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Pesquisa: Vídeo de Porchat sobre Master “fura bolha” mas campanha de Lula falha nas redes

29 September 2026 at 18:23

O vídeo “Grandes Igrejas, Master Negócios, publicado pelo ator e comediante Fábio Porchat, na semana passada conseguiu dois feitos almejados pela campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. O primeiro foi “furar a bolha” dos grupos já alinhados com as pautas de esquerda, e o segundo foi explicitar o elo entre o maior escândalo financeiro do país, o caso Master, e o grupo político ligado ao principal adversário de Lula na corrida presidencial, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A conclusão é do cientista político e diretor executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães. 

“O Flávio Bolsonaro aparece como o segundo nome mais citado em um caso que nem é diretamente sobre ele, mas o envolve como um potencial beneficiário ou agente envolvido. Depois vêm o André Valadão com 11,6%, e o Nicolas Ferreira com 2,9%.”

O vídeo de Porchat foi alvo de um relatório da Ipse Global que realiza monitoramentos dos temas que movimentam a esfera pública digital para o desenvolvimento de estratégias de marketing político e eleitoral. Em entrevista à Agência Pública, Magalhães não aponta apenas pontos positivos sobre a campanha do presidente candidato à reeleição. 

Magalhães explica que o acesso ao vídeo do Porchat para fora da “bolha” de Lula não significa conversão em voto. “O material circulou mais fora do campo que o produziu do que dentro dele, o que é um caso raro. Mas o alcance não é [necessariamente] adesão. Nós medimos a exposição”, explica. 

Além disso, o cientista político afirma que o marketing eleitoral dos dois principais candidatos à Presidência da República estão perdendo oportunidades de obter resultados melhores nas redes sociais. O motivo seria a adoção de estratégias rígidas, ou como Magalhães nomeou: “receitas de bolo”. Para o diretor, o sucesso do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem ocorrido nas frentes digitais da corrida eleitoral “mais por lacunas deixadas pela campanha do Lula do que por outra coisa.”  

O diretor executivo também faz um alerta, vindo das pesquisas qualitativas realizadas pela Ipse Global. A falta de confiança do eleitor nas instituições e no futuro segue crescendo, o que mantém um forte sentimento anti-sistema. 

“Quem vem com uma proposta de resetar o sistema, uma coisa muito forte em 2018, fabricada pelo [Jair] Bolsonaro, acaba mantendo um eleitorado cativo. E quem sugere uma mudança no sistema, segura esse eleitorado”, argumenta.

Segundo Magalhães, isso é um desafio para o presidente que está no poder e, para o eleitor, mantém e representa esse mesmo sistema. “A campanha do Lula não entendeu que precisa dar esperança, que as pessoas precisam de caminho. [Falta dizer] ‘olha, nós também estamos insatisfeitos, se nós pudéssemos, teríamos feito mais, não tivemos oportunidade, mas, a gente quer fazer mais’”, conclui. 

Leia os principais trechos da entrevista de Leonardo Magalhães à Pública: 

Cientista político e diretor executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães
Cientista político e diretor executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães

No relatório sobre as reações ao vídeo do ator Fábio Porchat, os dados mostram que o engajamento diário saltou de 1,15% para 5,78% em uma semana. Esse vídeo conseguiu furar a bolha e chegar aos eleitores indecisos?

Chegou a quem não tem lado fixo, mas não há evidência matemática de que tenha convertido alguém. Na análise de mídias sociais, você não consegue cravar a conversão de voto a menos que tenha uma massa histórica de dados muito explícita. O que o dado preciso nos mostra é que o engajamento quintuplicou em uma semana, e o pico não aconteceu no dia do lançamento do vídeo, mas no dia da remoção do perfil do ator pelas plataformas.

Foram duas pautas que se somaram: a denúncia original e a pauta da censura. Essa segunda acabou se sobrepondo, o que atraiu muito o público que consome teorias de conspiração e polêmicas. Entre os perfis sem posicionamento definido, uma em cada quatro publicações nomeava o vídeo ou o Porchat. Na bolha de esquerda, era apenas uma em cada oito. O material circulou mais fora do campo que o produziu do que dentro dele, o que é um caso raro. Mas o alcance não é [necessariamente] adesão. Nós medimos a exposição. 

