerou repercussões no comércio exterior brasileiro.

China, que é o maior mercado comprador, Chile e Arábia Saudita suspenderam as compras provenientes de Santa Catarina. Medida considerada positiva por restringir o embargo apenas ao estado e não ao Brasil inteiro.

O México adotou uma postura mais severa, suspendendo todos os produtos avícolas brasileiros — a situação considerada mais grave entre as restrições impostas até o momento. A Malásia se juntou ao México e anunciou também a suspensão da importação de carnes, produtos cárneos e miúdos de aves de todo o Brasil.

Santa Catarina é responsável por entre 20% e 30% das exportações de produtos avícolas do Brasil. O país exportou 5,3 milhões de toneladas no ano passado, o que rendeu cerca de 10 bilhões de dólares.

Na última ocasião em que o Brasil enfrentou um embargo semelhante, as perdas foram estimadas em aproximadamente 139 milhões de dólares em vendas que não se concretizaram para o exterior, com produtos que acabaram sendo direcionados ao mercado interno. Naquela oportunidade, o problema foi solucionado em cerca de 26 dias. As autoridades trabalham para que as medidas fitossanitárias em curso permitam retomar as exportações o quanto antes.

O Ministério da Agricultura e Pecuária reforçou que mantém diálogo com outros parceiros comerciais para assegurar a transparência das informações e avançar em tratativas para a adequação das exportações.

Monitoramento sanitário

As medidas de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e outros três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.

As autoridades vão acompanhar a situação durante o período de incubação da doença, estimado em 21 dias. O protocolo prevê dois períodos de 21 dias, totalizando 42 dias de acompanhamento.

O Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso.

Margem de lucro de empresas brasileiras varia de 13% a 33% do faturamento

22 October 2026 at 09:10

O faturamento das empresas brasileiras não significa a mesma coisa que margem de lucro. Um levantamento da Conta Azul identificou que, dependendo do modelo de negócio, a parcela que efetivamente sobra ao descontar custos e impostos fica entre 33,8% e 13,4% do faturamento inicial.

Os dados foram compilados para o Índice Quanto Sobra 2026, por meio da comparação de seis tipos de operação a partir de dados públicos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da legislação do Simples Nacional.

Em valores, se o faturamento mensal for de R$ 35 mil, isso significa que a sobra estimada varia entre R$ 11.831 e R$ 4.682 ao mês.

O índice considera “sobra” o resultado que permanece na empresa depois do pagamento de fornecedores, funcionários, impostos, custos operacionais e retirada do dono.

Entre as operações analisadas, o serviço recorrente, como os escritórios de contabilidade, software house, consultoria em gestão e escola de idiomas apresentam a maior sobra proporcional (33,8%).

Enquanto isso, o comércio B2C, como os mercadinhos, padarias, farmácia, loja de roupas, restaurante, bar e lanchonete, tem o menor valor proporcional (13,4%).

No meio do caminho estão:

  • avulso de obra (construtora, empreiteira de infraestrutura, instalações elétricas e hidráulicas e acabamento), com 21,7%;
  • indústria (fábrica de móveis, confecção, metalúrgica pequena, fábrica de alimentos e gráfica), com 21%;
  • serviço avulso de conserto (oficina mecânica, assistência técnica de celular e informática e conserto de eletrodomésticos), com 18,4%;
  • e comércio B2B/atacado (distribuidora de bebidas, atacadista de alimentos e distribuidora de autopeças), com 18,2%.

Ainda, do grupo que menos consegue reter o faturamento no final do mês, 20% dos bares e restaurantes do país operam em prejuízo, 37% empatam e 42% estão no lucro, de acordo com amostra coletada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

De acordo com o índice da Conta Azul, parte desse resultado estaria atribuída à própria estrutura da operação.

No mesmo cenário de um negócio que fature R$ 35 mil, o Simples Nacional – o regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido para micro e pequenas empresas, criado no país pela Lei Complementar 123/2006 – equivale entre 6,2% e 9,3% do faturamento.

Já o custo de operar – que inclui mercadorias, folha, encargos e estrutura – varia de 56,9% a 80,4%. Assim, o índice mostra que o imposto não é irrelevante na conta, mas sim o que mais aperta o pequeno negócio: a operação. 

Nesse mesmo contexto, o índice ainda revelou que aumentar o faturamento também não significa, necessariamente, aumentar a quantidade que sobra depois dos custos.

Na metodologia utilizada, o percentual de sobra diminui gradualmente conforme a receita aumenta, em razão principalmente da progressividade do Simples Nacional.

No serviço recorrente, a sobra estimada passa de 35% nas menores faixas de faturamento para 30,9% na faixa de R$ 250 mil a R$ 300 mil mensais. No varejo, varia de 13,7% para 12,6%.

Veja o raio-x dos MEIs no Brasil

 

Agricultura familiar e fome: o que Flávio Bolsonaro e Lula propõem

22 October 2026 at 08:29

O acesso a alimentos a preços compatíveis com a renda da população e o fortalecimento da agricultura familiar estão entre os desafios da política agrícola brasileira. Além de produzir, o país precisa garantir que os alimentos cheguem ao consumidor, criar condições para que pequenos produtores permaneçam na atividade e ampliar a oferta de comida saudável.

Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentam abordagens diferentes para esses temas.

Flávio associa a redução dos preços dos alimentos à melhoria da logística e ao aumento da capacidade de armazenagem das safras.

Lula prevê ampliar as compras públicas da agricultura familiar, fortalecer linhas específicas de crédito e manter a aquisição de alimentos desses produtores para a alimentação escolar.

A diferença também aparece no tratamento da segurança alimentar. O programa de Lula inclui medidas voltadas à produção de alimentos, à agricultura familiar e ao acesso da população à alimentação. No documento de Flávio, não há propostas específicas para a agricultura familiar nem referências diretas à fome ou ao Bolsa Família. Veja maias detalhes abaixo:

FLÁVIO BOLSONARO

Logística e armazenagem para reduzir preços dos alimentos

O programa de Flávio Bolsonaro propõe reduzir o preço dos alimentos ao consumidor por meio de melhorias na logística e da ampliação da capacidade de armazenagem das safras.

A proposta parte do diagnóstico de que uma parcela dos custos é formada entre a produção no campo e a chegada dos produtos ao varejo. O documento menciona a criação de corredores logísticos inteligentes e a ampliação da armazenagem como instrumentos para melhorar o escoamento da produção e reduzir custos.

O plano também associa a segurança alimentar à produção agropecuária nacional e à redução da dependência externa de fertilizantes. A proposta é apoiar a produção nacional desses insumos, com aproveitamento de recursos minerais disponíveis no país.

O programa, porém, não apresenta medidas específicas para fortalecer a agricultura familiar. Não há previsão de ampliação do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), de assistência técnica direcionada aos pequenos produtores ou de programas de compras públicas de alimentos produzidos por esse segmento.

Programas sociais e combate à pobreza 

O documento apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também não estabelece metas específicas para a ampliação do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) , alimentação escolar ou Bolsa Família.

Flávio, porém, propõe manter os programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes. O plano afirma que as famílias que dependem desses benefícios para garantir a alimentação continuarão recebendo assistência, desde que cumpram os critérios estabelecidos.

Ao mesmo tempo, o candidato defende que os programas sociais sejam associados a iniciativas de qualificação profissional e acesso ao mercado de trabalho.

Regularização de pequenas propriedades rurais 

Uma das medidas diretamente relacionadas aos pequenos produtores no programa do PL é a ampliação da regularização fundiária e da titulação de propriedades rurais. A proposta busca garantir que pequenos proprietários tenham documentos que comprovem a posse legal de seus imóveis, permitindo maior segurança jurídica para investir na produção e acessar financiamentos.

O candidato defende o fortalecimento da proteção ao direito de propriedade no campo e a regularização fundiária como uma condição para ampliar a capacidade de investimento dos produtores e estimular o desenvolvimento das atividades agrícolas

“Vamos promover ampla regularização e titulação do pequeno proprietário rural, para que quem trabalha a terra tenha o documento que prova que ela é sua, possa acessar crédito e investir com segurança. E traremos segurança jurídica sólida, irreversível e sem margem para relativizações do direito de propriedade, porque ninguém planta e investe no que teme perder

Seguro rural e proteção da produção 

Flávio Bolsonaro propõe ampliar o seguro rural para oferecer maior previsibilidade aos produtores diante dos riscos da atividade agrícola.

O documento também prevê a adoção de instrumentos de securitização e reorganização das dívidas do setor, com o objetivo de melhorar as condições de planejamento financeiro das atividades no campo.

Produção nacional de fertilizantes 

Flávio Bolsonaro também propõe ampliar a produção brasileira de fertilizantes, com o objetivo de reduzir a dependência das importações.

Na avaliação apresentada pelo candidato, a dependência de fertilizantes estrangeiros aumenta a exposição dos produtores às variações de preços internacionais, o que pode pressionar o custo da produção agrícola e dos alimentos.

LULA

Compras públicas e fortalecimento da agricultura familiar

O programa de Lula prevê ampliar o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e as compras públicas de produtos da agricultura familiar. A política conecta o apoio aos pequenos produtores à oferta de alimentos para a população, utilizando compras governamentais como instrumento de comercialização.

O documento também prevê manter percentuais mínimos de aquisição de alimentos da agricultura familiar e de alimentos in natura para a alimentação escolar. Entre as metas apresentadas no programa estão a participação de 45% da agricultura familiar e de 80% de alimentos in natura na alimentação escolar.

A proposta busca criar demanda para os produtos dos pequenos agricultores e ampliar a presença de alimentos frescos nas refeições oferecidas nas escolas públicas. O resultado depende da implementação das metas, da capacidade de compra dos municípios e dos estados e das condições de produção e entrega dos fornecedores.

Crédito e apoio à produção de alimentos

Na agricultura familiar, o programa também prevê expandir o Plano Safra específico para o segmento, com juros compatíveis com o perfil do produtor e o tipo de produto financiado. A produção de alimentos da cesta básica aparece entre as prioridades.

O texto prevê reforçar linhas para agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e aquisição de máquinas adaptadas às propriedades familiares. Também estabelece condições diferenciadas para jovens agricultores, mulheres, cooperativas e associações.

Outra frente é simplificar o acesso ao crédito por meio de soluções digitais. O programa ainda prevê fortalecer o Garantia-Safra e ampliar o acesso ao seguro rural da agricultura familiar.

Apesar da variedade de medidas, o documento não apresenta metas quantitativas para o número de novos agricultores familiares atendidos nem define valores específicos para cada linha de apoio no próximo mandato.

Assistência técnica, mecanização e proteção contra perdas 

O candidato também prevê ampliar a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural, com o objetivo de apoiar a produção agrícola.

O plano estabelece ainda o fortalecimento do programa Mais Alimentos, voltado ao acesso à mecanização adaptada às pequenas propriedades e ao aumento da produtividade.

Diante dos eventos climáticos extremos, a proposta prevê o fortalecimento do Programa Garantia-Safra e a ampliação do acesso ao seguro rural para os agricultores familiares.

Também está previsto o aperfeiçoamento das regras de segurança agropecuária aplicadas às agroindústrias familiares, para facilitar a comercialização de produtos entre os estados.

O plano também estabelece medidas de regularização fundiária e de titulação de territórios quilombolas e de comunidades tradicionais.

Infraestrutura e permanência no campo 

Outra prioridade apresentada é ampliar o Programa Cisternas em regiões com estresse hídrico, garantindo água para consumo humano e produção agrícola.

Lula também propõe aumentar os investimentos em saneamento rural, ampliar o acesso à energia elétrica no campo, com prioridade para fontes renováveis, e fortalecer o Pronera, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.

Combate à fome e garantia de renda 

O plano de governo associa o combate à fome às políticas de transferência de renda, ao aumento do poder de compra da população e ao fortalecimento da produção de alimentos.

Para o próximo governo, Lula propõe dar continuidade ao fortalecimento das instâncias de participação e governança em segurança alimentar, além de manter a atuação brasileira na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. 

O QUE É AGRICULTURA FAMILIAR

É considerada Agricultura Familiar o agricultor que dirige diretamente sua produção; utiliza predominantemente a mão de obra familiar; tem a maior parte da renda proveniente das atividades exercidas em seu próprio estabelecimento, um imóvel rural com até quatro módulos fiscais. Para não deixar dúvidas essas definições estão descrita em lei(nº 11.326/2006.).

O último Censo Agropecuário de 2017 mostrou que 67% das pessoas que atuam no campo, ou 10,1 milhões de pessoas, trabalham com esse modelo de produção.

São 3,9 milhões de propriedades, equivalentes a 77% das unidades agropecuárias do país. Elas ocupam quase 81 milhões de hectares, ou 23% das áreas produtivas e agricultáveis do país.

Dessas propriedades saem alimentos frescos, básicos mas essenciais. Como banana, leite, mandioca…

Segundo o programa “Pacto para Fome”, criado em 2023 por coalizão multissetorial e suprapartidária da sociedade civil, entre as contribuições da agricultura familiar está a garantia da segurança alimentar com produção diversificada de alimentos frescos, saudáveis e nutritivos para as comunidades locais.

A Organização das Nações Unidas estima que mais de 80% dos alimentos no mundo são produzidos em pequenas propriedades, consolidando a participação desse modelo de produção nas metas de segurança alimentar e combate a fome.

 Aviso ao leitor: Esta reportagem faz parte de uma série da CNN Brasil sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o agronegócio. Os textos abordam diferentes temas relacionados ao setor; por isso, esta análise se concentra na agricultura familiar, no fomento para os pequenos produtores e na produção destinada a segurança alimentar e ao combate à fome.

iPhone Duo é o celular mais incrível da Apple em anos. Só tem um problema

22 October 2026 at 08:10

Houve muitas vezes em que eu não queria largar o iPhone Duo. Depois que você se acostuma a ler, assistir TV e navegar pelo Instagram em uma tela gigante, é difícil voltar para um pequeno retângulo brilhante.