Entre os nomes citados no caso, Daniel Vorcaro concentra o maior desgaste, seguido por Flávio Bolsonaro; instituições como a Igreja Batista da Lagoinha lideram o engajamento. É possível concluir que o episódio conseguiu ‘colar’ o escândalo do Banco Master ao campo bolsonarista?

Sim, eu diria que sim, os nomes citados e a forma como eles são citados também evidenciam isso. O Flávio Bolsonaro aparece como o segundo nome mais citado em um caso que nem é diretamente sobre ele, mas o envolve como um potencial beneficiário ou agente envolvido. Depois vêm o André Valadão com 11,6%, e o Nicolas Ferreira com 2,9%.

O dado mais forte é que a associação da Igreja da Lagoinha com o caso, que lidera com 49% do engajamento, não foi construída por um argumento lógico-racional, mas, sim, por cenas e imagens que circularam massivamente. O caso produziu uma quantidade enorme de registros visuais e testemunhos, o que fixa a denúncia no imaginário de forma muito mais profunda do que um texto escrito. 

A campanha de Lula tenta explorar esses episódios de corrupção do adversário, mas sem o mesmo sucesso digital. Por que o vídeo do Porchat funcionou e a comunicação oficial do governo não funciona?

Porque o emissor faz parte da mensagem. No caso do Banco Master, os influenciadores respondem por 38,5% do engajamento e os políticos por apenas 21,2%. No debate digital sobre o presidente Lula na ONU, por exemplo, a proporção se inverte: 55,3% da indignação da oposição é produzida diretamente por agentes políticos e não por influenciadores.

[Essa] denúncia feita por um político é imediatamente lida pelo eleitor como peça de campanha. Ela ativa o modo de defesa do campo adversário na mesma hora. Já a denúncia feita por alguém de fora do sistema partidário é lida como apuração independente ou como uma resposta legítima da sociedade. 

O adversário fica sem saber como responder, porque ele não pode atacar a sociedade civil diretamente, a menos que tente rotular aquele emissor como militante. Esse caminho de usar influenciadores, a campanha pode estimular na informalidade, mas não pode assinar, porque no momento que assina, que isso faz parte da campanha, o efeito [positivo] acaba sendo desfeito.

O campo bolsonarista optou pelo silêncio estratégico sobre o vídeo do Porchat. Essa tática de não responder foi positiva para eles nas redes?

Para eles foi, na verdade, a melhor opção que tinham à disposição. E, claramente, foi bem mais deliberado do que parece. Na bolha de direita, não localizamos publicações de destaque mencionando o Porchat ou o vídeo. Eles falam do “caso Master”, mas ignoram a peça que os acusa.

Na lógica das plataformas, responder equivale a distribuir. Cada refutação que eles tentassem fazer entregaria ao denunciante uma audiência que ele não teria sozinho, transformando uma acusação de terceiros em uma conversa entre pares. 

Por outro lado, o silêncio custa caro para o Flávio Bolsonaro: quem não responde, não enquadra o assunto. Eles perderam a chance de definir o significado do caso, aceitaram o enquadramento do adversário e deixaram o tema livre para ser reciclado no futuro. 

O que a força desses escândalos e a fragilidade do debate eleitoral formal revelam sobre quem pauta uma campanha digital hoje?

Não existe uma resposta única e isso fica evidente na diferença entre os casos [analisados]. O escândalo [do Master] é pautado por quem está fora da política institucional, ou na oposição. Já a disputa eleitoral, propriamente dita, continua nas mãos dos políticos. 

No debate sobre o presidente Lula na ONU, 55,3% [do engajamento] foi gerado por políticos da oposição e 38,2% [gerado por políticos aliados] de apoio. [A soma é de 93% do engajamento total]. 

A imprensa é minoritária em engajamento nos dois casos citados: Master ou campanha eleitoral. […] A gente está vendo também um desarranjo muito grande do sistema de mídia, que é um sistema híbrido [tradicional e redes sociais]. 

A gente tem uma pauta que está ocupando a agenda inteira [caso Master]. A campanha está muito morna, não se fala praticamente de campanha, não se sente um clima de campanha. Isso de alguma maneira está gerando um prejuízo para a campanha do Lula, que é quem deveria, ou poderia, estar falando dos feitos deste último governo, de qual direção quer para o futuro, e não estão conseguindo. Está falando basicamente [do caso Master]. 