Há apenas um problema: muitos aplicativos ainda são feitos para aquele pequeno retângulo.

Esta é a experiência de usar o iPhone Duo, o primeiro iPhone dobrável da Apple, que será lançado em 23 de outubro. Seu preço inicial é de US$ 2.000, o que o torna tão caro quanto o mais recente MacBook Pro de 14 polegadas da Apple. (No Brasil, os valores começam em R$ 21.999).

É uma grande mudança para a Apple, que raramente mexe na fórmula vencedora que transformou o iPhone em um negócio que faturou mais de US$ 200 bilhões no ano passado. Mas, depois de anos de atualizações incrementais do iPhone, a Apple enfrentou a pressão de provar que ainda conseguia cativar os consumidores.

Experimentei um pouco desse futuro depois de passar cerca de uma semana com o novo telefone dobrável que a Apple forneceu à CNN Internacional para testes.

O iPhone Duo se tornou meu tablet para assistir à Netflix, um despertador de cabeceira à noite, uma tela extra para assistir futebol no domingo, um monitor em miniatura quando conectado ao meu teclado Bluetooth e uma câmera com tripé embutido.

Mas houve muitas outras vezes — talvez até mais — em que me frustrei porque os aplicativos não funcionavam como deveriam, já que os desenvolvedores ainda não os atualizaram. E apesar da abordagem “simplesmente funciona” da Apple, o iPhone Duo exige um período de adaptação.

Embora o software do iPhone Duo certamente parecesse muito mais fluido e suave do que as alternativas para Android, muitos de seus recursos principais já estão disponíveis em celulares Samsung ou Google há anos.

iPhone Duo
iPhone Duo • Zoe Todd/CNN via CNN Newsource

O que o iPhone Duo pode fazer que um telefone normal não pode?

O iPhone Duo representa a maior mudança que a Apple fez no iPhone em seus quase 20 anos de história.

Ele possui uma tela externa de 5,4 polegadas que, ao ser desdobrada, revela uma tela interna de 7,6 polegadas. Fechado, o iPhone Duo lembra um passaporte, porém visivelmente mais grosso e pesado. Aberto, ele se assemelha a um iPad Mini mais fino e compacto.

Uma das perguntas mais frequentes que recebo sobre o iPhone Duo é se a dobra da tela é visível. A resposta, acredite ou não, é não. A dobra é quase imperceptível ao usar aplicativos ou navegar pela tela inicial, e mal a sinto ao deslizar o dedo na tela.

O formato não convencional do iPhone Duo permite que ele faça coisas que você não conseguiria fazer tão facilmente com um telefone comum. Abra-o como uma tenda ou apoie-o como um livro com a tela bloqueada, e o visor se transformará em um relógio de cabeceira, porta-retratos digital ou calendário.

Alguns aplicativos, como a câmera e o Apple Fitness Plus, serão exibidos na parte superior da tela quando dobrado ao meio como um laptop — mas isso depende se os desenvolvedores programaram seus aplicativos para funcionar dessa forma.

Com o telefone aberto, você pode tirar selfies com as câmeras traseiras enquanto visualiza uma prévia na tela externa, o que foi muito útil quando eu estava gravando o vídeo para esta análise.

O iPhone Duo permite executar dois aplicativos na tela simultaneamente, o que foi útil em situações que envolviam pesquisar informações ou visualizar conteúdo em vários aplicativos. Você pode, por exemplo, arrastar e soltar uma imagem diretamente do aplicativo Fotos para uma mensagem de texto quando ambos os aplicativos estão abertos.

Também usei o modo de tela dividida para mostrar a um amigo minha fantasia de Halloween e o personagem do filme em que ela se baseia, tudo ao mesmo tempo.

Embora seja conveniente, provavelmente não é o motivo pelo qual você compraria um iPhone Duo. A tela interna do Duo é melhor aproveitada quando você dedica toda a tela a um único aplicativo, como a Netflix. Além disso, a tela tem um acabamento fosco, que reduz o brilho e não fica com marcas de dedo facilmente.

Mas muitos aplicativos, incluindo alguns populares como Google Maps, Gmail, Call of Duty Mobile e Uber, não foram atualizados para aproveitar ao máximo essa tela grande quando testei o Duo antes do lançamento. Alguns aplicativos pareciam janelas flutuantes no meio da tela do tamanho de um tablet.

Esses aplicativos podem se expandir para ocupar mais espaço na tela, mas ainda assim não preenchem todo o espaço.

Outros aplicativos foram atualizados para ocupar a maior parte da tela, mas ainda apresentavam uma barra preta na lateral. Isso é o que acontece quando os desenvolvedores não atualizam seus aplicativos usando as ferramentas de desenvolvimento de software mais recentes da Apple, conforme explicado no site da empresa.

A boa notícia é que mais aplicativos foram atualizados, mesmo durante os poucos dias em que tenho o telefone, incluindo Google, TikTok, Instagram e Threads. Mas a incerteza de não saber como um aplicativo vai ficar parece inconsistente e pode ser irritante — e esse é um aspecto em que o Android saiu na frente.

Os aplicativos otimizados para o Duo oferecem uma amostra do que é possível. Meu aplicativo favorito até agora é o jogo de plataforma e quebra-cabeça Planet of Lana, que fica lindo e colorido na tela maior do Duo.

Eu também gostei muito de usar o Apple Books, que permite visualizar as páginas em ambos os lados da tela quando ela está levemente dobrada, como um livro de verdade. (O aplicativo Kindle da Amazon é um dos muitos que ainda não foram atualizados).

Os aplicativos Mensagens e Mail da Apple também mostram a caixa de entrada à esquerda e as mensagens à direita, para que você possa ver tudo de uma vez.

iPhone Duo
iPhone Duo • Zoe Todd/CNN via CNN Newsource

Mas como ele se comporta como um telefone comum?

Pelo preço, o iPhone Duo deveria ser capaz de fazer tudo o que um celular normal faz e muito mais.

Minha maior preocupação era que o design o tornasse desconfortável de usar quando fechado, mas digitar e deslizar na tela externa é surpreendentemente natural e confortável. Cheguei até a preferir o teclado mais largo do Duo ao do meu iPhone 18 Pro.

Ainda assim, houve uma curva de aprendizado no início. Eu vivia apertando o botão da Siri sem querer, que fica na lateral do Duo, quando na verdade queria apertar os botões de volume na parte superior do telefone.

Também não sabia que era preciso ter um aplicativo aberto para usar o modo de tela dividida, em vez de simplesmente abrir um novo aplicativo e arrastá-lo para um dos lados da tela a partir da tela inicial.

A duração da bateria é razoável e condizente com o que se espera de um celular novo. Normalmente, minha bateria estava em 35% ou 46% na hora de dormir, embora isso sempre varie dependendo dos aplicativos que você estiver usando e da frequência com que usa a tela do tablet em comparação com a tela externa.

O iPhone Duo possui câmeras semelhantes às do iPhone 18 Pro, mas com uma diferença fundamental: não há câmera teleobjetiva. Isso significa que as fotos com zoom não ficarão tão nítidas ou claras quanto as tiradas com o iPhone 18 Pro, embora as fotos capturadas por ambos os telefones sejam semelhantes em outros aspectos.

A pergunta que mais me fazem sobre o iPhone Duo é se vale a pena pagar US$ 2.000. É difícil responder a essa pergunta, considerando que ele custa mais do que um mês de aluguel para a maioria dos americanos.

O único motivo para considerá-lo seria se você realmente quisesse uma tela maior do que a de qualquer outro celular, mas que ainda coubesse no seu bolso.

Meu conselho? Espere até que os desenvolvedores tenham mais tempo para otimizar seus aplicativos antes de decidir. Embora o Duo seja interessante, os aplicativos ainda precisam evoluir bastante.

Governo publica nesta quinta (22) chamamento de bancos para Desenrola 3.0

22 October 2026 at 08:10

O governo federal deve publicar nesta quinta-feira (22) o edital de chamamentos para que instituições financeiras e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) possam aderir ao Desenrola 3.0.

A publicação deve formalizar a possibilidade de bancos ofertarem as carteiras para a compra do governo, explicou na véspera o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

A expectativa é que até R$ 90 bilhões de reais sejam registrados ao longo o edital

Em seguida, o governo deve avaliar o tamanho do leilão a ser realizado dependendo dos valores apresentados. A expectativa, segundo o chefe da pasta, é que os leilões sejam realizados entre novembro e dezembro.

“Queremos entender o tamanho das carteiras e sair até o fim do mês que vem com um leilão. Todas as instituições credoras que querem participar do leilão terão que se manifestar agora”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Após a publicação, as instituições terão até 5 dias úteis para apresentar o volume da carteira.

O Desenrola 3.0 foi anunciado pelo governo em setembro, e tem como beneficiários pessoas físicas e MEIs (Microempreendedores Individuais) que tenham dívidas entre 2 a 4,5 anos. A gestão federal espera renegocia dívidas com deságios mínimos de 90%.

A ideia central do novo “Desenrola” é que o Tesouro Nacional compre dívidas antigas de consumidores com bancos. Como esses créditos são considerados de difícil recuperação, as instituições financeiras concederiam descontos elevados.

No lançamento da nova edição do programa, o governo projetava que até 15 milhões de pessoas poderiam ser beneficiadas. Além disso, no cronograma inicial, os leilão ocorreriam em novembro, mas o ministro Durigan admitiu que pode haver um alongamento do cronograma inicial.

Outras fases do programa Desenrola

A primeira versão do programa Desenrola foi lançada em 2023, primeiro ano de governo Lula (PT). A medida foi voltada para dois grupos:

  • pessoas com renda mensal de até dois salários mínimos ou inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com dívidas de até R$ 5 mil negativadas entre 1º de janeiro de 2019 e 31 de dezembro de 2022;
  • devedores com renda mensal de até R$ 20 mil, cujas negociações eram feitas diretamente com os bancos participantes.

Em maio de 2026, o governo lançou o Desenrola 2.0, com o mesmo objetivo de reduzir o endividamento das famílias. Desta vez, o governo autorizou ainda o uso do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos.

O programa que contemplou famílias com renda até 5 salários-mínimos (R$ 8.105), que tivessem dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e 2 anos, da categoria de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

Entretanto, na segunda versão do programa, aqueles que entraram no Desenrola tiveram o bloqueio do CPF em casas de apostas por 12 meses. A avaliação do governo Lula (PT) é que as apostas impulsionaram o endividamento das famílias.

Governo realiza nesta quinta leilão inédito de gás para indústria de base

22 October 2026 at 08:00

O governo realiza nesta quinta-feira (22), em São Paulo, o primeiro leilão de gás natural processado destinado à indústria de base. Organizada pela PPSA (Pré-Sal Petróleo), a iniciativa busca ampliar a concorrência no mercado e reduzir o custo do combustível para o setor produtivo.

A disputa começa às 9h, pela plataforma eletrônica da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), com acompanhamento presencial na sede da entidade, na capital paulista.

Segundo a PPSA, 36 empresas estão habilitadas para disputar os 110 lotes, cada um equivalente a 10 mil metros cúbicos diários. A oferta total será de 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027.

“Estamos colocando o pré-sal a serviço da indústria brasileira. Esse leilão aumenta a oferta, traz mais competição para o mercado e faz com que o gás da União chegue diretamente para a indústria a um preço mais competitivo. É uma medida que reduz custos para quem produz, fortalece a indústria nacional e ajuda a gerar emprego e renda no país”, disse em nota o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Em recente entrevista à CNN, o diretor-presidente da PPSA, Luís Fernando Paroli, estimou que o gás poderá chegar às indústrias por cerca de US$ 9 por milhão de BTU, já considerados impostos, transporte e distribuição. Segundo ele, a economia seria de US$ 3 a US$ 4 por milhão de BTU em relação aos preços pagos pelas empresas.

Na primeira rodada, a disputa terá cinco etapas, uma para cada grupo industrial. As empresas concorrerão apenas com participantes do mesmo segmento, conforme a seguinte distribuição inicial:

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Cada grupo econômico poderá adquirir até 16 lotes na primeira rodada, equivalentes a 160 mil metros cúbicos por dia, respeitada a demanda habilitada. Caso sobrem volumes, haverá uma segunda rodada aberta a todas as empresas habilitadas, sem as cotas por setor e sem esse limite de lotes, mas ainda limitada à demanda remanescente de cada participante.

O preço será calculado mensalmente com base em 115% da média das cotações dos contratos futuros de Henry Hub, referência americana para o gás natural, acrescidos de um adicional definido na disputa. As ofertas com os maiores adicionais terão prioridade na distribuição dos lotes. O cálculo também considerará a cotação média do dólar no mês anterior ao fornecimento.

O gás produzido no pré-sal será escoado e processado pela Petrobras e disponibilizado aos compradores na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro.

A partir desse ponto, o transporte até as instalações industriais ficará sob responsabilidade dos compradores, diretamente ou por meio de uma comercializadora habilitada.

Mercado revê aposta na Argentina enquanto dívida de 2027 entra no radar

22 October 2026 at 07:14

O risco-país da Argentina voltou a superar os 700 pontos nesta semana e atingiu o maior nível em cerca de um ano. O movimento chama atenção, mas o número sozinho explica pouco sobre o que está acontecendo com os ativos argentinos.

Por trás da piora está uma combinação de fatores externos, movimentos técnicos do mercado e uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos meses: como a Argentina chegará a 2027, ano de eleição presidencial e de vencimentos relevantes da dívida em moeda estrangeira.

São mais de US$ 30 bilhões em principal e juros no próximo ano, segundo levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional). A conta inclui compromissos com credores privados e organismos internacionais.