A própria mídia ajuda muito nisso e eu entendo. É interessante falar e explorar o caso Master por uma questão de audiência. Se não fizer isso, vai perder a audiência para outro que vai fazer. É o caso mais interessante e ficar falando de proposta acaba não sendo tão palatável, pensando na lógica da economia da atenção.

Pensando em Lula e Flávio Bolsonaro, alguma campanha está vencendo o debate sobre o caso Master?   

Não acredito que o campo da oposição, dos bolsonaristas, tenha entendido como usar melhor o caso. Acredito que a campanha do Lula está comendo algumas bolas, [vejo] oportunidades perdidas. Talvez por não entender como utilizar o marketing político, porque ele está cheio de “receita de bolo”. Por mais que a gente fale de profissionalização e modernização das campanhas eleitorais, e de uso maior de dados segmentados, que é como a Cambridge Analytica, que ficou famosa há anos atrás.

Na minha visão, ambas as campanhas estão usando essas “receitas de bolo” para ganhar vantagem em cima do adversário. A do Flávio Bolsonaro está usando uma estratégia mais de contenção e está se dando bem mais por lacunas deixadas pela campanha do Lula do que por outra coisa.

A campanha do Lula aplicou uma regra que tende a funcionar em eleições genéricas que é a da campanha negativa, para desidratar um adversário. Principalmente, quando o adversário está tão associado, de forma tão óbvia, com provas, com imagens, a um caso de corrupção grande como é o caso Master. 

Só que eles [da campanha de Lula] estão esquecendo de analisar o presente, como as coisas estão funcionando de fato, com uma mentalidade mais pragmática, não o que normalmente funciona. Na questão do Banco Master, tudo aquilo que envolve corrupção, as pessoas [que votam em Flávio] já colocaram na conta. 

A campanha de Lula não entendeu [isso], apesar de todo o barulho que vários atores estão fazendo, imprensa, influenciadores, a própria campanha, toda a esfera política aliada ao Lula, e nem isso está desidratando o Flávio. 

Como o governo poderia quebrar essa dinâmica?

A oposição não tem como lutar no terreno da entrega material, campo no qual o governo teria vantagem, mas, por algum motivo, está ignorando isso. Acredito que seja porque [Lula optou por] aplicar uma “receita de bolo” na campanha eleitoral. 

O que a oposição faz é lutar num terreno mais favorável e o próprio campo governista está contribuindo. Em qualquer outra eleição, com qualquer outro candidato, em qualquer outra circunstância, um candidato com as suspeitas que recaem sobre o Flávio Bolsonaro não teria a menor chance de vencer. Não alcançaria nem 5% [dos votos]. Mas, evidentemente, tem alguma coisa ligada ao antipetismo [ou] ao bolsonarismo, que faz a oposição lutar em um terreno mais favorável.

Para reverter isso [é preciso] atuar com mais informação. [A campanha de Lula] tem que dar uma forma narrativa ao que já foi entregue [pelo governo]. Com rosto, emoção, lugar, conflito, mostrar um antes e um depois, indicar para onde quer ir.

Isso que o governo deveria fazer, enriquecer essa narrativa para se diferenciar do adversário, ele pode fazer isso. Mas tem que entregar de uma maneira mais sistêmica essa narrativa. Não é colocar todas as fichas em cima de falar sobre os defeitos do adversário, quando isso não está funcionando e talvez não funcione também no segundo turno. 

O vídeo [do Porchat] é um modelo de formato. Ele conta uma história que funciona, com personagens, não é um balanço de governo. Como campanha negativa, [porém], não é a resposta ideal para a campanha do Lula porque continua jogando exclusivamente nesse campo [de abordar o escândalo do Master] que é um campo menos pior para o adversário [Flávio Bolsonaro].  

O relatório aponta que o enquadramento de “corrupção moral” responde por 67,2% dos debates do caso Master. Já os sentimentos de indignação e desprezo geram 85% de reações relacionadas a ele. Por que a pauta moral engaja tanto mais do que os debates sobre economia e entregas sociais?

A razão disso é mais econômica, no sentido de custo [pessoal]. A acusação moral não exige que o eleitor verifique nada, é o suficiente. [O eleitor] precisa apenas reconhecer uma cena. Já a entrega material exige que o eleitor identifique um benefício na própria vida, ou na vida de quem ele reconhece como família, ou, de maneira um pouco mais ampliada, como comunidade. E esse processo é bem mais lento e menos compartilhável.