O volume não é um problema imediato de pagamento. Hoje, o país mantém pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas. Parte das obrigações pode ser refinanciada e outra parcela envolve o próprio FMI.

O aumento do risco-país das últimas semanas, portanto, não deve ser explicado apenas por essa conta.

Parte importante da alta recente veio de fora da Argentina, avalia Daniel Marcatto, sócio e analista da Exploritas. A abertura das taxas dos títulos norte-americanos e o fortalecimento do dólar pressionaram os mercados emergentes.

A diferença é que a Argentina tende a responder de maneira mais intensa a esses movimentos: “o crédito argentino tem um beta muito elevado”, segundo Marcatto.

Na prática, quando o ambiente piora para emergentes, os títulos argentinos costumam sofrer mais. E o mesmo acontece no sentido contrário, quando há melhora global nas condições financeiras.

Se não bastasse isso, outubro também costuma ser um mês menos favorável para esse mercado.

Marcatto explica que fundos norte-americanos tradicionalmente fazem o rebalanceamento de suas carteiras neste período, antes do início de um novo ano fiscal em novembro. Historicamente, a janela entre dezembro e abril tende a ser mais favorável para títulos de mercados emergentes.

No caso argentino, houve ainda pressão de fluxos locais. Com a retomada das remessas de dividendos ao exterior, empresas argentinas passaram a vender posições em títulos soberanos para levantar caixa e fazer remessas. O fim da restrição retirou do mercado um comprador importante.

Essas tesourarias poderiam comprar papéis argentinos. Agora, parte delas está fazendo o contrário.

Daniel Marcatto diz que mais de US$ 4 bilhões já teriam sido enviados ao exterior nesse processo e que o volume pode ir de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões até o fim do ano.

A aposta ficou menos otimista

Se os fatores técnicos ajudam a explicar a velocidade do movimento recente, há também uma mudança mais profunda na maneira como investidores enxergam a economia argentina.

Para Fabio Giambiagi, argentino que é pesquisador no FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o mercado exagerou no otimismo em relação à capacidade de recuperação do país.

“O mercado fez uma aposta na Argentina que estava ‘comprando lotes na Lua’. Era delirante”, afirma.

Os números ajudam a entender a crítica. No início de 2025, o REM (Relevamiento de Expectativas de Mercado), levantamento do Banco Central argentino semelhante ao Focus brasileiro, apontava crescimento próximo de 3,7% para a economia em 2026. A expectativa de inflação para este ano estava em torno de 15%.

As projeções mudaram. No REM mais recente, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é projetado em apenas 1,5% em 2026. A inflação estimada para dezembro chegou a 30%.

“Aos poucos, o mercado foi percebendo a dimensão do problema. No começo havia uma perspectiva irrealista da evolução das principais variáveis”, diz Giambiagi.

A eleição presidencial argentina acontece apenas no próximo ano e a capacidade de Milei de manter apoio político e dar continuidade ao programa econômico começa a importar mais à medida que o calendário avança.

“Achar que o governo vai aprovar o que quiser é uma prova de miopia da análise econômica sobre a política”, diz Giambiagi. Para o economista, investidores subestimaram as dificuldades políticas do governo e também os efeitos do próprio estilo do presidente na construção de alianças.

Nesta semana, uma nova controvérsia surgiu durante uma viagem de Milei à Espanha. O argentino chamou o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, de “ditador inapresentável” pouco mais de um mês antes das eleições espanholas. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha respondeu dizendo que não aceita interferências externas e classificou a postura do presidente argentino como “indigna”.

Giambiagi cita episódios semelhantes dentro da própria Argentina e aponta para a postura que falta ao mandatário do país platino: “presidente em uma república faz política”.

O próximo governo continuará dependendo do Congresso para aprovar reformas e o ambiente político pode afetar diretamente a confiança dos investidores.

Giambiagi vê o calendário com preocupação. Segundo ele, a popularidade de Milei caiu em relação aos níveis observados no início do governo e uma eventual disputa de segundo turno pode se tornar especialmente difícil caso a oposição consiga concentrar o voto contrário ao presidente.

O país entra em 2027 com uma situação muito diferente daquela encontrada por Milei no início do governo. A inflação caiu, o resultado fiscal melhorou, as reservas cresceram e a balança comercial melhorou.

Ao mesmo tempo, as expectativas ficaram menos exuberantes e o mercado começa a olhar com mais atenção para a capacidade política do governo de sustentar o programa econômico.

“O mercado aos poucos está percebendo que não é uma festa”, diz Giambiagi.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

Getty Images busca fechar capital em acordo de falência apoiado pela Koch

22 October 2026 at 01:44

A Getty Images entrou com pedido de falência no capítulo 11 nesta quarta-feira (21) com um plano de reestruturação de dívida que tornaria a empresa de mídia visual privada.

Sob o plano de reorganização pré-estabelecido, a família Getty e afiliados da Koch Equity Development assumiriam a propriedade total da empresa por meio de um investimento de capital de até US$ 533 milhões, disse a Getty em um comunicado à imprensa. Os acionistas existentes seriam eliminados.

A Getty, que espera continuar operando durante a falência, garantiu até US$ 143 milhões em financiamento de uma afiliada da Koch para ajudar com o processo de falência. Espera-se que a reestruturação seja concluída até o final do ano.

A falência segue o colapso da planejada fusão de US$ 3,7 bilhões da Getty com a rival Shutterstock, um acordo projetado para reduzir custos e desalavancar. A Getty abandonou o plano depois que um regulador do Reino Unido condicionou a venda à Shutterstock vender seu negócio editorial.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

Justiça rejeita ação do MPT contra Uber sobre pontos de apoio a motoristas

22 October 2026 at 01:34

A 64ª Vara do Trabalho de São Paulo julgou improcedentes os pedidos apresentados pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) em ação civil contra a Uber relacionada à disponibilização de pontos de apoio aos motoristas, segundo decisão de terça-feira (20).

Na ação, o Ministério Público buscava obrigar a plataforma a disponibilizar pontos de apoio aos motoristas em todo o Brasil, com instalações sanitárias, água potável e espaços adequados para espera, repouso e alimentação. Além disso, o órgão solicitou o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

A avaliação da Justiça é de que o processo não tratava do reconhecimento de vínculo empregatício, mas da garantia de condições adequadas de saúde, higiene e segurança aos motoristas, deliberou a juíza do Trabalho substituta Camila Ascenção Queiroz Freitas.

A decisão, contudo, entendeu que as Normas Regulamentadoras são aplicáveis a outras relações jurídicas quando houver previsão legal expressa, não sendo possível estender suas obrigações aos motoristas de aplicativos por analogia.

A sentença também considerou que a implementação de medidas de proteção exige a definição das responsabilidades do poder público, das plataformas e de outros agentes envolvidos.

Entre os fundamentos apresentados, a juíza abordou a existência de iniciativas nos âmbitos legislativo e municipal, além de parcerias para a criação de pontos de apoio.

A magistrada também avaliou que a imposição de obrigações exclusivamente à Uber poderia gerar desequilíbrio concorrencial. Ressaltou, ainda, as diferenças regionais que dificultariam a adoção de uma solução única em âmbito nacional.

Com base nesse entendimento, foi afastada a indenização por danos morais coletivos, uma vez que a juíza concluiu que não houve conduta omissiva por parte da empresa nem responsabilidade que justificasse a reparação.

A sentença também não afastou a necessidade de proteção aos motoristas colaboradores, mas concluiu que as medidas solicitadas não poderiam ser impostas à plataforma nos termos apresentados pelo MPT.

SP: Entenda treta sobre serviço de mototáxi entre Justiça, 99 e Uber

 

USDA aponta alta de 3% na produção de ovos nos Estados Unidos

22 October 2026 at 00:45

Os incubatórios dos Estados Unidos colocaram 246 milhões de ovos de linhagens destinadas à produção de frangos de corte em incubadoras na semana encerrada em 17 de outubro de 2026, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme os dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

No mesmo intervalo, os produtores norte-americanos alojaram 193 milhões de pintinhos para a produção de carne, volume 2% superior ao registrado um ano antes. Os números indicam avanço tanto na etapa de incubação quanto no início da criação das aves destinadas ao abate.

De acordo com o relatório semanal do NASS (Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas), vinculado ao USDA, a taxa média de eclosão dos pintinhos foi de 79,7%. O indicador é calculado pela divisão do número de pintinhos nascidos na semana pelo total de ovos colocados em incubadoras três semanas antes.

No acumulado de 2026, considerando o período da semana encerrada em 10 de janeiro até 17 de outubro, o alojamento chegou a 8,03 bilhões de pintinhos nos Estados Unidos, crescimento de 2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.

Os dados de incubação e alojamento são acompanhados pelo mercado porque ajudam a estimar a oferta futura de carne de frango e a orientar decisões de produtores, frigoríficos e demais agentes da cadeia avícola. Como os pintinhos alojados ainda precisam passar pelo ciclo de criação, os números funcionam como um indicador antecipado da disponibilidade de aves para abate nas semanas seguintes.

O avanço nas duas etapas aponta para uma expansão moderada da atividade avícola norte-americana em relação ao ano anterior. Os dados, no entanto, não permitem concluir isoladamente como será o comportamento dos preços ou da oferta efetiva de carne de frango, que também depende do desempenho produtivo, do peso das aves ao abate, da demanda interna e do comércio internacional.

ABPA projeta US$ 57 milhões em negócios com a Ásia

 

Sudão autoriza importação de carnes, aves e material genético do Brasil

22 October 2026 at 00:40

A autoridade sanitária do Sudão autorizou a entrada de novos produtos agropecuários brasileiros, ampliando as possibilidades de comércio entre os dois países. As aprovações abrangem carnes, produtos cárneos e miúdos de aves, bovinos e caprinos, além de aves de um dia, ovos férteis e material genético para reprodução animal.

A lista de produtos autorizados também inclui bovinos e búfalos destinados à reprodução, bem como embriões bovinos e bubalinos produzidos por técnicas in vitro e in vivo. A medida abre espaço para ampliar as exportações brasileiras tanto de proteína animal quanto de genética e insumos voltados à produção pecuária.

No segmento de aves, a autorização contempla animais de um dia e ovos férteis, produtos utilizados na formação e na expansão de plantéis. Já a liberação de carnes, produtos cárneos e miúdos abrange três grupos de animais — aves, bovinos e caprinos —, ampliando a variedade de itens brasileiros que poderão acessar o mercado sudanês.

Na área de reprodução animal, a inclusão de bovinos e búfalos vivos, além de embriões produzidos por diferentes técnicas, cria oportunidades para o fornecimento de animais e material genético brasileiro destinado ao melhoramento dos rebanhos e à expansão da atividade pecuária.

Exigências da UE geram impacto limitado nas exportações de carnes

 

TCU dispensa análise prévia de novo modelo para cessão de áreas da FNS

22 October 2026 at 00:24

O TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu nesta quarta-feira (21) dispensar a análise prévia do modelo da Oferta Pública proposto pela Infra S.A. para ceder, mediante remuneração, 12 áreas destinadas à implantação de terminais logísticos ao longo da FNS (Ferrovia Norte-Sul).

As cessões onerosas de uso de áreas poderão ser concluídas sem necessidade de manifestação prévia do Tribunal. O plenário da Corte determinou, porém, que a implementação do modelo seja acompanhada em processo específico, sem prejuízo de fiscalizações posteriores caso sejam identificados riscos ou indícios de irregularidades.

As 12 áreas da Ferrovia estão distribuídas por municípios de Tocantins, Goiás a São Paulo e somam aproximadamente 765,5 hectares. Todas classificadas como terrenos destinados à implantação de novas estruturas logísticas, sem infraestrutura operacional pronta para uso imediato.

O modelo foi idealizado pela Infra S.A. para flexibilizar a disponibilidade de terrenos, pátios ferroviários e instalações logísticas sob sua administração.

O procedimento prevê a manifestação de interesse de empresas, a análise de admissibilidade das propostas e elaboração de EVS (Estudo de Viabilidade Simplificado) e a abertura de uma janela competitiva para que terceiros também possam apresentar projetos.

Caso haja interessados concorrentes cujas propostas não possam ser compatibilizadas, será realizado procedimento competitivo simplificado, com critérios objetivos de seleção.

A remuneração da estatal terá uma parcela fixa, calculada com base no VRA (Valor de Referência da Área), e outra variável, vinculada à movimentação efetiva de cargas, mediante aplicação de fator de modulação sobre a tarifa de referência da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Raízen propõe aumento de capital de ao menos R$ 3,5 bilhões

22 October 2026 at 00:17

A Raízen propôs um aumento de capital privado de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões, com emissão de novas ações ordinárias e preferenciais das classes A e B. O preço de emissão será de R$ 0,25 por ação, independentemente da espécie ou classe, conforme comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (21).

A operação faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia e de determinadas controladas, homologado em junho de 2026. A proposta prevê a subscrição mínima de 14 bilhões de ações e ainda depende de aprovações societárias.

O valor máximo da capitalização será definido posteriormente e levará em conta a eventual participação da Aguassanta Participações, a conversão de créditos sujeitos ao plano de recuperação e o exercício do direito de preferência pelos demais acionistas.

A criação das ações preferenciais classe B, a reclassificação das atuais ações preferenciais para a classe A, a instituição de um programa de Units e mudanças no estatuto social serão analisadas em assembleia geral extraordinária e assembleia especial de acionistas preferencialistas, convocadas para 30 de outubro.

Caso as propostas sejam aprovadas, o Conselho de Administração deverá deliberar sobre o aumento de capital em reunião prevista para 5 de novembro.

Direito de preferência

Os acionistas que detiverem ações da Raízen ao fim do pregão da B3 em 5 de novembro terão direito de preferência na subscrição dos novos papéis. As ações compradas a partir de 6 de novembro serão negociadas sem esse direito.