O que as pesquisas qualitativas estão identificando e como isso afeta o comportamento eleitoral brasileiro?

O que a gente vê é uma falta de confiança enorme, crescente, nas instituições, no futuro, no outro. E também uma insatisfação muito grande com o sistema. Como se, após várias décadas de promessas de que haveria crescimento na qualidade de vida, isso não se sustentasse mais.

As pessoas estão insatisfeitas, têm que colocar a culpa em alguém. Então, quem vem com uma proposta de resetar o sistema, uma coisa muito forte em 2018, fabricada pelo [Jair] Bolsonaro, acaba mantendo um eleitorado cativo. E quem sugere uma mudança no sistema, segura esse eleitorado.

A campanha do Lula não entendeu que precisa dar esperança, que as pessoas precisam de caminho. [Falta dizer] ‘olha, nós também estamos insatisfeitos, se nós pudéssemos, teríamos feito mais, não tivemos oportunidade, mas, a gente quer fazer mais’. 

A resposta que [o governo Lula] deu nos últimos anos é muito baseada na defesa do sistema, em fazer certos acordos, e não em combater o bolsonarismo. Apesar de ser mais neoliberal, mais pró-sistema do que o governo Lula, [o bolsonarismo] habilmente monopolizou a rebelião antissistema.

Nossa Senhora Aparecida vira evento eleitoral e aprofunda crise entre ministros do STF

28 September 2026 at 22:34

Nossa Senhora Aparecida se transformou em um dos maiores eventos políticos de 2026, com 1,3 milhão de publicações e 12,4 milhões de interações entre 23 e 27 de setembro, ou seja, na penúltima semana antes do primeiro turno das eleições. A informação é do monitoramento realizado nas redes sociais neste período pelo Instituto Democracia em Xeque (IDX).

Não foi sem razão, portanto, que a campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou, já na sexta-feira, 25 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tendo como o alvo a publicação do humorista Antonio Tabet.

A alegação dos advogados de Flávio era que se tratava de desinformação, uma mentira, afirmar que ele apoiava a retirada do título de “padroeira do Brasil” da santa. De fato, o post de Tabet ocorreu em meio a uma onda de desinformação sobre a relação do senador com um Projeto de Lei apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli (PP-MT), pastor evangélico e arquivado em 2008. A proposta alterava a lei do feriado de 12 de outubro, trocando “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, conforme a Agência Pública mostrou.

Flávio Bolsonaro batizado no rio Jordão, em Israel, numa repetição de ato feito pelo pai em 2016
Flávio Bolsonaro batizado no rio Jordão, em Israel, numa repetição de ato feito pelo pai em 2016

O que o relatório do IDX mostra, entretanto, é que o debate sobre o assunto nas redes sociais ultrapassou rapidamente a “fake news” e se desenvolveu no embate político sobre liberdade religiosa, intolerância, defesa da padroeira e impacto eleitoral.

“A maior parte da conversação está em torno do debate cultural, religioso, judicialização, liberdade de expressão e defesa da padroeira, com 83% do universo analisado. Somente 17% do universo mencionam a acusação que originou a controvérsia”, afirma o relatório do Instituto.

A própria publicação de Antonio Tabet não faz relação direta ao projeto de lei. Trata-se de uma imagem da santa com a frase: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”.

Dino versus Mendonça

O tangenciamento entre o que é desinformação e o que acabou se tornando debate político, gerou uma nova batalha de decisões entre ministros de dois tribunais superiores, que deve ser levada ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo, 27 de setembro, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu as decisões do colega André Mendonça da última sexta-feira, 25, que determinava às redes sociais como X (antigo Twitter), Facebook, Instagram, TikTok e YouTube a retirada de postagem de Tabet e de outras contas nas redes sociais. Uma das decisões de Mendonça relaciona mais de mil links de publicações sobre o mesmo tema que deveriam ser retiradas pelas empresas responsáveis pelas mídias sociais.

Mendonça também afirmou na decisão, como atual vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que as redes sociais “atuem preventivamente contra a disseminação dos conteúdos abrangidos por esta decisão”. A decisão do ministro, derrubada por Dino, ainda fixa uma multa diária de R$ 50 mil ao provedor que não cumprir a medida.