O período para exercício da preferência está previsto para começar em 6 de novembro e terminar em 7 de dezembro, totalizando 30 dias corridos. A proporção de subscrição e a quantidade de ações de cada classe a que os investidores terão direito serão definidas pelo Conselho de Administração e divulgadas posteriormente.

As ações preferenciais classe B não serão negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. Os papéis ficarão registrados exclusivamente nos livros da companhia, mantidos pelo escriturador.

As ações subscritas por meio do direito de preferência deverão ser integralizadas à vista, em dinheiro, na data de liquidação a ser informada pela empresa.

Mudança no código de negociação

Se a reclassificação das atuais ações preferenciais for aprovada nas assembleias, os papéis passarão a ser negociados como ações preferenciais classe A a partir de 3 de novembro, sob o código RAIZ5, em substituição ao ticker RAIZ4.

A Raízen prevê homologar a capitalização em reunião do Conselho de Administração marcada para 16 de dezembro, com crédito das novas ações aos investidores em 18 de dezembro. As datas são indicativas e podem ser alteradas.

A operação integra o plano de recuperação extrajudicial firmado em 5 de junho de 2026, cujo fechamento está previsto para ocorrer até 31 de março de 2027, prazo para o cumprimento das condições necessárias à conclusão do processo.

Eneva conclui venda de térmica Porto do Itaqui para Diamante Energia

22 October 2026 at 00:11

A Eneva anunciou a conclusão da venda da térmica Porto do Itaqui à Diamante Energia nesta quarta-feira (21). A companhia informou, por meio de fato relevante publicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que a operação de permuta de participações societárias prevista em contrato foi finalizada hoje, encerrando a transação.

A decisão de alienação de cotas da usina, que fica em São Luís (MA), foi anunciada no início de setembro e estabelecia a transferência da participação à Diamante em contrapartida à transferência de 50% das ações de emissão da PPTM (Porto do Pecém Transportadora de Minérios S.A.) à Eneva. Com a operação, a empresa passa a ser dona de 100% da transportadora.

Além da permuta, o acordo ainda estabelecia um pagamento em dinheiro à companhia, que foi realizado no valor de R$ 365,3 milhões, considerando a atualização e os ajustes previstos contratualmente.

Também ficou previsto um pagamento de até R$ 467 milhões pela Diamante, sujeito à correção monetária e condicionado à eventual antecipação da data de início do período de suprimento de potência previsto no contrato do LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) de 2026, da Aneel.

No documento, a Eneva destaca que a operação representa a saída da empresa do segmento de geração a carvão mineral, iniciada com a alienação da UTE (Usina Termelétrica) Pecém II, concluída em agosto de 2026.

A empresa também aponta que a consolidação da participação no Hub Ceará fortalece sua nova estratégia, baseada no desenvolvimento de infraestrutura integrada de gás e geração de energia.

No documento, a companhia destaca que o objetivo dos novos planos é “reforçar seu diferencial de oferecer capacidade, flexibilidade e segurança eletroenergética ao sistema brasileiro de forma competitiva e alinhada aos desafios da transição energética”.

Usina de Itaqui

Itaqui começou a operar comercialmente em fevereiro de 2013 e está instalada nas proximidades do Porto do Itaqui, o que facilita o recebimento do carvão mineral importado utilizado como combustível. A usina possui 360 MW de capacidade instalada.

Apesar da venda, Itaqui tem perspectiva de operação de longo prazo. A usina foi uma das vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 e garantiu uma extensão de contrato por dez anos, de 2031 a 2041. No certame, foram contratados 311,7 MW de potência da planta, com receita fixa anual de R$ 503,59 milhões, em valores da data-base do leilão.

Meta tem lucro de US$ 9,86 bi no 3° tri, avanço de 264%

21 October 2026 at 23:49

A Meta obteve um lucro líquido de US$ 9,86 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 264% em relação ao mesmo período do ano passado, com o lucro ajustado por ação em US$ 3,83, abaixo da projeção dos analistas da FactSet de US$ 6,54.

A empresa afirmou que os lucros teriam sido de US$ 7,40 por ação, se não fosse por uma cobrança de quase US$ 10 bilhões resultante de um acordo legal multiestadual nos EUA, decorrente dos casos de dependência de adolescentes em redes sociais.

Já a receita da dona do Facebook foi de US$ 64,60 bilhões no período, acima da expectativa dos analistas de US$ 63,34 bilhões.

“Alcançamos marcos importantes neste trimestre em direção à entrega de superinteligência pessoal para todos – incluindo o lançamento do Muse e Muse Wonder, nosso primeiro modelo de fronteira”, disse o CEO Mark Zuckerberg em um comunicado à imprensa.

As despesas de capital (capex), incluindo os pagamentos de principal relativos a arrendamentos financeiros, totalizaram US$ 34,91 bilhões no terceiro trimestre.

A Meta afirmou que desembolsará entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em despesas de capital este ano, ante sua previsão anterior de capex de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões.

Para o trimestre atual, a Meta disse que espera vendas entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. Antes dos resultados, os analistas estavam projetando US$ 73,65 bilhões em vendas no quarto trimestre.

A Meta também anunciou o estabelecimento de ações ordinárias Classe C, que se tornarão efetivas em janeiro e não afetarão o controle de voto do CEO Mark Zuckerberg.

Às 17h32 (de Brasília), as ações da Meta subiam 4,2% no after hours de Nova York.

*Com informações da Dow Jones Newswires.

Data centers podem abrir novo mercado para vanádio brasileiro, diz Largo

21 October 2026 at 23:45

A expansão dos data centers, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, pode abrir um novo mercado para o vanádio produzido no Brasil.

A avaliação é do co-CEO da mineradora canadense Largo, Alberto Arias, que afirmou, em entrevista ao Mapa da Mina, programa de mineração da CNN, que a demanda pelo mineral para fabricação de baterias de armazenamento de energia tem crescido nos Estados Unidos.

A companhia opera a mina Maracás Menchen, na Bahia, considerada uma das principais operações de vanádio do mundo. O mineral é utilizado principalmente na fabricação de aços de alta resistência e ligas metálicas para as indústrias de defesa e aeroespacial, mas vem ganhando espaço em tecnologias de armazenamento de eletricidade.

“Fizemos muitos investimentos em baterias nos EUA. Criamos uma joint venture com uma produtora de baterias e, nos últimos dois anos, essa empresa está vendo um aumento exponencial de demanda de baterias de vanádio na indústria de data centers”, afirmou Arias.

O executivo se refere à Storion Energy, empresa criada em 2025 a partir de uma parceria entre a Largo e a americana Stryten Energy. A companhia desenvolve componentes e eletrólitos utilizados em baterias de fluxo de vanádio, tecnologia voltada ao armazenamento de energia por períodos prolongados.

Diferentemente das baterias convencionais de íons de lítio, as baterias de fluxo armazenam energia em soluções líquidas que contêm vanádio e circulam entre tanques e células eletroquímicas.

A tecnologia permite armazenar grandes quantidades de eletricidade por várias horas, com longa vida útil e menor risco de incêndio. Por isso, é considerada uma alternativa para instalações industriais, redes elétricas e data centers, que precisam de fornecimento contínuo de energia para manter servidores e sistemas de processamento funcionando.

O crescimento dessas instalações, especialmente das estruturas dedicadas à inteligência artificial, exige investimentos cada vez maiores em geração, transmissão e armazenamento de eletricidade. Para a Largo, esse movimento pode ampliar o consumo de vanádio, tradicionalmente concentrado na indústria siderúrgica.

Arias afirmou que convidou representantes da parceira americana para conhecer a operação da Largo na Bahia e que os executivos ficaram impressionados com o potencial de ampliação da capacidade produtiva brasileira.

“Para o Brasil, é uma capacidade enorme de poder expandir a produção de vanádio para uso em data centers aqui no Brasil”, disse.

A aposta da mineradora é que a expansão dos data centers no país também possa estimular uma cadeia doméstica de armazenamento de energia, criando demanda para o mineral extraído em território brasileiro.

Mina na Bahia e fornecimento aos EUA

A Largo é uma companhia canadense com ações negociadas nas bolsas de Toronto e de Nova York. Seu principal ativo é a mina Maracás Menchen, localizada a cerca de 250 quilômetros de Salvador, que começou a produzir em 2014 e possui um dos depósitos de vanádio de maior teor do mundo.

A operação é realizada a céu aberto e produz principalmente pentóxido de vanádio, composto utilizado na fabricação de ligas metálicas de alta resistência e como matéria-prima para outras aplicações industriais e energéticas.

A importância estratégica do mineral também levou a Largo a ampliar sua atuação no mercado de defesa dos Estados Unidos.

Em junho, a companhia foi selecionada para fornecer pentóxido de vanádio de alta pureza à DLA (Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos), responsável, entre outras atribuições, pela aquisição e formação de estoques de materiais estratégicos para o país.

O contrato integra um programa de compras compartilhado com valor máximo de US$ 125 milhões e duração de cinco anos. Em julho, a Largo recebeu uma primeira encomenda de US$ 60,1 milhões, com entregas previstas até janeiro de 2030.

O material produzido na Bahia será destinado aos estoques estratégicos americanos e poderá atender às necessidades da indústria de defesa, incluindo a fabricação de ligas metálicas utilizadas em equipamentos militares e aeronáuticos.

Para Arias, o movimento reflete o interesse de países ocidentais em reduzir a dependência de fornecedores como China e Rússia em cadeias de minerais considerados críticos e estratégicos.

O executivo defendeu que o vanádio receba maior atenção das políticas de minerais críticos, diante de suas aplicações na indústria de defesa, no setor aeroespacial e nas tecnologias de armazenamento de energia.

Produção de cobre e expansão na Bahia

Além do vanádio, a Largo começou a diversificar sua produção mineral na Bahia. Em agosto, a companhia iniciou a recuperação de concentrado de cobre associado a metais preciosos, após receber autorização da ANM (Agência Nacional de Mineração).

O novo produto é obtido a partir do processamento de materiais da própria operação de Maracás Menchen e contém, além de cobre, elementos como ouro, platina, paládio e prata.

Na prática, a mineradora passou a aproveitar outros minerais presentes no material extraído para produzir um concentrado comercializável, utilizando parte das instalações que já existiam na mina.

Com a expansão das aplicações do vanádio e a diversificação para o cobre e metais preciosos, a Largo busca aumentar a rentabilidade de sua operação brasileira e aproveitar a demanda internacional por matérias-primas estratégicas.

 

Tesla tem lucro de US$ 787 milhões no 3° trimestre, queda de 43,8%

21 October 2026 at 23:39

A Tesla registrou lucro líquido de US$ 787 milhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 43,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro ajustado por ação foi de US$ 0,48, disse a empresa nesta quarta-feira (21) em comunicado.

A expectativa dos analistas consultados pela FactSet era de um lucro ajustado por ação de US$ 0,45.

O fluxo de caixa livre foi de US$ 1,53 bilhão no trimestre, ante número negativo no segundo trimestre, mesmo com a empresa citando investimentos em inteligência artificial (IA) e robótica para ganhar espaço nesses setores. Os gastos de capital mais que dobraram em relação ao ano anterior, chegando a US$ 4,73 bilhões.

A companhia também reportou US$ 28,05 bilhões em receita para o período, praticamente estável em relação ao terceiro trimestre do ano passado, e em linha com previsão dos analistas de US$ 28,05 bilhões.486.532

A Tesla ainda informou que vendeu veículos elétricos globalmente no terceiro trimestre, uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano passado – sua maior fonte de receita. Os modelos SUV Model Y e o sedã Model 3 registraram o maior número de vendas. Nos EUA, o Model Y foi, de longe, o veículo elétrico mais vendido nos EUA.

Às 17h48 (de Brasília), as ações da Tesla subiam 3,4% no after hours de Nova York.

*Com informações da Dow Jones Newswires.

Shows do BTS podem mover mais de R$ 330 milhões em São Paulo, diz SPTuris

21 October 2026 at 23:37

Os três shows do BTS em São Paulo podem movimentar mais de R$ 330 milhões na economia da capital paulista, segundo estimativa da SPTuris (São Paulo Turismo), empresa municipal de turismo e eventos, que considera a arrecadação com ingressos e os gastos dos visitantes na cidade.

As apresentações marcadas para os dias 28, 30 e 31 de outubro devem reunir um público total de 253,3 mil pessoas. Os ingressos se esgotaram em menos de 90 minutos durante a venda realizada em abril.

A receita bruta estimada com a venda de ingressos chega a quase R$ 260 milhões, afirma a SPTuris com base nos preços divulgados pela Ticketmaster para os diferentes setores do estádio.

A empresa calcula que cerca de 20% do público de shows e festivais internacionais seja formado por turistas. No caso do BTS, isso representa mais de 50 mil visitantes, com gasto médio estimado em R$ 1.500 por pessoa.

Com isso, a expectativa é de que os turistas movimentem mais R$ 75 milhões na cidade, principalmente nos setores de hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.

“Queremos que quem venha à cidade para assistir a um grande espetáculo possa descobrir novos roteiros, explorar a gastronomia, conhecer nossos atrativos e aproveitar a variedade de experiências que a capital oferece”, afirmou coronel Marcelo Salles, presidente da SPTuris.

A alta procura pelos shows também ficou evidente na venda de ingressos. Segundo a Ticketmaster, mais de 630 mil pessoas participaram do processo de compra, gerando uma demanda superior a 1,2 milhão de ingressos.

Turismo além dos shows

A passagem do BTS pela capital paulista também deve impulsionar o interesse por atrações ligadas à cultura sul-coreana.

Bairros como Bom Retiro e Liberdade concentram restaurantes, cafeterias e lojas especializadas em gastronomia e produtos coreanos, que podem fazer parte do roteiro dos fãs.

O fim de uma era: como Taylor Swift impulsionou economia dos EUA

 

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