Entre as justificativas do ministro Flávio Dino para anular as decisões de Mendonça está o risco de “censura em massa”, diante da “‘derrubada’ de milhares de postagens, inclusive de adeptos do culto à Nossa Senhora Aparecida”. Além disso, Dino afirma que o TSE “delegou largos poderes censórios às empresas de internet”, e que é necessário um “debate sobre o controle de constitucionalidade de decisões monocráticas de um ilustre ministro que faz parte de um Tribunal Superior”.

O ministro ainda salienta no documento a importância de valores como a liberdade religiosa, “já que o tema de fundo em discussão pública refere-se à determinação legal de ser Nossa Senhora Aparecida a ‘Padroeira do Brasil’”. Na mesma decisão, Dino solicita a análise da questão pelo plenário do Supremo.

Com a suspensão da derrubada de seu posicionamento, Tabet, também no domingo, publicou novamente a foto da santa com a mesma frase. O humorista ainda escreveu na rede social X: “Flavio Dino acabou de derrubar a decisão de André Mendonça, ‘preservando a liberdade de expressão e a liberdade religiosa’ dos que defendem Nossa Senhora Aparecida. Como será impossível restabelecer a postagem que foi apagada, vou publicá-la novamente. E conto com vocês para fazê-la chegar mais uma vez a todos que a viram e aos que não puderam vê-la”.

Nesta segunda-feira, 28 de setembro, a defesa de Flávio Bolsonaro solicitou ao ministro Luiz Fux que suspenda a decisão que liberou o post de Antonio Tabet e de outras contas nas redes sociais. A tese defendida agora pelos advogados de Flávio é que o combate à desinformação eleitoral cabe apenas ao TSE, e não ao STF.

As divergências mostram como as decisões dos ministros nos dois tribunais superiores influenciam e estão influenciadas pela disputa eleitoral. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, aceitou reunir-se com o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, com o vice do tribunal eleitoral, André Mendonça, e com o ministro Dias Toffoli, que também faz parte das duas cortes, também nesta segunda-feira, após a publicação da decisão de Flávio Dino.

Segundo o blog do Oswaldo Cruz, no G1, os ministros estariam levando ao presidente Fachin o descontentamento por uma suposta tentativa dos outros membros da Corte, como Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes, de levar a crise do STF para o TSE. Eles criticam uma postagem feita pelo ministro decano Gilmar Mendes de 19 de setembro, nas redes sociais, onde afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral deve se comprometer com “uma atuação apartidária e fiel à Constituição”.

Tanto Nunes Marques quanto André Mendonça foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Já Flávio Dino foi indicado pelo presidente Lula e tem se manifestado no STF em concordância com Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso, e Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer.

O ministro Flávio Dino reafirmou em documento à determinação legal de ser Nossa Senhora Aparecida a ‘Padroeira do Brasil’

O que não é “fake news”

Um possível ataque por políticos evangélicos à Nossa Senhora Aparecida não é um tema recente na política brasileira. O boato de que Jair Bolsonaro, caso ganhasse as eleições, tiraria o título de “padroeira do Brasil” também circulou nas eleições de 2022.

A resposta do senador Flávio Bolsonaro à desinformação neste pleito, afirmando que se tratava de uma ação orquestrada entre a campanha do adversário Lula e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entretanto, não agradou a entidade que respondeu. “A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”, afirma uma nota de esclarecimento publicada no site da CNBB.

A jornalista Daniela Lima, do Uol, apurou que os ataques à Nossa Senhora são monitorados pela Igreja Católica há cerca de sete anos, junto com o aumento da intolerância religiosa que inclui também ataques a templos, inclusive de religiões afro-brasileiras, católicos e judeus. Ela cita um vídeo publicado em agosto deste ano pelo candidato do PL em que, ao explicar por que não pretendia participar de debates sem a presença de Lula, afirma: “quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

A frase dita por Flávio aparece no monitoramento das redes sociais. Segundo o relatório, “no recorte temático, conteúdos sobre ‘retirada do título e eleição’ somam 108.563 resultados, enquanto ‘PL 2.623, Galli e Bolsonaros’ reúne 73.622.” Em sua análise, o IDX que “registros históricos de ataques à imagem de Nossa Senhora e manifestações de lideranças evangélicas” foram utilizados pelo campo progressista “para sustentar que a discussão religiosa possuía antecedentes”.

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